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	<title>Butuca Ligada &#187; história</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Milhares de pessoas em homenagem a 96 mortos revelam diferenças culturais entre Inglaterra e Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 02:45:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Não consigo imaginar, no Brasil, um estádio lotado por torcedores de um time para homenagear "companheiros" mortos em uma tragédia ocorrida há 20 anos. Em Liverpool, na Inglaterra, isso aconteceu. E depois falam que os britânicos é que são frios.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma vez descubro que 1989 foi muito mais marcante do que <a title="1989, vinte anos depois" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/01/04/1989-vinte-anos-depois/">eu já achava</a>. Há vinte anos, <a title="Tragédia com 96 mortos que mudou o futebol na Inglaterra completa 20 anos" href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1083776-9842,00-TRAGEDIA+COM+MORTOS+QUE+MUDOU+O+FUTEBOL+NA+INGLATERRA+COMPLETA+ANOS.html">96 torcedores do Liverpool morreram no estádio Hillsborough</a>, onde ocorreria uma partida semifinal da Copa da Inglaterra entre o time da terra dos Beatles e o Nottingham Forest. O motivo foi a superlotação do estádio. O episódio serviu para o governo britânico tomar providências para evitar novas tragédias em um país apaixonado por futebol.</p>
<p>(No Brasil devem estar esperando um acidente de proporções semelhantes para fazer igual. Mas isso é outra história&#8230;)</p>
<p>Hoje, o Anfield Stadium, arena do Liverpool, estava LOTADO em uma cerimônia que lembrou os vinte anos da morte dos 96 torcedores. O clube mantém no estádio um memorial com o nome das vítimas. Flores e camisas estavam penduradas em frente ao local, colocadas por torcedores do Liverpool. <a title="Homenagens da torcida do Liverpool aos 20 anos da tragédia" href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Fotos/0,,GF70075-9645,00.html#fotogaleria=1">As fotos são arrepiantes</a>.</p>
<p>A comoção da torcida, vinte anos depois, formada certamente por jovens e crianças, é algo impressionante. Não consigo imaginar reverência similar aqui no Brasil. Suponho que por dois motivos: a banalização da violência e o desrespeito ao passado. </p>
<p>O episódio da <a title="Queda de arquibancada da Fonte Nova provoca maior tragédia do futebol brasileiro" href="http://oglobo.globo.com/esportes/brasileiro2007/mat/2007/11/26/327317208.asp">Fonte Nova</a>, em 2007, foi a maior tragédia ocorrida no futebol brasileiro, com sete mortos. Em 1992, na decisão do Brasileiro, 3 torcedores do Flamengo morreram ao cair da arquibancada do Maracanã. Alguém recorda de esses fatos terem sido rememorados, anos depois? Foram homenageados torcedores que, prestigiando seus times, morreram por incompetência de administradores de estádios?</p>
<p>Essa falta de atitude revela a anestesia aplicada pela violência cada vez mais reinante no futebol, temperada pelo individualismo exacerbado dos nossos tempos. Morrer indo ao estádio quase não causa mais surpresa ou estupor. É uma consequência direta. Extrema, mas plausível. </p>
<p>Mas não é só a selvageria que transforma em sonho impossível no Brasil o que ocorreu hoje em Liverpool. Aqui, temos somos &#8211; justamente &#8211; conhecidos por esquecermos a nossa história. No futebol é emblemático. Os jogadores da atual seleção brasileira, por exemplo, <a title="Vergonha" href="http://colunistas.ig.com.br/andrerizek/2008/03/25/vergonha/">não sabem o nome de nenhum campeão mundial de 1958</a>. </p>
<p>Na sociedade atual, ídolos são fabricados semanalmente e qualquer jogo é alçado à condição de &#8220;espetáculo&#8221;. Essa falta de senso crítico nos afasta da trajetória dos clubes e do futebol como um todo, patrimônio cultural brasileiro. Foram os jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores de ontem que construíram a fortaleza dos times por que vibramos hoje. </p>
<p>É bem verdade que, recentemente, uma onda nostálgica tem abençoado as torcidas, com bandeiras homenageando ídolos de passado remoto, e até mesmo as fabricantes dos uniformes, apostando no filão passional e investindo em camisas &#8220;retrô&#8221;. Porém, quando vejo jogadores passando necessidades, tenho a certeza de que o Brasil está distante de ser uma nação que homenageia e reverencia seus ídolos, personagens e heróis.</p>
<p>Falamos tanto da frieza do inglês e da paixão do brasileiro, mas hoje os torcedores do Liverpool mostraram que os britânicos têm respeito pela sua história e coragem para recordar seus piores momentos. Atributos raros no lado de cá do Atlântico.</p>
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		<title>Ecos da &#8220;ditabranda&#8221;</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/03/08/ecos-da-ditabranda/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 23:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Para saber como foi a manifestação contra a &#8220;ditabranda&#8221;, a reação da Folha e o editorial do jornal em que reconhece o erro, visite Janio de Freitas responde a Marcos Villa: &#8220;ditadura à brasileira&#8221;.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para saber como foi a manifestação contra a <a title="Manifestação contra a “ditabranda” da Folha de S.Paulo" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/03/02/manifestacao-contra-a-ditabranda-da-folha-de-spaulo/">&#8220;ditabranda&#8221;</a>, a reação da <em>Folha </em>e o editorial do jornal em que reconhece o erro, visite <a title="Janio de Freitas responde a Marcos Villa: &quot;ditadura à brasileira&quot;" href="http://historiaemprojetos.blogspot.com/2009/03/janio-de-freitas-responde-marcos-villa.html">Janio de Freitas responde a Marcos Villa: &#8220;ditadura à brasileira&#8221;</a>.</p>
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		<title>Manifestação contra a &#8220;ditabranda&#8221; da Folha de S.Paulo</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 11:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma tentativa de amenizar a estrutura institucional de uma ditadura, vinda de um jornal, é uma aberração conceitual e perturba o estabelecimento da democracia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um protesto em frente à sede da <em>Folha de S. Paulo</em>, na Alameda Barão de Limeira, 425, na capital paulista, está marcado para o sábado que vem, dia 7 de março, às 10 da manhã. A manifestação, organizada pelo <a title="Movimento dos Sem Mídia" href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/">Movimento dos Sem Mídia</a>, será um ato em repúdio ao episódio da &#8220;ditabranda&#8221; e em solidariedade aos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides.</p>
<p>Não está sabendo? Na calada da noite pré-carnavalesca, em 17 de fevereiro, a <em>Folha </em>publicou um editorial sobre a vitória de Hugo Chávez no referendo que lhe valeu a possibilidade de reeleição ilimitada. Tudo ia dentro dos conformes democráticos quando, em um trecho, lia-se o seguinte:</p>
<blockquote><p>Mas, se as chamadas ‘ditabrandas’ -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso.</p></blockquote>
<p>Pulularam críticas à <em>Folha</em> sobre o uso do eufemismo &#8220;ditabranda&#8221;. Duas cartas, as dos professores Fabio Konder Comparato, de Direito da USP, e Maria Victoria Benevides, da Faculdade de Educação da mesma universidade, receberam uma resposta grosseira do jornal, que chamava os missivistas de cínicos e mentirosos. Dias depois, novas cartas de ambos seriam publicadas, mas sem resposta (leia o teor das missivas e a reação da <em>Folha</em> no artigo do jornalista Luis Antonio Magalhães, <em><a title="Direita, volver!" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=526JDB001">Direita, volver!</a>).</em></p>
<p>A indignação é óbvia e justa. Afinal, o período em destaque trazia pelo menos duas afirmações acintosas nele embutidas:</p>
<p>(1) o regime militar no Brasil teria sido uma ditadura <em>pero no mucho</em> e mereceria alguma classificação mais amena, sabe-se lá por quê. Ora, foi uma ditadura, sim, e uma ditadura terrível, por uma série de atitudes perpetradas desde o núcleo do governo até os porões de delegacias. Se a <a title="AI-5: o mais duro golpe do regime militar" href="http://www.cpdoc.fgv.br/nav_fatos_imagens/htm/fatos/AI5.htm">assinatura do AI-5</a> e a <a title="Entenda o caso Vladimir Herzog" href="http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI407607-EI306,00.html">morte de Vladimir Herzog</a>, para ficar em dois exemplos célebres, não são típicos de uma ditaDURA, uma revisão de conceitos se faz urgente.</p>
<p>(2) o termo &#8220;ditabranda&#8221; seria comum, popular, consensual. O jornalista Luis Antonio Magalhães, poucos dias depois do editorial, <a title="Direita, volver!" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=526JDB001">fez uma pesquisa no Google</a>. Os únicos resultados da busca por &#8220;ditabranda&#8221; se referiam, exatamente, ao editorial da <em>Folha</em>. Ou seja, ninguém nunca usou essa expressão por aqui. Mas descobriu-se, depois, que a palavra foi dita por <a title="Um dos autores do termo &quot;ditabranda&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=qsBTTH0F1_g">um homem de alma caridosa e totalmente insuspeito</a>.</p>
<p>É um absurdo que um veículo jornalístico amenize a estrutura política de uma ditadura. Como diz Eugênio Bucci em seu (ótimo) <a title="Sobre ética e imprensa" href="http://www.companhiadasletras.com.br/web_store.cgi?details=11338&amp;buy=yes&amp;cart_id=4391552.24336&amp;product=Livro&amp;pg_pesq=0&amp;slink=1"><em>Sobre ética e imprensa</em></a>, não há jornalismo sem democracia, pois a ética jornalística &#8211; e, consequentemente, o exercício do jornalismo &#8211; depende da existência de um ambiente minimamente equilibrado e plural para os meios de comunicação. Ainda conforme Bucci, o compromisso do jornalismo deve ser um compromisso com a observância e o aperfeiçoamento das regras democráticas. Portanto, relativizar a ditadura é um desserviço às instituições brasileiras, é uma admissão de inaptidão para a atividade jornalística e, ainda, <a title="A Folha depois da campanha diretas-já" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/conheca/projetos-1984-1.shtml">uma contradição com o papel que a Folha tanto gosta de divulgar que teve em 1984</a>.</p>
<p>Ainda bem que, hoje, o respeito à democracia é mais cristalino e permite manifestações como a do próximo sábado. A reação da Folha revelará o quanto ela sente saudades da tal &#8220;ditabranda&#8221;.</p>
<p><strong>Atualização (02/03, às 22:44)</strong>: acrescentei o endereço do jornal.</p>
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		<title>1989, vinte anos depois</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/01/04/1989-vinte-anos-depois/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 00:22:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[O que têm em comum as primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura militar, a queda do Muro de Berlim, o nascimento da web e o início da decadência da música brasileira? Tudo ocorreu em 1989. Sim, está na hora de darmos a esse ano a importância que ele merece dentro da linha do tempo da História.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px; width: 150px;" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/305166.jpg" alt="Foto do Massacre da Praça da Paz Celestial. Fonte: Centro de Mídia Independente" /> Além dos 220 anos da Revolução Francesa, dos 120 anos da proclamação da República, dos 40 anos da chegada do homem à Lua e dos meus 30 anos de idade, 2009 chega para lembrarmos 20 anos de 1989, o ano mais importante da História pós-1968. Quiçá, mais importante que o próprio 1968.</p>
<p>Todos os anos têm suas histórias inesquecíveis. Alguns deles abrigam pelo menos um acontecimento que é suficiente para torná-los imortais. 2001, por exemplo. Em outros casos, um conjunto de eventos, concatenados ou não, é capaz de transformar um ano comum em especial. As revoltas estudantis, a efervescência cultural e o embrutecimento da ditadura no Brasil marcaram 1968. A situação de 1989 é semelhante à dos dois exemplos citados. Mas o ano guarda uma característica singular que o grifa em qualquer enciclopédia de referências históricas.</p>
<p>1989 delimita o fim de uma era e o começo de outra. O período iniciado nos anos 90 trouxe profundas mudanças estéticas, percebidas na moda, na comunicação e no comportamento, mas que permanecem quase inalteradas até hoje. Sim, 2009 é muito diferente de 1998, quando os provedores cobravam pacotes de 40 horas mensais para acesso discado à internet e os telefones celulares tinham os apelidos de &#8220;tijolões&#8221;. Mas as inovações tecnológicas, o apego à velocidade informativa e o individualismo exacerbado já apontavam, há onze anos, as matizes do período contemporâneo. São iguais às de 2009, mas bem diferentes das que coloriam os anos 70 e 80, marcadas por outros valores culturais. Não foi à toa que, em 1989, o inglês Tim Berners-Lee apresentava os primeiros conceitos daquilo que seria a World Wide Web e dava início ao desenvolvimento da maior revolução tecnológica ocorrida nos últimos 20 anos.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo em que simboliza um divisor de eras, por si só 1989 trouxe acontecimentos que romperam paradigmas. </p>
<p><strong><a title="Marcos históricos" href="./2">Continua&#8230;</a></strong></p>
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