Só uma mudança radical muda o quadro eleitoral no Rio
A chegada de Paes é fruto de duas circunstâncias que lhe são muito favoráveis: seu maior tempo de exibição na propaganda eleitoral gratuita e sua baixa taxa de rejeição, superior apenas à dos três candidatos que aparecem mais mal colocados na pesquisa do Datafolha. Em outras palavras, dos candidatos pouco (ou des)conhecidos.
Essas circunstâncias ajudam Paes a conquistar boa parte do eleitorado ainda indeciso. De fato, a porcentagem de cidadãos que não sabiam em quem votar caiu três pontos percentuais (basta ver o infográfico feito pelo Globo Online). É possível que Crivella e Jandira, que perderam pontos entre a última pesquisa e a anterior tenham transferido votos para o peemedebista, mas os eleitores desses dois candidatos são os que mais rejeitam Paes, junto com os de Gabeira.
Outro dado relevante é que, nas últimas sondagens do Datafolha, Paes é o único que cresce, enquanto Crivella e Jandira caem e os demais candidatos não sofrem alterações significativas. A menos que ocorra um fato novo ou uma mudança de abordagem em alguma das campanhas, não deve haver uma reviravolta no panorama eleitoral até 5 de outubro.
Neste momento, a passagem de Crivella para o segundo turno é praticamente assegurada, dada a distância que tem para o terceiro lugar. Tenho minhas dúvidas, porém, se o candidato do PRB continua caindo. Sua enorme taxa de rejeição (33%), embora praticamente inviabilize sua vitória no segundo turno, não impede que ele mantenha o segundo lugar, pois não está clara a parcela de seus eleitores atuais ainda disposta a trocar de opção.
Assim, para o resultado ser diferente do cenário previsto, é preciso que Jandira, Gabeira, Solange, Molon, Chico e Paulo Ramos modifiquem radicalmente suas estratégias de campanha. Uma união dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL e PDT), quase utópica nestte momento, somariam 20% e fariam frente a Crivella e até mesmo a Paes. A participação de Gabeira aumentaria os votos, mas sua parceria com o PSDB deve dificultar o processo. Solange sofre do mesmo problema de Crivella: está limitada a um teto de votos, devido à rejeição ao seu nome (a segunda maior dentre os candidatos), decorrente de sua ligação com Cesar Maia, em baixa junto à população carioca.
Viradas na reta final de campanha não são tão incomuns assim. Mas só acontecem com algum fenômeno externo ou uma mudança estratégica espetacular. O marasmo da campanha atual parece levar para o segundo turno Marcelo Crivella e Eduardo Paes. A esta altura, somente um agito mobilizador, seja dos candidatos, seja dos eleitores, pode trazer alterações significativas ao quadro. Faltando um mês, ainda dá tempo. Caso contrário, Paes e Crivella dormem tranqüilos até o início de dezembro. E junto com eles, Lula, que apóia os dois e pouco se desgasta nas eleições do Rio de Janeiro.

