Jornalistas bebem sim e estão vivendo
Enfim, uma pesquisa confirma o senso comum: jornalistas são os profissionais que mais bebem, diz o britânico Guardian (via Dani Bertocchi, que soube via António Granado). Sim, o levantamento foi feito na Inglaterra. E seus resultados poderiam ser transferidos para o Brasil sem prejuízo algum.
Sempre quis entender onde está a força magnética que tanto atrai meus colegas a um boteco ou a uma lata de cerveja. Num momento filosófico-sociológico-antropológico, elaborei um possível conjunto de teses que, combinadas, explicam por que ser jornalista, para muita gente boa, significa viver na manguaça.
1) Tradição - o pleonasmo “jornalista bêbado” é disseminado com vigor pelas ruas, pelos botecos de esquina e pelos próprios jornalistas. Parece que aos profissionais contemporâneos, movidos por uma espécie de imaginário coletivo, resta manter a sina e atender – sem nenhum sacrifício, em muitos casos – a este destino já traçado.
2) Início precoce – certa vez, nessas infovias da internet, li alguém dizer que as principais matérias da faculdade de jornalismo eram beber cerveja e pegar mulher (ou algo assim). Se esse pensamento estivesse correto, os estudantes sairiam da universidade jornalistas, alcoólatras e promíscuos, não necessariamente nessa ordem. Bem, o mercado restringe o exercício profissional e a sociedade inibe o hedonismo. Resta afogar as mágoas na bebida. Assim, a faculdade continua formando, por semestres, legiões de consumidores de Skol e Itaipava.
3) Ritmo de trabalho – ok, mas e os outros profissionais? Também não bebem? Dá pra acreditar que os engravatados que vão aos bares são todos jornalistas? Claro que não. Então por que a fama sobra pros repórteres, redatores e editores? Bem, “engravatado” tem mais chances de ser casado (são mais caretas e convencionais, montam a família mais cedo) e tem um horário mais certinho e, mesmo quando não tem, labuta em escritório. Já o trabalho do jornalista é a rua. Se você soma isso aos dois fatores anteriores, tem um prato cheio para entender porque uma visita ao bar mais próximo é tão atraente.
Claro que essas motivações são baseadas em pré-conceitos de quem faz parte de uma seleta exceção composta por jornalistas abstêmios. Portanto, coleguinhas, não fiquem bravos com casuais exageros.
Só quero saber quem vai me ajudar a desvendar este enigmático mistério: por que jornalistas bebem tanto? Isto é verdade? Ou você tem outra profissão e exige para a sua classe o título de “os mais pinguços”? Diz aí!


10:41
Oi Raphael, acho que se comparar (nós) jornalistas com os publicitários, eles ganham!! Bjs
15:01
Eu bebo sim, e estou vivendo
Tem gente que não bebe e está morrendo
01:39
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