Olelê, olalá, pega no ganzê, pega no ganzá
Lembra que um belo dia botei aqui os 5 melhores acústicos MTV brasileiros? Na ocasião, prometi que as listas apareceriam com mais freqüência nestas bandas. Pois bem, aquela foi a única lista que produzi. Isso foi em agosto de 2003. Momento mais apropriado para voltar com elas não há. É Carnaval, são 20 anos de Sambódromo, portanto eis os desfiles mais memoráveis a que assisti:
1 – Salgueiro, Peguei um Ita no Norte, 1993
Duas coisas. Primeiro, trata-se da minha escola de coração e esta foi a única oportunidade de vê-la campeã (o título anterior foi conquistado em 1975, ainda longe da Sapucaí e do meu nascimento). Segundo, acho que foi a última vez em que vi a Passarela tão animada, cantando o samba sem parar. Arrisco-me a dizer que foi o último grande-samba-que-todo-mundo-sabe-cantar composto. Também foi a última vez em que todo mundo saiu do Sambódromo sabia quem seria a campeã – de lá pra cá, os desfiles se caracterizam pelo equilíbrio.
2 – Portela, Gosto que me Enrosco, 1995
O samba é belíssimo (Abram alas/Deixa a Portela passar/É voz que não se cala/É canto de alegria no ar) e ganhou força na potente voz de Rixxa. E o desfile ainda tinha um fator atrativo a mais: era a volta de Paulinho da Viola à escola, depois que ele rompeu com a Portela. Emocionante vê-lo desfilando e dezenas de jornalistas tentando registrar aquele momento. Nega Pelé também vinha como rainha da bateria. Eu estava lá e foi inesquecível.
3 – Beija-Flor, Ratos e Urubus… Larguem minha fantasia, 1989
Estava em Arraial do Cabo, acordando pela manhã, e todo mundo vendo o finalzinho do desfile. Me surpreendi ao ver aquela quantidade de mendigos – ou melhor, gente fantasiada de mendigos – fazendo o carnaval. Era uma animação tão natural que a passagem da Beija-Flor foi uma das coisas mais alto-astral que já vi. Nem a clássica imagem do Cristo coberto por um saco preto (de lixo?) e a faixa com os dizeres Mesmo proibido, olhai por nós (a alegoria havia sido censurada) macularam o desfile. Pelo contrário, contribuiu para a dimensão épica daquele momento.
4 – Estácio de Sá, Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo, 1992
Ninguém apostava um tostão na Estácio. A favorita era a Mocidade, então bicampeã e apresentava um samba na ponta da língua de todos (Sonhar não custa nada/E o meu sonho é tão real…). Mas a escola de São Carlos mostrou uma garra incrível, o samba, por uma dessas razões que ninguém explica, funcionou perfeitamente na avenida, o público cantou do início ao fim e ainda participou mexendo os braços. Com um desfile tecnicamente irretocável, a Estácio conquistou seu único título.
5 – Beija-Flor, O Mundo é uma Bola, 1986
Não tenho quase nenhuma memória desse desfile, mas uma imagem é inesquecível. A Beija-Flor passou debaixo de uma chuva torrencial, que alagou a Sapucaí. Eu me lembro dos passistas se divertindo, girando seus pandeiros e sambando com água cobrindo os pés. E a escola ainda ficou em segundo lugar. É muita garra!


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