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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Gabeira empata no ranking dos debates com Paes. Ou seria “supera”?

25/10/2008 - 12:52 - por Raphael Perret

Se Eduardo Paes teve melhor desempenho no debate de domingo passado, promovido pela Bandeirantes, hoje, na Record, Fernando Gabeira se recuperou e empatou o confronto. E, se pudéssemos exercer uma licença metafórica, diria, sem rodeios, que virou o jogo, tamanha a superioridade do candidato do PV em termos de postura e apresentação de propostas.
Se Eduardo Paes teve melhor desempenho no debate de domingo passado, promovido pela Bandeirantes, hoje, na Record, Fernando Gabeira se recuperou e empatou o confronto. E, se pudéssemos exercer uma licença metafórica, diria, sem rodeios, que virou o jogo, tamanha a superioridade do candidato do PV em termos de postura e apresentação de propostas.

Gabeira evoluiu muito em relação ao debate do dia 12 de outubro. Controlou melhor o tempo, manteve-se tranqüilo sempre e evitou a ingenuidade de dar material ao adversário, como vangloriar-se de ter feito o ervário do Jardim Botânico. Aliás, o candidato do PV surpreendeu com uma postura serena e, ao mesmo tempo, um discurso agressivo, fazendo perguntas e críticas agudas às propostas e ao comportamento de Eduardo Paes.

Aparentemente, o peemedebista acusou o golpe. Pareceu acuado em certos momentos, repetiu muitas frases e se confundiu com palavras, demonstrando nervosismo e alguma surpresa com os golpes de Gabeira, que foram muitos no início e poucos no final. Mas é claro que Paes reagiu também com alguma virulência. Porém, sua tentativa de fazer pegadinhas acabou sendo, de certa forma, desmascarada por Gabeira, que a escancarou.

O debate reforçou o que a imprensa já vinha abordando nos últimos dias: a diferença de estilos dos dois postulantes a chefe do Poder Executivo Municipal. De um lado, um candidato tradicional, com um discurso de quem conhece a estrutura administrativa da Prefeitura, que pontua seus principais focos de atuação (UPAs, fim da aprovação automática). Do outro, um candidato que ousa afirmar que não sabe tudo, que não garante que vai resolver todos os problemas, mas que traz soluções diferentes e que tenta se distinguir do adversário não exatamente nas propostas, mas na postura com que lida com situações e saias-justas. E, pelo menos hoje, este candidato foi mais eficaz.

Seguem, em ordem cronológica, alguns momentos de destaque ocorridos no debate, que acompanhei via Twitter:

1) Uma jornalista citou, numa pergunta a Paes, que ele usava como slogan algo como “o homem que entregou as obras do Pan”. Gabeira, em seu comentário, reagiu, dizendo que as obras do Pan não eram fruto de um homem só, mas de muitos trabalhadores e dos governos federal e estadual. “A menos que isso seja discurso de um candidato que, para se eleger, monopolize as obras”. Foi a primeira pancada do verde, embora antes ele já tenha dito que Paes não respondeu outra pergunta, sobre as críticas antigas e os afagos recentes com Lula.

2) Paes perguntou a Gabeira porque o candidato do PV apresentou um projeto de lei que pedia a retirada do “tráfico de mulheres” do Código Penal. Gabeira afirmou que Paes deveria ler melhor o projeto, que falava de corrupção de menores que, na verdade, significa, no contexto, cometer ato libidinoso com maior de 14 e menor de 18 anos. Paes, na réplica, ignorou a explicação de Gabeira e insinuou que o adversário compactuava com um crime gravíssimo. Saiba mais sobre o Projeto de Lei nº 1069/1995.

3) Gabeira afirma que a insistência de Paes em relacionar sua aliança com o governador Cabral e o Presidente Lula com a formação de parcerias entre as três esferas de governo é “um insulto à República”, pois, para ele, o presidente e o governador devem estabelecer parcerias com um prefeito “competente” e não com um prefeito “obediente”.

4) Paes pediu que Gabeira explicasse uma declaração dada pelo candidato do PV na Zona Oeste: “Vou montar um escritório aqui. O prefeito não deve atuar só no Rio de Janeiro”, como se excluísse a região da cidade. Gabeira respondeu que quis dizer “Centro do Rio de Janeiro”, e acusou Paes de querer dividir os eleitores.

5) Paes cita a importância do planejamento e pergunta ao adversário o que ele vai fazer na AP3. Na mesma hora, Gabeira reclama que o peemedebista insiste com as pegadinhas. Lembra que Lula foi vítima em 2002 de várias pegadinhas, “principalmente por parte do candidato do PMDB” (referia-se a Garotinho, que na verdade foi candidato pelo PSB) e foi eleito. Paes ironiza, diz que o prefeito deve estar bem preparado para essas informações e diz que a AP3 contempla a Zona Norte. Gabeira devolve: “você teve que explicar aos telespectadores o que era a AP3, pois nem eles sabiam. Por que você não chama a área pelo nome de Zona Norte? É assim que a Zona Norte é conhecida. Claro que foi uma pegadinha. Que coisa juvenil!”. Paes não gostou: “Não estou aqui pra fazer pegadinhas, nem para fazer brincadeiras. O senhor me respeite”.

6) O jornalista pergunta a Paes se a falta de fidelidade partidária dele poderia lhe arranhar a credibilidade. O peemedebista atribuiu seu troca-troca à estrutura arcaica dos partidos. Gabeira, então, pontuou: “Mais uma vez, aqui temos a diferença de estilos. Eu, quando mudei de posição política, ou escrevi um livro ou subi na tribuna da Câmara dos Deputados para justificar minha atitude”.

7) Paes pergunta para Gabeira: “Como você explica essas idéias tão mirabolantes, como usar aviões para sobrevoar áreas de foco de dengue, afundar um navio perto das ilhas Cagarras?” Resposta de Gabeira: “são mirabolantes para a sua percepção prosaica. Não precisa ficar assustado”. Depois de ouvir a explicação sobre a idéia do navio, Paes insistiu: “Eu me assusto porque a população está preocupada com saúde”. Gabeira replicou: “É muita demagogia falar na saúde do povo quando falamos de turismo”.

8) Paes pergunta qual o projeto do adversário para o Previ-Rio. Gabeira responde que vai dar-lhe uma administração competente e citou uma suposta ausência de pagamento das contribuições patronais da Prefeitura. Paes criticou Gabeira, dizendo que “impressiona a falta de conhecimento de alguém que quer ser prefeito, pois o Previ-Rio não é o fundo de previdência dos servidores municipais, mas o órgão que administra o fundo, o Funprevi”.

Observação importante: a correção de Paes procede, mas é um detalhe que não desabona nenhum candidato a prefeito. Falar do Previ-Rio significa falar do Funprevi. São assuntos profundamente relacionados, embora o Previ-Rio tenha outras atribuições além de gerir o Funprevi, que é a sua principal atividade. E, por favor, Paes e Gabeira, é O Previ-Rio, e não A Previ-Rio.


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