Informação é estar atento | Blog de Raphael Perret
Ficar de butuca: estar esperto, observar, prestar atenção. Butuca Ligada é atenção redobrada, ler as entrelinhas, examinar o superficial e o profundo. Saiba mais
Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
Os dirigentes culpam a quantidade de times, o horário dos jogos e o preço dos ingressos (como se não fosse com eles, aliás…). Mas estas não são as únicas razões que afastam a torcida dos estádios no Campeonato Carioca de 2010. Tem também a preferência por outros campeonatos e a proibição das partidas dos grandes clubes em campos nos quais Fla, Flu, Bota e Vasco sempre jogaram. Enfim, que tal repensarmos o Estadual?
Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro.
Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens.
O primeiro parágrafo desta reportagem já informa: “os seis mil ingressos (…) se esgotaram em uma hora e meia”.
Seis mil ingressos em 90 minutos = 66 ingressos por minuto.
As entradas eram vendidas apenas em uma bilheteria. Quantos guichês estavam abertos? Vamos chutar um número BEM alto: dez. Então cada guichê vendeu 6 ingressos por minuto.
Cada pessoa só poderia comprar 2 ingressos. Logo, cada guichê atendeu, em média, uma pessoa a cada 20 segundos.
Alguém acha isso razoável? Fila gigantesca, um aperto horroroso, a necessidade eventual de troco, guichê apertado… e um atendimento médio de uma pessoa por 20 segundos?
Que tal entrevistas com presidentes do Flamengo, da Suderj, da Ferj, da CBF, com o chefe da Polícia, o escambau? Todo mundo que estiver envolvido na negociata. É só apresentar esses números e exigir esclarecimentos sobre essa BAGUNÇA que é comprar ingressos pra jogo decisivo aqui no Rio de Janeiro. E não me venham com papinho de que isso só acontece quando o jogo é do Flamengo, pois há um ano os tricolores passaram por perrengue igual.
“Os dois times precisam da vitória e acredito em um jogo aberto e com muitos gols. A situação que o Fluminense se encontra complica ainda mais o jogo. Eles possuem um bom time e não merecem estar nessa situação”, concluiu.
Pet elogia elenco tricolor e espera clássico apertado no domingo
- Será um jogo difícil. Clássicos sempre são difíceis e pelo momento do Fluminense no campeonato a tendência é que seja ainda mais difícil. O Fluminense tem bons jogadores e pelos nomes que estão lá não era para estar nessa situação. Estão assim por problemas internos. A vitória é importante para os dois lados, mas não será um jogo com placar elástico. Será muito apertado – disse Petkovic.
Considerando que as entrevistas foram feitas num curto espaço de tempo entre uma e outra – certamente ambas na noite de quinta-feira, apesar da notícia do Globoesporte.com ter sido publicada só na manhã do dia seguinte – das duas uma: ou o Pet ficou maluco ou um dos dois sites está querendo zoar o outro.
Gente, vamos parar de nos enganar? A crise chegou ao Brasil.
Devagarinho, sorrateiramente, ela cruzou a linha do Equador e desembarcou em nossas terras. Não se sabe exatamente quando. A verdade é que uma série fluida de acontecimentos desencadeou outros tantos e, numa sequência de relações causais, culminou em altos índices de desemprego aqui no Brasil.
“Sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata”, já cantava Gonzaguinha. Sábias palavras do poeta! Desempregado, o homem se afunda no ócio, perde suas referências. Se não se apoiar sobre um bom suporte psicológico, distorce a realidade e passa a praticar atos que jamais faria em condições normais de temperatura e pressão, nas quais sua vida era preenchida por alguma atividade salutar.
O desemprego revelou-se grave exatamente ontem, na invasão de torcedores no treino do Fluminense. As imagens são cruéis. É duro, mas insisto que veja. Vamos nos penalizar destas pessoas que, sem mais o que fazer na vida, se dirigem numa terça à tarde para protestar e agredir profissionais em seu ambiente de trabalho.
O que podemos fazer? Uma sugestão é oferecer um emprego, ou pelo menos um biscate a esses pobres cidadãos. Quem sabe, trabalhando, eles não preencham suas vazias mentes e vidas com algo útil?