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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

O maior problema do fim da obrigatoriedade do diploma

17/06/2009 - 23:05 - por Raphael Perret

Agora que não será mais necessário ter o diploma de jornalista para exercer a profissão, surgem pelo menos duas perguntas:

1) o que acontecerá com os cursos superiores de jornalismo? Haverá estudantes interessados em fazer a faculdade, podendo trabalhar na imprensa apenas com o Ensino Médio?  Ainda que o diploma não seja obrigatório, ele poderá ser um diferencial. Uma diminuição da quantidade de candidatos pode, quem sabe, aumentar a qualidade dos cursos. Mas as universidades precisarão investir. A formação e o estudo permanecem fundamentais para a prática jornalística.

2) o que vai acontecer com a qualidade do jornalismo? Não acho que vá mudar muita coisa. Os piores vícios da atividade, hoje, têm mais a ver com estratégias empresariais do que com os recursos humanos – embora estes, claro, sejam decisivos para o nível do jornalismo praticado hoje em dia. Não é à toa que tanta gente comemora a queda da exigência do curso superior.

Porém, também não é extinguindo a obrigatoriedade do diploma que, agora, só entrarão para o mercado baluartes que salvarão o jornalismo da desmoralização. Ao contrário do que pensam os apocalípticos, não haverá um “liberou geral”.

As empresas não contratarão “qualquer um”. As entrevistas, dinâmicas e provas continuarão selecionando de acordo com os mesmos critérios de antes. Só da lista dos documentos necessários para a assinatura do contrato é que o diploma será limado. Portanto, se um historiador, ou sociólogo, ou médico, ou whatever tentar a sorte e mostrar dotes necessários para a prática jornalística, poderá ser aproveitado. Não quer dizer, porém, que será melhor do que um jornalista formado em faculdade.

Por isso que o maior perigo da decisão do STF é criar o mito de que o jornalismo é fácil. Não, não é. Jornalismo é apurar o obscuro, checar os dados, ter cultura geral, criar pautas interessantes, escrever decentemente, contar uma boa história, tecer análises fundamentadas, interpretar os fatos, informar. O profissional pode até não precisar de diploma pra saber tudo isso. Mas deve saber que jornalismo não é pra qualquer um.


5 já comentaram “O maior problema do fim da obrigatoriedade do diploma”

  1. É isso aí. O fim da exigência de diploma para a profissão de jornalista não é essa tragédia toda que os seus detratores querem fazer crer. Aliás, que ando lendo de internauta choramingando sobre isso não é brincadeira. Tem até gente que anuncia que vai à Justiça pedir indenização pelos anos pagos de curso de Jornalismo…

     
  2. Apurar o obscuro, checar os dados, ter cultura geral, criar pautas interessantes, escrever decentemente etc. Tudo isso qualquer profissional com boa formação e perfeitamente capaz de transmitir informações concisas por meio da escrita está apto a ingressar nesse mercado, o que não significa que ele vá pensar que jornalismo é para qualquer um. Quem entrar nessa, o mercado tratará logo de eliminar, como um inseto. Simples assim.

    A gritaria geral que se formou hoje à noite, principalmente dos estudantes de Jornalismo, é ridícula e totalmente desnecessária. Estão transformando o assunto em uma verdadeira tragédia, como bem disse o Daniel no comentário anterior.

     
  3. Penso como o Daniel e o Alexandre, que comentaram acima. O objetivo da faculdade é formar um bom profissional, e não apenas dar um diploma como muitas fazem por aí. Por que o pessoal que fica indignado não entra na justiça contra as faculdades ruins que aprovam até analfabetos no vestibular?

    Prefiro que acabem com a reserva de mercado em algumas profissões e fiscalizem melhor os cursos universitários. Aí sim o nível vai melhorar.

     
  4. Permita-me discordar: o maior risco é o povo cair nessa esparrela de que o fim da obrigatoriedade aumenta a liberdade de expressão. O que o STF fez foi desviar o foco. De repente, a imprensa brasileira não tem mais problemas de comprometimento, monopólio, uso político, dependência financeira, falta de padrões éticos (e o Conselho, hein…). O problema era essa exigência absurda de um diploma. Agora sim, sem diploma e sem Lei de Imprensa, a coisa vai.

    Opiniões específicas à parte, o diploma e a Lei de Imprensa eram os menores dos problemas da imprensa brasileira. Falta liberdade, falta isenção, falta independência, falta força institucional, falta ética.

    O fim da obrigatoriedade do diploma não melhora (nem piora) essa situação em NADA. Mas desvia o olhar dos menos atentos.

    Taí o risco.

     
  5. Já nem sei mais o que penso. Só acho que é muito cedo para sabermos o que vai ou não mudar. Só acho que faz uma diferença incrível o fato de que isso já acontecia antes, mas que agora acontecerá apoiado por lei.

    Acho que é cedo para tentarmos imaginar qualquer coisa.

     


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