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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘internet’

Comunicação bidirecional e desintermediada revela quem as pessoas são

08/04/2013 - 9:50

A internet é inclemente com jornalistas. Antes dela, eles podiam dizer ou publicar qualquer coisa que a resposta vinha lentamente e, às vezes, só ganhava visibilidade se o veículo em que o profissional trabalhava abrisse espaço. A web aproximou o jornalista do público, que agora denuncia as “barrigas”, critica falhas de apuração e replica insinuações de colunistas. Alguns jornalistas, elegantes, conseguem dialogar com o público, defendem suas publicações e reconhecem seus erros. Outros apenas se constrangem diante das falhas apontadas. Mas a maioria dos jornalistas, arrogantes, preferem desqualificar quem os criticam, isso quando não os ignoram. Nesses casos, expõem-se ao ridículo.

(Parêntese: quando falo de críticas aos jornalistas, refiro-me às críticas inteligentes e fundamentadas, que existem, e aos montes. Muitos comentários são mesmo ignoráveis. Fecha parêntese.)

Rafinha Bastos conseguiu a proeza de trazer essa nova dinâmica ao universo dos humoristas. Ao fazer duas piadas (ruins) sobre uma rede de hotéis, levou duas respostas bem-humoradas, elegantes e de fina ironia. Desconcertado com uma reação tão inteligente (humoristas como ele gostam de ver transtornada a vítima da piada) e com o apoio da plateia das redes sociais a essa reação, Rafinha apelou, saiu da esfera do bom humor e atacou grosseiramente a empresa hoteleira. E, tal qual o jornalista que bate boca com seus críticos, expôs-se ao ridículo.

Viva a comunicação bidirecional e desintermediada, capaz de revelar quem as pessoas realmente são.

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Políticos no Twitter: uma dica

23/01/2010 - 12:28

Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito: notinha interessante da Folha Online revela que a ferramenta de microblogging poderá ser a grande novidade da campanha eleitoral de 2010, mas está sendo usada de forma inadequada pelos pré-candidatos a presidente, governadores, deputados e senadores. Dentre os maiores pecados, estão o fracionamento de longas mensagens em vários “tuítes”, excesso de autopropaganda e, óbvio, a falta de interação com os outros usuários.

Na boa, a grande dica para os políticos é que sejam apenas eles mesmos. Conversem no Twitter. Esclareçam dúvidas. Digam o que acham da vida. Repassem links que julguem interessantes. Evitem falar somente de política. Vocês poderão até não conseguir votos. Mas conseguirão respeito.

Hão de dizer que os políticos ainda estão aprendendo a mergulhar neste novo (novo?) mundo. Ok, pode ser. Mas é bom que aprendam depressa, pois o preço é a pagação de mico.

Soube pelo Alexandre Sena.

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Boris Casoy, garis e redes sociais

02/01/2010 - 12:14

O ano de 2010 começou quente no mundo da mídia. Na verdade, a chama esteve acesa antes mesmo da meia-noite de 1º de janeiro: no último dia de 2009, Boris Casoy, apresentando o Jornal da Band, deixou escapar comentários ultrapreconceituosos contra garis que desejavam feliz ano novo. Veja abaixo:

O apresentador, no dia seguinte e no mesmo telejornal, pediu – tímida e rapidamente – desculpas “aos garis e aos telespectadores”, confira:

O vazamento da “brincadeirinha” de Casoy foi assunto recorrente no Twitter e em e-mails que recebi no primeiro dia de 2010. Está mais do que claro que a repercussão só foi grande porque o vídeo se espalhou depressa pela internet, via YouTube e redes sociais. Sem essa difusão, jamais o apresentador teria que passar pelo constrangimento de pedir desculpas no ar por seus comentários.

Pergunto-me se as piadinhas de Boris Casoy tivessem sido proferidas há dez anos. Elas se transformariam em mais uma dessas lendas da TV brasileira, assistidas por alguns poucos “sortudos”, que jurariam ter ouvido as frases, mas jamais poderiam confirmar que elas realmente foram ditas. Algo parecido com a lenda de que Lobão teria discutido de forma chula com Clodovil no antigo programa de entrevistas dele: muita gente diz que viu, mas as cenas nunca apareceram e Lobão já afirmou que nunca teria sido tão grosseiro (veja o final da página 20 desta entrevista do cantor à Playboy em 2000).

Enfim, tudo isso pra dizer que, se ainda não sabemos pra onde vai esse mundo com a explosão das redes sociais, a certeza é que, hoje, é impossível ser dissimulado: tudo está registrado. A responsabilidade sobre o que é dito, no ar ou não, é cada vez maior. Se os sites da WWW são as cidades onde residem os dados, as redes sociais são as estradas que fazem a informação circular e se difundir.

Atualização (03/01, às 12:05): caros visitantes, comentem à vontade, mas evitem usar palavras ofensivas ou racistas. Sou o responsável por este espaço e não quero ter problemas judiciais por conta de declarações irresponsáveis. Qualquer comentário com ofensas pessoais será excluído.

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Por que ninguém quer o debate?

09/10/2009 - 0:17

Neste mundo frenético, ninguém mais quer se aprofundar em nada. Todos já têm suas opiniões e acham que não precisam ouvir o outro, nem pesquisar mais as informações. Assim, fica difícil realizar fóruns sobre temas fundamentais para a sociedade. Pior para todos nós.

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Livro digital ensina a ler criticamente a imprensa. Só a imprensa?

07/10/2009 - 8:07

A informação é do Código Aberto. Trecho:

O autor apresenta seis regras básicas para identificar noticias tendenciosas:

1)     Identificar possíveis conflitos de objetivos entre o interesse público e o dos autores ou patrocinadores de uma determinada notícia;

2)     Identificar o objetivo da notícia. Se ela promove alguma idéia, projeto ou iniciativa comercial, política ou ideológica;

3)     Identificar os grupos sociais, econômicos e políticos afetados pelo projeto ou iniciativa, destacando se as opiniões dos atingidos foram destacadas adequadamente ou não;

4)     Examinar cuidadosamente os fatos e alegações publicadas;

5)     Identificar quem ganha e quem perde com o desenvolvimento do projeto ou iniciativa;

6)     Verificar como os outros órgãos da imprensa estão tratado o assunto central da notícia.

Acho que vale não só para a imprensa, mas também para qualquer mensagem produzida por terceiros. O crescimento da internet e de suas redes sociais nos dão acesso a uma gama ilimitada de informações provenientes de fontes tão díspares quanto religiosos e ateus, conservadores e progressistas, cariocas e paulistas, homens e mulheres. Saber ler essas mensagens criticamente é um passo importante rumo à civilidade.

Afinal, a disseminação do hábito já vai livrar de spams e correntes a caixa postal da galera.

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