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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Uma despedida

16/03/2010 - 23:24 - por Raphael Perret

Eu tinha 13 anos em julho de 1992, Passava as férias escolares na casa da minha avó. No dia 12, domingo, estava felicíssimo com a acachapante vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, no primeiro jogo da decisão do Brasileiro daquele ano, e que escutei pelo rádio.

Passava minha alegria ao meu pai, por telefone:

- Viu, papai, Flamengo ganhou de 3 a 0 do Botafogo! É quase campeão brasileiro!

- E o que falta pra ser campeão?

- Ah, domingo que vem tem novo jogo, e o Botafogo só é campeão se vencer o Flamengo por três gols de diferença.

- Ah, é?

- É!

- Hum… Então vamos no jogo.

Aquele convite, em tom de decisão irrevogável (bem ao jeito dele, é verdade) me pegou de surpresa. Nunca havia ido ao Maracanã com meu pai. Na verdade, fazia anos que ele não ia a um estádio de futebol. A última vez fora antes de eu nascer. Ele achava que o futebol de antigamente era melhor e que ir era perigoso, pela violência.

Mas entendi o que passou em sua cabeça. Seria, provavelmente, um jogo de uma torcida só, tamanha a empreitada que o Botafogo teria que sobrepor para ser campeão. Ainda bem que ele pensou assim, pois eu nem cogitava a hipótese de ir ao jogo.

Graças a meu pai, tive a oportunidade de ver o Flamengo campeão brasileiro. Lembro de muitos detalhes do jogo. O susto com a arquibancada caindo, durante a preliminar; a torcida tomando conta de todo o anel do Maraca; o golaço de Júnior, de falta, bem no gol em que eu estava em frente – e que me gerou uma perna ralada na comemoração; a comemoração do penta.

Mas o beijo do meu pai na minha testa, ao me ver feliz após um dos gols do Flamengo, é a minha maior lembrança daquele jogo, daquele dia. O beijo era o símbolo de tudo o que representou a ida do meu pai comigo ao Maracanã: uma prova de amor. Sim, era evidente, bem evidente. Ele me levar a uma decisão do Flamengo só podia ser uma prova de amor.

Não exatamente pelo fato de meu pai aparentar um certo desinteresse pelo futebol da época.

Mas porque meu pai era vascaíno.


Obrigado, papai, por tudo. Descanse, porque os últimos meses foram difíceis. Fique em paz, enquanto nós ficaremos, aqui, com a saudade e as boas lembranças, como essa.

Um beijo.

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Motivos não faltam para os estádios vazios no Rio

08/03/2010 - 23:02 - por Raphael Perret

Os dirigentes culpam a quantidade de times, o horário dos jogos e o preço dos ingressos (como se não fosse com eles, aliás…). Mas estas não são as únicas razões que afastam a torcida dos estádios no Campeonato Carioca de 2010. Tem também a preferência por outros campeonatos e a proibição das partidas dos grandes clubes em campos nos quais Fla, Flu, Bota e Vasco sempre jogaram. Enfim, que tal repensarmos o Estadual?

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Xixi na rua: quais são as soluções?

21/02/2010 - 12:45 - por Raphael Perret

A polêmica do carnaval carioca foi o combate aos mijões: quem era pego urinando a céu aberto era encaminhado à delegacia. Para evitar o constrangimento, os foliões só tinham como opção os banheiros químicos, que se revelaram poucos e insalubres. Como, então, satisfazer a necessidade sem precisar cometer a barbaridade de fazer xixi na rua?

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Políticos no Twitter: uma dica

23/01/2010 - 12:28 - por Raphael Perret

Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito: notinha interessante da Folha Online revela que a ferramenta de microblogging poderá ser a grande novidade da campanha eleitoral de 2010, mas está sendo usada de forma inadequada pelos pré-candidatos a presidente, governadores, deputados e senadores. Dentre os maiores pecados, estão o fracionamento de longas mensagens em vários “tuítes”, excesso de autopropaganda e, óbvio, a falta de interação com os outros usuários.

Na boa, a grande dica para os políticos é que sejam apenas eles mesmos. Conversem no Twitter. Esclareçam dúvidas. Digam o que acham da vida. Repassem links que julguem interessantes. Evitem falar somente de política. Vocês poderão até não conseguir votos. Mas conseguirão respeito.

Hão de dizer que os políticos ainda estão aprendendo a mergulhar neste novo (novo?) mundo. Ok, pode ser. Mas é bom que aprendam depressa, pois o preço é a pagação de mico.

Soube pelo Alexandre Sena.

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O clube do filme, do pai e do filho

14/01/2010 - 22:21 - por Raphael Perret

Capa do livro 'Clube do filme', de David Gilmour

Ex-crítico de cinema, David Gilmour (que não é o guitarrista do Pink Floyd) está desempregado e, como se não bastasse, vê seu filho Jesse, de 15 anos, ter tanta afinidade com a escola quanto tem um ateu com a igreja. O pai propõe ao jovem que, sim, ele pode abandonar as aulas, desde que assistam, juntos, três filmes por semana. Jesse aceita. O desenrolar das sessões é contado por David em O clube do filme.

O autor admite, em tom franco, que não sabia aonde chegaria essa tática de descabelar os pais mais ortodoxos. E o livro é conduzido de tal forma que o leitor não tem a menor ideia no que o “clube” vai se desdobrar. Será que Jesse se tornará um crítico de cinema (se fosse um filme, este talvez fosse o desfecho mais óbvio)? Um bandidão? Um PhD em Astrofísica? Só se descobre seu futuro na última página.

Mas no que Jesse se transforma após o “clube do filme” é secundário. O mais importante é o relacionamento entre pai e filho no período da experiência, que se torna profundo de uma maneira que seria impossível se David estivesse empregado e se Jesse frequentasse a escola diariamente.

O cinema foi a aliança que uniu pai e filho em época tão difícil da vida de ambos. Porém, menos pelos filmes em si, mais pelos momentos em que passaram juntos.

Foi graças ao “clube” que David descobriu as questões que afligiam Jesse, fontes de recordação de sua própria juventude e que lhe possibilitaram se aproximar tanto de seu filho. As angústias do jovem são bem semelhantes às de qualquer adolescente, e é isso que torna O clube do filme bem prazeroso: o livro trata de um pai e um filho adolescente que conseguem se entender, trocar ideias, serem respeitoso um com o outro… serem amigos. São duas pessoas comuns vivendo uma relação que é tão incomum hoje em dia mas, ao mesmo tempo, tão genuína.

Ah, e subjacente a tudo, um passeio pelo cinema, com comentários técnicos e afetivos de David Gilmour sobre os filmes exibidos. Para quem curte, as observações funcionam como cimento entre os tijolos que compõem a verdadeira história de O clube do filme.

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