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O clube do filme, do pai e do filho

14/01/2010 - 22:21 - por Raphael Perret

Capa do livro 'Clube do filme', de David Gilmour

Ex-crítico de cinema, David Gilmour (que não é o guitarrista do Pink Floyd) está desempregado e, como se não bastasse, vê seu filho Jesse, de 15 anos, ter tanta afinidade com a escola quanto tem um ateu com a igreja. O pai propõe ao jovem que, sim, ele pode abandonar as aulas, desde que assistam, juntos, três filmes por semana. Jesse aceita. O desenrolar das sessões é contado por David em O clube do filme.

O autor admite, em tom franco, que não sabia aonde chegaria essa tática de descabelar os pais mais ortodoxos. E o livro é conduzido de tal forma que o leitor não tem a menor ideia no que o “clube” vai se desdobrar. Será que Jesse se tornará um crítico de cinema (se fosse um filme, este talvez fosse o desfecho mais óbvio)? Um bandidão? Um PhD em Astrofísica? Só se descobre seu futuro na última página.

Mas no que Jesse se transforma após o “clube do filme” é secundário. O mais importante é o relacionamento entre pai e filho no período da experiência, que se torna profundo de uma maneira que seria impossível se David estivesse empregado e se Jesse frequentasse a escola diariamente.

O cinema foi a aliança que uniu pai e filho em época tão difícil da vida de ambos. Porém, menos pelos filmes em si, mais pelos momentos em que passaram juntos.

Foi graças ao “clube” que David descobriu as questões que afligiam Jesse, fontes de recordação de sua própria juventude e que lhe possibilitaram se aproximar tanto de seu filho. As angústias do jovem são bem semelhantes às de qualquer adolescente, e é isso que torna O clube do filme bem prazeroso: o livro trata de um pai e um filho adolescente que conseguem se entender, trocar ideias, serem respeitoso um com o outro… serem amigos. São duas pessoas comuns vivendo uma relação que é tão incomum hoje em dia mas, ao mesmo tempo, tão genuína.

Ah, e subjacente a tudo, um passeio pelo cinema, com comentários técnicos e afetivos de David Gilmour sobre os filmes exibidos. Para quem curte, as observações funcionam como cimento entre os tijolos que compõem a verdadeira história de O clube do filme.


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