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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Temporal no Rio? É contigo, Paes

24/01/2009 - 00:34 - por Raphael Perret

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Prezado prefeito Eduardo Paes,

reportagem da revista piauí de abril de 2008 mostrou que o senhor assistia aos jogos do Vasco  da sala do então presidente do clube, Eurico Miranda. Então, o senhor deve estar ciente da situação atual de seu time de futebol. Roberto Dinamite, desafeto do ex-presidente, assumiu, com o apoio do governador Sergio Cabral, o posto máximo do Vasco. Alguns meses depois, o clube confirmou sua queda para a Segunda Divisão do futebol brasileiro.

Veja, agora, que ironia. O senhor, há menos de um mês, apossou-se do cargo de prefeito do Rio de Janeiro. Seu mandato sucede a gestão de um desafeto seu e sua eleição contou com o apoio do governador Sergio Cabral. Nesta quarta-feira, 21, os cariocas passaram por transtornos decorrentes de um temporal ininterrupto. O caos urbano foi, sem dúvida, o primeiro grande desafio de sua incipiente administração. Se não chegou a rebaixá-lo à Segunda Divisão, teve um gosto de derrota. Por goleada.

O peso da culpa pelo rebaixamento do Vasco, segundo torcida e imprensa, recaiu sobre as costas de Eurico Miranda. O time já demonstrava sinais de fraqueza quando o maior artilheiro vascaíno assumiu. Os problemas do Vasco se sedimentaram no clube durante muito tempo, no período em que Eurico foi o manda-chuva de São Januário. Porém, Roberto Dinamite não ficou imune às críticas. Embora se reconheça a diferença de estilos entre as duas gestões, o atual presidente falhou. Ele poderia ter sido mais hábil no ambiente interno e nas contratações.

Fiquei surpreso, prefeito, que seu nome tenha sido pouco citado na cobertura jornalística do temporal de quarta-feira. A cidade, submersa, parou, carros ficaram imóveis durante horas em vários pontos do Rio (Centro, Praça da Bandeira, Avenida Brasil, Linha Amarela e Aterro do Flamengo foram alguns deles), rios transbordaram, encostas deslizaram, assaltantes se aproveitaram da bagunça e os jornais deram pouco destaque aos incidentes. Mesmo a BandNews FM, a mais rica em informações em tempo real, poupou críticas mais contundentes à Prefeitura e ao governo do Estado.

Concordo que seria muito cruel, prefeito, responsabilizá-lo pela baderna causada pelas chuvas, depois de 21 dias de administração. Porém, assim como aconteceu com Dinamite, sinto que lhe faltou agilidade em tomar certas providências. Onde estavam os guardas municipais, por exemplo? A BandNews denunciou que um fazia anotações num McDonald’s na Taquara e outros dois lanchavam numa pastelaria do Catete. Enquanto isso, carros, ônibus e caminhões se emaranhavam em cruzamentos do Centro do Rio e pivetes se aproveitavam da imobilidade geral. Seu secretário de Ordem Pública disse ao Globo, no dia 23, que havia guardas em todos os cruzamentos da Presidente Vargas. Melhor investigar os informantes dele, prefeito, pois eu lhe digo:  depois de ficar duas horas parado no Campo de Santana (e perder um voo), verifiquei que não havia guardas nos cruzamentos da avenida com as ruas da Central do Brasil, com a avenida Passos, com a avenida Rio Branco e com a rua Primeiro de Março, o que me custou mais 30 minutos. 

Nem mesmo uma medida simples, de alto valor simbólico, foi tomada: fazer algum pronunciamento que tranqüilizasse a população e demonstrasse ação, comprometendo-se em amenizar os estragos. Ao contrário: não se soube do senhor.

Roberto Dinamite gastou todo o crédito que tinha. Agora, a responsabilidade dele em trazer o Vasco de volta à mais alta casta do futebol brasileiro é inequívoca. Assim como a sua, prefeito, em recuperar esta cidade. Minimizar os danos causados por temporais de verão é uma ação fundamental. O ex-prefeito Luiz Paulo Conde, quando ocupava o seu cargo, disse que “só rezando” para evitar transtornos. Contamos, sim, com a ajuda de Deus, mas a Prefeitura não pode fugir de suas obrigações. Cuidar dos bueiros, impedir acúmulo de lixo, consertar as ruas (devemos ter o asfalto mais irregular do Brasil) e educar o trânsito são necessidades urgentes. Vão melhorar o dia-a-dia dos cariocas e, sem dúvida, atenuar os estragos das chuvas.

Assim como eu torço pela volta do Vasco à Primeira Divisão, mesmo sendo rubro-negro, torço pelo sucesso de sua gestão, mesmo não tendo votado no senhor. Porque sou carioca e quero ver o Rio bem. Chova ou faça sol.

3 já comentaram “Temporal no Rio? É contigo, Paes”

  1. Mandou essa carta diretamente ao prefeito? Eu faria isso. Ele tem que ler o texto, porque o prefeito parece não ter consciência do que você escreveu. Mesmo com tão pouco tempo no cargo (um voto de confiança deve ser dado, apesar de tudo, mas está difícil), Paes parece-me estar um tanto deslumbrado com o cargo – ao contrário de Barack Obama, que está há poucos dias no cargo mais importante do planeta.

     
  2. Há um tempo atrás eu andei assinando meus e-mails particulares com “Rio de janeiro: choveu, f*deu!”… ainda tenho razão! Infelizmente!!!

     
  3. Trackback

    [...] de perder voo, ficar quatro horas preso no trânsito de uma cidade inundada e ir a Salvador e voltar no mesmo dia, esqueci de escrever um pouco sobre a capital da Bahia, onde [...]

     


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