O rock nacional dos anos 90 cantava em inglês?
Durante o – maravilhoso – feriadão de seis dias a que fui submetido, assisti a um trecho do programa Que rock é esse?, sobre o rock brasileiro, do canal Multishow. O episódio exibido na quinta-feira passada, dia 15, mostrou vários artistas, como Frejat e Pitty, falando do cenário musical do início dos anos 90.
Os dois disseram que a década começava com o já badalado “conflito de gerações”, marcado especialmente pelo surgimento, naquela época, de bandas que cantavam em inglês. O exemplo mais evidente era, claro, o Sepultura. Porém, nem Frejat nem Pitty deram outros nomes. A baiana ainda falou de um grupo de Salvador, mas nem considerei porque se tratava de um espécime local. O assunto já havia sido levantado por Renato Russo em 1992, quando a Legião Urbana gravou o Acústico MTV – podem ouvir/ver, está lá no CD/DVD o lamento do vocalista sobre a proliferação de grupos de rock cantando no idioma de Shakespeare.
Eu tinha 11 anos em 1990. Lembro do Rock in Rio II, realizado em 1991, com poucos detalhes. Não fui aos shows e acompanhei muito à distância. Ouvia pouco rádio. Não estava tão próximo da música como procuro estar hoje. E não consigo me lembrar de quase nenhuma outra banda nacional que cantasse em inglês. Um amigo me lembrou do Angra. Ora, o Angra – e nem o Sepultura – fizeram sucesso em seus nichos metaleiros. Não eram bandas pop e, por isso, não podem ser indicativos de um suposto caminho que o rock nacional estava tomando. Pra mim, trata-se apenas de um sintoma extremamente local, reduzido. Uma tentativa de atribuir um símbolo histórico ao início dos anos 90, que, na verdade, não foi marcado por nada – apenas a uma certa desesperança trazida pela eleição e pelas primeiras medidas castradoras de Fernando Collor. Os anos 90 começaram com um hiato, um vazio, agravado, ainda, pela morte de Cazuza. Foram uma espécie de intervalo, onde as bandas dos anos 80 continuaram a produzir seus discos – mas interrompendo um período prolífico em sucesso, é verdade – e começaram-se a sedimentar as raízes dos grupos que viriam nos anos seguintes e, aí sim, caracterizariam a década com mais personalidade, como Skank, Pato Fu, Raimundos e o Rappa.
O que acham?


15:01
Caro Raphael,
Para esclarecer suas dúvidas, faço um breve copmentário sobre as ‘tais’ bandas que cantavam em inglês dos anos 90.
Foinum período de entressafra do BRock que elas surgiram, a maioria delas
arregimentadas na gravadora independente Rock It!, de Dado Villa-Lobos (Legião) e André X (Plebe Rude) e da midsummer madness, de Rogrigo Lariú. Foram elas:
Beach Lizzards, Second Come, Pin Ups, Sonic Disruptor, Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Low Dream, etc., todas se espelhando no então ‘shoegazer rock’ do Reino Unido ou no nascente ‘grunge’ de Seattle ou o ‘indie rock’ dos EUA. A maioria delas primava por um amadorismo flagrante, mas tinha muito trabalho de qualidade. O problema é que foram sendo rechaçadas pela crítica, depois do estouro do ‘manguebeat’ de Recife, culpa mais da ‘burrítsia’ dos críticos do que dos mangue-boys.
Abraço.
15:20
Otto, obrigado pela informação. É um outro ponto de vista, pois alguns amigos também lembraram de bandas como o próprio Sepultura, Angra e congêneres (embora eu ache que eles procuravam um público bem mais restrito em vez de tentar a consagração do mainstream). Abraço!
15:22
Caramba, isso é o que dá responder o comentário sem ler o post. Fui completamente redundante, hahaha!
13:24
Caras, onde acho pra comprar um DVD, que vi em um bar de SP , que tem um magrelo alto, jovem, tocando guitarra solo? Não sei o nome da banda mas o nome dele, que toca barbaridade aparece no DVD e é Pedro Castilho. Não acho na net em nenhum lugar.