Empresa exige "ser comprometido com o trabalho"
Recebi um e-mail com uma oferta de emprego. Um dos requisitos exigidos é “ser comprometido com o trabalho”.
Ora, mas quem vai querer contratar alguém que não tem compromisso com o trabalho? “Por favor, Astrogildo, preciso que você desenvolva um sistema.” “Ih, chefe, agora não dá, tô vendo o jogo do Vasco aqui, depois tenho que almoçar, e ainda vou lá na casa da minha mãe… Aliás, talvez eu nem volte, viu?”. Exigir “compromisso com o trabalho” é o mesmo que desejar que o funcionário seja “pontual”, “profissional” ou “competente”. Só desmiolados contratariam pessoas com tendência ao atraso, amadorismo ou inabilidade.
Mas é claro que essa expressão, “comprometido com o trabalho”, não é tão ingênua assim. Ela esconde um requisito muito bonito e apreciado no ambiente corporativo, porém fator de problemas no seio familiar.
“Ser comprometido com o trabalho” significa “fazer tudo em prol da nossa empresa, mesmo que isso implique privar-se de vida pessoal, chegar às 9 horas e sair apenas quando seu trabalho estiver pronto – em geral depois das 20 – trabalhar nos fins de semana e, eventualmente, em casa”.
Não vou julgar quem não se incomode em viver pra trabalhar. São eles que fazem as empresas viverem e se desenvolverem. Há até quem goste. É apenas uma questão de escolha. Só não digam que não foram avisados.

