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	<title>Butuca Ligada &#187; democracia</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Sem golpismos ou ameaças às liberdades</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2010/09/26/sem-golpismos-ou-ameacas-as-liberdades/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 18:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[O que cientistas políticos, no futuro, falarão desta briga entre Lula e imprensa em pleno período eleitoral? É preciso avançar no tempo para obter perspectiva histórica, mas resolvi me arriscar uns palpites: os estudos dirão que a imprensa é digna de críticas e precisa recuperar credibilidade. E que, embora não seja "golpista", a mídia também não sofre ameaça alguma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma discussão bem interessante, sobre esta brigalhada entre Lula e imprensa em pleno período eleitoral, surgiu em uma lista da qual participo. Um colega, num certo instante, perguntou o que cientistas políticos, no futuro, falarão dos episódios deste ano de 2010. É preciso avançar no tempo para obter perspectiva histórica, mas resolvi me arriscar nessa futurologia.</p>
<p>Bem, aposto que análises mostrarão uma cobertura completamente tendenciosa, chegando ao requinte de publicar textos irônicos, preconceituosos e altamente editorializados (sim, estou falando da <em>Veja</em>). Se a Dilma ganhar, será reforçada a tese de que a grande imprensa definitivamente deixou de influenciar a opinião pública como antes, o que já foi aventado em 2006, quando a candidatura de Lula recebeu carga pesada (embora eu ache que em 2010 esteja pior).</p>
<p>Também será comprovado que o discurso de que as liberdades são ameaçadas no Brasil (reforçadas pela <em><a title="Capa da edição 29/09/2010 de Veja" href="http://twitpic.com/2runuc">Veja </a></em><a title="Capa da edição 29/09/2010 de Veja" href="http://twitpic.com/2runuc">desta semana</a> &#8211; grato, <a title="Twitter de Erika Sara" href="http://twitter.com/erikasara">@erikasara</a> &#8211; e pela <a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">incrível capa do </a><em><a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">Extra </a></em><a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">de sexta-feira, 24</a>) é vazio, exagerado e, óbvio, político, já que o que mais se viu nos últimos anos foram matérias críticas ao governo, às vezes grosseiras, às vezes de frágil sustentação, sem que houvesse qualquer tentativa clara de cerceamento à liberdade de expressão. E será avaliado que os movimentos do governo associados a um suposto “controle da imprensa”, como classificaram os veículos, vieram de eventos destinados ao debate sobre o tema (Confecom) ou de propostas levantadas para a regulamentação dos setores de comunicação (Ancinav, Conselho de Jornalismo), o que é bem diferente de censura e já existe em diversos outros países democráticos.</p>
<p>Uma conclusão possível desses futuros estudos será que a liberdade de imprensa não esteve em perigo. As críticas contundentes do presidente Lula, embora desnecessárias porque provocam um clima hostil entre instituições essenciais para a democracia, não carregam nenhuma ameaça em si e não passam de recurso manjado de governantes questionados.</p>
<p>Também se verificará que, se essa imprensa ainda quer manter alguma credibilidade e popularidade, adquiridas com méritos (durante anos em que demonstrou fazer bom jornalismo) e por razões circunstanciais (quando não havia fóruns adequados para que ficasse na berlinda), precisa aceitar também as críticas e a vigilância da sociedade, que exerce esse direito através de blogs e sites voltados para o tema.</p>
<p>Os estudos ponderarão que, apesar de a mídia merecer muitas críticas, não é tratando-a como “imprensa golpista” que a situação vai melhorar. O que se deve cobrar dos veículos é o respeito a princípios básicos de jornalismo, como objetividade, apuração rigorosa e honestidade com o leitor (a imparcialidade é um mito). Os novos blogs e sites contribuem para a &#8211; fundamental! &#8211; democratização da comunicação, mas o poder da mídia tradicional ainda é absurdamente maior. E é conveniente que ela disponha mesmo de recursos (financeiros, tecnológicos etc.) para noticiar e apurar informações às quais cidadãos comuns e blogueiros autônomos costumeiramente não têm acesso.</p>
<p>Enfim, essas análises verificarão que a recente ascensão, na esfera pública, das minorias e dos movimentos sociais já é um alento para que os debates sobre questões de interesse da sociedade ocorra em níveis democráticos. Se todos (imprensa, governo e os críticos a ambos) baixarem um pouco a bola, sem radicalismos, verão que isso já está acontecendo. Sim, ainda há muitas distorções no jornalismo praticado hoje e na relação governo x veículos. Mas sem golpismos midiáticos e sem ameaças à liberdade de imprensa.</p>
<p><strong>P.S.</strong> Precisamos esperar pela análise de 2010, mas o livro<a title="&quot;Jornalismo e política democrática no Brasil&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u424883.shtml"> “Jornalismo e política democrática no Brasil”, de Carolina Matos</a>, já traz um estudo aprofundado da cobertura jornalística dos principais eventos políticos no período da redemocratização: Diretas-Já, eleições de 1989 e impeachment de Collor, eleições de 1994 e eleições de 2002. Ainda não terminei, mas recomendo pelo que já li.</p>
<p><strong>P.S. 2 </strong>As principais fontes de inspiração para este meu texto são dois artigos do Observatório da Imprensa: <a title="A pauta do debate político" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=608JDB022">&#8220;A pauta do debate político&#8221;</a>, de Alberto Dines, e <a title="Por um pingo de serenidade" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=608JDB021">&#8220;Por um pingo de serenidade&#8221;</a>, de Eugenio Bucci. As ideias já estavam na minha cabeça, mas foram estes textos os responsáveis pelas conexões construtivas do post.</p>
<p><strong>P.S. 3 </strong>Por fim, dica do <a title="Twitter do Roney Belhassof" href="http://twitter.com/roneyb">@roneyb</a>: o artigo <a title="Lula, a imprensa e eleições 2010" href="http://politicando.blog.br/?p=1002">&#8220;Lula, a imprensa e eleições 2010&#8243;</a>, do cientista político Fabricio Vasselai, traz praticamente o mesmo ponto de vista deste post, só que bem mais detalhado.</p>
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		<title>Por que ninguém quer o debate?</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/10/09/por-que-ninguem-quer-o-debate/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 03:17:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíadas]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste mundo frenético, ninguém mais quer se aprofundar em nada. Todos já têm suas opiniões e acham que não precisam ouvir o outro, nem pesquisar mais as informações. Assim, fica difícil realizar fóruns sobre temas fundamentais para a sociedade. Pior para todos nós.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O amigo Ivson Alves escreveu:</p>
<blockquote><p>Dessa maneira, se os coleguinhas estão sinceramente preocupados com o legado da Rio-2016 devem, necessariamente, incentivar diretamente a participação popular ativa na fiscalização do evento, antes, durante e, principalmente, depois. Não é só ficar gritando, como propala, algo comicamente, a campanha d’O Globo, mas dar força à organização popular mesmo.</p></blockquote>
<p>Leia mais em <a href="http://coleguinhas.wordpress.com/2009/10/03/rio-2016-cobranca-aos-coleguinhas/">Rio-2016: cobrança aos coleguinhas</a>, post em que Ivson estimula os jornalistas a não ficarem apenas cobrando do governo, mas também da sociedade, que reclama, reclama, reclama&#8230; mas faz que não é com ela.</p>
<p>Não vou nem entrar no clichê já manjado &#8211; porém verdadeiro &#8211; da pessoa que xinga o governante de corrupto mas não quer pagar a multa de trânsito. Tentarei ir além no delineamento da questão: <strong>a sociedade me parece cada vez menos disposta a participar de debates importantes para ela mesma</strong>. Prefere repetir um dos dois tipos de discursos (que não são necessariamente excludentes entre si): o oficial ou aquele mais congruente aos  seus pré-conceitos.</p>
<p>Porém, mesmo com internet, as pessoas subutilizam ferramentas que poderiam ser muito úteis para a realização de discussões e troca de ideias e não procuram se informar, embora tenham à disposição fontes de dados e notícias cada vez mais variadas. Neste ambiente superficial, sem contato com a diversidade de opiniões,<strong> o cidadão se refugia em seu ponto de vista sem dar chance à menor abertura para um possível autoquestionamento</strong>.</p>
<p>Isso acontece um pouco por medo e desconforto, já que a sensação da discórdia não é das mais agradáveis. <strong>Mas a dificuldade em construir uma opinião baseada em debate e informação se dá mesmo é por preguiça ou priorização de outras atividades, já que o frenesi do mundo nos obriga cada vez mais a fazer escolhas</strong>.</p>
<p>Assim, as opiniões ficam parecendo bem firmes, mas são construídas sobre tijolos sem cimento. Muitos evitam se expor nos fóruns (reais ou virtuais). Ora, para quê, se sua opinião é imutável?</p>
<p>Se todos lessem um pouco mais, se aprendessem um pouco mais, se aprofundassem um pouco mais veriam que a informação, bem estudada, analisada e digerida, <strong>pode gerar </strong><em><strong>insights</strong></em><strong> e decisões muito bem embasadas e com pouca chance de dar errado</strong>. Podem até ser polêmicas e controversas, mas certamente terão efeitos positivos em alto grau.</p>
<p>Torço para estar vivo quando os cidadãos passarem a ter mentes mais abertas, saberem ouvir o outro e, assim, participarem mais de debates e poderem formular decisões e medidas com mais precisão e segurança. Com cada um mais certo do que quer, teremos grupos sociais mais coesos e uma sociedade mais madura. Isso, sim, é democracia.</p>
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