Últimos confetes
Não se engane. No carnaval, eu paro mesmo. São miniférias. Com sol, bloco na rua e escola de samba na avenida, quero mais é ficar longe de casa. E como o clima de carnaval demora muito a deixar o Rio, deixo aqui algumas impressões momescas.
- Os blocos de rua no Rio estão definitivamente revitalizados. Fui em dois: o Céu na Terra, sábado, em Santa Teresa, lindo, com todos fantasiados e cantando marchinhas de carnaval; e o Cordão do Boitatá, que já ficou tradicional e lotou a Praça 15 no domingo, fazendo um tremendo e inesquecível bailão no Centro da Cidade. Tudo em paz, organização, alegria e muita música brasileira carnavalesca: sambas, marchinhas e frevos. Uma maravilha. Que nos próximos anos surjam mais blocos para democratizar a festa, ampliar o número de opções e dividir mais. É a tendência, acreditem. Nos outros dias, preferi aproveitar as praias.
- O que foi a Beth Carvalho ser escurraçada do carro da Mangueira? É claro que a má vontade do carnavalesco Max Lopes, da diretoria e de demais integrantes da escola não é à toa. Tem caroço nesse angu todo. Só não entendo como a Beth Carvalho, que sempre desfilou pela Mangueira, ajudou a popularizar a escola e pediu apenas pra sair em um carro, pôde ter sido tão maltratada. Os argumentos utilizados não justificam a descortesia.
- Tudo bem, Beija-Flor campeã, parabéns etc. Mas peralá: Grande Rio vice? Na frente da Mangueira, belíssima? Sei não. E o meu Salgueiro, que ficou em sétimo, sequer vai às campeãs, depois de fazer um desfile cheio de garra, emoção, luxo e beleza? Como não se via desde, desde… desde 1993, quando ganhou pela última vez?
- Exatamente num ano em que os desfiles foram realmente bonitos e o equilíbrio foi nivelado por cima, ao contrário dos carnavais mais recentes, a Beija-Flor sagrou-se campeã com uma vantagem excepcional, como nunca se via. Quem entender a lógica dos jurados ganha um tamborim.

