Xixi na rua: quais são as soluções?
Acabou o carnaval, agora começa o ano, piriri pororó. Ficou apenas a polêmica, aqui no Rio, do xixi na rua. Pela primeira vez, quem foi pego urinando a céu aberto – fosse homem ou mulher – foi levado à delegacia e indiciado por ato obsceno. Para suprir as necessidades do povo nos blocos, a Prefeitura instalou 4.520 banheiros químicos. A quantidade foi insuficiente: era uma cabine, em média, para 550 foliões. Além disso, uma queixa recorrente foi a péssima manutenção dos banheiros, segundo a população, e assumida pela prefeitura. Assim, coube a todos saberem como lidar com o xixi enfrentando um interessante dilema: ou aguardavam em filas enormes para entrar numa cabine fétida e insalubre ou corria o risco de pular carnaval em delegacia.
Uma coisa é certa: fazer xixi na rua é coisa de bárbaro. Conheço alguns turistas que declararam que a cidade é bonita, coisa e tal, mas fede. Juro que nunca tinha ouvido essa reclamação sobre o Rio. Já devemos, infelizmente, estar acostumados a viver nesse ambiente mal cheiroso. Por isso, não posso concordar nem um pouco com a sugestão do meu xará Raphael Crespo, liberar o xixi na rua e deixar que a Comlurb resolve. Por outro lado, é óbvio que a solução não se limita a aumentar a quantidade de banheiros químicos, mas inclui a correta distribuição deles pela cidade e pela manutenção permanente das cabines.
Por curiosidade, conversei com duas amigas minhas que moram ou moraram na Alemanha e na Inglaterra, duas nações que têm, no imaginário de qualquer um, muita proximidade com festas e bebidas. Perguntei a elas como é tratada a questão do xixi na rua. As respostas delas:
Alemanha: é proibido também. Se não me engano a multa é de 35 euros. Mas tem vários fatores que conspiram a favor do não mijar na rua:
1) oficialmente, um bar, ou restaurante, não pode negar o uso dos banheiros. Durante eventos, muitos cobram 50 centavos pelo uso.
2) os banheiros públicos (estações de metrô, por exemplo) têm até papel higiênico!
3) no frio, tirar o pingolim, encontrá-lo, e conseguir mijar sem molhar as várias camadas de roupa, é quase impossível para quem não tiver dote à la John Holmes.
Óbvio que já vi nego mijando na rua. Principalmente durante grandes eventos. Mas há outra opção aos banheiros químicos podres (pelo menos pros homens):
(Comentário meu: este é o modelo que a prefeitura pensa em importar para cá no ano que vem.)
Inglaterra: há os banheiros portáteis tipo Dav-Lav. Vários deles enfileirados, quando há eventos. Usá-los é gratuito. Há tambem os banheiros públicos permanentes, que custam 20 pence/centavos para usar. São casinhas que ficam praticamente no meio de calçadas, vc bota a moeda e entra. Tem pia e papel e sabonete líquido. É +ou- como banhero de avião, mas não tão apertado.
Tem tambem banheiro gratuito e limpo nas estações de metrô e trem. Tem papel higiênico, papel toalha,sabonete, espelho, bandeja de trocar fraldas. Mas vale lembrar que no Reino Unido o transporte não é privatizado.
Aqui em Singapura há uns banheiros subsolo, com gente na porta recebendo as moedas (20cents). Fede, nunca entrei.
Ah, e no Reino Unido os restaurantes/cafés/fast-food que não estão em shopping têm que ter banheiro público e limpo. E por lei, se vc entrar em qualquer comércio eles têm que te deixar usar o banheiro, se vc pedir.
Ao que parece há naturalmente mais e melhores opções na Europa para quem na rua fica apertado. No Rio, sinto falta de banheiros públicos mesmo fora do carnaval. Muitas casas comerciais, por aqui, simpaticamente trancam os banheiros e avisam que o uso deles é exclusivo para quem consome na casa. Mesmo quando isso não acontece, a situação só piora no carnaval, pois a maioria do comércio está fechada.
Enfim, acho que saídas não faltam. Acredito numa combinação sadia de festa com civilidade. É preciso experimentar soluções possíveis, mesmo que uma definitiva só apareça daqui a alguns anos. O importante é que, enfim, foi iniciada uma campanha de combate a essa praga que é urinar na rua. Ajuda a conscientizar. Mas a prefeitura também precisa melhorar a oferta dos banheiros.
E qual a sua sugestão?
P.S. Pensei em recomendar às pessoas fazer xixi em casa, pô. Mas posso estar sendo injusto, pois não conheço as propriedades diuréticas do álcool.



12:09
teve este modelo alemão em copacabana, já no carnaval deste ano.
pretendo usá-los ano que vem, assim que eu descobrir onde encontrar adaptadores femininos para fazer xixi em pé. já existem alguns modelos, este é um descartável http://www.pipimpe.com.br .
esta pra mim será sem dúvida a melhor opção. vão pensar que sou traveco, mas tudo bem.
os banheiros químicos tradicionais estavam impraticáveis, usei os dos bares, mas foi muito bom saber que eles estavam ali pra qualquer emergência. (sem falar que diminuiram as filas nos bares tbm…)
12:32
Sair do meio do bloco pra urinar e encontrar um banheiro a tempo, após várias latinhas de cerveja, já é deveras complicado (ainda bem que não bebo e não frequento bolocos, mas só de ver pela TV dá pra saber que não falei abobrinha aí acima)… eu apóio a ideia do Bruno (vamos chamá-la de Personal Mictorium)… acho que a indústria podia se interessar por idealizar um produto que tivesse essa finalidade. Não é, aliás, nenhuma novidade: as fraldas e absorventes absorvem (ou prometem) cada vez mais líquido: dá pra criar um produto em versões masculina e feminina, resguardadas as diferenças entre os dois sexos, que permitam às pessoas participarem de festas, blocos, folia, trio elétrico, micareta, sem o infortúnio de encarar banheiros mal conservados.
Em relação ao dia-a-dia, acho que a solução está nos estabelecimentos mesmo. Mas o brasileiro ainda precisa perder essa maldita mania de querer levar vantagem em tudo: forçar alguém a consumir para usar o banheiro é absurdo. Os comerciantes deviam pensar no lucro que têm em deixar usar o seu banheiro: evita que o mal-educado mije na porta e outros fregueses deixem de frequentar.
Pra salvar, temos as redes de fast-food que quase sempre deixam seus banheiros a postos para uso de qualquer um, mesmo sem consumo. O que me lembra uma das máximas do nosso amigo Alex: c*gar só no Bob’s!
18:00
Nossa, como já corri pro Bob’s.
Só uma coisa pra completar: eu não entendo como nós, um país tão fixado na higiene pessoal, pode ter tantos banheiros podres! De restaurante até. Papel higiênico é artigo de luxo. Pinho sol e escovinha nem em sonho…
Alguém explica?
Um amigo já disse: você sabe o estado da cozinha de um restaurante pela limpeza do banheiro.
18:18
Impressionante, né, Clarisse? Não sei, acho que é falta de controle, falta de comprometimento dos funcionários que não querem fazer um serviço “menor”. É a velha história: funcionário mal pago se reflete no mau atendimento e, pelo jeito, também no péssimo banheiro.
Mas também tem gente que usa o banheiro não sei pra quê que deixa o lugar em petição de miséria.
12:08
Parabéns pelo trabalho.
11:29
Hahaha nossa…