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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Políticos no Twitter: uma dica

23/01/2010 - 12:28 - por Raphael Perret

Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito: notinha interessante da Folha Online revela que a ferramenta de microblogging poderá ser a grande novidade da campanha eleitoral de 2010, mas está sendo usada de forma inadequada pelos pré-candidatos a presidente, governadores, deputados e senadores. Dentre os maiores pecados, estão o fracionamento de longas mensagens em vários “tuítes”, excesso de autopropaganda e, óbvio, a falta de interação com os outros usuários.

Na boa, a grande dica para os políticos é que sejam apenas eles mesmos. Conversem no Twitter. Esclareçam dúvidas. Digam o que acham da vida. Repassem links que julguem interessantes. Evitem falar somente de política. Vocês poderão até não conseguir votos. Mas conseguirão respeito.

Hão de dizer que os políticos ainda estão aprendendo a mergulhar neste novo (novo?) mundo. Ok, pode ser. Mas é bom que aprendam depressa, pois o preço é a pagação de mico.

Soube pelo Alexandre Sena.

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O clube do filme, do pai e do filho

14/01/2010 - 22:21 - por Raphael Perret

Capa do livro 'Clube do filme', de David Gilmour

Ex-crítico de cinema, David Gilmour (que não é o guitarrista do Pink Floyd) está desempregado e, como se não bastasse, vê seu filho Jesse, de 15 anos, ter tanta afinidade com a escola quanto tem um ateu com a igreja. O pai propõe ao jovem que, sim, ele pode abandonar as aulas, desde que assistam, juntos, três filmes por semana. Jesse aceita. O desenrolar das sessões é contado por David em O clube do filme.

O autor admite, em tom franco, que não sabia aonde chegaria essa tática de descabelar os pais mais ortodoxos. E o livro é conduzido de tal forma que o leitor não tem a menor ideia no que o “clube” vai se desdobrar. Será que Jesse se tornará um crítico de cinema (se fosse um filme, este talvez fosse o desfecho mais óbvio)? Um bandidão? Um PhD em Astrofísica? Só se descobre seu futuro na última página.

Mas no que Jesse se transforma após o “clube do filme” é secundário. O mais importante é o relacionamento entre pai e filho no período da experiência, que se torna profundo de uma maneira que seria impossível se David estivesse empregado e se Jesse frequentasse a escola diariamente.

O cinema foi a aliança que uniu pai e filho em época tão difícil da vida de ambos. Porém, menos pelos filmes em si, mais pelos momentos em que passaram juntos.

Foi graças ao “clube” que David descobriu as questões que afligiam Jesse, fontes de recordação de sua própria juventude e que lhe possibilitaram se aproximar tanto de seu filho. As angústias do jovem são bem semelhantes às de qualquer adolescente, e é isso que torna O clube do filme bem prazeroso: o livro trata de um pai e um filho adolescente que conseguem se entender, trocar ideias, serem respeitoso um com o outro… serem amigos. São duas pessoas comuns vivendo uma relação que é tão incomum hoje em dia mas, ao mesmo tempo, tão genuína.

Ah, e subjacente a tudo, um passeio pelo cinema, com comentários técnicos e afetivos de David Gilmour sobre os filmes exibidos. Para quem curte, as observações funcionam como cimento entre os tijolos que compõem a verdadeira história de O clube do filme.

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Boris Casoy, garis e redes sociais

02/01/2010 - 12:14 - por Raphael Perret

O ano de 2010 começou quente no mundo da mídia. Na verdade, a chama esteve acesa antes mesmo da meia-noite de 1º de janeiro: no último dia de 2009, Boris Casoy, apresentando o Jornal da Band, deixou escapar comentários ultrapreconceituosos contra garis que desejavam feliz ano novo. Veja abaixo:

O apresentador, no dia seguinte e no mesmo telejornal, pediu – tímida e rapidamente – desculpas “aos garis e aos telespectadores”, confira:

O vazamento da “brincadeirinha” de Casoy foi assunto recorrente no Twitter e em e-mails que recebi no primeiro dia de 2010. Está mais do que claro que a repercussão só foi grande porque o vídeo se espalhou depressa pela internet, via YouTube e redes sociais. Sem essa difusão, jamais o apresentador teria que passar pelo constrangimento de pedir desculpas no ar por seus comentários.

Pergunto-me se as piadinhas de Boris Casoy tivessem sido proferidas há dez anos. Elas se transformariam em mais uma dessas lendas da TV brasileira, assistidas por alguns poucos “sortudos”, que jurariam ter ouvido as frases, mas jamais poderiam confirmar que elas realmente foram ditas. Algo parecido com a lenda de que Lobão teria discutido de forma chula com Clodovil no antigo programa de entrevistas dele: muita gente diz que viu, mas as cenas nunca apareceram e Lobão já afirmou que nunca teria sido tão grosseiro (veja o final da página 20 desta entrevista do cantor à Playboy em 2000).

Enfim, tudo isso pra dizer que, se ainda não sabemos pra onde vai esse mundo com a explosão das redes sociais, a certeza é que, hoje, é impossível ser dissimulado: tudo está registrado. A responsabilidade sobre o que é dito, no ar ou não, é cada vez maior. Se os sites da WWW são as cidades onde residem os dados, as redes sociais são as estradas que fazem a informação circular e se difundir.

Atualização (03/01, às 12:05): caros visitantes, comentem à vontade, mas evitem usar palavras ofensivas ou racistas. Sou o responsável por este espaço e não quero ter problemas judiciais por conta de declarações irresponsáveis. Qualquer comentário com ofensas pessoais será excluído.

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O problema não é o metrô, é tudo!

21/12/2009 - 21:36 - por Raphael Perret

Com o perdão do termo, hoje foi foda.

Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in Rio, informava que uma composição avariada na estação Flamengo causava irregularidade nos intervalos. De fato, meu trem, sentido zona sul, demorou bem mais que o normal, assim como estava mais cheio do que de costume.

Ao passar pela estação do Catete, notei que as plataformas no sentido contrário (zona norte) estavam abarrotadas, chegando ao ápice da lotação no Largo do Machado, parada seguinte. O mais bizarro foi ouvir uma gritaria e perceber que ela vinha de um trem que saía lentamente da estação, no sentido zona norte, todo escuro e com gente dentro (?!?!). Pra completar o surrealismo do momento, o alto-falante do meu trem ecoava um homem gritando, em certo tom de desespero, “SIGILO! SIGILO!”.

Em Botafogo, meu destino, a situação da Carioca se repetia e filas enormes se formavam diante das catracas. Algo perto do caos.

Registrei mais ou menos no Twitter tudo que aconteceu – com algum delay, pois é Claro (com trocadilhos, por favor) que não consegui acessar o programinha dentro do metrô.

Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009

Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009 (clique para ver em tamanho normal)

Já recebi comentários dizendo que não houve problema algum na estação Flamengo. Alguns também lembraram que hoje houve a inauguração da estação General Osório e da conexão Pavuna-Botafogo, com a presença do presidente Lula (aliás, é o fim da picada que o presidente da República venha inaugurar UMA estação de metrô numa cidade como o Rio de Janeiro). Enfim, não tenho a menor ideia do que está acontecendo pra um sistema de transporte que era bonzinho ter se tornado decadente tão depressa.

Já tratei deste problema há quase um mês, quando foi proposto um boicote ao metrô. As razões da queda da qualidade permanecem obscuras. O Metrô, ao menos, assume que opera “no limite”. Mas vou lançar uma hipótese aqui. A descrição dela vai ser simples; sua existência, porém, é complexa.

Se o metrô diz que opera no limite, então houve um aumento do número de passageiros de uns tempos pra cá. Seria um reflexo de uma suposta superpopulação carioca? Não creio. Lembram-se quando questionei a inflação descabida dos preços dos imóveis na zona sul? No bom debate que lá rolou, uma das possíveis conclusões foi a demanda maior por casas e apartamentos em bairros próximos ao metrô. Esta procura seria motivada pela vontade do cidadão em passar longe do trânsito cada vez mais caótico do Rio de Janeiro. Com ar condicionado, intervalos pequenos entre um trem e outro e imunidade a engarrafamentos, o metrô parecia ser uma ótima alternativa à convivência com motoristas (tanto de automóveis quanto de ônibus) loucos e mal-educados.

Mas os investimentos do metrô não acompanharam o crescimento da demanda e, agora, estamos perto da saturação. É preciso, sim, que a companhia aplique mais recursos no sistema. Mas é preciso também repensar todo o sistema de tráfego da cidade do Rio de Janeiro. Não dá mais para conviver com automóveis que fecham cruzamentos e desrespeitam sinais, nem com ônibus que vivem lotados e conduzidos por motoristas sádicos. A saturação, na verdade, não é do metrô. É de todo o transporte na cidade.

Os agentes envolvidos são muitos: governo, empresas de transportes e toda a heterogênea população do Rio de Janeiro. Reacomodar esse intrincado e desequilibrado fluxo de forças não é nada fácil. A solução passa por um conjunto de medidas, como rigor na punição a motoristas que burlam as leis de trânsito, maior fiscalização e regulação das concessões de ônibus, trens, barcas e metrô e estímulo a meios alternativos, como as bicicletas. Se reduzirmos o estresse das enervantes viagens via transporte público ou particular, a demanda pelo serviço poderá ser mais equilibrada, e as pessoas poderão escolher entre ônibus, metrô ou trem pelo que for mais confortável, e não pelo menos pior.

Estamos à beira da Copa, das Olimpíadas e, ao mesmo tempo, do colapso do trânsito carioca. Se nada for feito, aposto dois tostões que, em poucos anos, este se tornará o maior problema do Rio de Janeiro, superando a segurança e equiparando-se à saúde.

P.S. Espero que compreendam a diferença do tom entre o que foi publicado no Twitter, durante os problemas, e o que está escrito aqui no blog, horas depois, de banho tomado e cuca fresca. Não pretendo iniciar um novo boicote ao metrô, prefiro dar uma chance às novidades que entrarão em vigor amanhã. Mas não retiro o que disse.

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O caminho do hexa

07/12/2009 - 23:18 - por Raphael Perret

Relembre a conquista do Mengão, revendo todos os gols do time no Campeonato Brasileiro de 2009.

Parte 1


Parte 2

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