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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘esportes’

Repórter é agredido durante visita do Comitê Olímpico Internacional

03/05/2009 - 9:51

Vem cá, um repórter é agredido por “seguranças” que dispersavam os passageiros comuns durante visita do grupo do Comitê Olímpico Internacional ao metrô do Rio e a repercussão é essa mesma, quase nenhuma?

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Mudando de assunto

28/08/2008 - 22:47

Acabou a Olimpíada. Vêm aí as eleições. Adoro efemérides. UHU! :-)

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Ingressos esgotados. Você, tricolor, está com o seu?

25/06/2008 - 1:13

Foto de Celso Pupo, publicada no blog Fim de Jogo
Foto de Celso Pupo, publicada no blog Fim de Jogo

Na imprensa esportiva carioca, as notícias de maior destaque, na última semana, foram a fraca campanha do Brasil nas Eliminatórias, as eleições no Vasco e a confusão na compra de ingressos para a finalíssima da Libertadores, entre Fluminense e LDU, do Equador, no Maracanã, no dia 2 de julho. As cenas de desordem na fila e policiais atacando torcedores estão se tornando, infelizmente, corriqueiras, sem que providências sejam tomadas pra valer.

Venda de ingressos para jogos de grande apelo, sobretudo no Maracanã, trazem sempre desnecessárias pitadas de emoção. Motivos sobram para explicar a baderna: falta de inteligência dos dirigentes, logística idiota, policiais despreparados, leniência com cambistas e outras barbaridades. As engrenagens que movimentam o esquema de comércio de ingressos são tão conexas que tentar desvinculá-las é uma tarefa ingrata, árdua e longa. Enquanto já é possível comprar ingressos pela internet para filmes, peças, shows e jogos de futebol em qualquer lugar da Europa, por aqui é inimaginável poder adquirir bilhetes por qualquer meio que não seja na boca do caixa, em três ou quatro postos de venda diferentes, mal localizados.

(Veja algumas notícias sobre a confusão: o relato de um repórter-torcedor do Fluminense, o informe do blog Fim de Jogo e um vídeo numa matéria do GloboEsporte.com)

A estrutura clandestina leva os ingressos rapidamente ao esgotamento. Os responsáveis anunciam o fim das vendas como se fosse fim de expediente. Em conversas informais, descubro que ninguém que tenha tentado comprar suas entradas conseguiu. Mas como? Eu conheço muitos tricolores. Vários amigos meus também têm contato com torcedores do Fluminense. Apaixonada e ansiosa por ver seu time prestes a conquistar o maior título de sua história, a maioria da galera pó-de-arroz, sem dúvida, correria atrás de entradas para o jogo.

Assim, através do meu e-mail, procurei algumas pessoas e perguntei-lhes se conheciam alguém que tentou comprar ingressos no sábado com êxito. Minha modesta sondagem revelou que 16 pessoas tentaram comprar. Destas:

- 4 compraram com cambista
- 2 compraram porque um deles “era amigo de algum ‘influente’ do clube”
- 4 não conseguiram, além de “uma galera que ficou na fila e só conseguiu entrar na porrada”
- 1, sócio, comprou três arquibancadas, depois de cinco horas na fila nas Laranjeiras
- 1 está conseguindo “com alguém que conseguiu de alguma outra maneira e vai pagar o dobro”
- 4 conseguiram na fila de idosos, ou porque alguém foi junto, ou porque o próprio era o idoso (destes, 2 tinham tentado comprar na fila normal)

Resumindo:

- 1 conseguiu comprar após 5 horas na fila
- 7 conseguiram comprar, mas não foi na bilheteria
- 4 conseguiram comprar, usando a fila de idosos
- 4 não conseguiram comprar

Ou seja, a diretoria do Fluminense põe 69 mil ingressos à venda, tudo se esgota em uma manhã e somente uma em 16 pessoas sondadas conseguiu comprar ingresso normalmente. Segundo esta proporção, era necessário que houvesse mais de 1 milhão de pessoas na cidade querendo seus bilhetes. Acredite: a proporção pode ser maior, pois não incluí as pessoas com quem já havia conversado, antes de enviar o e-mail. E tem mais: das 16 que responderam, sete compraram com cambistas. Mas como os cambistas conseguem ingressos, se a venda era limitada a duas entradas por pessoa? Pelas contas do torcedor Pedro Lucas de Vasconcellos, em nota publicada pelo Juca Kfouri, as bilheterias precisavam atender duas pessoas por segundo. Uma fantástica rapidez que não correspondia à velocidade com que a fila andava.

Somente estas informações já seriam suficientes para iniciar, ainda que timidamente, uma investigaçãozinha, uma perguntinha à diretoria do clube, uma indagação à polícia militar, um questionamento à Suderj. Mas a vista grossa das autoridades e dirigentes é vergonhosa. Falta claramente vontade política para resolver o problema. Sabemos que, quando os poderosos botam mesmo a mão na massa, os resultados aparecem e até estranhamos quando parecemos viver numa sociedade civilizada. Com a omissão generalizada, estamos perto mesmo é da barbárie.

Quero ver na Copa de 2014 (hahahaha!). Lembra do Pan? Então.

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Flamengo, o campeão brasileiro de 1987

08/11/2007 - 15:25

Com o objetivo de promover um debate sobre a pendenga do título brasileiro de 1987, o Marmota me convidou a escrever um comentário. Lá vocês podem ler todos os textos que ele publicou. Aqui, reproduzo o que eu escrevi.

A CBF determinou que Flamengo, Internacional, Sport e Guarani disputassem um quadrangular para indicar o campeão brasileiro de 1987. Os times carioca e gaúcho se recusaram a jogar e, entre paulistas e pernambucanos, deu Sport, aclamado com o título, depois confirmado pela justiça comum. Por que, então, o Flamengo põe na sua conta a conquista da Copa União de 20 anos atrás e, com isso, afirma ter sido o primeiro time a ganhar cinco títulos brasileiros?

Simples: porque o Flamengo foi, de fato, o campeão brasileiro de 1987.

Naquele ano, a CBF admitiu que não tinha condições financeiras de montar um campeonato nacional. Assim, os quatro grandes clubes do Rio, os quatro de São Paulo, os dois de Minas, os dois do Rio Grande do Sul e o Bahia fundaram o Clube dos 13 e assumiram a responsabilidade de organizar o torneio.

A CBF passou a apoiar o planejamento do campeonato pelo Clube dos 13, desde que Goiás, Santa Cruz e Coritiba fossem incluídos no torneio. Pedido atendido, a Copa União começava a ganhar forma e respaldo oficial.

Porém, outros clubes estavam descontentes por ficarem fora da festa, principalmente o Guarani, vice-campeão de 1986, e o América do Rio, que perdera a semifinal do Brasileiro de 1986 para o São Paulo. Para atendê-los, a CBF resolveu montar, por conta própria, um campeonato com outros 16 clubes. Em seguida, anunciou que este torneio seria o módulo amarelo da Copa União, enquanto o campeonato organizado pelo Clube dos 13 seria o módulo verde. Os dois primeiros colocados de cada um dos módulos disputariam o título brasileiro.

E, assim, começa a confusão. Era patético o clube vencedor do módulo verde, com os maiores times do país, correr o risco de perder um título em dois ou três jogos contra dois clubes provenientes do módulo amarelo, considerado a “segunda divisão” pela imprensa, na época.

O Clube dos 13 rejeita a fórmula e garante que não vai disputar o quadrangular. Ocorrem os dois torneios. Flamengo e Internacional, finalistas do módulo verde, mantêm-se firmes e se recusam a entrar em campo contra Sport e Guarani, vitoriosos do amarelo. Então a CBF dá o título ao Sport, etc. etc.

É comum acusarem o Flamengo e o Inter de quebrarem as regras do campeonato por não terem disputado o quadrangular. Mas se houve rompimento de acordo, partiu da própria CBF, ao trair o Clube dos 13 e promover a ridícula fórmula depois de combinar a Copa União. A mesma acusação de quebra de regras se aplica ao próprio Sport e ao Guarani, que ignoraram o regulamento do jogo e dividiram preguiçosamente o título do módulo amarelo, após uma disputa de pênaltis que se estendeu até o placar de 11 a 11.

Afinal, que moral tinha a CBF de decidir quem seria o campeão brasileiro se ela mesma assumiu não ter condições de montar o campeonato?

Campeonato que foi organizado e disputado pelos treze maiores clubes do país, os mesmos que acumularam mais pontos, que tiveram a melhor média de público, o maior número de jogadores convocados para a seleção e os maiores artilheiros da competição desde o seu início, em 1971, segundo artigo publicado pelo Jornal do Brasil em 15 de julho de 1987.

Campeonato que obteve a terceira melhor média de público da história (20.877 torcedores por partida), marca que, até hoje, segue inalcançada.

Campeonato que obteve 91% de aprovação dos torcedores, segundo pesquisa do Ibope ao final do torneio.

Campeonato, portanto, mais do que legítimo.

Pois o Flamengo conquistou este campeonato nacional legítimo, depois de 19 jogos, superando Internacional (na decisão), Atlético-MG (na
semifinal), Cruzeiro, Grêmio, São Paulo, Fluminense, Palmeiras, Botafogo, Vasco, Bahia, Coritiba, Goiás, Santa Cruz, Santos e Corinthians.

É por tudo isso que o Flamengo é, desde 1992, pentacampeão brasileiro. Hoje, com alegria e respeito, o rubro-negro recebe um vitorioso colega no grupo que inaugurou, o dos times com cinco títulos nacionais. Seja bem-vindo, São Paulo. Quinze anos depois, finalmente temos uma companhia.

(Mais sobre a Copa União de 1987: no site Trivela, no artigo “Crise, revolução e traição”, e no livro Passes e impasses – Futebol e cultura de massa no Brasil, de Ronaldo Helal, lançado pela Editora Vozes)

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O gol de Joílson e uma das melhores fotos do ano

20/09/2007 - 14:11

“Por que não demos uma foto do gol na primeira página?”, perguntou, naquela segunda-feira, Roberto Marinho ao então diretor de redação do Globo, Evandro Carlos de Andrade.

Meados dos anos 1990, o “doutor” Roberto ainda freqüentava a redação e Evandro contava a história para mostrar como o dono de um dos maiores impérios de mídia do mundo conservava intacto o seu instinto de jornalista.

Foto do gol deixou de ser essencial nas primeiras páginas ou cadernos de esporte. Foram substituídas pelos lances dramáticos onde a figura do jogador, inclusive seu rosto, tornou-se mais importante do que o resultado da sua jogada. Mérito das poderosas teleobjetivas capazes de captar qualquer coisa em qualquer canto do gramado. Forma de enfrentar a cobertura panorâmica da TV, horas antes.

(…)

Uma coisa é certa: os jornalistas Roberto Marinho e Evandro Carlos de Andrade não suportariam ver aquelas mirradas e paupérrimas fotos de gols nas primeiras páginas do Globo (sábado, domingo e segunda) onde outrora, mesmo num jogo do São Cristóvão x Madureira, luziam magníficas fotos da pelota balançando as redes, diante do goleiro arrasado e do goleador triunfante.

Foto de gol é marca registrada dos jornais. E esta marca jamais lhes será arrebatada pela TV ou a internet. É o registro estático-dinâmico do momento supremo do futebol. E do jornalismo esportivo.

Este é um trecho do texto Sede de gols, fotos, relatos e bravuras, de Alberto Dines, publicado no Observatório da Imprensa, em 13 de junho do ano passado.

Se Dines viu a capa do jornal O Dia de hoje, provavelmente republicaria o texto. A foto que ilustra a primeira página do jornal carioca nesta quinta-feira mostra, em ângulo indefectível, a bola superando o goleiro Carrizo, observada atentamente pelos outros jogadores e pelo árbitro, após o chute violentamente desferido por Joílson do meio da rua, na vitória de 1 a 0 do Botafogo sobre o River Plate, ontem, no Engenhão.

Um primor. A foto de Marcelo Régua (parabéns!) já tem meu voto para qualquer prêmio de fotojornalismo que surgir daqui pra frente.

Confira.

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