O caminho do hexa
Relembre a conquista do Mengão, revendo todos os gols do time no Campeonato Brasileiro de 2009.
Parte 1
Parte 2
Relembre a conquista do Mengão, revendo todos os gols do time no Campeonato Brasileiro de 2009.
Parte 1
Parte 2
Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro.
Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens.
O primeiro parágrafo desta reportagem já informa: “os seis mil ingressos (…) se esgotaram em uma hora e meia”.
Seis mil ingressos em 90 minutos = 66 ingressos por minuto.
As entradas eram vendidas apenas em uma bilheteria. Quantos guichês estavam abertos? Vamos chutar um número BEM alto: dez. Então cada guichê vendeu 6 ingressos por minuto.
Cada pessoa só poderia comprar 2 ingressos. Logo, cada guichê atendeu, em média, uma pessoa a cada 20 segundos.
Alguém acha isso razoável? Fila gigantesca, um aperto horroroso, a necessidade eventual de troco, guichê apertado… e um atendimento médio de uma pessoa por 20 segundos?
Que tal entrevistas com presidentes do Flamengo, da Suderj, da Ferj, da CBF, com o chefe da Polícia, o escambau? Todo mundo que estiver envolvido na negociata. É só apresentar esses números e exigir esclarecimentos sobre essa BAGUNÇA que é comprar ingressos pra jogo decisivo aqui no Rio de Janeiro. E não me venham com papinho de que isso só acontece quando o jogo é do Flamengo, pois há um ano os tricolores passaram por perrengue igual.
Decidi, no final de 2008, que boicotaria o Campeonato Estadual. Pretendia ignorar os jogos deste torneio que serve apenas para: atrapalhar o calendário; fortalecer os velhos cartolas de sempre da Federação, mediante arranjos políticos sub-reptícios; e, a pior das consequências, iludir torcedores apaixonados e dirigentes amadores do time campeão, que, no alto do pódio, supõe que sua equipe é brilhante e pode vencer, mole, mole, o campeonato que mais importa, isto é, o Brasileirão.
Quando comentei isso com o meu amigo rubro-negro Juan Saavedra, ele alertou: você não vai conseguir.
As circunstâncias até me ajudaram. Não me empolguei muito em pagar o pay-per-view (gastar mais pra ver Flamengo x Macaé? Poupem-me). Na semifinal da Taça Guanabara, quando o meu time tomou um sacode do Resende no Maracanã, preferi pular no bloco Sassaricando em pleno sábado de Carnaval. E, por fim, andei muito atarefado neste primeiro semestre, o que me impediu de acompanhar as partidas do Flamengo até quando passavam na Globo. Na verdade, nem os jogos iniciais da Copa do Brasil, competição que respeito bastante, me animaram. Também pudera: dois jogos, sete gols a favor e nenhum contra. Emoção zero.
Porém, chegou um Fla-Flu, um jogo, enfim, decisivo e contra um adversário tradicional. Foi aí que percebi que clássico é clássico até em um torneio com só dois times disputado na Amazônia. Rubro-negro que é rubro-negro não vai abrir mão de ver uma decisão. Hoje, concluí que não importa o campeonato, e sim o duelo. E Fla-Flu, Flamengo x Vasco e Flamengo x Botafogo valendo vaga ou título são jogos para decretar feriado. Por sorte, hoje era domingo. E de Páscoa. Mais cerimonioso, acho que só se fosse no Natal. Juan, você tinha razão.
Ainda acho que os Estaduais deveriam perder a importância que têm. Serem extintos? Talvez. Reduzidos? Certamente. Desejo apenas que a fórmula substituta sempre ofereça a delícia que é um jogo decisivo contra um inimigo figadal. Como o de hoje: tenso, duro, surpreendente, emocionante até o fim.
Estava com saudades de reencontrar um jogo de verdade do Flamengo.
Feliz Ano Novo.

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