Minhas restrições ao “fora, Sarney!”
Faz duas ou três semanas que tem rolado no Twitter uma campanha. Acompanhada de mensagens indignadas ou mesmo solitária, a expressão “#forasarney” está sendo incluída nos posts de muita gente na rede social. Parece que os cidadãos estão começando a usar a internet para mobilizações políticas. O potencial do meio para isso é incontestável. Mas tenho minhas dúvidas se esta campanha está sendo tratada com a devida seriedade.
José Sarney já aprontou muito. Apoiou a ditadura militar, estendeu o congelamento de preços durante o Plano Cruzado com fins eleitorais e acabou disparando a inflação, distribuiu concessões de TV e rádio a torto e direito para compadres, tentou censurar blogs. Portanto, qualquer diminuição de poder do senador amapo-maranhense é benéfica para o Brasil. Ainda que tenham descoberto, 40 anos de vida pública depois, quem é José Sarney, a indignação é justa e necessária.
Porém, a maioria dos comentários adjacentes ao “#forasarney” postados no Twitter é vazia. As mensagens, quando não são virulentas ou raivosas, não têm conteúdo algum. Pouquíssimas trazem alguma informação que dê consistência ao mote da campanha.
O motivo essencial dessa inação travestida de mobilização é a caótica avalanche de notícias a que somos submetidos com fontes inesgotáveis de dados, números e manchetes frequentemente mal digeridas e transformadas em gritos em nome da moralidade, sem que se saiba exatamente qual o objeto da revolta. Deseja-se tirar Sarney por sua ligação com os recentes escândalos no Senado? Ou por todo o conjunto da obra? Neste caso, por que ninguém se revoltou quando Sarney foi eleito presidente do Senado? O que se ganha com a destituição de Sarney do cargo? Ou apenas deseja-se Sarney fora da presidência da Câmara Alta do Congresso porque é cool?
Por isso, o #forasarney, em muitos casos, é só uma tentativa oca de manifestar resíduos de uma falsa consciência política. Em outras situações, é apenas um esforço em emplacar a tag nos “trending topics” do Twitter – vide a patetice de algumas subcelebridades que deram à campanha, ridiculamente, o tom de galhofa.
Ao debate, por favor!
A internet já provou ser uma ferramenta fabulosa para a democracia. Ela dá voz, espaço e tempo para que mais atores sociais – de indivíduos a organizações – possam expressar seus pontos de vista. O fomento à discussão, à troca de ideias, ao compartilhamento de informações e à reflexão analítica é um potente combustível para o motor da nossa realidade, rumo a patamares cada vez mais altos de justiça e cidadania. O debate permanente também é uma poderosa arma contra a transformação da mobilização popular em uma acrítica massa de manobra.
Saúdo estes novos indícios da participação política dos cidadãos na internet. Mas ainda fico reticente quando vejo manifestações tão superficiais. Mensagens de 140 caracteres (nos quais já inclusos os onze da expressão “#forasarney”) não são um método eficaz de ativismo político, a menos que sirvam para a disseminação de informações ou agregação de partidários numa luta em comum, para ações mais produtivas.
Participar de movimentos assim pode ser bacana, ajudar na sensação de pertencimento etc. mas a reflexão é fundamental. Sem uma dose de razão, o tom da campanha pode ficar emocional demais. O desequilíbrio descamba para mensagens autoritárias e antidemocráticas, como as que pedem o fechamento do Congresso ou aquelas repletas de palavrões.
Motivos para ter Sarney fora da presidência do Senado não faltam. O importante é identificá-los claramente. A desinformação aumenta o risco de se encampar um movimento a favor de quem prefere a falta de consciência política generalizada. É hora, portanto, de explorar mais o altíssimo potencial da internet para promover a troca de ideias. Quanto maior o debate, mais eficazes, contundentes e honestas serão as campanhas.
P.S. O Meme de Carbono já havia alertado para a necessidade de uma campanha mais informativa e menos desajeitada.





08:42
“Fora xxxxx” é uma maneira fácil de se “engajar” politicamente sem ter que ler matérias, além dos títulos ou chamadas de 140 caracteres. No twitter, o ambiente de publicação pode reforçar essa tendência, infelizmente. Poucos se dispõem a participar, ou mesmo apenas acompanhar, um debate uma pouco mais aprofundado como é o caso deste post. Embora o ambiente do twitter seja propício a protestos superficiais, links como esse mostram que existem outras maneiras de se aprofundar o debate.
PS.: Concordo
11:40
Concordo integralmente. Acho até que uma campanha pela cassação do infame (que dificilmente ocorreria) teria mais coerência política – e constrangeria mais gente no Senado e no Governo do PT- do que a pressão por sua renúncia à Presidência. Mas, como se percebe, ninguém está muito interessado em ter coerência ou em fazer esforços.
E, sim, nem tudo na vida cabe em 140 caracteres.
13:15
Eu não acredito mais na política do Brasil! Posso parecer, mais uma vez, radical. Mas, assim como não confio mais nas forças policiais dessa nação, tenho convicção total de que não temos (a grande massa popular desse país) discernimento suficiente para não esquecer os “feitos” de nossos ‘pra-lamentares”. Basta morrer o MJ ou o Pato casar que as bagunças da política são, de novo, varridas pra debaixo do tapete, até a próxima!
Tenho 30 anos, desses, pelo menos 20 antenado nas notícias. E em todo esse tempo foram milhares de escândalos. E alguém ainda lembra dos anões do orçamento, ainda se fala sobre dólares na cueca, mensalão. Isso pra citar coisas recentes. Meu pai morreu com processos contra plano Bresser, plano Verão, plano Collor I e II. Ganhou causa em vários desses e não viu a cor do $! Política no Brasil é pra inglês, francês e americano ver!
00:40
Oi Raphael, ótimo post e a reflexão proposta: mobilização, sim, mas micagem, não. Escrever #forasareny para ficar na “crista da onda” é tão antiquado quanto o próprio termo.
Post #forasarney ou post #ficasarney: é preciso se informar sobre assunto com várias fontes, querer entender o que se passa na política e opinar, do jeito que quiser, mas sabendo do que se trata.
Dizer apenas: político é tudo igual, não soluciona o problema.
Bj
Larissa
14:28
2010 VEM AI, “ELEJA, NÃO REELEJA”, VAMOS LIMPAR O CONGRESSO, AQUELE SHOW DE HORRORES, COM CPIS TERMINANDO EM PIZZA, DEPUTADOS E SENADORES ARROGANTES, ACOBERTANDO UNS AOS OUTROS. OS ATUAIS DEPUTADOS E SENADORES SABEM O QUE ALI OCORRE, POREM SÃO CONIVENTES! ALGUNS CRITICAM SEUS PARES, MAS FALTA CORAGEM. LAMENTÁVEL PORQUE PRECISAMOS DE HOMENS QUE MORALIZEM AQUELAS INSTITUIÇÕES. caranovanocongresso.blogspot.com
10:25
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[...] mais depressa aos trending topics (inclusive no primeiro lugar, em determinados momentos) do que o já famoso #forasarney. Atribuo esta rapidez à autenticidade das homenagens ao Mussum. Todos que participaram resolveram [...]
17:39
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[...] mais depressa aos trending topics (inclusive no primeiro lugar, em determinados momentos) do que o já famoso #forasarney. Atribuo esta rapidez à autenticidade das homenagens ao Mussum. Todos que participaram resolveram [...]
09:38
Concordo com tudo o que foi dito acima, mas como não conheço nenhum candidato a senador que preste, no Estado do Rio, vou anular meu voto para senador.
09:47
A partir do momento que meu comentário fica aguardando aprovação, sinto-me censurado no tocante à minha liberdade de expressão. Vou seguir o meu pensamento sobre a política e tomar as minhas atitudes com referência a candidatos e partidos políticos, assim fujo da censura daqueles que se dizem democrátas e querem tirar o Sarney. Afinal de contas não é somente o Sarney, tem outros personagens precisando sair.