Capas dos jornais escancaram a crise da imprensa
Os jornais estão em crise. Ok, não foi uma boa ideia começar o texto com esta pseudonotícia, mais velha do que a disseminação da gripe suína. Bem, a verdade é que a imprensa escrita passa por uma decadência de qualidade gritante. E o indício mais evidente dela é a capa dos jornais.
Não vou nem entrar no mérito do conteúdo (questionável) e da abordagem (torta) das matérias escolhidas para a primeira página. O que me incomodou bastante nesta semana que terminou ontem foram duas capas de dois importantes jornais cariocas, que trouxeram erros de ortografia e de informação inaceitáveis.
Na terça-feira, 6, o Extra informava que o ex-capitão do Flamengo, Fábio Luciano, era legítimo tricampeão carioca, pois esteve presente nas três últimas conquistas do Estadual. Confiar na memória nunca foi o artifício ideal: o zagueiro foi campeão carioca apenas em 2008 e 2009. Uma informação simples de se resgatar. No dia seguinte, 7, foi a vez de O Globo mandar um “iten” (sic) em um infográfico publicado na sua cara primeira página.
Ou seja, em um espaço tão limitado e, ao mesmo tempo, tão exposto, os jornais conseguem cometer falhas graves.
Quando a imprensa começou a sofrer críticas por sua atuação (graças a iniciativas como o Observatório da Imprensa e ao avanço da internet, que deu espaço para que pontos de vista dissonantes apontassem defeitos na cobertura da mídia), pelo menos as capas dos jornais traziam algum capricho. Eram coerentes com a notícia a que se referiam e vinham em português correto. A edição da capa sempre foi capitaneada pelo alto escalão do jornal. Afinal, a primeira página é o que pode definir a compra ou não do diário. Logo, o cuidado é total.
Ou era. Aí, fica fácil compreender a perda da qualidade dos jornais.


21:18
Abordagem interessante. Vou chover no molhado, mas os jornais precisam se reinventar. Acho que ainda há uma sobrevida muito grande para eles (tenho 32 anos, ou seja, pelo menos mais uns 38 pela frente, hehe, e não me vejo sem abrir um jornal de papel), mas no modelo habitual, com umas maquiagens, umas “modernices”, uns links aqui e ali, não vão sobreviver. Ousadia, no aspecto gráfico, na atitude, na opinião (fundamenta), são um caminho. Dar a notícia, ainda mais com erros, não basta. Ontem, lá pelas 22h, alguns blogues já tinham 200 comentários sobre a corrida de F1. Então eles têm de trazer algo a mais para o jornal. Um megagráfico de página inteira, uma posição dura contra a Brawn, a opinião de uma figura de vulto (um ex-piloto, por exemplo). Dizer “Rubinho ficou em segundo, a estratégia de Button foi melhor, que pena”, embaixo de uma fotinho muito mais ou menos, é a chave para o fracasso.
13:53
Rodrigo, você tem toda razão. Eu também acredito num futuro mais longevo para os jornais do que é disseminado hoje em dia. Mas, se continuarem assim, não será um eventual assassinato pela tecnologia, mas um simples suicídio. Quando a TV surgiu, os jornais começaram a adotar um tom mais analítico e menos informativo. A internet acelerou a transmissão da informação, e mais do que nunca os jornais precisam se adequar a esses novos tempos. Mas eles ainda buscam o furo em modelos antiquados, o que permite a divulgação de pseudonotícias como novidades sensacionais. A reflexão, a análise ficam restritas em algumas páginas. Uma coisa que o Noblat falou num congresso e achei interessante: “Hoje, o jornalismo precisa prever as coisas, porque do passado todo mundo já sabe”. Acho que é isso: prever tendências, analisar a realidade e apontar possíveis caminhos. Essas atitudes reflexivas e interpretativas estão mesmo em desuso em nossa sociedade, cada vez mais pragmática e mais técnica. Mas jamais deveriam sair da pauta do jornalismo.
21:24
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[...] Se o veículo ignora a participação do leitor, minimiza a formação de seus profissionais e despreza critérios de qualidade básicos, é porque busca o suicídio. Afinal, com internet ou não, a sociedade está cada vez mais [...]
17:29
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[...] Se o veículo ignora a participação do leitor, minimiza a formação de seus profissionais e despreza critérios de qualidade básicos, é porque busca o suicídio. Afinal, com internet ou não, a sociedade está cada vez mais [...]
16:32
As pessoa estão muito ligadas neste advento da Internet …
mas se houver uma pane… o que vai ser das pessoas que tanto confiam na
Internet???
Principalmente as que vivem só por Internet…
Fico triste de ver a que ponto chegamos as pessoas são acomodadas
e preguiçosas e está é a visão da Internet ajudar de certa forma os
preguiçosos… Por isso ainda sou a favor do Jornal Impresso e crise???
Que crise…..???
Ainda não viii….
A imprensa continua firme e forte .. pois o que seria do mundo sem a imprensa???
A internet é apenas um meio de adiantar as informações.. tanto que as de cunho verdadeiro são feitas por pessoas profissionais e não amadoras….
Fechoo por aqui…