Novos limites para a relação entre imprensa e poder
Em um país em que deputados e senadores detêm inúmeras concessões de rádio e TV, contrariando a Constituição, a discussão sobre a relação entre imprensa e poder é urgente. Por isso, segue a minha humilde contribuição.
Sempre achei estranho que políticos com mandatos tivessem colunas em jornais ou programas de TV. Acho normal e democrático que os diários ofereçam espaço, de vez em quando, a artigos de deputados, vereadores, prefeitos. Mas nunca me soou bem a cessão fixa de centímetros ou minutos a agentes públicos nos veículos de comunicação. Hoje, um exemplo bem conhecido, pelo menos aqui no Rio, é o de um deputado estadual ex-jurado do Programa Silvio Santos, eleito com plataforma baseada no combate à violência e com um programa diário, sobre o tema, de 165 minutos na TV Record carioca.
Na era da internet, alguns elementos novos atualizam o cenário. Os ocupantes de cargos públicos têm plenas condições de manterem, com recursos particulares ou com o apoio dos órgãos em que trabalham, sites e blogs para divulgarem seus trabalhos e acentuarem seu contato com os cidadãos. A intermediação da imprensa poderia se resumir a ações bem mais específicas.
Por isso, continuo achando muito esquisito, por exemplo, que o presidente da companhia de saneamento do Estado e um assessor especial do prefeito tenham blogs mantidos por um grande jornal carioca. E, para piorar, nenhum dos dois são apresentados como tais. O primeiro aparece como “especialista em energia indústria naval e petróleo”, enquanto o outro faz parte da “turma” da principal coluna do jornal e fala sobre “Mundo, Brasil, Rio, Copacabana e aquecimento global”.
Posso estar sendo rigoroso, não sei… O que vocês acham?


21:57
Outra coisa preocupante, e prática igualmente tradicional, é esse presidente da Companhia de Águas e Esgotos ser ” “especialista em energia indústria naval e petróleo”, Sacou a relação?
00:21
É verdade. Aliás, especialista bom,esse, que já era secretário na gestão anterior.
21:34
Concordo plenamente! Esse é um debate no qual eu acho que a sociedade deveria se empenhar. É um assunto simples de resolver e, se bobear, daria um empurrão na reforma política que é tão necessária e tão adiada. Não muito distante deste assunto, e os R$ 11 MI que vão pra reforma dos sites do governo? aaaarrrrghhhh
Abração!
=)
13:10
Mas, Cláudia, a empresa que ganhou com esse valor, a TV1.com,
só conseguiu efetivar o negócio porque uma concorrente entrou com recurso alegando que R$ 11 milhões era um preço muito… baixo!!só conseguiu efetivar o negócio porque foi negado o recurso de uma concorrente alegando que R$ 11 milhões era um preço muito… baixo!!. A TV1 foi acusada de praticar preço *abaixo* do mercado. Para reformular os sites de 14 órgãos, mantê-los atualizados e fazer suas versões em espanhol e inglês, considerando a importância desses sites, o valor não é tão absurdo assim. Dá mais ou menos R$ 65 mil por mês e por site (o contrato é de um ano). O TCU, aliás, negou todos os recursos contra a licitação e somente orientou alguns ajustes nos próximos editais. (Correção feita às 13:19)