27/09/2007 - 16:51
Tropa de elite e sua distribuição clandestina sob as barbas de todo mundo já levantaram muita polêmica. Pirataria, atuação da polícia e reação efusiva da platéia às cenas de tortura foram apenas três das muitas questões que vieram à tona com o filme. Legal. O debate é sempre bom e os assuntos são extremamente importantes para entendermos um pouco da teia sócio-político-cultural na qual todos nós estamos enredados.
Contudo, não se justifica esse bafafá em torno da derrota do filme de José Padilha para O ano que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, na escolha do filme brasileiro que vai lutar por uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A reação negativa e desmedida dos jornais insinua (pra não dizer “revela”) uma torcida descarada por Tropa de elite, que nunca ocorreu por nenhum outro filme nos anos anteriores. Pegou mal. A expectativa geral pela vitória do filme sobre a polícia do Rio só existiu por causa da polêmica pirataria-polícia-platéia, e não pela comprovação de suas qualidades técnicas e narrativas. Ganhar no grito não vale.
Ah. Eu ainda não vi Tropa de elite e cochilei no fim de O ano em que meus pais saíram de férias.
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01/04/2007 - 20:29
Fui ontem com a Adriana ao Espaço de Cinema, em Botafogo, e fomos surpreendidos com um sósia do Cartola, ao lado de um saxofonista e de um rapaz que distribuía rosas a quem entrava no cinema. As flores traziam um convite do tipo “pague-um-leve-dois” para assistir ao filme Cartola – Música para os Olhos, que estréia semana que vem. Marketing inteligente, simpático e cativante. Tal qual uma música de Cartola.
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Tags: cinema
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01/02/2007 - 0:44
Assisti a dois filmes atualmente em cartaz que tratam do mesmo assunto e com muita propriedade. Chamam-se A Grande Família e Pequena Miss Sunshine. O objeto temático de ambos, como está explícito no título do primeiro filme, são as relações familiares.
A obra nacional é a versão cinematográfica da bem-sucedida série global. A história foi inteligentemente construída de forma que pudesse ser dividida em quatro episódios e o formato do filme acaba se aproximando ao da série. O elenco está tão afinado no cinema quanto nas noites televisivas de quinta-feira. O roteiro capricha nas piadas e aproveta ao máximo os talentos individuais de Marco Nanini, Marieta Severo & cia. Impossível não identificar pelo menos dois ou três personagens com alguém conhecido. Risadas garantidas.
Já Pequena Miss Sunshine também tem interpretações excelentes de personagens mais complexos que os de A Grande Família. Embora seja até uma comédia de cenas antológicas, o filme de Jonathan Dayton e Valerie Faris (que concorre ao Oscar nas categorias de filme, ator coadjuvante – Alan Arkin – atriz coadjuvante – Abigail Breslin – e roteiro original) é angustiante em alguns momentos e muito crítico em relação a alguns valores contemporâneos da sociedade americana, como a busca ardorosa pela vitória. Por tudo isso, Pequena Miss Sunshine é um filmaço, que mescla acidez e humor em dosagens perfeitas.
Mas o que une os dois filmes, mais do que a temática familiar, é o amor. O amor conjugal, materno, paterno, fraterno, filial. As duas películas realçam a personalidade de cada um de seus personagens (em Miss Sunshine, mais acentuadamente) e daí se estabelecem os mais variados conflitos. É nesses embates, momentos de dor, de pôr os pingos nos is e de acertar as contas com passado, presente e futuro, que aquele amor incondicional vem lá do fundo da alma, toma conta da pele e rege todos os gestos e atitudes. A Grande Família e Pequena Miss Sunshine revelam que, na hora H, até sogro e cunhado são parentes. E é por isso que os dois filmes são tão bonitos, tão sensíveis e tão bons.
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Tags: cinema, jornalismo, política
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