O primeiro dia e o futuro de Eduardo Paes

A nova marca da Prefeitura do Rio
Mal Eduardo Paes tomava posse no cargo de prefeito do Rio, o Diário Oficial do Município já trazia duas medidas bem diretas: o fim da aprovação automática e a formação de um gabinete de combate à dengue. O novo alcaide cumpria, assim, o que prometeu exaustivamente na campanha eleitoral. Respeito aos compromissos ou “jogo pra galera”?
A confirmação da segunda hipótese poderá vir nos próximos dias. Se Paes seguir os passos de seus “mentores”, como levar seu secretariado para conhecer bairros pobres – como fez o presidente com seus ministros, logo depois de sua primeira posse, em 2003 – ou visitar hospitais públicos – que nem o governador, poucos dias depois de assumir o governo do Estado, em 2007 – estaremos certos de que os primeiros dias do prefeito serão ditados pelo marketing e politicagem e não pela seriedade administrativa.
Vamos dar mais tempo ao prefeito. Por enquanto, fiquemos com o que de concreto fez no primeiro dia de mandato. De cara, Paes procura dar à Prefeitura a sua marca e dissociá-la de Cesar Maia. As páginas da administração municipal na internet já trazem o novo símbolo da Prefeitura, em tons azuis, em contraste com o laranja do ex-prefeito. O site da Prefeitura também já vem com o nome dos novos secretários e presidentes de órgãos.
Outra evidência de que o prefeito deseja ser um contraponto a Cesar Maia está na agressividade na avaliação da gestão anterior. Paes determinou auditoria na cidade da Música, delegou poderes para os secretários revisarem todos os contratos em vigor, e pretende avaliar os serviços prestados pelo Banco Santander, responsável exclusivo pela folha de pagamento dos servidores*.
Outras medidas publicadas no D.O. de hoje referem-se a “constituição de grupos de trabalho” ou delegação de tarefas a órgãos para que apresentem propostas para a realização futura de pontos levantados durante a campanha de Paes: implantação do Bilhete Único e da Nota Fiscal Eletrônica; convênio com o Estado na garantia de cooperação com a manutenção da ordem pública; desburocratização dos serviços oferecidos pela Prefeitura; desenvolvimento de modelos de gestão de desempenho dos órgãos municipais; planos de implantação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), revitalização do Porto, saneamento na Zona Oeste e transformação do regime de trabalho da Guarda Municipal em estatutário (o que permitiria à corporação aplicar multas de trânsito).
Dos novos decretos, destaco: a ordem de todos os órgãos municipais reduzirem em 30% os gastos com cargos em comissão e a proibição explícita de nomeação de parentes de até terceiro grau de autoridades em funções de confiança, com a válida exceção para servidores concursados. As duas medidas contribuem para a moralização da administração municipal e diminuição de despesas com eventuais “cabides de empregos”.
Por enquanto, prefiro acreditar que o atual prefeito está determinado a executar o que prometeu na campanha, com ou sem exageros de marketing. Entretanto, a vitória apertada na eleição sobre um candidato que cresceu muito graças à internet e à mobilização voluntária mostra que a população está vigilante. E a julgar pelo que fez no primeiro dia de mandato, Paes entendeu o recado. Neste momento, blinda-se contra eventuais primeiras críticas. Mas até quando?
P.S. se quiser fazer uma verdadeira auditoria sobre a qualidade dos serviços do Banco Santander, prefeito, investigue o processo de transição da folha para a exclusividade do Banco, que começou a pagar os funcionários em novembro de 2006. Vai fundo, Paes!
Atualização (04/01/2008, 19:43): viram o que escrevi sobre Paes seguir os passos de seus novos ídolos? Não deu outra.


22:31
A responsabilidade de Eduardo Paes é bem grande. Espero que ele consiga segurar esse pepino, pois nunca precisamos tanto.
09:49
Acho que as medidas tomadas de maneira enérgica são boas para tentar marcar uma filosofia de trabalho bem definida para nova gestão. Acho que é um conjunto de marketing, fôlego novo e pé atrás com o ano incerto que vem pela frente. Marketing, porque é quase impossível cobrar discrição de alguém (novo) precisando demarcar seu território político. Ele sem dúvidas tem pretensões políticas que vão além da prefeitura. O fôlego novo é auto-explicativo. O pé-atrás (estou cumprindo o novo acordo com este hífen?) justifica o corte e contenção de gastos, pois há um consenso de que teremos queda na arrecadação em 2009. No mais, parabéns pelo artigo, resume muito bem o que foi publicado neste dois primeiros dias de 2009.
22:57
Eu não vou com a cara do Paes. Opinião pessoal, parcial, eu sei. Mas ele não me inspira confiança e eu não posso mentir. Só consigo enxergar jogadas de marketing. Não engulo a Jandira Feghali como secretária de cultura depois de todo o ataque que ela fez ao Paes na campanha do primeiro turno. Só isso já foi o suficiente para que eu visse o quão volúvel ele é. Posso estar errada, posso estar fazendo pré-julgamentos e tomara que de fato esta minha última frase esteja certa. Quero mesmo morder a língua daqui a algum tempo, afinal eu moro aqui. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos! Ah, sim, e parabéns pelo post! Um belo apanhado de informações do primeiro dia!
12:58
Reli o comentário que fiz e pareceu que o tratei um pouco como inocente. Apesar disso concordo em gênero, número e grau com a Pati. Não faria negócio algum com o Paes pelo modo como ele se coloca publicamente e com as pessoas com as quais ele se relacionou, por todo o teatro e oportunismo no congresso em 2005. O então “chefe de quadrilha” de quadrilha da república é agora “parceiro”. A Jandira e toda a esquerda que ela carrega, por mais bem intencionada que possa parecer, pisa na bola agindo do mesmo jeito que o Paes. Críticas veementes e, quando convém, uma boquinha no governo, mesmo que o orçamento da pasta não seja lá essas coisas.
Será que segunda vai ter bala de borracha na Rio Branco? E os mendigos? Vamos ver…
21:58
Parar as obras da Cidade da Música é um erro. O resto é espuma de início de mandato.
00:46
Também acho um erro a paralisação da construção da Cidade da Música. Parece briga de criança: um faz, o outro desfaz. Já que começou, termina, né?
14:24
Pois eu achei que o estilo dele lembra muito o do Cesar Maia. Querendo aparecer, botando muita banca, dizendo que “quem decide é o prefeito, e agora o prefeito sou eu”. Vamos ver…
19:57
Independente de ser o Paes ou não, acho que prefeito, quando toma posse, tem condições de implementar uma série de medidas. Não é que nem presidente da República, cujos decretos atingem um âmbito muito mais universal, mais macro, e exigem muito mais estudos, mais política, mais negociações. Acho que um prefeito e, em certa medida, um governador deve mesmo começar fazendo coisas. Se forem as que ele prometeu durante o mandato, melhor pra ele. A cobrança da sociedade deve ser sobre a regularidade e a qualidade de suas ações. O marketing, como disse o Gustavo, é inevitável. Também não vou com a cara dele, e espero que mude de opinião daqui a quatro anos. Agora, é claro que quando Paes deseja dissociar sua marca da do Cesar Maia, é puro ego e individualismo mesmo. Quero ver ele pedir auditoria nas contas relacionadas ao Pan, do qual ele participou ativamente como secretário estadual de Esportes.
22:06
Não tenho acompanhado com freqüência o que se passa no Rio, mas pelo pouco que pude ver em entrevistas do Eduardo Paes, para mim, não passa de mais um fantoche do governo, manipulável dos pés à cabeça. E a Patrícia está certa ao afirmar que ele é volúvel. Basta lembrar que ele, ao tomar conhecimento de que havia vencido as eleições municipais, agradeceu ao Lula (justo quem!) pela vitória. E os eleitores nada, né?
23:14
Isso sem dizer que Paes apoia incondicionalmente a hipotética candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República, mesmo antes de o PT lançar sua pré-candidatura. E olha que ele é amigo do José Serra.
23:29
Pessoal, li – mui tardiamente – na piauí de abril de 2008 que Eduardo Paes é amigo de Eurico Miranda. Isso diz muita coisa sobre a pessoa.
23:46
Quando trata-se de alguém que, na época de sua candidatura, dizia que era vascaíno mas gostava do Botafogo, admirava a torcida do Flamengo e torcia pelo Fluminense na infância, não surpreende em nada.
00:15
É, nosso prefeito parece que faz o estilo que quer agradar a todos para não ficar mal com ninguém.Não houve nada pior prda ele que a secerta´ria dizer Isso mesmo, Raphael, queria ver auditarem as obras do Pan. Antes de parar com a Cidade da Música, ele tinha era que pedir conta da grana que gastaram nessas obras.
18:59
Bom, apesar de ser de Belo Horizonte, acompanho pelos noticiários a situação precária da cidade do Rio, principalmente na área da saúde pública municipal e da educação. Se o Paes pelo menos conseguir concertar isso ele já é um vitorioso. Gostei muito do seu artigo! Essa situação dos cabides de emprego na Prefeitura é o esquema de policagem mais nojento que existe…acho que todas as administrações deveriam contratar cargo de confiança pela qualidade técnica/profissional – e não por indicação política.
Abraço
17:46
Sobre sobre Paes seguir os passos de seus novos ídolos, você dizia… Que tal a foto que ilustra essa matéria: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/01/15/secretario-municipal-de-habitacao-diz-que-obras-do-pac-estao-atrasadas-em-manguinhos-no-alemao-707445253.asp
21:42
Pois é… O que você acha?