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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

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Um Fla-Flu para inaugurar 2009

12/04/2009 - 23:36

 

Decidi, no final de 2008, que boicotaria o Campeonato Estadual. Pretendia ignorar os jogos deste torneio que serve apenas para: atrapalhar o calendário; fortalecer os velhos cartolas de sempre da Federação, mediante arranjos políticos sub-reptícios; e, a pior das consequências, iludir torcedores apaixonados e dirigentes amadores do time campeão, que, no alto do pódio, supõe que sua equipe é brilhante e pode vencer, mole, mole, o campeonato que mais importa, isto é, o Brasileirão.

Quando comentei isso com o meu amigo rubro-negro Juan Saavedra, ele alertou: você não vai conseguir.

As circunstâncias até me ajudaram. Não me empolguei muito em pagar o pay-per-view (gastar mais pra ver Flamengo x Macaé? Poupem-me). Na semifinal da Taça Guanabara, quando o meu time tomou um sacode do Resende no Maracanã, preferi pular no bloco Sassaricando em pleno sábado de Carnaval. E, por fim, andei muito atarefado neste primeiro semestre, o que me impediu de acompanhar as partidas do Flamengo até quando passavam na Globo. Na verdade, nem os jogos iniciais da Copa do Brasil, competição que respeito bastante, me animaram. Também pudera: dois jogos, sete gols a favor e nenhum contra. Emoção zero.

Porém, chegou um Fla-Flu, um jogo, enfim, decisivo e contra um adversário tradicional. Foi aí que percebi que clássico é clássico até em um torneio com só dois times disputado na Amazônia. Rubro-negro que é rubro-negro não vai abrir mão de ver uma decisão. Hoje, concluí que não importa o campeonato, e sim o duelo. E Fla-Flu, Flamengo x Vasco e Flamengo x Botafogo valendo vaga ou título são jogos para decretar feriado. Por sorte, hoje era domingo. E de Páscoa. Mais cerimonioso, acho que só se fosse no Natal. Juan, você tinha razão.

Ainda acho que os Estaduais deveriam perder a importância que têm. Serem extintos? Talvez. Reduzidos? Certamente. Desejo apenas que a fórmula substituta sempre ofereça a delícia que é um jogo decisivo contra um inimigo figadal. Como o de hoje: tenso, duro, surpreendente, emocionante até o fim.

Estava com saudades de reencontrar um jogo de verdade do Flamengo. 

Feliz Ano Novo.

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Ingressos esgotados. Você, tricolor, está com o seu?

25/06/2008 - 1:13

Foto de Celso Pupo, publicada no blog Fim de Jogo
Foto de Celso Pupo, publicada no blog Fim de Jogo

Na imprensa esportiva carioca, as notícias de maior destaque, na última semana, foram a fraca campanha do Brasil nas Eliminatórias, as eleições no Vasco e a confusão na compra de ingressos para a finalíssima da Libertadores, entre Fluminense e LDU, do Equador, no Maracanã, no dia 2 de julho. As cenas de desordem na fila e policiais atacando torcedores estão se tornando, infelizmente, corriqueiras, sem que providências sejam tomadas pra valer.

Venda de ingressos para jogos de grande apelo, sobretudo no Maracanã, trazem sempre desnecessárias pitadas de emoção. Motivos sobram para explicar a baderna: falta de inteligência dos dirigentes, logística idiota, policiais despreparados, leniência com cambistas e outras barbaridades. As engrenagens que movimentam o esquema de comércio de ingressos são tão conexas que tentar desvinculá-las é uma tarefa ingrata, árdua e longa. Enquanto já é possível comprar ingressos pela internet para filmes, peças, shows e jogos de futebol em qualquer lugar da Europa, por aqui é inimaginável poder adquirir bilhetes por qualquer meio que não seja na boca do caixa, em três ou quatro postos de venda diferentes, mal localizados.

(Veja algumas notícias sobre a confusão: o relato de um repórter-torcedor do Fluminense, o informe do blog Fim de Jogo e um vídeo numa matéria do GloboEsporte.com)

A estrutura clandestina leva os ingressos rapidamente ao esgotamento. Os responsáveis anunciam o fim das vendas como se fosse fim de expediente. Em conversas informais, descubro que ninguém que tenha tentado comprar suas entradas conseguiu. Mas como? Eu conheço muitos tricolores. Vários amigos meus também têm contato com torcedores do Fluminense. Apaixonada e ansiosa por ver seu time prestes a conquistar o maior título de sua história, a maioria da galera pó-de-arroz, sem dúvida, correria atrás de entradas para o jogo.

Assim, através do meu e-mail, procurei algumas pessoas e perguntei-lhes se conheciam alguém que tentou comprar ingressos no sábado com êxito. Minha modesta sondagem revelou que 16 pessoas tentaram comprar. Destas:

- 4 compraram com cambista
- 2 compraram porque um deles “era amigo de algum ‘influente’ do clube”
- 4 não conseguiram, além de “uma galera que ficou na fila e só conseguiu entrar na porrada”
- 1, sócio, comprou três arquibancadas, depois de cinco horas na fila nas Laranjeiras
- 1 está conseguindo “com alguém que conseguiu de alguma outra maneira e vai pagar o dobro”
- 4 conseguiram na fila de idosos, ou porque alguém foi junto, ou porque o próprio era o idoso (destes, 2 tinham tentado comprar na fila normal)

Resumindo:

- 1 conseguiu comprar após 5 horas na fila
- 7 conseguiram comprar, mas não foi na bilheteria
- 4 conseguiram comprar, usando a fila de idosos
- 4 não conseguiram comprar

Ou seja, a diretoria do Fluminense põe 69 mil ingressos à venda, tudo se esgota em uma manhã e somente uma em 16 pessoas sondadas conseguiu comprar ingresso normalmente. Segundo esta proporção, era necessário que houvesse mais de 1 milhão de pessoas na cidade querendo seus bilhetes. Acredite: a proporção pode ser maior, pois não incluí as pessoas com quem já havia conversado, antes de enviar o e-mail. E tem mais: das 16 que responderam, sete compraram com cambistas. Mas como os cambistas conseguem ingressos, se a venda era limitada a duas entradas por pessoa? Pelas contas do torcedor Pedro Lucas de Vasconcellos, em nota publicada pelo Juca Kfouri, as bilheterias precisavam atender duas pessoas por segundo. Uma fantástica rapidez que não correspondia à velocidade com que a fila andava.

Somente estas informações já seriam suficientes para iniciar, ainda que timidamente, uma investigaçãozinha, uma perguntinha à diretoria do clube, uma indagação à polícia militar, um questionamento à Suderj. Mas a vista grossa das autoridades e dirigentes é vergonhosa. Falta claramente vontade política para resolver o problema. Sabemos que, quando os poderosos botam mesmo a mão na massa, os resultados aparecem e até estranhamos quando parecemos viver numa sociedade civilizada. Com a omissão generalizada, estamos perto mesmo é da barbárie.

Quero ver na Copa de 2014 (hahahaha!). Lembra do Pan? Então.

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