Como você escolhe seu candidato?
Dentro do táxi que me levava quarta-feira ao aeroporto, fiquei imaginando a vida de um presidente da República, ou de um governador, enfim, de um chefe de poder Executivo, que viaja quase sempre, faz discursos frequentemente, participa de dezenas de reuniões semanais, recebe lobistas, políticos, empresários e cidadãos. Para dar conta de tudo isso, ele precisa estar minimamente preparado para discutir todo e qualquer assunto que seja de seu domínio administrativo. Educação, saúde, segurança, cidadania, políticas públicas, emprego, meio ambiente, política externa, esportes, economia, relações institucionais, agricultura, habitação, cultura, indústria, saneamento, infraestrutura… Preciso continuar?
Para cada um destes temas, é insuficiente apenas saber conceitos e definições. O fundamental é ter números em mãos, saber a opinião de outros atores políticos, acompanhar o noticiário, embasar-se nos pontos de vistas dos seus assessores. Acredito que, diariamente, com a mudança tão rápida de assunto entre uma reunião e outra, o governante tenha que estudar um pouco nos intervalos de folga entre um compromisso e outro. Ou seja, não existe folga.
A profunda mistura de temas, às vezes díspares, às vezes entrelaçados entre si, explica a divisão do poder pelo governante entre seus ministros/secretários e assessores. São estes os responsáveis em formular e executar as ações específicas de sua área. Mas é o presidente quem vai, em última instância, fechar as diretrizes e as linhas gerais do seu governo.
Ele só pode tomar essas decisões quanto mais bem preparado estiver e quanto mais ele puder apreender das informações que lhe são ditas. Não pode ser alguém arrogante, crente que pode tomar a decisão sozinho – a menos que seu acúmulo de experiência naquele assunto lhe dê esse tipo de segurança, o que não vai acontecer sempre. Ninguém é especialista em tudo.
Além disso, num tempo em que a figura pública é cada vez mais exposta, é essencial que ela demonstre segurança sobre um tema que é de sua responsabilidade. Porque o assessor está lá, com os dados e números, mas quem vai pro pau é o presidente, o governador, o prefeito. Seja diante da imprensa, seja na reunião com outro chefe de governo, seja com agentes políticos importantes.
Pensando nisso, concluí que existe um perfil que um indivíduo precisa ter para governar: ser disciplinado, ter vontade de aprender, saber ouvir e ter capacidade gerencial, o que inclui uma visão ampla e conjuntural, saber administrar conflitos e colocar as pessoas certas nos lugares certos. Se o candidato é capaz de mostrar que tem essas qualidades – e, óbvio, tiver idéias com as quais simpatizo – terá grandes chances de conseguir o meu voto. Pois pensarei que a pessoa é articuladora e está sempre renovando seus conhecimentos. Tudo isso é mais importante do que o cara falar bem e usar recursos de marketing que emolduram um discurso vazio.
Acho que estou sendo simplista e otimista. Mas também acho importante que todo mundo pense um pouco nos critérios de escolha de um postulante a um cargo de presidente, governador ou prefeito. Ainda mais faltando um ano para uma eleição a ser realizada num cenário propício à avalanche cada vez maior de informações.
Você, por exemplo: o que leva em conta na hora de votar em um candidato?


12:13
Para mim, o primordial é que o candidato não seja da ARENA.
É importante que seja um diplomata, que saiba resolver conflitos sem reprimir. E, por último, que saiba fazer política.
17:12
Boa reflexão. Além disso tudo, acho que deve ter indubitável o respeito à democracia. Saber português seria o mínimo. Inglês ajudaria também. Gostar de ler então…
09:50
E no final, o Lula é eleito!
Depois das suas premissas, fico me perguntando como é que ele se vira!!! 
Ah! Pra mim, depende de quantas coisas RELEVANTES fizer ANTES de se eleger… porque de promessas estou cheio…
Por isso, necessariamente, meu voto acaba sendo em algum partido de número 00 ou 99!!!
Se eu dependesse de cenário político e econômico pra sobreviver, pra tocar a vida, Perret, tava lascado!
O nosso circo é sempre o mesmo, os palhaços também (nós mesmos): só os mágicos (que somem com o dinheiro público) e os malabaristas (que manipulam muito bem as leis a seu bel-prazer) é que se revezam!
22:57
Puxa, Dagner, que pessimismo. Mas vamos lá, e se o candidato é novo e não fez coisas “RELEVANTES” antes de se eleger?
Gustavo, saber português realmente é importante. Mas o Lula está mostrando que este é o menor dos pecados.
Elis, fazer política, no fundo, acho que todos sabem, senão não chegariam nem ao status de candidato. A questão é fazer política com as pessoas certas, na minha humirde.
10:49
Eu voltei… e acabo de perceber que, como na maioria das nossas ferramentas de comentários para blogs e também para notícias, aqui não tem feedback. Vi isso em algumas ferramentas internacionais e, mesmo antes de ver, já tinha maior interesse de implementar algo parecido por aqui. Assim, ficaria fácil organizar discussões em torno de temas propostos sem a necessidade de se criar um fórum de discussão específico…
Mas, enfim, voltando ao tema: não sei se é pessimismo. Cuido muito para não sê-lo pois sem que isso acaba desestimulando as outras pessoas. Na vida pessoal, por exemplo, a Elaine vive dizendo o contrário: que eu sou otimista. Realmente, no que depende de mim, das minha forças, ou onde a condição espiritual me parece ter ação, sou otimista, sim! Mas quando se trata de política, fui desenganado pelos médicos… não acho, mesmo, que tenha jeito. Ao que me parece, de um modo geral, o brasileiro sempre está querendo levar vantagem em tudo. E o meio político é o espaço ideal para isso: propinas, lavagens de dinheiro, esquemas escusos, votações secretas, fóruns privilegiados…
Acho que a reforma política tinha de ter como Norte o tratamento igualitário para políticos e cidadãos comuns: mais do que isso, esses caras que se dispõe a representar os interesses de outrem deviam fornecer (voluntariamente ou não) informações escancaradas sobre seus atos enquanto homens (e mulheres) públicos. Isto é, devia lhes ser facultado, lógico, ter sua vida particular garantida no que tangisse a assuntos particulares; mas, quando em exercício deSERVIÇO público, deveriam estar sempre num Reality Show! Aí, talvez, funcionasse!
Em relação à sua pergunta: se o candidato é novo não tem o meu voto! Primeiro preciso vê-lo como vereador, deputado estadual, antes de ele ganhar (ou perder de vez, como sempre) a minha confiança. É aí que acabo optando pelo voto nulo! Não que faça alguma diferença no quadro, mas a minha consciência ia me culpar se visse (de novo) um desses caras fazendo o que fez o Garotinho… foi unanimidade em Campos e quando se elegeu governador do Rio, deu no que deu! E isso com o meu voto! O último não nulo!
11:01
A propósito, já tinha falado da minha descrença na política, ao comentar em /2009/07/07/minhas-restricoes-ao-fora-sarney/