Rio de Janeiro: despreparo eterno
24 de outubro de 2007 vai entrar pra história do Rio de Janeiro como o dia em que a cidade parou, fechou, se trancou. Uma chuva torrencial e contínua, por si só, causa estragos no Rio com a mesma facilidade com que Robinho dá suas pedaladas. Quando o temporal é capaz de interditar o túnel Rebouças, principal elo entre as zonas Norte e Sul, aí, mermão, fica em casa ou você cria cabelos brancos de puro estresse.
Tentei sair de casa três vezes ontem. Nunca estive tão confuso para tomar uma decisão: ir de carro e ter que aturar um trânsito que não andava; ou caminhar até o metrô, medida aparentemente mais segura, mas que significava enfiar os pés na lama, quer dizer, nas calçadas completamente alagadas? Foi engraçado ouvir um profissional da Prefeitura recomendar às pessoas que deixassem o carro em casa. E quem se responsabilizaria pelos acidentes e pelas possíveis doenças contraídas ao andar nas ruas inundadas?
Eu acredito que o deslizamento de terra sobre o Rebouças não tenha sido um caso extremo de irresponsabilidade do poder público (mas deve ser apurado, é óbvio). A força da natureza, às vezes, é incontrolável. Nada que uma boa campanha emergencial de conscientização do trânsito não ajude a minimizar, como foi demonstrado na noite de ontem, quando o tráfego fluiu bem melhor. A constatação mais triste de ontem é o despreparo eterno do Rio de Janeiro em receber chuvas fortes e permanentes: bueiros entupidos, inundações e alagamentos. Capas, guarda-chuvas e galochas são insuficientes para quem precisa se deslocar nas ruas transformadas em rios. A cidade vira um arquipélago. Cena, infelizmente, repetida em dias de temporais.

