Ficar de butuca: estar esperto, observar, prestar atenção. Butuca Ligada é atenção redobrada, ler as entrelinhas, examinar o superficial e o profundo. Saiba mais
  
Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘eleições’

Propaganda desrespeitosa

05/10/2008 - 14:01
Calçada da Rua São Clemente, em Botafogo, em frente ao Colégio Santo Inácio, hoje

Calçada da Rua São Clemente, em Botafogo, em frente ao Colégio Santo Inácio, hoje

Chegamos, então, a uma nova definição para a palavra “paradoxo”. Candidatos a prefeito e vereador, eleitos para cuidar de nossa cidade, incentivam o emporcalhamento das ruas no dia do voto, com a distribuição de santinhos, jornaizinhos e outros “inhos”.

É importante lembrar que a propaganda eleitoral, hoje, é proibida. Veja o que diz a Resolução nº 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral, que regulamenta a campanha nas eleições 2008:

Art. 46. Constituem crimes, no dia da eleição, puníveis comdetenção de 6 meses a 1 ano, com a alternativa de prestação de serviços àcomunidade pelo mesmo período, e multa no valor de R$5.320,50 (cinco mil, trezentos e vinte reais e cinqüenta centavos) a R$15.961,50 (quinze mil, novecentos e sessenta e um reais e cinqüenta centavos) (Lei nº 9.504/97,art. 39, § 5º):

(…)

III – a divulgação de qualquer espécie de propaganda departidos políticos ou de seus candidatos, mediante publicações, cartazes,camisas, bonés, broches ou dísticos em vestuário (Lei nº 9.504/97, art. 39, § 5º,inciso III).

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Não perca as apurações 2008

04/10/2008 - 21:21
Amanhã, dia 5 de outubro, vamos todos votar naquele que desejamos ser o próximo prefeito. E o nosso glorioso Butuca Ligada, assim como em 2006, vai acompanhar as apurações em tempo real. Darei preferência, claro, aos resultados divulgados aqui no Rio de Janeiro, sem deixar de espiar o que está acontecendo nas outras grandes cidades brasileiras.  

Meu objetivo é interpretar rapidamente os números divulgados e traçar a tendência do resultado antes mesmo do último voto ser contado. Prestigiem: a partir das 18 17h, estarei aqui, de olho na apuração.
Veja aqui como foi a apuração de 2006, no primeiro e no segundo turno.

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As eleições e os servidores municipais

13/09/2008 - 19:03
Prefeitura do Rio: máquina movida por 120 mil servidores
Foto: Leandro Marins/PCRJ

“Candidatos disputam voto de servidor com benesses” é a chamada de capa do Globo de hoje. Refere-se às propostas dos postulantes ao cargo de prefeito do Rio de Janeiro direcionadas aos funcionários públicos municipais.

A reportagem, publicada logo na página 3 do jornal (área nobre) e condensada num texto publicado no Globo Online, traça um perfil dos benefícios a que têm direito os servidores do município e apresenta as propostas dos candidatos. Na página seguinte, revela que os funcionários têm recebido spams da candidata apoiada pelo prefeito, o que é tipificado como crime pelo TRE-RJ.

O trecho das pretensões dos candidatos sobre a relação com os servidores é fraco e curto. Já a parte dos benefícios é um pouco mais precisa. Porém, algumas partes da matéria (completa) precisam ser destacadas.

(1) “As benesses já existentes incluem empréstimos para a casa própria, bolsas de estudo, auxílio-moradia e distribuição de cadeiras de rodas, próteses ósseas e aparelhos de surdez, além do fato de os aposentados daqui serem os únicos do país que não descontam para o INSS”.

Nem os servidores públicos estatutários aposentados do Rio, nem os de quase nenhuma outra cidade do país descontam para o INSS. A maioria dos municípios brasileiros conta com um regime próprio de previdência, que recebe a contribuição previdenciária dos servidores públicos do local. Com o Rio não é diferente: o Previ-Rio administra o Funprevi, para onde vão, todos os meses, 11% dos salários dos servidores, sem teto ou alíquota. Ou seja, são 11% sobre toda a remuneração. O INSS está fora disso. Mas é verdade que, no Rio, os servidores aposentados não sofrem o desconto dos 11%.

(2) “Paes e Molon têm um ponto em comum. Prometem rever o contrato assinado há dois anos entre a prefeitura e uma instituição financeira que tem a exclusividade no pagamento do salário do funcionalismo. Segundo eles, os serviços prestados poderiam ser bem melhores.”

Ué… Não entendi a timidez do Globo em revelar o nome da “instituição financeira”… Chama-se Santander. Leram bem? Banco Santander (sem link, por favor). E ambos os candidatos têm toda a razão ao afirmar que “os serviços prestados poderiam ser bem melhores”.

(3) “Maria [uma servidora entrevistada pelo jornal] disse que reconhece os benefícios da prefeitura, mas reclama que o salário ainda é baixo. Diz estar indecisa, sem saber em quem vai votar:

- Estou na dúvida porque prometem de tudo. Quem é funcionário fica inseguro para decidir quem é o melhor.”

Estes são os últimos parágrafos da reportagem. Eles expõem uma brecha pela qual a matéria poderia ganhar mais corpo e tornar-se mais interessante: o dilema do servidor municipal. Afinal, ele vota não apenas naquele que vai administrar a sua cidade nos próximos quatro anos, mas também no seu futuro patrão. Os critérios em jogo são outros e os interesses – legítimos – podem parecer bem mais individuais do que coletivos. Esta abordagem fez falta e poderia enriquecer a reportagem, que traz uma referência vacilante às propostas dos candidatos para o corpo funcional da Prefeitura do Rio.

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Só uma mudança radical muda o quadro eleitoral no Rio

08/09/2008 - 8:37
A última pesquisa do Datafolha para as eleições municipais do Rio traz informações dignas de análise. A mais evidente é a chegada de Eduardo Paes (PMDB) (25%) ao topo das preferências do eleitorado carioca, embora tecnicamente empatado com Marcelo Crivella (PRB) (21%) , que caiu da liderança para o segundo lugar. Em terceiro aparece Jandira Feghali (PCdoB) (12%), seguida de Fernando Gabeira (PV) (8%) e Solange Amaral (DEM) (7%), todos embolados. 

A chegada de Paes é fruto de duas circunstâncias que lhe são muito favoráveis: seu maior tempo de exibição na propaganda eleitoral gratuita e sua baixa taxa de rejeição, superior apenas à dos três candidatos que aparecem mais mal colocados na pesquisa do Datafolha. Em outras palavras, dos candidatos pouco (ou des)conhecidos.

Essas circunstâncias ajudam Paes a conquistar boa parte do eleitorado ainda indeciso. De fato, a porcentagem de cidadãos que não sabiam em quem votar caiu três pontos percentuais (basta ver o infográfico feito pelo Globo Online). É possível que Crivella e Jandira, que perderam pontos entre a última pesquisa e a anterior tenham transferido votos para o peemedebista, mas os eleitores desses dois candidatos são os que mais rejeitam Paes, junto com os de Gabeira.

Outro dado relevante é que, nas últimas sondagens do Datafolha, Paes é o único que cresce, enquanto Crivella e Jandira caem e os demais candidatos não sofrem alterações significativas. A menos que ocorra um fato novo ou uma mudança de abordagem em alguma das campanhas, não deve haver uma reviravolta no panorama eleitoral até 5 de outubro.

Neste momento, a passagem de Crivella para o segundo turno é praticamente assegurada, dada a distância que tem para o terceiro lugar. Tenho minhas dúvidas, porém, se o candidato do PRB continua caindo. Sua enorme taxa de rejeição (33%), embora praticamente inviabilize sua vitória no segundo turno, não impede que ele mantenha o segundo lugar, pois não está clara a parcela de seus eleitores atuais ainda disposta a trocar de opção.
Assim, para o resultado ser diferente do cenário previsto, é preciso que Jandira, Gabeira, Solange, Molon, Chico e Paulo Ramos modifiquem radicalmente suas estratégias de campanha. Uma união dos partidos de esquerda (PCdoB, PT, PSOL e PDT), quase utópica nestte momento, somariam 20% e fariam frente a Crivella e até mesmo a Paes. A participação de Gabeira aumentaria os votos, mas sua parceria com o PSDB deve dificultar o processo. Solange sofre do mesmo problema de Crivella: está limitada a um teto de votos, devido à rejeição ao seu nome (a segunda maior dentre os candidatos), decorrente de sua ligação com Cesar Maia, em baixa junto à população carioca.

Viradas na reta final de campanha não são tão incomuns assim. Mas só acontecem com algum fenômeno externo ou uma mudança estratégica espetacular. O marasmo da campanha atual parece levar para o segundo turno Marcelo Crivella e Eduardo Paes. A esta altura, somente um agito mobilizador, seja dos candidatos, seja dos eleitores, pode trazer alterações significativas ao quadro. Faltando um mês, ainda dá tempo. Caso contrário, Paes e Crivella dormem tranqüilos até o início de dezembro. E junto com eles, Lula, que apóia os dois e pouco se desgasta nas eleições do Rio de Janeiro.

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Mudando de assunto

28/08/2008 - 22:47

Acabou a Olimpíada. Vêm aí as eleições. Adoro efemérides. UHU! :-)

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