#mussumday: bela homenagem coletiva mostra que o público pode agendar o público
Na quarta-feira, 29 de julho, os twitteiros brasileiros emplacaram um trending topic (os assuntos mais comentados no sistema num determinado momento): o #mussumday, em homenagem aos 15 anos de morte do famoso humorista. Durante o dia inteiro, os twitteiros reverenciaram Antonio Carlos Bernardes Gomes, bravo mangueirense e meu ex-vizinho em Jacarepaguá, relembrando piadas, fazendo brincadeiras com o “jeitis” de falar de Mussum e escrevendo qualquer coisa que lembrasse o trapalhão.
O sucesso da iniciativa me chamou a atenção em dois aspectos. Primeiro, que o assunto chegou bem mais depressa aos trending topics (inclusive no primeiro lugar, em determinados momentos) do que o já famoso #forasarney. Atribuo esta rapidez à autenticidade das homenagens ao Mussum. Todos que participaram resolveram fazê-lo mesmo sem pedidos de adesão. Por outro lado, o #forasarney, por ser um movimento – pretensamente – político, dividiu opiniões neste Fla-Flu que é a internet. Além disso, foi artificial, uma vez que havia solicitações de participação, o que ajudou a aumentar a desconfiança.
O outro aspecto se conecta diretamente com uma frase que ouvi do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, no dia 14 de julho, no fórum sobre mídias sociais. Segundo ele, a internet quebrou o monopólio da imprensa em determinar sobre o que a sociedade deve discutir, tema-chave da hipótese da agenda setting. Franklin tem razão: embora a mídia continue pautando a sociedade, ela não é mais a única a fazê-lo. E o #mussumday é um exemplo bem evidente.
Nas redes sociais, com exceção do tema tecnologia e das fofocas limitadas à blogosfera, praticamente todos os assuntos são pautados pela mídia (e aqui, quando falo mídia, falo da imprensa e também da megaindústria do entretenimento): um filme que vai ser lançado, a celebridade que fez alguma merda, alguma notícia de seção tipo “Planeta Bizarro”.
Mas nenhum grande veículo de comunicação lembrou os 15 anos de morte do Mussum ou deu muito destaque ao aniversário. Mesmo assim, os usuários do Twitter lembraram, e espontaneamente, fizeram suas singelas, divertidas e até emocionantes homenagens ao humorista. Tenho certeza de que a profusão das mensagens sobre o #mussumday ultrapassou os limites da internet e chegou aos ouvidos de quem estava offline, tamanho o barulho.
O episódio é interessante porque estamos falando de um humorista morto em 1994, ou seja, antes da internet chegar ao Brasil, mas que continua vivo na memória de muitos que se divertiam com as piadas dos Trapalhões (cuja longevidade foi estendida pela própria tecnologia e pelos vídeos antigos disponíveis no YouTube). Ou seja, não é nem um assunto quente. Mesmo assim, o #mussumday mostrou que a internet pode mobilizar até mesmo um grupo heterogêneo e numeroso de pessoas como os usuários do Twitter, a ponto de espalhar tão profundamente um tema não abordado pela comunicação de massa.
E alguém pode perguntar qual o impacto desta mobilização específica do #mussumday para a sociedade. Pouco, talvez nenhum. Foi só uma grande brincadeira. Mas, de tão autêntica e espontânea, virou uma bonita homenagem colaborativa.




19:19
Um grupo homogêneo, mas não na faixa etária…
22:48
Mas eu falei heterogêneo…