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	<title>Butuca Ligada &#187; literatura</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Música, Rio, Legião Urbana, futebol e literatura</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 10:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. Pitacos:</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Canções do Rio" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/capa_livro_moutinho.jpg" alt="Capa do livro &quot;Canções do Rio&quot;" height="250" /><em>Canções do Rio</em> – organizado pelo amigo <a href="http://www.marcelomoutinho.com.br">Marcelo Moutinho</a>, reúne artigos sobre a presença da cidade do Rio no cancioneiro brasileiro. O time escalado ganha mole qualquer Brasileirão de cronistas: João Máximo, Sério Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger, cada um abordando uma fase cronológica ou um (ou mais) estilo musical. Ler os textos é uma delícia, pois dá uma vontade enorme de ouvir todas as músicas citadas. E a absorção do livro continua após a leitura, uma vez que, na internet, é fácil achar as letras completas ou baixar as músicas e ouvi-las. O chato de<em> Canções do Rio</em> são algumas redundâncias e, principalmente, a concisão &#8211; compreensível &#8211; dos textos. Cada artigo começa  tentando defender alguma tese, mas no fim se revela superficial, dando um gostinho de quero mais. Como um despertador de novos estudos sobre a Cidade Maravilhosa como musa dos letristas, o livro funciona muito bem.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Como se não houvesse amanhã" src="http://colunas.g1.com.br/files/14/2010/03/livro_como_se_nao_houvesse.jpg" alt="Capa do livro &quot;Como se não houvesse amanhã&quot;" height="250" /><em>Como se não houvesse amanhã</em> &#8211; coletânea de contos inspirados em 20 canções da Legião Urbana, organizada por Henrique Rodrigues. Cada autor pôde escolher uma música e, no fim, todos os discos foram contemplados na obra. Em alguns casos, o contista usa a música como trilha sonora para uma história; em outros (maioria), a letra é recontada por meio de uma nova ação. Infelizmente, a diversidade incorreu não apenas na narrativa, mas na qualidade dos textos. Enquanto alguns se destacam pela criatividade e fuga do óbvio, como &#8220;Tempo perdido&#8221; (de Tatiana Salem Levy) e &#8220;Por enquanto&#8221; (de Renata Belmonte), outros pecam pela ingenuidade ou por serem meros exercícios de demonstração de riqueza vocabular. Em comum, entre todos, um cheiro de perda, dor e tristeza. Astros predominantes no universo de Renato Russo.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Passe de Letra" src="http://www.kelps.com.br/leart/images/Passe-de-letra.jpg" alt="Capa do livro &quot;Passe de letra&quot;" height="250" /><em>Passe de letra</em> &#8211; compilação de crônicas escritas por Flávio Carneiro, professor de Literatura da Uerj, para coluna que ele manteve entre 2007 e 2008 no jornal literário Rascunho, de Curitiba. Mistura observações sobre o esporte bretão em muitos de seus aspectos com a experiência do autor como jogador de futebol, antes de optar pelo vestibular para a faculdade de Letras. O texto é sempre bem-humorado, repleto de situações cômicas, porém emocionante nos momentos mais sensíveis, como o texto em que o autor fala de sua escolha de Sofia entre o vestibular e a carreira esportiva. As narrativas, verdadeiros &#8220;causos&#8221; do futebol, são tão bem construídas que o leitor é capaz de questionar onde há verdade e onde há ficção &#8211; mas isso acaba sendo irrelevante. Pode agradar a quem curte o futebol mas não tem intimidade com a leitura, assim como pode ser prazeroso aos fãs de livros e têm repulsa pelo esporte mais popular do Brasil. Para quem gosta de futebol e literatura, é um deleite.</p>
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		<title>O clube do filme, do pai e do filho</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Jan 2010 01:21:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Ex-crítico de cinema, David Gilmour (que não é o guitarrista do Pink Floyd) está desempregado e, como se não bastasse, vê seu filho Jesse, de 15 anos, ter tanta afinidade com a escola quanto tem um ateu com a igreja. O pai propõe ao jovem que, sim, ele pode abandonar as aulas, desde que assistam, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" style="margin-right: 8px; margin-bottom: 8px;" title="'Clube do filme', de David Gilmour" src="http://criapub.files.wordpress.com/2009/08/clubedofilme.jpg" alt="Capa do livro 'Clube do filme', de David Gilmour" width="150" /></p>
<p>Ex-crítico de cinema, David Gilmour (que <strong>não </strong>é o guitarrista do Pink Floyd) está desempregado e, como se não bastasse, vê seu filho Jesse, de 15 anos, ter tanta afinidade com a escola quanto tem um ateu com a igreja. O pai propõe ao jovem que, sim, ele pode abandonar as aulas, desde que assistam, juntos, três filmes por semana. Jesse aceita. O desenrolar das sessões é contado por David em <em>O clube do filme</em>.</p>
<p>O autor admite, em tom franco, que não sabia aonde chegaria essa tática de descabelar os pais mais ortodoxos. E o livro é conduzido de tal forma que o leitor não tem a menor ideia no que o &#8220;clube&#8221; vai se desdobrar. Será que Jesse se tornará um crítico de cinema (se fosse um filme, este talvez fosse o desfecho mais óbvio)? Um bandidão? Um PhD em Astrofísica? Só se descobre seu futuro na última página.</p>
<p>Mas no que Jesse se transforma após o &#8220;clube do filme&#8221; é secundário. O mais importante é o relacionamento entre pai e filho no período da experiência, que se torna profundo de uma maneira que seria impossível se David estivesse empregado e se Jesse frequentasse a escola diariamente.</p>
<p>O cinema foi a aliança que uniu pai e filho em época tão difícil da vida de ambos. Porém, menos pelos filmes em si, mais pelos momentos em que passaram juntos.</p>
<p>Foi graças ao &#8220;clube&#8221; que David descobriu as questões que afligiam Jesse, fontes de recordação de sua própria juventude e que lhe possibilitaram se aproximar tanto de seu filho. As angústias do jovem são bem semelhantes às de qualquer adolescente, e é isso que torna <em>O clube do filme</em> bem prazeroso: o livro trata de um pai e um filho adolescente que conseguem se entender, trocar ideias, serem respeitoso um com o outro&#8230; serem amigos. São duas pessoas comuns vivendo uma relação que é tão incomum hoje em dia mas, ao mesmo tempo, tão genuína.</p>
<p>Ah, e subjacente a tudo, um passeio pelo cinema, com comentários técnicos e afetivos de David Gilmour sobre os filmes exibidos. Para quem curte, as observações funcionam como cimento entre os tijolos que compõem a verdadeira história de <em>O clube do filme</em>.</p>
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		<title>Dicas literárias: &#8220;Vidas secas&#8221;, &#8220;A revolução dos bichos&#8221; e Skoob</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jul 2009 16:48:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Terminei duas obras famosíssimas e que me despertaram insights e me deixaram incômodos. (1) Me interessei em ler algo de Graciliano Ramos depois que fui a um debate sobre literatura e cinema no Cine PE em maio. Um dos temas foi a adaptação de livros para a telona, e em determinado momento o escritor José [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei duas obras famosíssimas e que me despertaram <em>insights</em> e me deixaram incômodos.</p>
<div style="float: left; margin-right: 4px; margin-bottom: 4px"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_Secas"><img title="Xilogravura de Vinícius Mattoso, ilustrando Vidas secas. Fonte: Wikipedia" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/260px-Casal_de_retirantes.jpg" alt="Xilogravura de Vinícius Mattoso, ilustrando Vidas secas. Fonte: Wikipedia" width="200" /></a></div>
<p>(1) Me interessei em ler algo de Graciliano Ramos depois que fui a um debate sobre literatura e cinema no <a title="CINE PE 2009" href="http://www.cine-pe.com.br/">Cine PE</a> em maio. Um dos temas foi a adaptação de livros para a telona, e em determinado momento o escritor José Roberto Torero comparou Graciliano Ramos (&#8220;direto, seco&#8221;) com Guimarães Rosa (&#8220;com suas &#8216;viagens&#8217; maravilhosas&#8221;) e com Clarice Lispector (que &#8220;gastava páginas e páginas para falar de uma barata&#8221;). Como Clarice já conheço um pouco e tá difícil de achar a <a title="Página sobre Grande Sertão: Veredas na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Diadorim_e_Riobaldo_(personagens)">obra-prima de Guimarães Rosa</a>, investi no <a title="Página sobre Vidas secas na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_Secas"><strong><em>Vidas secas</em></strong></a> que descansava, empertigado, na estante aqui em casa.</p>
<p>O livro traz episódios da vida de uma família de retirantes nordestinos que fogem da seca e da miséria. Cada capítulo é um conto, de certa forma, isolado dos outros, com início, meio e fim, mas, como diz a orelha da minha edição, &#8220;de tal forma solidários que só no contexto adquirem sentido pleno&#8221;. A narrativa, do tipo onisciente, é rica em detalhes sobre as sensações dos personagens, inclusive da cadela Baleia, e ajuda muito a entender angústias de quem vive numa pobreza que limita desejos e horizontes. Fiquei encantado com a forma com que o texto ilustra a dificuldade de Fabiano, o pai da família, em argumentar e discutir por conta de sua pouca instrução: ele sabe o que sente, mas não consegue verbalizar. E a frase &#8220;apanhar do governo não é desfeita&#8221;, proferida pelo próprio Fabiano, sintetiza, com fortes tintas, a resignação que assola a muitos diante de atrocidades cometidas pelo poder público.</p>
<p>Ah, e se o estilo de Graciliano Ramos é &#8220;direto,seco&#8221;? Depende do ponto de vista. É subjetivo na medida em que penetra na mente dos personagens. Mas é objetivo ao ilustrar o que se passa na cabeça de Fabiano, Sinhá Vitória e de seus dois filhos e de Baleia. Só sei que funciona muito bem.</p>
<p>(2) Passando por um sebo em Botafogo, comprei <strong><em><a title="Página sobre &quot;A revolução dos bichos&quot; na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Animal_Farm">A revolução dos bichos</a></em></strong>, que eu já desejava ler desde a adolescência.  O texto objetivo e o tamanho do livro me ajudaram a devorar a obra de George Orwell em menos de dois dias. Na fábula, os animais de uma fazenda se insurgem contra seu dono humano e passam a administrar os negócios da casa. Os porcos, mais inteligentes que os demais bichos, assumem a liderança da &#8220;República&#8221; e, em nome da igualdade, liberdade etc., impõem um regime autoritário, com práticas que vão da rígida disciplina à manipulação da informação. No fim, perguntam-se os animais, o mundo ficou mesmo melhor, como dizem os leitões governantes?</p>
<p><em>A revolução dos bichos</em> é um ensaio para o livro mais famoso de George Orwell, <em><a title="Página sobre &quot;1984&quot; na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1984_(livro)">1984</a></em>, em que o autor destila todo o seu temor sobre uma sociedade em que a informação é rigorosamente controlada, o que inclui reescrever a História (sim, com H maiúsculo: História, passado, fatos já ocorridos). Se, em <em>1984</em>, esta dinâmica é aprofundada com descrições meticulosas, em <em>A revolução dos bichos</em> a narrativa é mais direta (às vezes até demais), e a escolha pela fábula facilita a compreensão da mensagem: mais do que o bélico ou o administrativo, é o material informativo o mais valioso dentre todos aqueles controlados por um poder autoritário. Enfim, gostei mais de <em>A revolução&#8230; </em>do que de <em>1984</em>, <a title="Profecias de um mundo nada admirável, sobre &quot;Admirável mundo novo&quot; e &quot;1984&quot;" href="http://www.butucaligada.com.br/2007/07/02/profecias-de-um-mundo-nada-admiravel/">sobre o qual já havia opinado rapidamente</a>.</p>
<p>(3) Nem pensava em escrever este item 3, mas é inevitável. Embora os temas dos dois livros sejam diferentes, ficou claro que <em>Vidas secas</em> e <em>A revolução dos bichos</em> têm uma característica comum:  expor os obstáculos à participação de quem não teve acesso à educação. E, em graus diferentes, as duas obras denunciam a exploração, pelos governantes, desta incapacidade comunicativa.</p>
<p>(4) Para encerrar, uma dica internética. Entrei no <a title="Skoob" href="http://www.skoob.com.br">Skoob</a>, rede social brasileira cujo fio condutor é a experiência com os livros. Você se cadastra e monta a sua &#8220;estante&#8221;, com os livros que já leu, está lendo, pretende ler ou deixou de ler no meio. Por meio destas preferências, você pode encontrar amigos que têm gostos semelhantes, além de poder opinar sobre as obras e trocar ou emprestar livros.</p>
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		<title>Sobre ler e escrever</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/04/26/sobre-ler-e-escrever/</link>
		<comments>http://www.butucaligada.com.br/2009/04/26/sobre-ler-e-escrever/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 13:57:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[blogs]]></category>
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		<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Afastamento temporário dos livros me mostrou a real importância da leitura para quem vive ou gosta de escrever. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img title="Livros na Kings Library Tower, dentro da British Library, em Londres" src="http://farm4.static.flickr.com/3035/2868288357_d30bea71eb.jpg?v=0" alt="" width="300" /></p>
<div class="legenda">Livros na Kings Library Tower, dentro da British Library, em Londres. Fonte: <a title="Página de Swamibu no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/swamibu/2868288357/">Swamibu &#8211; Flickr</a></div>
</div>
<p>Este período de poucos textos não se justifica só pela falta de tempo. O motivo da seca é outro. E tem muito a ver com uma <a title="David F. Mendes no Twitter" href="http://twitter.com/davidfmendes/status/1116215770">twittada do David F. Mendes</a>, feita em janeiro.</p>
<blockquote><p><span>Por que é que tem tanta gente que não lê e se mete a escrever? Porque fazem merda e não a reconhecem como tal. Não tem nariz.</span></p></blockquote>
<p><span>Não, não vesti a carapuça. Apenas concordo com ele. Embora eu não verbalizasse desta forma, ele conseguiu ser preciso: como alguém pode querer escrever bem se lê tão pouco?</span></p>
<p><span>Uma frase antiga &#8211; cujo autor não lembro agora, se alguém souber, avise! &#8211; diz que um bom escritor lê bem mais do que escreve. Compreendi, nos últimos dias, o significado deste aforismo na prática.</span></p>
<p><span>Fiquei sem escrever exatamente no momento em que fiquei sem ler. Atarefado no trabalho e em casa, deixei de lado minhas leituras informativas, opinativas, ficcionais, não-ficcionais, analíticas. O veículo que mais consultei nos últimos dias foi o <a title="Twitter" href="http://twitter.com">Twitter</a>. Assumamos que um microtexto de 140 caracteres é um material limitado, principalmente se não há possibilidade de aprofundá-los via conversação.</span></p>
<p><span>Neste período, não poderia escrever sobre meu dia a dia. Ele não é diferente da rotina de muita gente. E se o<span> </span><a title="O que é o Butuca Ligada" href="http://www.butucaligada.com.br/o-que-e-o-butuca-ligada">objetivo do Butuca Ligada</a> é trazer informações sob ângulos criativos, capazes de contribuir, humildemente, para uma vida mais legal, falar do meu cotidiano vai ajudar somente os insones.</span></p>
<p><span>É óbvio que não descobri só agora o gosto pela leitura. Foi devorando jornais e revistas, quando criança, que decidi ser jornalista. Foram os livros que me estimularam a buscar escrever cada vez melhor. Também não é a primeira vez que sinto falta das minhas leituras. No meio das minhas duas faculdades simultâneas, do mestrado e dos estudos para concursos, algumas obras se tornaram compulsórias. E não eram, em sua maioria, textos que mudaram a minha vida.</span></p>
<p><span>O ponto crucial é ter percebido que, sem ler, o trabalho deste jornalista, blogueiro e “<a title="Eu nas redes sociais" href="http://www.meadiciona.com/rperret">produtor-de-conteúdo-em-redes-sociais</a>” perde muito em qualidade.<span> </span>Compreendi, enfim, de modo cristalino, os diversos significados da leitura e sua importância para a escrita.</span></p>
<p><span><strong>Ler forma uma opinião</strong>. Todas as informações que você apreende de uma leitura – nomes, datas, locais, histórias, análises, descobertas, conquistas, perdas, experiências – entram em sua mente, comunicam-se entre si e, de repente, geram <em>insights</em>, ideias, pensamentos. E, assim nasce uma opinião. Uma entre bilhões, é verdade, mas uma opinião embasada pelo conhecimento obtido através da leitura.</span></p>
<p><span><strong>Ler exerce a criatividade.</strong> Conceber na mente a França do século 19 de <em><a title="Madame Bovary" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Madame_Bovary">Madame Bovary</a></em><em> </em>ou a urbe do futuro de <em><a title="1984" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1984_(livro)">1984</a></em> estimula a fantasia e a imaginação, além de facilitar a criação de metáforas.</span></p>
<p><span><strong>Ler define um estilo.</strong> Quanto maior a variedade de livros que você lê, mais contato você tem com construções de frases e períodos. O seu jeito de escrever passa a beber em fontes diferentes, ganha corpo e torna-se um estilo de texto próprio.</span></p>
<p><span><strong>Ler amplia o vocabulário.</strong> Você tem mais contato com novas palavras e expressões diferentes. Riqueza vocabular é condição necessária para um texto atraente e simpático.</span></p>
<p><span><strong>Ler aguça o humor. </strong>Até as narrativas angustiantes, tristes e pesadas costumam trazer passagens cômicas ou sarcásticas. Usar um estilo de humor adequado é sempre um tempero saboroso para o seu texto.</span></p>
<p>Mas o hábito da leitura não traz consequências diretas exclusivamente para quem escreve. Pelo menos duas delas são fundamentais nesta época em que a gente vive.</p>
<p><span><strong>Ler ocupa a mente.</strong> Já viram o filme <em><a title="O Leitor" href="http://www.imdb.com/title/tt0976051/">O Leitor</a></em>? Não é um filmaço, apesar da indicação ao Oscar. Mas retrata, em grau máximo, como a leitura pode ser o suporte da vida de uma pessoa, mesmo nas condições contrárias mais extremas possíveis (sem liberdade e sem a capacidade inicial de ler).<span> </span>Lembre-se, ainda, do personagem John, do livro <em><a title="Admirável Mundo Novo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Admirável_Mundo_Novo">Admirável Mundo Novo</a></em>. Alguém tem dúvidas dos benefícios que poderia trazer a leitura para ociosos, fofoqueiros e assinantes do pay-per-view do <em>Big Brother</em>?</span></p>
<p><span><strong>Ler estimula o senso crítico.</strong> Quem tem o hábito da leitura já consegue discernir o tipo de texto, o estilo de redação e os assuntos mais prazerosos e os mais incômodos. Isto é senso crítico. Ter acesso a uma variedade de informações – ficcionais ou reais, informativas ou opinativas, não importa – ajuda na orientação sobre o que é bom e ruim. Claro que esta consciência depende, também, da formação do indivíduo, delimitadora de seus valores e de suas prioridades – e mesmo estes são influenciáveis pela leitura. E, puxa, como seria bom se as pessoas tivessem um senso crítico mais apurado, neste mundo repleto de picaretas e carente de afetos&#8230;</span></p>
<p><span>Por tudo isso, ler é uma atividade precípua para quem pratica o exercício da escrita regularmente. Não vou mais abandonar meus livros (e blogs, jornais, revistas etc.). Quero sempre ler e, assim, ter material para debater, ideias para discutir e propostas para apresentar. Logo, se eu ficar dias sem postar, não digam “Escreva!”, e sim “Leia!”.</span></p>
<p><span>E vocês, também. Leiam, sempre.<br />
</span></p>
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		<title>Visita ao Fórum das Letras</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 01:44:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ó onde tô: E aí, alguém quer um doce de leite, ou o reboco de uma igreja (Ministério da Cultura, é brincadeira, tá?), ou a pedra de uma ladeira&#8230;? Volto na sexta. Enquanto isso, visito o Fórum das Letras. Recomendo. Ambiente bonito e criativo, conexão wi-fi e muito debate sobre literatura, poesia e música. Vai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ó onde tô:</p>
<p><a href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/Imagem001.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img style="cursor: pointer; border: 0px initial initial;" title="Foto de Ouro Preto - MG" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/Imagem001-1.jpg" border="0" alt="Foto de Ouro Preto - MG" /></a>E aí, alguém quer um doce de leite, ou o reboco de uma igreja (Ministério da Cultura, é brincadeira, tá?), ou a pedra de uma ladeira&#8230;? Volto na sexta. Enquanto isso, visito o <a href="http://www.forumdasletras.ufop.br/">Fórum das Letras</a>. Recomendo. Ambiente bonito e criativo, conexão wi-fi e muito debate sobre literatura, poesia e música. Vai até domingo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Profecias de um mundo nada admirável</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 03:33:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrito em 1932, o livro &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;, de Aldous Huxley, fala de um futuro distópico e assustador, onde as pessoas são condicionadas a aceitarem e serem aquilo para que foram fabricadas. Neste mundo novo, a sociedade é dividida em castas, não há família, amor ou religião, mas trabalho, consumo e, para o sossego dos líderes, estabilidade. Alguns dos homens gerados, porém, começam a questionar, mesmo sem saber como, a possibilidade real de ser feliz num mundo em que tudo é programado e as emoções intensas são proibidas. As coisas quase saem do controle quando aparece a oportunidade de se confrontar a sociedade com o homem selvagem, criado longe dessa civilização.</p>
<p>As comparações com &#8220;1984&#8243;, de George Orwell, são pertinentes e necessárias. Embora seja mais famosa, a trama do Big Brother aborda um tema sombrio e instigante (o controle total da sociedade, decretando o fim da privacidade), sem constituir uma narrativa necessariamente empolgante. Já Aldous Huxley pareceu ser mais clarividente quando escreveu &#8220;Admirável Mundo Novo&#8221;. A narrativa cai no final, mas as reflexões e atitudes dos personagens e as descrições dos ambientes parecem ter sido relatadas por um escritor contemporâneo, o que impinge um valor profético e visionário à obra &#8211; o que, infelizmente, é reconhecido por poucos.</p>
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