Sussurros de Roberto Carlos
O tom da cobertura da imprensa sobre o show de Roberto Carlos na Arena Multiuso, no Rio, dia 1°, foi o esperado: muito oba-oba em cima dos famosos que foram à gravação do especial da Globo e muita reverência ao Rei e seus milenares hábitos, obsessões e manias. Não li uma mísera linha sobre o som de radinho de pilha da arena, que manchou a apresentação de Roberto Carlos diante de seus fãs.
Podem dizer que foi o primeiro show da Arena Multiuso, construída para competições do Pan, e que falhas eram esperadas. Até se perdoa a estrutura precária em volta do ginásio, capaz de criar um engarrafamento em uma única rua, e da falta de estacionamentos (os poucos que havia cobravam 20 reais!!!!). Mas um som baixo e péssimo como o apresentado é um erro imperdoável. Quando Roberto cantava, o público ainda conseguia reconhecer a música e acompanhava. Porém, quando o anfitrião conversava com seus convidados (Gilberto Gil, Alcione, Camila Pitanga e Roupa Nova), o que se ouvia das arquibancadas eram sussurros. A platéia, já impaciente com os 90 minutos de atraso, não cansou de gritar: “Aumenta o som!”, “Tá muito baixo!”, “Fala mais alto!”. Em vão. O problema não era apenas escutar as falas: mesmo nas canções ouviam-se mais os instrumentos do que a voz de Roberto Carlos.
Ouvir baixo um show é o mesmo que não ouvi-lo. Perdem-se a magia e a graça de se estar ali, diante do artista. Uma lástima. A ausência dessa falha nos jornais, revistas e sites mostra que, onde estava a imprensa – a poucos metros do palco – o som não apresentava problemas. Lindo. O importante é cativar os donos dos flashes e dos tipos. Quem pagou o ingresso também pagou o pato. Que se esforçasse para ouvir as músicas de Sua Majestade. E que se contente com um concerto instrumental. Tecnicamente, foi o pior show que já assisti em toda a minha vida.

