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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

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Sobre o segundo turno das eleições no Rio

05/10/2008 - 21:41
Algumas análises do quadro eleitoral na Cidade Maravilhosa.
1) A população cansou de Cesar Maia. A ridícula votação de Solange (menos de 4% dos votos válidos) mostra o repúdio ao atual prefeito do Rio e diminui todas as possibilidades de ele ou algum afilhado político conseguir êxito em eleições majoritárias nos próximos cinco a seis anos.
2) A esquerda do Rio conseguiu um sopro de esperança e renovação com a ida de Gabeira, do PV, ao segundo turno.
3) Mas o quanto a aliança de Gabeira com o PSDB pode prejudicar a costura de alianças entre os partidos de esquerda para o segundo turno? E como explicar a última pesquisa do Datafolha, que indicou que a maioria dos eleitores de Jandira tendem a apoiar Paes, e não Gabeira? Será que PCdoB, PT, PSOL e PDT vão preferir apoiar o PMDB?
4) O apoio de Crivella poderá determinar o vitorioso do segundo turno. A tendência, claro, é que ele se associe a Paes: pelas discrepâncias ideológicas que tem com Gabeira e pelo apoio mútuo de Lula a ambos.
5) Cesar Maia sinalizou que poderá apoiar Gabeira. Será o “beijo da morte”, como ele mesmo sintetizou o apoio de Garotinho a Geraldo Alckmin no segundo turno das eleições presidenciais de 2006?
6) E, se você tinha alguma dúvida, não deixo nenhuma: este blog apóia Fernando Gabeira. Sua passagem para o segundo turno foi até certo ponto surpreendente, pois ele começou muito lá atrás e acreditei que o crescente conservadorismo dos cariocas pudesse chutá-lo a escanteio. Porém, para meu espanto e alegria, o candidato do PV cresceu nas pesquisas, desbancou Jandira e Crivella e chegou ao assalto final contra Eduardo Paes, apoiado pelo governador e pelo presidente. Esperto, na campanha do primeiro turno Gabeira já sinalizou que quer diálogo com Cabral e Lula. Não quer baixaria, quer discussão. Agora, é a vez dos cariocas decidirem: pela aparente “renovação”, de um candidato ligado a um partido de quadros como Anthony Garotinho, Moreira Franco e Jorge Picciani e que surgiu na política apadrinhado por Cesar Maia, ou pelo candidato que encarna a dignidade e a ética.

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Apuração 2008 – 1º turno

05/10/2008 - 21:40
(20:50)
Bem, praticamente encerrada a contagem, também encerro a cobertura das eleições. No segundo turno, tem mais. E, espero, sem problemas técnicos. Até lá!

(19:51)
Já podemos nos acalmar e deixar de correr atrás das informações, certo? O quadro está confirmado. Comparemos, agora, o resultado – quase – final com as pesquisas divulgadas ontem.
 

Candidato Ibope (04/10) Datafolha (04/10) Com 98% das seções apuradas
Eduardo Paes 31% 30% 27,91%
Gabeira 17% 18% 22,44%
Crivella 19% 17% 16,54%
Jandira 10% 12% 8,53%
Brancos e Nulos 6% 6% 12,75%
Indecisos 6% 4% -

As margens de erro de ambas as pesquisas eram de três pontos pra mais ou pra menos. Assim, a maioria dos números bate mais ou menos com o que as sondagens revelaram, com apenas duas ressalvas:

1) Gabeira foi o único que obteve uma votação superior à esperada pelas pesquisas. supõe-se que a maioria dos indecisos destinou seus votos ao candidato do PV. Mas é bom ressaltar, ainda, que os índices para Paes, Crivella e Jandira foram superestimados.
2) o número de brancos e nulos foi o dobro do previsto.

 


(19:28)

Uso o programa Divulga, do TSE, para acompanhar a apuração, desde que ele foi lançado. Sempre funcionou bem e me permitiu fazer a cobertura das eleições de 2006. Contudo, neste ano, ele vacilou feio. Não funcionou, não consegui nenhuma parcial e muitos amigos se queixaram do problema. Alô, TSE, que tal fazer uma versão mais robusta para o segundo turno? Ah, o mesmo vale para o site da Justiça Eleitoral, que também saiu do ar por volta das 18:30… e nunca mais voltou.

(19:24)
Antes que alguém pergunte, ninguém divulgou números da apuração para vereador aqui no Rio. São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador já têm votos apurados. Curitiba – que já encerrou a apuração para prefeito e reelegeu Beto Richa (PSDB) – não tem números para vereador, tal qual o Rio de Janeiro.

(19:16)
Mais números, direto do Terra. Com 84% de seções apuradas:

 

EDUARDO PAES – 32,17 %
GABEIRA - 25,48%
MARCELO CRIVELLA – 18,90%
JANDIRA FEGHALI - 9,85%
MOLON – 5,02%
SOLANGE - 3,85%
CHICO ALENCAR – 1,85%
Nulos e em branco chegam a 12,77% do total.

 


(19:07)
Eduardo Paes e Fernando Gabeira vão ao segundo turno no Rio.
Vamos fazer um rápido cálculo:
o Rio tem 4.579.365 eleitores. O UOL conta um total de 18% de eleitores que não votaram, o que nos dá a participação de 3.747.072 cariocas. Como já foram contados os votos de 2.839.506 pessoas, temos ainda uns 907.566 votos para serem apurados.
Se se mantiver a taxa de 12,7% de votos inválidos, então teremos apenas 792.305 votos para algum candidato.
Se a porcentagem de votos para Gabeira e Crivella mantiver-se constante (44,5% para um dos dois), então ambos receberão, daqui até o final da apuração, 352.575 votos.
Neste momento, Crivella tem 42% dos votos de Gabeira. Pra se igualar a ele, precisa de 58% dos votos que faltam destinados a ambos, isto é, 204.493.
Como Crivella tem 463.276, ele precisa ter no mínimo 667.769 votos ao fim da apuração.
Se Gabeira atingir este número antes do final, garante a ida ao segundo turno.
Detalhe: agora ele está com 640.293.
Teremos Gabeira enfrentando Paes no segundo turno.

(19:00)
Temos 3/4 de seções apuradas, segundo o Terra. E o resultado é
EDUARDO PAES – 32,04 %
GABEIRA - 25,84%
MARCELO CRIVELLA – 18,70%
JANDIRA FEGHALI - 9,83%
MOLON – 5%
SOLANGE - 3,86%
CHICO ALENCAR – 1,87%
Nulos e em branco chegam a 12,73% do total.

(18:39)

Agora são 47% do total de votos apurados, segundo o Terra.
EDUARDO PAES – 31,76 %
GABEIRA - 26,94%
MARCELO CRIVELLA – 18,03%
JANDIRA FEGHALI - 9,70%
MOLON – 4,95%
SOLANGE - 3,83%
CHICO ALENCAR – 1,95%
Até agora, foram 12,7% de votos em branco ou nulos. Gabeira diminui um pouco a porcentagem, enquanto Crivella cresce.

(18:35)
Bem, o jeito é acompanhar pelo concorrente (UOL). Com 41% dos votos apurados, temos:
Eduardo Paes – 31%
Gabeira – 27%
Crivella – 17%
Jandira – 9%
Molon – 4%
Solange – 3%
Chico – 1%
Votos e nulos somam 12% do total.
Com esta diferença e com este total apurado, tudo indica que Gabeira vai ao segundo turno com eduardo Paes. O que chama a atenção é a diferença entre ambos, de quatro pontos percentuais. Ela ainda pode oscilar. Vamos acompanhar.

(18:31)
Minhas fontes de informação estão com dificuldades em funcionar. Tanto o site quanto o programa divulgados pelo TSE estão parados e não estou conseguindo atualizar com a agilidade com que meus leitores estão acostumados ;-) Vamos fazer o possível pra melhorar isso aqui.

(18:23)

Agora o UOL tem :)

(18:19)

Acabo de checar e nenhum site de notícias mais tem os números parciais da apuração no Rio.
Eleições 2008? É no Butuca Ligada ;-)

(18:13)
Nova parcial no Rio, agora com 17,4% dos votos apurados:

 

Eduardo Paes – 31,58% (dos votos válidos)
Gabeira – 28,34%
Crivella – 16,94%
Jandira – 9,34%
Molon – 5,01%
Solange – 3,90%
Chico – 2,03%
Reparem como gabeira dispara neste início e está bem colado em Eduardo Paes. É preciso apenas identificar se as zonas eleitorais cujos votos estão sendo apurados neste momento são de redutos do candidato do PV ou se estão espalhadas.
Em brancos e nulos, temos 12,66% do total.

 


(18:09)
Ainda pela parcial abaixo, temos 12,68% de votos em nulo ou em branco.

(18:05)
Primeiros números no Rio!
Eduardo Paes – 31,34%
Gabeira – 28,54%
Crivella – 16,9%
Jandira – 9,48%
Molon – 4,94%
Solange – 3,89%
Chico – 2,07%
Com 7,8% do total apurado.

(17:55)

Quase uma hora de início da apuração e nenhum boletim para a cidade do Rio.

(17:47)

Começou a apuração em São Paulo. Com menos de 0,5% das urnas, Kassab, Marta e Alckmin largam na frente. A boca-de-urna do Ibope aponta a ex-prefeita e o atual prefeito como os candidatos do segundo turno.

(17:40)

Sai a primeira pesquisa boca-de-urna do Ibope, divulgada no Globo. Paes ganha com 33%, Gabeira aparece em segundo com 23% e Crivella vem em terceiro com 20%. A matéria não diz se são os votos válidos ou totais. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, permanece o empate entre Gabeira e Crivella. E o mistério.

(17:32)
Segundo o Datafolha, entre os eleitores de Paes e de Gabeira, 86% cada estão totalmente decididos, entre os de Crivella dizem-se totalmente certos de seu voto 83%, enquanto chega a 78% entre o eleitorado de Jandira. Teriam, ainda, maior probabilidade de receber os votos dos indecisos, que somam 17%, Paes (4%) e Jandira e Gabeira (3%, cada). Já, podem vir a mudar seu voto para Crivella, 2%.
Estes números favorecem Gabeira. Jandira pode ganhar uma carga extra neste final, mas seus eleitores estão menos confiantes daqueles que escolheram Paes, Gabeira e Crivella.
Outra informação interessante: em três simulações de segundo turno (Paes contra cada um dos três segundos mais bem colocados), o candidato do PMDB ganha todas, e derrota com maior folga Marcelo Crivella. Muitos dos votos de Gabeira e Jandira iriam para Paes, o que garantiria a vitóri do aliado de Sergio Cabral. Ou seja, se houvesse mesmo a intenção do voto útil, Paes seria eleito em primeiro turno (lembremos que em 2004 Cesar Maia ganhou no primeiro turno porque, dentre outras razões, os eleitores não acreditavam na força dos adversários). Porém, a existência de Jandira e Gabeira garante que a cidade está realmente dividida, e quer escolher com calma o prefeito que a governará nos próximos quatro anos.

(17:23)
Nesta reta final, me chamou a atenção a ascensão do Gabeira. Em quase um mês, ele subiu 11 pontos no Ibope e 10 no Datafolha. Eu apostava na estabilidade do candidato do PV, uma vez que o tom de seu programa era professoral demais, certinho demais, até rebuscado, o que dificilmente alcançaria as classes mais baixas e que lhe são refratárias. Porém, Gabeira cresceu muito na classe média e, por isso, a campanha do PV mostrou-se acertada. Talvez sua aparência tranqüila e didática e sua postura de aproximação com os governos estadual e federal tenham sido fundamentais para a construção da imagem de um candidato sereno e que busca o diálogo. Enquanto Paes não tinha muito o que ajustar, consolidado na frente que estava, Crivella pediu votos no estilo “me dêem uma chance”, e Jandira em alguns momentos pareceu áspera e rancorosa, com ataques ao líder das pesquisas. Como não houve fatos novos durante a campanha e ninguém sofreu grandes conseqüências com alguma acusação grave, tudo leva a crer que Gabeira chega com chances de ir ao segundo turno graças ao tom de sua campanha no rádio e na TV. E esta disputa é a grande novidade neste momento pré-apuração aqui no Rio.
————————-

(17:12)

Bem, amigos do Butuca Ligada, falamos ao vivo da torre de comando do blog para acompanhar a apuração dos votos das eleições municipais de 2008. A cobertura privilegiará a contagem do Rio de Janeiro, mas de vez em quando darei uma “palhinha” sobre o que ocorre em outras grandes cidades.

Não se perca: segundo as últimas pesquisas Datafolha e Ibope, Eduardo Paes (PMDB) vai para o segundo turno disputar a prefeitura do Rio contra Marcelo Crivella (PRB) ou Fernando Gabeira (PV). Para as sondagens, Jandira Feghali (PCdoB), Alessandro Molon (PT), Solange Amaral (DEM), Chico Alencar (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e os demais candidatos já podem articular as alianças de segundo turno.
Será? Vamos ver…

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Só uma mudança radical muda o quadro eleitoral no Rio

08/09/2008 - 8:37
A última pesquisa do Datafolha para as eleições municipais do Rio traz informações dignas de análise. A mais evidente é a chegada de Eduardo Paes (PMDB) (25%) ao topo das preferências do eleitorado carioca, embora tecnicamente empatado com Marcelo Crivella (PRB) (21%) , que caiu da liderança para o segundo lugar. Em terceiro aparece Jandira Feghali (PCdoB) (12%), seguida de Fernando Gabeira (PV) (8%) e Solange Amaral (DEM) (7%), todos embolados. 

A chegada de Paes é fruto de duas circunstâncias que lhe são muito favoráveis: seu maior tempo de exibição na propaganda eleitoral gratuita e sua baixa taxa de rejeição, superior apenas à dos três candidatos que aparecem mais mal colocados na pesquisa do Datafolha. Em outras palavras, dos candidatos pouco (ou des)conhecidos.

Essas circunstâncias ajudam Paes a conquistar boa parte do eleitorado ainda indeciso. De fato, a porcentagem de cidadãos que não sabiam em quem votar caiu três pontos percentuais (basta ver o infográfico feito pelo Globo Online). É possível que Crivella e Jandira, que perderam pontos entre a última pesquisa e a anterior tenham transferido votos para o peemedebista, mas os eleitores desses dois candidatos são os que mais rejeitam Paes, junto com os de Gabeira.

Outro dado relevante é que, nas últimas sondagens do Datafolha, Paes é o único que cresce, enquanto Crivella e Jandira caem e os demais candidatos não sofrem alterações significativas. A menos que ocorra um fato novo ou uma mudança de abordagem em alguma das campanhas, não deve haver uma reviravolta no panorama eleitoral até 5 de outubro.

Neste momento, a passagem de Crivella para o segundo turno é praticamente assegurada, dada a distância que tem para o terceiro lugar. Tenho minhas dúvidas, porém, se o candidato do PRB continua caindo. Sua enorme taxa de rejeição (33%), embora praticamente inviabilize sua vitória no segundo turno, não impede que ele mantenha o segundo lugar, pois não está clara a parcela de seus eleitores atuais ainda disposta a trocar de opção.
Assim, para o resultado ser diferente do cenário previsto, é preciso que Jandira, Gabeira, Solange, Molon, Chico e Paulo Ramos modifiquem radicalmente suas estratégias de campanha. Uma união dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL e PDT), quase utópica nestte momento, somariam 20% e fariam frente a Crivella e até mesmo a Paes. A participação de Gabeira aumentaria os votos, mas sua parceria com o PSDB deve dificultar o processo. Solange sofre do mesmo problema de Crivella: está limitada a um teto de votos, devido à rejeição ao seu nome (a segunda maior dentre os candidatos), decorrente de sua ligação com Cesar Maia, em baixa junto à população carioca.

Viradas na reta final de campanha não são tão incomuns assim. Mas só acontecem com algum fenômeno externo ou uma mudança estratégica espetacular. O marasmo da campanha atual parece levar para o segundo turno Marcelo Crivella e Eduardo Paes. A esta altura, somente um agito mobilizador, seja dos candidatos, seja dos eleitores, pode trazer alterações significativas ao quadro. Faltando um mês, ainda dá tempo. Caso contrário, Paes e Crivella dormem tranqüilos até o início de dezembro. E junto com eles, Lula, que apóia os dois e pouco se desgasta nas eleições do Rio de Janeiro.

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