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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘jornalismo’

#mussumday: bela homenagem coletiva mostra que o público pode agendar o público

31/07/2009 - 8:25
Antonio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994)

Antonio Carlos Bernardes Gomes (1941-1994)

Na quarta-feira, 29 de julho, os twitteiros brasileiros emplacaram um trending topic (os assuntos mais comentados no sistema num determinado momento): o #mussumday, em homenagem aos 15 anos de morte do famoso humorista. Durante o dia inteiro, os twitteiros reverenciaram Antonio Carlos Bernardes Gomes, bravo mangueirense e meu ex-vizinho em Jacarepaguá, relembrando piadas, fazendo brincadeiras com o “jeitis” de falar de Mussum e escrevendo qualquer coisa que lembrasse o trapalhão.

O sucesso da iniciativa me chamou a atenção em dois aspectos. Primeiro, que o assunto chegou bem mais depressa aos trending topics (inclusive no primeiro lugar, em determinados momentos) do que o já famoso #forasarney. Atribuo esta rapidez à autenticidade das homenagens ao Mussum. Todos que participaram resolveram fazê-lo mesmo sem pedidos de adesão. Por outro lado, o #forasarney, por ser um movimento – pretensamente – político, dividiu opiniões neste Fla-Flu que é a internet. Além disso, foi artificial, uma vez que havia solicitações de participação, o que ajudou a aumentar a desconfiança.

O outro aspecto se conecta diretamente com uma frase que ouvi do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, no dia 14 de julho, no fórum sobre mídias sociais. Segundo ele, a internet quebrou o monopólio da imprensa em determinar sobre o que a sociedade deve discutir, tema-chave da hipótese da agenda setting. Franklin tem razão: embora a mídia continue pautando a sociedade, ela não é mais a única a fazê-lo. E o #mussumday é um exemplo bem evidente.

Nas redes sociais, com exceção do tema tecnologia e das fofocas limitadas à blogosfera, praticamente todos os assuntos são pautados pela mídia (e aqui, quando falo mídia, falo da imprensa e também da megaindústria do entretenimento): um filme que vai ser lançado, a celebridade que fez alguma merda, alguma notícia de seção tipo “Planeta Bizarro”.

Mas nenhum grande veículo de comunicação lembrou os 15 anos de morte do Mussum ou deu muito destaque ao aniversário. Mesmo assim, os usuários do Twitter lembraram, e espontaneamente, fizeram suas singelas, divertidas e até emocionantes homenagens ao  humorista. Tenho certeza de que a profusão das mensagens sobre o #mussumday ultrapassou os limites da internet e chegou aos ouvidos de quem estava offline, tamanho o barulho.

O episódio é interessante porque estamos falando de um humorista morto em 1994, ou seja, antes da internet chegar ao Brasil, mas que continua vivo na memória de muitos que se divertiam com as piadas dos Trapalhões (cuja longevidade foi estendida pela própria tecnologia e pelos vídeos antigos disponíveis no YouTube). Ou seja, não é nem um assunto quente. Mesmo assim, o #mussumday mostrou que a internet pode mobilizar até mesmo um grupo heterogêneo e numeroso de pessoas como os usuários do Twitter, a ponto de espalhar tão profundamente um tema não abordado pela comunicação de massa.

E alguém pode perguntar qual o impacto desta mobilização específica do #mussumday para a sociedade. Pouco, talvez nenhum. Foi só uma grande brincadeira. Mas, de tão autêntica e espontânea, virou uma bonita homenagem colaborativa.

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Minhas restrições ao “fora, Sarney!”

07/07/2009 - 22:56

O “movimento” que tem dominado o Twitter, à primeira vista, reflete um processo de conscientização política dos usuários de internet. Mas, se examinarmos a fundo, vemos que a campanha está longe de ser consistente.

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Michael Jackson, um breve capítulo

29/06/2009 - 0:27

Michael Jackson (1958-2009)

Não senti a mesma tristeza e arraso em que muitos mergulharam com a morte de Michael Jackson. Se fosse há quinze anos, quando ele ainda gravava discos e lançava canções com alguma qualidade, tenho certeza de que eu seria atingido.  Mas por que isso não acontece hoje? Ao lançar essa questão no Twitter, o @Evidente deu a resposta certeira e um tanto quanto, se me permitem o clichê… evidente: MJ morreu faz tempo.

O ocaso de Michael Jackson não foi uma exceção da linha do tempo típica das megacelebridades. Raramente um ídolo morre no auge de sua carreira. A diferença, em prejuízo de MJ, foram a quantidade de escândalos e bizarrices em que se meteu e o enigma que foi sua vida nos últimos anos.

Tanto poder, dinheiro, fama e sucesso desandam a cabeça de qualquer um. A degringolada é acentuada pelo trabalho precoce, iniciado desde os cinco anos. Não se constrói um parque de diversões em casa para receber crianças à toa, assim como não se é cabotino sem influências do passado. Se MJ se submetia a tratamento psicológico ou se este era ineficiente é apenas mais um mistério que circunda a biografia do astro.

As maluquices do cantor não se comparavam às excentricidades marqueteiras de muitos ídolos pop. Tudo ganhava um contorno de mistério. Afinal, ele se tornou branco porque quis ou porque sofria de doenças? Como ele se metamorfoseou tanto? Dormia mesmo com as crianças que o visitava? Era pedófilo? A falta de explicações convincentes só ajudou o público a aumentar as desconfianças, diminuir o encantamento e aflorar o sentimento da compaixão.

Mas  eu seria leviano se dissesse que a morte de Michael Jackson é um fato indigno de destaque. Esquisitice alguma é capaz de reduzir a importância do cantor para a história da música. Ou para a minha história.

Lembro, mesmo com três anos de idade, quando o extenso videoclipe de Thriller passou no Fantástico: morria de medo da possibilidade de um lobisomem ou um zumbi aparecer no meu quarto à noite. Uma das minhas canções prediletas da época era Don’t stop ’til you get enough, a eterna música do Video Show. Mas a lembrança mais contundente foi o uso que fiz do astro para me aproximar de uma paixão da juventude. Para tentar sempre diálogo com ela, fã de MJ, comprei os quatro principais discos adultos e acompanhava tudo que era divulgado sobre o artista. Uma tentativa de resolver os tradicionais dilemas da timidez diante de amores púberes . Bem, não adiantou de nada. Ficou apenas o registro, na memória, da conexão entre Michael Jackson e uma paixão. Como, então, ser tão frio à morte de um ícone tão importante na minha vida?

Acho que eu realmente precisava escrever alguma coisa sobre o “rei do pop”. Agora, começo a sentir sua perda. É mesmo uma pena. Eu sempre digo que nos falta valorizar a história e o passado. Por isso, eu seria ridículo e até cruel se não reconhecesse o que representou Michael Jackson para a mídia, para a cultura pop, para a música… e para mim.

P.S. Tiago Dória fez um bom post sobre o TMZ, um site de fofocas sobre celebridades que foi o primeiro veículo a noticiar a morte de Michael Jackson. O feito foi destaque na internet, principalmente em sites sobre jornalismo na web. Então, lanço uma questão, sem respostas: o furo jornalístico, que assassinei outro dia, ainda tem seu valor? O Online Journalism Review escreve as lições deixadas na cobertura web da morte de MJ.

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O maior problema do fim da obrigatoriedade do diploma

17/06/2009 - 23:05

Agora que não será mais necessário ter o diploma de jornalista para exercer a profissão, surgem pelo menos duas perguntas:

1) o que acontecerá com os cursos superiores de jornalismo? Haverá estudantes interessados em fazer a faculdade, podendo trabalhar na imprensa apenas com o Ensino Médio?  Ainda que o diploma não seja obrigatório, ele poderá ser um diferencial. Uma diminuição da quantidade de candidatos pode, quem sabe, aumentar a qualidade dos cursos. Mas as universidades precisarão investir. A formação e o estudo permanecem fundamentais para a prática jornalística.

2) o que vai acontecer com a qualidade do jornalismo? Não acho que vá mudar muita coisa. Os piores vícios da atividade, hoje, têm mais a ver com estratégias empresariais do que com os recursos humanos – embora estes, claro, sejam decisivos para o nível do jornalismo praticado hoje em dia. Não é à toa que tanta gente comemora a queda da exigência do curso superior.

Porém, também não é extinguindo a obrigatoriedade do diploma que, agora, só entrarão para o mercado baluartes que salvarão o jornalismo da desmoralização. Ao contrário do que pensam os apocalípticos, não haverá um “liberou geral”.

As empresas não contratarão “qualquer um”. As entrevistas, dinâmicas e provas continuarão selecionando de acordo com os mesmos critérios de antes. Só da lista dos documentos necessários para a assinatura do contrato é que o diploma será limado. Portanto, se um historiador, ou sociólogo, ou médico, ou whatever tentar a sorte e mostrar dotes necessários para a prática jornalística, poderá ser aproveitado. Não quer dizer, porém, que será melhor do que um jornalista formado em faculdade.

Por isso que o maior perigo da decisão do STF é criar o mito de que o jornalismo é fácil. Não, não é. Jornalismo é apurar o obscuro, checar os dados, ter cultura geral, criar pautas interessantes, escrever decentemente, contar uma boa história, tecer análises fundamentadas, interpretar os fatos, informar. O profissional pode até não precisar de diploma pra saber tudo isso. Mas deve saber que jornalismo não é pra qualquer um.

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Blog da Petrobras, um avanço para a democracia

09/06/2009 - 22:56

Estamos vivenciando talvez a maior discussão nascida na internet e trazida para o campo do real, envolvendo jornalismo, internet, política e todos nós, a sociedade. O melhor de tudo é que a luta pela pluralidade ganhou um ousado reforço.

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