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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘esportes’

Aumentando o ritmo em doses homeopáticas

19/09/2007 - 11:43

Na sexta-feira, comecei um tratamento homeopático.

Hoje, fiz meu primeiro treino desde então. Corri 10 km em 49 minutos e 55 segundos. Meu melhor tempo.

Uma coisa tem a ver com a outra?

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Meia Maratona Internacional: o tempo, o preparo e a concentração

06/09/2007 - 2:56

Nas corridas de rua, principalmente as mais longas, que exigem mais estratégia do que provas de tiro curto, três fatores são fundamentais para o sucesso do atleta. Um é externo e depende do bom humor de São Pedro: o tempo. Os outros dois são individuais e podem ser controlados pelo próprio corredor: a concentração e o preparo físico. Este, por sua vez, é condicionado pelos treinos realizados semanas, meses antes. Na hora H, apesar de ser um fator importante, não poderá ser modificado.

Então, se considerarmos um atleta devidamente preparado, de acordo com a sua meta dentro da prova, o tempo e a concentração serão os elementos de maior influência sobre o seu desempenho. E para a Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, ocorrida no domingo passado, era “só” manter-se concentrado, já que, nubladão, o céu fez a sua parte e barrou a entrada do grande vilão de qualquer corredor de rua: o sol.

Você deve achar que a corrida começa na largada. Errou. Quer dizer, até acertou, se você concordar que, antes da largada, já se disputa uma corrida, entre o momento em que o despertador avisa “CHEGOU O GRANDE DIA” e o instante em que você já se encontra perto do local de partida. Sim, porque qualquer falha nesse intervalo pode comprometer semanas de duro treino. Imagine acordar atrasado e ter que engolir um café da manhã pra não perder o ônibus. Ou aguardar, já em cima da hora, um coletivo num domingo, antes das 8 da manhã? Ou deixar pra hora H a separação de roupa, relógio, número do peito, chip, boné, dinheiro, gel e outros elementos imprescindíveis para uma boa corrida? No meu caso, deu tudo certo – até o ônibus passou no momento em que eu me aproximava do ponto! – e 45 minutos antes da largada, em São Conrado, eu já iniciava o meu alongamento.

Uma das melhores coisas de uma corrida é observar o alto astral das pessoas que a disputam. Tem homem, mulher, baixo, alto, careca, cabeludo, forte, magro, velho, garoto, elegante, desengonçado (na verdade, só não tem gordo, por motivos óbvios)… Muitos passageiros do ônibus 176 que me levou até São Conrado ostentavam roupas esportivas e números pregados no peito. Quem não sabia da corrida certamente estranhava tamanho movimento numa manhã dominical nebulosa. Os atletas sorriem, brincam, se aquecem, se alongam, conversam, meditam, rezam. Cada um faz de tudo preparando-se para alcançar o seu objetivo individual, que, no mínimo, é completar bem a prova, sem lesão ou qualquer outro problema. Um clima agradável, já produzido pela chuva fina que caía sobre os 14 mil doidos participantes da meia, era ampliado pela alegria e vontade de se divertir saudavelmente exalado por todos (àquela altura, eu só lamentava que os 14 mil doidos não exalavam calor humano suficiente para amainar o frio insuportável na orla de São Conrado).

É dada a largada e, desesperados por um lugar na Globo, emissora que organiza e transmite o evento, milhares de corredores quase se atropelam. Como o tempo só começa a ser contado quando o corredor passa por um tapete eletrônico no fim da orla, não tenho pressa. Aproveito o esvaziamento para dar uma aquecida. Quando decido partir, ainda tem muita gente atravessando o pórtico de largada. Na Avenida Niemeyer, logo a pior parte do percurso pela sua suave, porém, longa ladeira, o embolamento é grande e em alguns momentos a velocidade precisa ser reduzida. A conseqüência é lógica e nefasta: perco tempo no trajeto da sinuosa avenida e, se quiser terminar antes das duas horas, preciso melhorar o ritmo. Tal qual há dois meses atrás.

Chego ao Leblon e a chuva fina dá um tempo. Agora, só vento e nuvens. A combinação ideal para uma corrida longa como essa. Sem o sol para amolar, volta a questão da concentração. As pernas doem, o joelho dá um vacilo, mas ainda há 16 km pela frente. Decido dar uma forçada, leve, segurando para aumentar o pique somente no último terço da prova. A estratégia funciona. O público em volta aplaude, dá força. Minhas únicas falhas são nos postos de hidratação: enquanto todos os corredores pegam os copos de água na primeira bancada, obrigando os que seguem atrás a parar, as bancadas seguintes ficam vazias… e eu sempre esqueço isso, preferindo disputar o copo ainda na primeira bancada. Fora isso, tudo vai bem: Leblon, Ipanema, Arpoador, Copacabana. Aqui, chega a metade da corrida e abro o primeiro gel de carboidrato. Uma garoa ameaça dar as caras, mas logo se retrai. Na saída do túnel do Pasmado, entrando em Botafogo, no único posto de Gatorade só faltou ter fila. Como me sentia bem, deixei pra trás aquela que foi a maior reclamação dos corredores na comunidade da Meia Maratona no Orkut.

Aparece a marca dos 14 km e o Aterro do Flamengo se aproxima. Eis o maior momento de tensão. Primeiro, porque começa o tal último terço da prova, em que acho necessário meter bronca. Segundo, porque é onde a concentração encara seu maior desafio. O Aterro é percorrido quase que inteiramente em ida e volta. Ou seja, a entrada do Parque do Flamengo é, ao mesmo tempo, a chegada da corrida. Logo, ver os atletas completando a prova enquanto você ainda tem de encarar mais de 5 km é um momento que precisa ser bem digerido pela mente. Minha única alternativa era seguir o planejado, isto é, forçar o pique e esquecer que a chegada estava tão perto e tão longe.

Deu certo. O sol continuou escondido e o clima, ao contrário da meia do ano passado, foi fundamental. Mesmo com as pistas do Aterro mais desertas, isto é, sem público pra dar apoio moral, começo a pensar que falta menos do que antes, que logo darei a meia-volta para completar a prova, que faltam 3 km, que faltam 2 km, que falta 1 km, que logo vou almoçar, descansar, dormir… Quando passei pelo tapete eletrônico, haviam passado uma hora, 55 minutos e 25 segundos desde a largada, meu melhor tempo em 21,097 km. Bati meu próprio recorde. Uma marca que, na hora, não consegui captar, mas que neste momento eu celebro. Apesar das pesadas dificuldades por que passei nas últimas semanas e que me forçaram a diminuir os treinos, pude completar a prova, cumprir meu objetivo (terminar em menos de duas horas) e bater meu recorde.

Um sucesso completo. Graças ao tempo, ao preparo e à concentração. Realmente, na hora da corrida não dá pra pensar em outra coisa a não ser na estratégia a ser cumprida. Senão você dança. Agora, até o fim do ano, manterei o ritmo nas competições mais curtas. E maturo a idéia já propalada por aí de encarar uma maratona. Sempre treinando e mantendo a concentração.

E, claro, torcendo pro sol brincar de pique-esconde.

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Fim de festa

29/07/2007 - 23:05

O pior do Pan ficou pro final. Que cerimônia de encerramento mais chata, sô. Um monte de gente no gramado sem ter o que fazer e músicas chatas que não empolgavam ninguém. Definitivamente, fim de festa total.

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O velho cambismo

26/07/2007 - 13:30

Há milhares de anos o Maracanã sofre com os cambistas. Os ingressos são vendidos em horários doidos, as pessoas têm dificuldade em comprar, fazem filas intermináveis e sempre, eu digo SEMPRE, tem um ou dois malandros grandalhões, com voz grossa e cordão no pescoço anunciando “tenho ingresso”, com preços ridículos de tão inflacionados. Nisso, os ingressos acabam antecipadamente e, que estranho, o estádio não fica lotado na hora do evento.

Com o Pan, acreditei ingenuamente que a organização agiria pra evitar essa prática execrável do cambismo. Mas que nada: fui ao Maracanã ver Brasil x Canadá, pelo futebol feminino, e as mesmas figuras que circundam o estádio em dia de jogo dos times cariocas estavam lá.

Putzgrila. A quem interessa a existência dos cambistas? Por que as autoridades, quando questionadas, lavam as mãos e fazem que não é com elas? Por que não tomam uma atitude mínima, simbólica, que transpareça uma pequena vontade de combater esse mal?

P.S. E se você quiser saber mais sobre o que acontece nos arredores do Maracanã em dias de jogos, não perca o Fim de Jogo, comandado pela amiga Cristina Dissat e que, a cada dia que passa, arregimenta uma legião de colaboradores.

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A verdadeira geração de prata

20/07/2007 - 2:52

O que aconteceu hoje no Maracanãzinho foi a prova de que a seleção feminina de vôlei de Sheila, Paula Pequeno etc. nasceu para ser vice-campeã. É a geração de prata de blusinhas e shortinhos. Perder para Cuba com seis chances de fechar o jogo significa medo de vencer. Afinal, o que mais justifica as jogadoras experientes furarem cortadas? Ou perderem um ponto em que a cubana foi buscar a bola quase lá na arquibancada?

As rivais são realmente muito boas. No tie-break, numa mesma disputa de ponto, buscaram bolas no chão que eu juraria serem indefensáveis. Mas esta seleção brasileira de vôlei, definitivamente, gosta de amarelar em finais. Basta lembrar que ela é a atual vice-campeã mundial e perdeu as semifinais nas Olimpíadas de Atenas num jogo tristemente histórico, com direito a cinco match-points perdidos para as russas.

Continuarei torcendo, sempre, pelas meninas do Brasil. Porém, e sempre, também, com muita desconfiança e uma quase certeza de que não conseguirei no final gritar “é campeão!”.

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