Sofrimento total, com intervalo de 15 minutos
Queria gostar menos de futebol. Só assim eu não ficaria exposto a alguns acontecimentos dolorosamente tenebrosos.
Queria gostar menos de futebol. Só assim eu não ficaria exposto a alguns acontecimentos dolorosamente tenebrosos.
No Troca de Passes, mesa redonda do Sportv, os comentaristas alertaram que o Flamengo só conseguiu fazer os gols de empate graças às falhas dos goleiros do Botafogo, que sem a ajuda deles o time teria perdido o jogo, que o rubro-negro criou poucas oportunidades do segundo tempo, quando dominou a partida.
Alto lá.
1) Se o Flamengo fez os gols, criou as jogadas, mesmo em falhas dos goleiros. Renato foi lançado livre na cara de Júlio César e dificilmente perderia o gol. Souza estava no lugar certo para chutar a bola perdida por Max.
2) Renato ainda mandou uma bola na trave em cobrança de falta e muitos outros chutes assustaram o gol do Alvinegro.
3) Aliás, o Botafogo também não criou tantas chances assim de gol. Foi mais eficiente, jogou um futebol até bonito e marcou duas vezes. Nas outras tentativas, Bruno não teve grande trabalho ou a defesa impediu que os chutes fossem finalizados. Segundo o discurso dos comentaristas, parece que o Botafogo deu um vareio.
A verdade é simples. O primeiro tempo foi alvinegro, com uma presença apática do Flamengo. O segundo tempo foi rubro-negro, diante de uma postura covarde do Botafogo. O domínio territorial foi dividido entre as duas equipes de acordo com a etapa do jogo. O empate foi justíssimo e nenhum dos dois foi tão superior. O Botafogo foi aplicado taticamente. O Flamengo foi aguerrido. Coração ou estratégia ganhará? Só saberemos no domingo que vem.
1) Brasil 1 x 0 Suécia, Rose Bowl, Los Angeles, semifinal da Copa do Mundo dos EUA, 1994: Galvão Bueno insistia em reclamar que o lateral-direito Jorginho não parava de cruzar bolas na área em busca dos baixos Bebeto e Romário, perdidos numa alta defesa sueca. Pois bem: aos 35 minutos do segundo tempo, Jorginho cruza da direita e, num salto inacreditável, Romário sobe mais alto que os zagueiros, mete a cabeça na bola e manda-a no canto direito de Ravelli. Um jogo sofrido, chorado, tenso, retirado do caminho em que se desenhava – a prorrogação e os pênaltis – por um lance único do Baixinho.
2) Corinthians 0 x 3 Flamengo, Pacaembu, São Paulo, Torneio Rio-São Paulo, 1999: Romário dá um elástico no volante Amaral, pela esquerda corre até a linha de fundo, entra na área e dá na bola um toquinho tão sutil quanto um peteleco, encontrando um espaço não se sabe onde, de tal forma que a redonda passa entre o goleiro Nei e a trave. É o segundo gol do Flamengo.
3) Brasil 2 x 0 Uruguai, Maracanã, Rio de Janeiro, eliminatórias da Copa dos EUA, 1993: Romário é lançado em profundidade, invade a área sozinho e, quando o goleiro se aproxima, faz um movimento indescritível que desmonta o adversário. Sobram, limpos, Romário, bola e gol. Era o segundo dele, o segundo do Brasil, em seu único jogo nas eliminatórias, e que classificou a seleção. A propósito, eu diria que esta foi a atuação mais brilhante de um jogador em uma partida.
4) Flamengo 3 x 2 Botafogo, Maracanã, Rio de Janeiro, decisão da Taça Guanabara, 1995: poucos atacantes são inteligentes a ponto de prever a falha de um zagueiro. Romário, nesta partida até então empatada em 2 a 2, percebeu que Márcio Theodoro cabecearia a bola para o goleiro Vágner. Rapidamente, o Baixinho se posicionou entre o zagueiro e o goleiro. Romário estava certo em sua clarividência. Recebeu a bola de presente e marcou o gol que consolidou o título do Flamengo.
5) Palmeiras 3 x 4 Vasco, Parque Antártica, São Paulo, decisão da Copa Mercosul, 2000: o atacante já havia feito dois gols na histórica reação do Vasco, que perdia por 3 a 0. Já nos acréscimos, 3 a 3, em clima de decisão de pênaltis, Romário, sempre no lugar certo na hora certa, vê a bola sobrando na sua frente e fuzila o gol de Sérgio. Vasco 4 a 3, uma vitória impossível, com um gol de um predestinado.
Francamente! A torcida do Flamengo ainda comemora quando o time adversário perde um jogador expulso? Ela ainda não aprendeu que isso é sinônimo de derrota? Que quando o Flamengo tem um a mais aí é que ele não ganha mesmo? A história comprova. É só pesquisar.
Eis um compacto do jogo de futebol mais emocionante que eu já vi.
Morumbi, segunda partida da final da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1993.
Rubro-negros e são-paulinos com mais de 20 anos de idade sabem do que estou falando.
Comparem a emoção de Galvão Bueno nos gols do Flamengo e nos gols de São Paulo.
Marcelinho f.d.p.

Butuca Ligada está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
Este blog é feito em
WordPress | Tema desenhado por Adriana Simeone | Implementado por mim, com agradecimentos