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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Juventude e experiência na Copa

11/07/2010 - 18:36 - por Raphael Perret

A Espanha foi campeã mundial de futebol com jogadores acostumados a decidir torneios em suas divisões de base. É um trabalho que vem de longa data, e culminou com dois grandes títulos: o europeu de 2008 e o do mundo, em 2010. A Alemanha também trouxe vários jovens à Copa e surpreendeu com bom futebol na maioria dos jogos, e caiu diante, exatamente, da Espanha. Por isso ficou “apenas” com o terceiro lugar.

Não, não adianta trazer um time junior ao Mundial, crente de que esta é a fórmula para a grande conquista. O fundamental é saber mesclar a juventude e a experiência. Os mais novos têm a vitalidade para disputar jogos cada vez mais difíceis. Os mais velhos, a tranquilidade para lidar nos momentos complicados.

O Brasil, todos sabem, trouxe o time mais velho do Mundial (e, se não me engano, o mais velho que já trouxe a uma Copa). E, mesmo assim, a experiência não se traduziu exatamente na “tranquilidade” esperada. Claro, houve outros fatores que determinaram a derrota nas quartas-de-final na África do Sul. Mas seria muito difícil vencer a Copa sem atletas mais novos.

Por isso que a frase mais curiosa da semana vem do presidente da CBF. Em entrevista ao programa Bem, Amigos, ele disse, com a cara mais lavada do mundo (e com grifo meu):

É importante que todos tenham consciência de que, para nos prepararmos bem, temos de fazer um grande sacrifício na montagem do time. Será um projeto de no mínimo cinco anos. Mas tem algumas coisas aí. Recebi da Fifa um documento que mostra que o Brasil levou apenas um jogador abaixo de 23 anos. A Alemanha levou nove, a Argentina, três, Gana, 11 e Espanha, seis. Depois da Copa de 90 eu trouxe o Falcão, que criou jogadores de futuro como o Cafu mas foi sacrificado porque não teve resultados e não houve a paciência necessária. Agora isso vai mudar.

Mas, mas… ele precisou receber um documento da Fifa pra saber que um subordinado dele convocou apenas um jogador abaixo de 23 anos?

Este é o presidente da Confederação Brasileira de Futebol. Que sua última frase se torne real: “Agora isso vai mudar”.

Ah, e parabéns, Espanha!

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Pitaco sobre a Copa – ou melhor, sobre a Alemanha

03/07/2010 - 13:03 - por Raphael Perret

Uma pena sobrar tão pouco tempo para acompanhar a Copa do Mundo e, mais do que isso, realizar meu preferido exercício, que é opinar sobre o assunto. :-)

Mas depois de ver o massacre germânico sobre nuestros hermanos, fui obrigado a escrever esta notinha, bem depressa.

A Alemanha está mostrando algo nesta Copa em que sempre acreditei: é possível jogar bem mesmo sem grandes craques, mas valorizando o coletivo com troca de passes eficiente (e PRA FRENTE), velocidade e entrosamento. O time de Klose e Podolski é equilibradíssimo: uma defesa firme, que marca bem, e um ataque técnico, rápido e preciso. A organização é tamanha que mesmo nos contra-ataques o time chegava com 5 jogadores. Os resultados são evidentes: 4 a 1 na Inglaterra, 4 a 0 na Argentina. Duas campeãs mundiais, duas grandes rivais, duas vitórias inquestionáveis.

Favoritaça ao título, a Alemanha conta com a minha torcida. Espero que a baixa temperatura do meu pé não estrague a campanha da tricampeã mundial.

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Satisfações

30/05/2010 - 19:10 - por Raphael Perret

Pintando o quartinho do Caetano

Sumi, né?

Estou de olho, de vez em quando, neste precioso espaço. Mas está difícil escrever. O trabalho me absorve, tenho muitas atividades após o horário laboral e, ao fim de semana, resta o único tempo possível para me dedicar aos preparativos da chegada do Caetano.

Acredito que poderei voltar a escrever em breve, não chorem. Aí em cima, uma foto que retrata bem o que tem sido minhas últimas semanas: arrumando as coisas para nosso bebê (no caso, pintando o quarto dele) :-)

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Música, Rio, Legião Urbana, futebol e literatura

06/05/2010 - 07:20 - por Raphael Perret

Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. Pitacos:

Capa do livro "Canções do Rio"Canções do Rio – organizado pelo amigo Marcelo Moutinho, reúne artigos sobre a presença da cidade do Rio no cancioneiro brasileiro. O time escalado ganha mole qualquer Brasileirão de cronistas: João Máximo, Sério Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger, cada um abordando uma fase cronológica ou um (ou mais) estilo musical. Ler os textos é uma delícia, pois dá uma vontade enorme de ouvir todas as músicas citadas. E a absorção do livro continua após a leitura, uma vez que, na internet, é fácil achar as letras completas ou baixar as músicas e ouvi-las. O chato de Canções do Rio são algumas redundâncias e, principalmente, a concisão – compreensível – dos textos. Cada artigo começa tentando defender alguma tese, mas no fim se revela superficial, dando um gostinho de quero mais. Como um despertador de novos estudos sobre a Cidade Maravilhosa como musa dos letristas, o livro funciona muito bem.

Capa do livro "Como se não houvesse amanhã"Como se não houvesse amanhã – coletânea de contos inspirados em 20 canções da Legião Urbana, organizada por Henrique Rodrigues. Cada autor pôde escolher uma música e, no fim, todos os discos foram contemplados na obra. Em alguns casos, o contista usa a música como trilha sonora para uma história; em outros (maioria), a letra é recontada por meio de uma nova ação. Infelizmente, a diversidade incorreu não apenas na narrativa, mas na qualidade dos textos. Enquanto alguns se destacam pela criatividade e fuga do óbvio, como “Tempo perdido” (de Tatiana Salem Levy) e “Por enquanto” (de Renata Belmonte), outros pecam pela ingenuidade ou por serem meros exercícios de demonstração de riqueza vocabular. Em comum, entre todos, um cheiro de perda, dor e tristeza. Astros predominantes no universo de Renato Russo.

Capa do livro "Passe de letra"Passe de letra – compilação de crônicas escritas por Flávio Carneiro, professor de Literatura da Uerj, para coluna que ele manteve entre 2007 e 2008 no jornal literário Rascunho, de Curitiba. Mistura observações sobre o esporte bretão em muitos de seus aspectos com a experiência do autor como jogador de futebol, antes de optar pelo vestibular para a faculdade de Letras. O texto é sempre bem-humorado, repleto de situações cômicas, porém emocionante nos momentos mais sensíveis, como o texto em que o autor fala de sua escolha de Sofia entre o vestibular e a carreira esportiva. As narrativas, verdadeiros “causos” do futebol, são tão bem construídas que o leitor é capaz de questionar onde há verdade e onde há ficção – mas isso acaba sendo irrelevante. Pode agradar a quem curte o futebol mas não tem intimidade com a leitura, assim como pode ser prazeroso aos fãs de livros e têm repulsa pelo esporte mais popular do Brasil. Para quem gosta de futebol e literatura, é um deleite.

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Venha, Caetano

07/04/2010 - 21:57 - por Raphael Perret

“O sexo… Não tem nem dúvida! Tá aqui o saquinho… o piruzinho”…

…dizia o médico, enquanto um cursor na tela do ultrassom envolvia as partes íntimas do meu filho, que há 4 meses e meio flutua na barriga da mamãe. Aquelas palavras, ditas de forma tão banal, em um tom tão monocórdio quanto o que ele usou ao descrever o tamanho do fêmur ou a localização do rim direito naquelas imagens gelatinosas, destruíram qualquer expectativa criada para a informação mais esperada desde… desde… o teste da gravidez da Adriana.

Aliás, olhei para a Adriana na hora da confirmação e esperava encontrar cumplicidade na surpresa. Mas ela, tão convicta de que trazia um menino desde a formação do zigoto, ouviu o médico como se escutasse uma notícia de rádio que se repete de hora em hora. Só reagiu quando me viu: sorriu, com aquela famosa cara de “não falei”?

A verdade é que eu imaginei um mínimo de cerimônia antes daquela informação tão aguardada. “Vocês querem saber o sexo?” “Vocês já sabem o sexo?” “Depois dos comerciais, saberemos se este bebê é menino ou menina! Má oeeeeeeeeee”. Alguma coisa assim. Mas não. A descoberta veio despretensiosa, perdida entre outras descrições anatômicas.

Hoje, tenho muito mais convicção da importância desse momento. Agora que sei que vem aí um garotão cheio de saúde e vontade de viver (amém!), consigo enxergar melhor os próximos meses e anos. O tipo de roupa que lhe compraremos, os gestos que podemos dele esperar, os sonhos que podemos ter. Descobrir o sexo do bebê ajuda muito na personificação desse novo indivíduo que já é tão querido sem sequer ter visto a luz do sol. É como se saber que vem um menino (e seria igual se fosse menina) contribuísse para deixar meu filho cada vez mais próximo e mais real.

Venha, Caetano. Papai e mamãe te esperam.

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