Tropa de elite não vai ao Oscar e todo mundo chia
Tropa de elite e sua distribuição clandestina sob as barbas de todo mundo já levantaram muita polêmica. Pirataria, atuação da polícia e reação efusiva da platéia às cenas de tortura foram apenas três das muitas questões que vieram à tona com o filme. Legal. O debate é sempre bom e os assuntos são extremamente importantes para entendermos um pouco da teia sócio-político-cultural na qual todos nós estamos enredados.
Contudo, não se justifica esse bafafá em torno da derrota do filme de José Padilha para O ano que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, na escolha do filme brasileiro que vai lutar por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A reação negativa e desmedida dos jornais insinua (pra não dizer “revela”) uma torcida descarada por Tropa de elite, que nunca ocorreu por nenhum outro filme nos anos anteriores. Pegou mal. A expectativa geral pela vitória do filme sobre a polícia do Rio só existiu por causa da polêmica pirataria-polícia-platéia, e não pela comprovação de suas qualidades técnicas e narrativas. Ganhar no grito não vale.
Ah. Eu ainda não vi Tropa de elite e cochilei no fim de O ano em que meus pais saíram de férias.

