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	<title>Butuca Ligada &#187; música</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Música, Rio, Legião Urbana, futebol e literatura</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 10:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. Pitacos: Canções do Rio – organizado pelo amigo Marcelo Moutinho, reúne artigos sobre a presença da cidade do Rio no cancioneiro brasileiro. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. Pitacos:</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Canções do Rio" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/capa_livro_moutinho.jpg" alt="Capa do livro &quot;Canções do Rio&quot;" height="250" /><em>Canções do Rio</em> – organizado pelo amigo <a href="http://www.marcelomoutinho.com.br">Marcelo Moutinho</a>, reúne artigos sobre a presença da cidade do Rio no cancioneiro brasileiro. O time escalado ganha mole qualquer Brasileirão de cronistas: João Máximo, Sério Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger, cada um abordando uma fase cronológica ou um (ou mais) estilo musical. Ler os textos é uma delícia, pois dá uma vontade enorme de ouvir todas as músicas citadas. E a absorção do livro continua após a leitura, uma vez que, na internet, é fácil achar as letras completas ou baixar as músicas e ouvi-las. O chato de<em> Canções do Rio</em> são algumas redundâncias e, principalmente, a concisão &#8211; compreensível &#8211; dos textos. Cada artigo começa  tentando defender alguma tese, mas no fim se revela superficial, dando um gostinho de quero mais. Como um despertador de novos estudos sobre a Cidade Maravilhosa como musa dos letristas, o livro funciona muito bem.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Como se não houvesse amanhã" src="http://colunas.g1.com.br/files/14/2010/03/livro_como_se_nao_houvesse.jpg" alt="Capa do livro &quot;Como se não houvesse amanhã&quot;" height="250" /><em>Como se não houvesse amanhã</em> &#8211; coletânea de contos inspirados em 20 canções da Legião Urbana, organizada por Henrique Rodrigues. Cada autor pôde escolher uma música e, no fim, todos os discos foram contemplados na obra. Em alguns casos, o contista usa a música como trilha sonora para uma história; em outros (maioria), a letra é recontada por meio de uma nova ação. Infelizmente, a diversidade incorreu não apenas na narrativa, mas na qualidade dos textos. Enquanto alguns se destacam pela criatividade e fuga do óbvio, como &#8220;Tempo perdido&#8221; (de Tatiana Salem Levy) e &#8220;Por enquanto&#8221; (de Renata Belmonte), outros pecam pela ingenuidade ou por serem meros exercícios de demonstração de riqueza vocabular. Em comum, entre todos, um cheiro de perda, dor e tristeza. Astros predominantes no universo de Renato Russo.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Passe de Letra" src="http://www.kelps.com.br/leart/images/Passe-de-letra.jpg" alt="Capa do livro &quot;Passe de letra&quot;" height="250" /><em>Passe de letra</em> &#8211; compilação de crônicas escritas por Flávio Carneiro, professor de Literatura da Uerj, para coluna que ele manteve entre 2007 e 2008 no jornal literário Rascunho, de Curitiba. Mistura observações sobre o esporte bretão em muitos de seus aspectos com a experiência do autor como jogador de futebol, antes de optar pelo vestibular para a faculdade de Letras. O texto é sempre bem-humorado, repleto de situações cômicas, porém emocionante nos momentos mais sensíveis, como o texto em que o autor fala de sua escolha de Sofia entre o vestibular e a carreira esportiva. As narrativas, verdadeiros &#8220;causos&#8221; do futebol, são tão bem construídas que o leitor é capaz de questionar onde há verdade e onde há ficção &#8211; mas isso acaba sendo irrelevante. Pode agradar a quem curte o futebol mas não tem intimidade com a leitura, assim como pode ser prazeroso aos fãs de livros e têm repulsa pelo esporte mais popular do Brasil. Para quem gosta de futebol e literatura, é um deleite.</p>
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		<title>Detalhes transformam Roberto Carlos em Rei</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Jul 2009 21:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Detalhes é a visão masculina da vítima do famoso mal que acomete 99% das relações amorosas: o pé-na-bunda. O homem, resignado, não se esforça em recuperar o amor perdido. Sua vingança é ter a certeza de que a mulher, dali em diante, continuará tendo lembranças dele, principalmente nos momentos mais íntimos que usufruir com um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><object width="445" height="364" data="http://www.youtube.com/v/FWcmM-JmAsQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/FWcmM-JmAsQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;color1=0x006699&amp;color2=0x54abd6&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p><em><a href="http://letras.terra.com.br/roberto-carlos/6971/">Detalhes</a> </em>é a visão masculina da vítima do famoso mal que acomete 99% das relações amorosas: o pé-na-bunda. O homem, resignado, não se esforça em recuperar o amor perdido. Sua vingança é ter a certeza de que a mulher, dali em diante, continuará tendo lembranças dele, principalmente nos momentos mais íntimos que usufruir com um novo companheiro. No fim das contas, o abandonado admite que, com o tempo, essa memória vai se esvair. Mas nunca se acabar.</p>
<p>Qual homem nunca celebrou uma empáfia dessas pra tentar disfarçar sua fragilidade emocional?</p>
<p>Não é qualquer um que tem a capacidade de produzir uma letra como a de <em>Detalhes</em>. Ter esta façanha no currículo é um forte argumento para quem defende a alcunha de &#8220;Rei&#8221; para Roberto Carlos.</p>
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		<title>Michael Jackson, um breve capítulo</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 03:27:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Não senti a mesma tristeza e arraso em que muitos mergulharam com a morte de Michael Jackson. Se fosse há quinze anos, quando ele ainda gravava discos e lançava canções com alguma qualidade, tenho certeza de que eu seria atingido.  Mas por que isso não acontece hoje? Ao lançar essa questão no Twitter, o @Evidente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Michael Jackson (1958-2009)" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/michael-jackson-34-314a082508.jpg" alt="Michael Jackson (1958-2009)" width="314" height="420" /></p>
<p>Não senti a mesma tristeza e arraso em que muitos mergulharam com a morte de Michael Jackson. Se fosse há quinze anos, quando ele ainda gravava discos e lançava canções com alguma qualidade, tenho certeza de que eu seria atingido.  Mas por que isso não acontece hoje? Ao lançar essa questão no Twitter, o <a href="http://www.twitter.com/Evidente">@Evidente</a> deu a resposta certeira e um tanto quanto, se me permitem o clichê&#8230; evidente: <a href="https://twitter.com/Evidente/status/2338214446"><strong>MJ morreu faz tempo</strong></a>.</p>
<p>O ocaso de Michael Jackson não foi uma exceção da linha do tempo típica das megacelebridades. Raramente um ídolo morre no auge de sua carreira. <strong>A diferença, em prejuízo de MJ, foram a quantidade de escândalos e bizarrices em que se meteu e o enigma que foi sua vida nos últimos ano</strong>s.</p>
<p>Tanto poder, dinheiro, fama e sucesso desandam a cabeça de qualquer um. A degringolada é acentuada pelo trabalho precoce, iniciado desde os cinco anos. Não se constrói um parque de diversões em casa para receber crianças à toa, assim como não se é cabotino sem influências do passado. Se MJ se submetia a tratamento psicológico ou se este era ineficiente é apenas mais um mistério que circunda a biografia do astro.</p>
<p>As maluquices do cantor não se comparavam às excentricidades marqueteiras de muitos ídolos pop. Tudo ganhava um contorno de mistério. Afinal, ele se tornou branco porque quis ou porque sofria de doenças? Como ele se metamorfoseou tanto? Dormia mesmo com as crianças que o visitava? Era pedófilo? A falta de explicações convincentes só ajudou o público a aumentar as desconfianças, diminuir o encantamento e aflorar o sentimento da compaixão.</p>
<p>Mas  eu seria leviano se dissesse que a morte de Michael Jackson é um fato indigno de destaque. Esquisitice alguma é capaz de reduzir a importância do cantor para a história da música. Ou para a minha história.</p>
<p>Lembro, mesmo com três anos de idade, quando o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=AtyJbIOZjS8">extenso videoclipe de <em>Thriller</em></a> passou no <em>Fantástico</em>: morria de medo da possibilidade de um lobisomem ou um zumbi aparecer no meu quarto à noite. Uma das minhas canções prediletas da época era <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4_hz2am90Hk">Don&#8217;t stop &#8217;til you get enough</a></em>, a eterna música do <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=EqHLnp7c89o">Video Show</a></em>. <strong>Mas a lembrança mais contundente foi o uso que fiz do astro para me aproximar de uma paixão da juventude</strong>. Para tentar sempre diálogo com ela, fã de MJ, comprei os quatro principais discos adultos e acompanhava tudo que era divulgado sobre o artista. Uma tentativa de resolver os tradicionais dilemas da timidez diante de amores púberes . Bem, não adiantou de nada. Ficou apenas o registro, na memória, da conexão entre Michael Jackson e uma paixão. Como, então, ser tão frio à morte de um ícone tão importante na minha vida?</p>
<p>Acho que eu realmente precisava escrever alguma coisa sobre o &#8220;rei do pop&#8221;. Agora, começo a sentir sua perda. É mesmo uma pena. Eu sempre digo que nos falta valorizar a história e o passado. <strong>Por isso, eu seria ridículo e até cruel se não reconhecesse o que representou Michael Jackson para a mídia, para a cultura pop, para a música&#8230; e para mim</strong>.</p>
<p><em>P.S. Tiago Dória fez um </em><a title="TMZ se destaca mais uma vez na cobertura" href="http://www.tiagodoria.ig.com.br/2009/06/26/tmz-se-destaca-mais-uma-vez-na-cobertura/"><em>bom post</em></a><em> sobre o TMZ, um site de fofocas sobre celebridades que foi o </em><a title="Michael Jackson dies" href="http://www.tmz.com/2009/06/25/michael-jackson-dies-death-dead-cardiac-arrest/"><em>primeiro veículo a noticiar a morte de Michael Jackson</em></a><em>. O feito foi destaque na internet, principalmente em sites sobre jornalismo na web. Então, lanço uma questão, sem respostas: o furo jornalístico, <a title="Blog da Petrobras, um avanço para a democracia: falo sobre o furo no item 3" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/06/09/blog-da-petrobras-um-avanco-para-a-democracia/">que assassinei outro dia</a></em><em>, ainda tem seu valor? O Online Journalism Review </em><a title="Michael Jackson's death and its lessons for online journalists covering breaking news" href="http://www.ojr.org/ojr/people/robert/200906/1755/"><em>escreve as lições deixadas na cobertura web da morte de MJ</em></a><em>.</em></p>
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		<title>A decadência do Centro Cultural Carioca</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/06/09/a-decadencia-do-centro-cultural-carioca/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 13:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu e Adriana mandamos uma carta à simpática casa de shows de samba, com algumas reclamações sobre a cozinha e o atendimento. O tom cuidadoso do texto não impediu que o CCC ignorasse a nossa mensagem. Portanto, resolvemos torná-la pública. (ATUALIZAÇÃO: resposta chegou em 12/06, confira)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma semana, enviei uma mensagem para o <a title="Centro Cultural Carioca" href="http://www.centroculturalcarioca.com.br">Centro Cultural Carioca</a>, bela casa de shows de samba no Centro do Rio que eu e Adriana frequentávamos. A carta reclamava da decadência do local, evidenciada na nossa última visita, dia 28 de maio. Preferimos enviar a mensagem somente para a administração do CCC. Temos um enorme carinho pela casa, e sentíamos que estaríamos &#8220;traindo uma relação&#8221; se mandássemos a queixa pra essas seções de jornais do tipo &#8220;Programa furado&#8221;. Sabe aquela coisa de evitar exposição dos defeitos de um amigo ou ente querido? Então.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Pois bem. Passou-se uma semana e o CCC não respondeu. Tudo bem que também não perguntamos nada. Somente pedimos mais cuidado nos trabalhos da casa. Mas, como cliente, me senti desrespeitado por não ter recebido nenhuma resposta, ainda mais de uma reclamação feita com educação e carinho, quase num tom de conselho.</span></p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Por isso, torno abaixo pública a mensagem, para que ninguém mais se surpreenda com o que pode acontecer no CCC.</span></p>
<p><strong>Atualização (18:50 de 14/06/2009): </strong>a resposta chegou no dia 12 de junho. Como a mensagem já estava pública mesmo, resolvi não retirá-la. Apenas acrescentei o posicionamento do CCC ao fim deste texto. Leia, lá embaixo.</p>
<blockquote><p>Prezados,</p>
<p>há cerca de cinco, seis anos fomos ao Centro Cultural Carioca pela primeira vez. Encontramos uma casa adorável na Praça Tiradentes, com uma vista linda para o João Caetano e o Real Gabinete; com um staff de primeira e muito bem representado por garçons e garçonetes bem descolados, que se divertiam servindo os clientes &#8211; e até dançando nos minutos possíveis, sem que isso prejudicasse o atendimento; uma comida deliciosa; uma caipirinha (literalmente) magnífica; e um som ambiente de qualidade, às vezes incrementado por vídeos de shows famosos, sempre adequados à apresentação principal da noite, ou seja, rodas de samba. Por tudo isso, somado, claro, aos inesquecíveis shows que assistimos ali, nós nos tornamos frequentadores assíduos do CCC. Não apenas fizemos vários encontros e festas na casa, como também a indicamos para amigos que queriam fazer confraternizações, e que sempre ficaram satisfeitos com a escolha. O CCC se tornou, assim, uma referência de alegria e diversão para nós.</p>
<p>Porém, o encanto se desfez na última quinta-feira, 28 de maio. Depois de muito tempo sem ir ao CCC, marcamos uma comemoração lá. E saímos, ao contrário de todas as outras noites em que lá estivemos, muito decepcionados. É verdade que a casa permanece bonita e a vista, admirável. Mas a perda de qualidade era evidente. O staff descolado de outrora foi substituído por garçons comuns, que não são mais o diferencial da casa. Antipáticos e carrancudos, demonstraram total falta de jogo de cintura ao se recusarem a liberar uma mesa após o horário de fim de reservas, imbróglio resolvido apenas quando o recepcionista interveio. A comida perdeu o sabor de antigamente. Não pudemos sequer experimentar o sorvete com banana frita, que, embora no cardápio, estava em falta. Lamentei também pela caipirinha, antes uma das delícias da casa, cuidadosamente preparada individualmente (como tem que ser!),  e que dessa vez estava péssima. Qual não foi minha surpresa, quando fui ao caixa pagar e esticando o olhar para o bar, confirmei que a bebida agora é preparada em uma grande jarra (para agilizar o processo?), que o garçom despeja no copo e depois &#8220;enfeita&#8221; com uns pedaços de limão. Realmente inaceitável. Isso tudo sob uma trilha sonora inacreditável: rolava, antes do show, um disco de pop lusitano (?!?!), em total dissonância com a nossa expectativa, que aguardava uma roda de samba. Os vídeos no telão também exibiam, cíclica e monotonamente, propaganda da casa, ao invés de shows. Difícil apontar qual foi o mais frustrante dos acontecimentos.</p>
<p>Com essa decadência, era natural que o tipo de público mudasse. E essa transformação no perfil dos presentes era evidente na quinta-feira. Enquanto antigamente 90% das pessoas dançavam, cantavam ou, no mínimo, assistiam ao show, a maioria agora estava lá para conversar e poucos davam atenção ao Grupo Semente. Constrangido, Pedro Miranda chegou a pedir aplausos na apresentação dos integrantes. Parecia que estávamos numa churrascaria, e não numa casa de shows.</p>
<p>Este é apenas um desabafo de um casal que se acostumou a se divertir e registrar boas lembranças das noites do CCC e ficou muito preocupado com os rumos que a casa está tomando. Esperamos que considerem esta mensagem com carinho e avaliem se, realmente, algumas modificações na cozinha, na técnica e no atendimento podem transformar a casa novamente na maravilhosa opção que foi até, pelo menos, o ano passado.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p>Adriana Simeone e Raphael Perret</p></blockquote>
<p><strong>Atualização (às 18:50 de 14/06/2009)</strong>: segue, abaixo, a resposta enviada pela casa, no dia 12 de junho (só publiquei agora porque só agora a li).</p>
<blockquote><p><span><span style="font-size: small;">Prezado Rafael, </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Inicialmente gostaríamos de nos desculpar pela demora em lhe responder. De qualquer forma e ainda que tardiamente não poderia deixar de lhe agradecer pelos relatos registrados que em muito contribuirão para que possamos corrigir as falhas apontadas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O Centro Cultural Carioca está passando por profundas e necessárias mudanças tanto no que diz respeito ao seu quadro administrativo quando de seus funcionários. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Alguns dos pontos por você abordados, já estavam sendo observados por nós e seu e-mail veio confirmar a necessidade urgente de providências para melhoria dos serviços prestados e uma necessária reformulação do cardápio oferecido pela casa. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Embora estejamos de acordo com boa parte de suas ponderações faz-se necessários alguns esclarecimentos que esperamos sejam bem compreendidos. </span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><strong><span>1- O Staff que você conheceu<span style="font-weight: normal; "> </span></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Os garçons que faziam parte da equipe sobre os quais você se refere, em sua maioria eram bailarinos, atores e até filósofos, todos muito amigos que, entretanto em função de seus outros compromissos profissionais frequentemente faltavam ao trabalho causando uma séria de problemas internos que embora não fossem percebidos pelos clientes geravam custos extras e dificuldades administrativas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Por esta razão, vimo-nos obrigados a substituí-los por garçons comuns como acontece nos demais estabelecimentos do segmento.</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span> <strong>2 – O Cardápio<span style="font-weight: normal; "> </span></strong></span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Mesmo antes de receber seu e-mail, já estávamos trabalhando no desenvolvimento de um novo cardápio que diferentemente do que possa parecer não é tão fácil e rápido promover as alterações desejadas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Entretanto, estamos em processo de contratação de uma nutricionista que juntamente com nossa chefe de cozinha estarão trabalhando na criação de novas opções. Certamente que alguns itens, já tradicionais, não serão retirados do atual cardápio, mas poderão e deverão ser melhorados.</span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O mesmo acontecerá com nossa carta de bebidas. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">3 –Divulgação da Programação da Casa </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Anteriormente produzíamos um material impresso que antes ficava disponível aos interessados que por mais prático que fosse para os clientes deixou de ser interessante para a casa em função das alterações inesperadas causadas pelos cancelamentos de alguns artistas que por interesses próprios deixavam de cumprir com o compromisso assumido com casa, tornando obsoleto o referido material e dissonante com o que estava sendo divulgado em nosso site criando por vezes constrangimento para as partes. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Optamos então por manter nosso site sempre atualizado e aproveitar o público diariamente presente na casa para promover nossa programação.</span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O tempo de divulgação em nosso telão não poderia ter ultrapassado os 10 minutos de costume mas, lamentavelmente, por um descuido do funcionário responsável e da própria gerência noturna, no dia em que você esteve na casa houve um exagero que também consideramos abusivo. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">4 – Grupo Semente </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Com a gravidez da Teresa Cristina que se afastou, temporariamente, em licença maternidade desde fevereiro deste ano, infelizmente, o Grupo Semente não tem conseguido manter a mesma alegria e animação em suas apresentações, o que tem dispersado a atenção do público presente que se comporta de forma alheia e até mesmo desrespeitosa para com os músicos. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Providências estão sendo tomadas até mesmo porque a casa vem sofrendo as conseqüências do pouco interesse dos clientes pelas noites de quita feira. </span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><strong><span><span style="font-size: small;">5 – Noite de 28 de maio – Vernissage<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Como naquela noite estávamos realizando uma vernissage de fotografias que faz parte do Projeto “Foto In Rio 2009” e coube ao CCC sediar uma exposição cujo tema é” Em Terras Lusitanas ”, você há de convir que a música ambiente que apresentada e cabe salientar que foi somente durante o coquetel de abertura, não poderia estar em dissonância com o tema. Por esta razão a trilha sonora apresentou com muita propriedade músicas portuguesas que dentro da proposta da exposição nos parece bem mais apropriadas do que um samba. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Obviamente estamos bastante constrangidos pela grande decepção causada, mas estamos certos que dentro do planejamento em andamento, em alguns poucos meses, teremos muito prazer em recebê-lo como nosso convidado para conhecer as melhorias que estão sendo realizadas. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">6 – Preparo da caipirinha </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Esclarecemos ainda que os drinks servidos na casa, como por exemplo a caipirinha, são preparados uma a uma no momento que o cliente faz sua solicitação e não há nenhuma determinação contrária. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">A caipirinha que você mencionou era para o serviço de coquetel que estava sendo servido para o Vernissage cujo serviço tem uma dinâmica diferente das solicitações que ocorrem no decorrer do show da noite. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Providências em andamento:<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Reformas físicas das instalações:</span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Está em fase de aprovação o Proger, financiamento solicitado à Caixa Econômica Federal para reforma da fachada, telhado inclusive com colocação de manta para isolamento térmico, cozinha, banheiros e demais dependências. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Quadro de Funcionários:<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Novas contratações estão sendo feitas para substituição daqueles que julgamos inadequados com a proposta da casa e tanto os funcionários que permanecerem quantos novos passarão por cursos de capacitação profissional. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Foi acelerado o processo de contratação de uma nova gerente de salão com experiência e postura adequada para coordenação da equipe de atendimento como garçons, atendentes de bar, caixa e serviços gerais noturno. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Também estamos buscando oferecer uma programação musical/cultural mais diversificada mantendo nas quintas, sextas e sábados o samba que já é tradicional na casa e promovendo também outros gêneros musicais de bom nível de maneira a buscar um perfil de cliente mais exigente. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Outras manifestações culturais estão sendo experimentadas como os shows performáticos que muito tem agradado àqueles que vêm nos prestigiados nos demais dias da semana. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Seu e-mail fez com que algumas iniciativas fossem antecipadas e algumas decisões adotadas antes do prazo previsto. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Agradecemos pelos comentários e esperamos poder contar com suas críticas e sugestões. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Aproveitamos para convidá-lo para conhecer nosso almoço executivo, que acontece de segunda a sexta feira das 11h30 às 14h30. Teremos muito prazer e trocar algumas idéias pessoalmente. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Atenciosamente, </span></span></p>
<div>
<div><strong><span style="font-size: small;">Isnard Manso</span></strong></div>
<div><span style="font-size: small;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<br />
Centro Cultural Carioca<br />
Rua do Teatro, 37</span></div>
</div>
<div><span style="font-size: small;">20050-190 &#8211; Centro &#8211; Rio de Janeiro<br />
(21) 2242 9642 &#8211; (21) 7835 4773<br />
<em><a href="http://www.centroculturalcarioca.com.br/" target="_blank">www.centroculturalcarioca.com.br</a></em></span></div>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>As cinco escalações mais inusitadas da história dos shows no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 03:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tem gente chiando sobre a escolha dos Los Hermanos para a abertura dos shows de Kraftwerk e Radiohead, neste fim de semana, no Rio e em São Paulo, e prometendo vaia. Que besteira. Se o público soubesse ou se lembrasse de outros shows de abertura já realizados no Brasil, pararia de reclamar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que os <a title="Campeão de audiência" href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/post.asp?t=campeao-de-audiencia&amp;cod_Post=170004&amp;a=98">fãs do Radiohead estão organizando uma vaia coletiva durante a apresentação dos Los Hermanos</a>, que abrem os shows do Kraftwerk e da banda inglesa nesta sexta, aqui no Rio, e domingo, em São Paulo. Besteira. Não creio que a banda brasileira esteja pedindo pra tocar ou estejam dando uma de penetra numa festa que promete ser boa. Deixem os caras pelo menos subirem ao palco. Se fizerem um show fraco, aí sim&#8230;</p>
<p>Além disso, o som dos Los Hermanos não é lá a coisa mais discrepante do que apresenta o Radiohead. Ainda diremos que os dois grupos são praticamente gêmeos, se levarmos em conta as combinações absurdas que produtores de shows, revelando todo o seu (des)conhecimento musical, já tiveram a coragem de montar e que deram, em muitos casos, dor de cabeça e objetos na cabeça de muitos artistas.</p>
<p>Em homenagem aos shows deste fim de semana, fiz uma lista dos cinco encontros mais inusitados da história das apresentações musicais realizados no Brasil. Por coincidência, todos foram no Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>5) Herva Doce e Kiss, Maracanã (1983)</strong> – tenho poucas informações sobre esta reunião inesperada. Mas não é fácil imaginar o rock-farofa do Kiss, com seus fãs pseudorrebeldes, sendo precedido, no Maracanã, por uma banda cujo maior sucesso, até então, era <a title="Letra de &quot;Erva venenosa&quot;" href="http://letras.terra.com.br/herva-doce/850225/"><em>Erva venenosa</em></a> e que ainda produziria <em><a title="Letra de &quot;Amante profissional&quot;" href="http://letras.terra.com.br/herva-doce/172221/">Amante profissional</a></em>, pérolas do pop-rock brasileiro debochado, recém-desamarrado da ditadura militar. Sem registro audiovisual da apresentação do Herva Doce, deixo-os com um clip do maior sucesso do grupo.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/M9o4PqDTutw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/M9o4PqDTutw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>4) Ney Matogrosso, Rock in Rio I, Cidade do Rock (1985)</strong> – festivais são ótimas oportunidades para desencontro entre artistas e público. Acomodar tantas estrelas sempre reserva para algum cantor ou grupo (geralmente brasileiro) a impaciência e a falta de educação de fãs de rock pesado. Tivesse mais sensibilidade, Roberto Medina, organizador do Rock in Rio, não poria Ney Matogrosso no mesmo dia em que se apresentariam Iron Maiden, Whitesnake e Queen (e haveria ainda outra escalação polêmica neste dia, aguarde). Contam Edmundo Barreiros e Pedro Só, em seu livro <em>1985 – O ano que o Brasil recomeçou</em>:</p>
<p> </p>
<blockquote><p>O show de intolerância dos metaleiros começou logo na abertura do festival, no dia 11 de janeiro. Ney Matogrosso, tido e havido como um dos melhores <em>frontmen </em>brasileiros, não deve ter acreditado quando ouviu as primeiras vaias. Ele era o maior cachê entre os artistas nacionais: estava levando R$ 120 milhões de cruzeiros, muito mais do que a segunda colocada, Rita Lee (que faturou oitentinha), e um universo acima do lanterninha Kid Abelha, que ganhou apenas cinquinho. Ney xingou de volta e usou a raiva que estava sentindo para seguir em frente com seu rolo compressor. No fim das pedras, conseguiu de certa forma superar as hostilidades. Só não foi poupado dos gritos de “viado!”, emitidos por caras ansiosos para ver logo o<em> collant</em> branco do Freddie Mercury ou as madeixas do David Coverdale.</p></blockquote>
<p>A verdade é que Ney Matogrosso foi muito macho.</p>
<p>Veja o momento histórico em que o cantor abre o primeiro dia do primeiro Rock in Rio com <a title="Letra de &quot;América do Sul&quot;" href="http://letras.terra.com.br/ney-matogrosso/47715/"><em>América do Sul</em></a>.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/NvjlAe9HN74&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NvjlAe9HN74&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>3) Lobão, Rock in Rio II, Maracanã (1991)</strong> – e a confusão se repetiu seis anos depois, na segunda edição do festival. Em um episódio mais famoso, Lobão subiu ao palco do Maracanã depois do Sepultura e antes de Megadeth, Queensrÿche, Judas Priest e Guns&#8217;n'Roses. O brazuca começou com <em><a title="Letra de &quot;Vida louca vida&quot;" href="http://letras.terra.com.br/lobao/75212/">Vida Louca Vida</a> </em>e tentou continuar com <a title="Letra de &quot;Canos silenciosos&quot;" href="http://letras.terra.com.br/lobao/47033/"><em>Canos Silenciosos</em></a>, mas, depois de tomar tanta lata na cabeça, parou no meio, agradeceu o apoio de alguns, deu bronca nos metaleiros e foi embora, deixando o palco para uma apresentação efêmera (e mais surreal ainda) da bateria da Mangueira. Veja abaixo a apresentação da única música que Lobão pôde tocar inteira e a edição – com críticas um pouco acima do tom e repletas de preconceito – que a reportagem da Globo fez sobre o episódio.</p>
<p> </p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/WpoFGC6rJs0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/WpoFGC6rJs0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>(Há algum tempo, achei um vídeo no YouTube com a versão completa do pito cheio de palavrões que o Lobão dá na plateia, mas infelizmente não achei mais o arquivo.)</p>
<hr /><strong>2) Carlinhos Brown, Rock in Rio III, Cidade do Rock (2001)</strong> – mas não é que Roberto Medina não aprendeu?! A escalação de Pato Fu no dia em que, mais uma vez, o Guns&#8217;n'Roses era a estrela, já era temerária, mas o público não implicou muito com a voz suave de Fernanda Takai. Porém, assim que Carlinhos Brown pisou no palco, não se sabia de onde saíam tantas garrafas. Não fosse a agressividade do ato, até que o efeito estético era bonito: vários elementos voadores convergiam na direção de um agitado cantor sem camisa. Carlinhos Brown, de todos os citados aqui, foi o mais provocativo, reagindo às hostilidades com frases de efeito (“Podem atirar o que quiserem, nada me atinge!”), com uma interpretação do hino nacional à capela e, no fim, até com grosserias (“Podem enfiar agora o dedo no traseiro”). Não me espantaria se Carlinhos Brown chamasse alguém pro pau ou se alguns desordeiros subissem no palco. Eu estava lá: o clima ficou tenso o show inteiro, mas nada de grave aconteceu.  Todos os detalhes do conflito estão no vídeo abaixo:</p>
<p> </p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/LFoW6FKuXgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/LFoW6FKuXgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>1) Erasmo Carlos, Rock in Rio I, Cidade do Rock (1985)</strong> – ok, vamos dar um crédito ao Medina. Ele achava que, ao emular Woodstock num grande terreno em Jacarepaguá e gerar um astral de paz e amor, poderia fazer metaleiros ovacionarem Erasmo Carlos. Mas não dava. Naquela noite, pelo menos, não dava. Se Ney Matogrosso escapou com mais facilidade da ira do público metido a besta, o Tremendão sentiu na pele a intolerância da plateia. Erasmo também não ajudou: apareceu com um figurino patético, um misto de alienígena de filme B com garota de abertura do <em>Fantástico</em>, e ainda perdeu a voz (meu padrinho, que estava na Cidade do Rock, se lembra dos arranjos sendo executados pela banda e de Erasmo, no telão, mexendo a boca mas sem emitir som algum). A recepção foi tão hostil que o fundador da Jovem Guarda, que cantaria novamente durante o festival, mudou de data para evitar novos confrontos. Segue um relato mais fiel do ocorrido, também escrito por Edmundo Barreiros e Pedro Só:</p>
<p> </p>
<blockquote><p>Quando Erasmo Carlos subiu ao palco, a coisa ficou ainda pior. Aquele homem de 43 anos que estava lá não era o sócio-fundador do rock nacional, não era o patrimônio cultural do pop brasileiro, vinte anos de sucessos, coisa e tal. Os implacáveis metaleiros não enxergavam nada disso, bicho! Para eles, o que estava ali era um coroa careta metido nas roupas exclusivas do seu clubinho doidão – e, cá pra nós, aquele figurino em couro preto e tachinhas ficou tremendamente ridículo mesmo. Para os moleques fazendo chifrinho com os dedos, Erasmo era tão-somente aquele mané que cantava “Pega na mentira” e “Dá um close nela” no rádio. Eles odiaaaaavam rádio!</p>
<p>E deu-se o horror. Erasmo atacando de <a title="Letra de &quot;Gatinha manhosa&quot;" href="http://letras.terra.com.br/erasmo-carlos/48607/"><em>Gatinha manhosa</em></a> e tome lata, tome bolinho de terra, tome objeto voador não-identificado&#8230; “Foi um soco na cara, mas foi bom”, diria o Tremendão, muitos anos depois do atropelamento.</p></blockquote>
<p>Veja, então, a apresentação de Erasmo na primeira noite do Rock in Rio, há 24 anos. Destaque para a chamada feita por Roberto Carlos, para a tentativa do Tremendão comprar a plateia homenageando ícones do rock já mortos e, claro, para a <em>roupitcha </em>do moço.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/ZLwLflzSE_c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ZLwLflzSE_c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr />O mais engraçado de tudo é que a maioria das bandas (pra não dizer todas) cujos fãs foram agressivos com os artistas são mais farofas que aquelas guarnições servidas nos melhores churrascos do Rio de Janeiro&#8230;</p>
<p> </p>
<p>E você, se lembra de alguma outra reunião inusitada de artistas que tenha gerado confusão?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os cinco desfiles de escola de samba que mais me marcaram</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/02/20/os-cinco-desfiles-de-escola-de-samba-que-mais-me-marcaram/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Feb 2009 22:18:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[top 5]]></category>

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		<description><![CDATA[Há cinco anos, publiquei uma lista das cinco apresentações do carnaval carioca que mais me emocionaram. Neste início de folia, reproduzo o post, com direito a vídeos dos desfiles.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>1 &#8211; Salgueiro, <em>Peguei um Ita no Norte</em>, 1993</strong></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/qqw7_o-dASM&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/qqw7_o-dASM&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Duas coisas. Primeiro, trata-se da minha escola de coração e esta foi a única oportunidade de vê-la campeã (o título anterior foi conquistado em 1975, ainda longe da Sapucaí e do meu nascimento). Segundo, acho que foi a última vez em que vi a Passarela tão animada, cantando o samba sem parar. Arrisco-me a dizer que foi o último grande-samba-que-todo-mundo-sabe-cantar composto. Também foi a última vez em que todo mundo saiu do Sambódromo sabia quem seria a campeã &#8211; de lá pra cá, os desfiles se caracterizam pelo equilíbrio.</p>
<hr />
<p><strong>2 &#8211; Portela, <em>Gosto que me Enrosco</em>, 1995</strong></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/mvCGoFm5jys&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/mvCGoFm5jys&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>O samba é belíssimo (<em>Abram alas/Deixa a Portela passar/É voz que não se cala/É canto de alegria no ar</em>) e ganhou força na potente voz de Rixxa. E o desfile ainda tinha um fator atrativo a mais: era a volta de Paulinho da Viola à escola, depois que ele rompeu com a Portela. Emocionante vê-lo desfilando e dezenas de jornalistas tentando registrar aquele momento. Nega Pelé também vinha como rainha da bateria. Eu estava lá e foi inesquecível.</p>
<hr />
<p><strong>3 &#8211; Beija-Flor, <em>Ratos e Urubus&#8230; Larguem minha fantasia</em>, 1989</strong></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/P0RFeVUAH9w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/P0RFeVUAH9w&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Estava em Arraial do Cabo, acordando pela manhã, e todo mundo vendo o finalzinho do desfile. Me surpreendi ao ver aquela quantidade de mendigos &#8211; ou melhor, gente fantasiada de mendigos &#8211; fazendo o carnaval. Era uma animação tão natural que a passagem da Beija-Flor foi uma das coisas mais alto-astral que já vi. Nem a clássica imagem do Cristo coberto por um saco preto (de lixo?) e a faixa com os dizeres <em>Mesmo proibido, olhai por nós</em> (a alegoria havia sido censurada) macularam o desfile. Pelo contrário, contribuiu para a dimensão épica daquele momento.</p>
<hr />
<p><strong>4 &#8211; Estácio de Sá, <em>Paulicéia Desvairada &#8211; 70 Anos de Modernismo</em>, 1992</strong></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/xfRsFAfFQUc&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/xfRsFAfFQUc&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x5d1719&#038;color2=0xcd311b" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Ninguém apostava um tostão na Estácio. A favorita era a Mocidade, então bicampeã e apresentava um samba na ponta da língua de todos (<em>Sonhar não custa nada/E o meu sonho é tão real&#8230;</em>). Mas a escola de São Carlos mostrou uma garra incrível, o samba, por uma dessas razões que ninguém explica, funcionou perfeitamente na avenida, o público cantou do início ao fim e ainda participou mexendo os braços. Com um desfile tecnicamente irretocável, a Estácio conquistou seu único título.</p>
<hr />
<p><strong>5 &#8211; Beija-Flor, <em>O Mundo é uma Bola</em>, 1986</strong></p>
<p> <object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube-nocookie.com/v/DQaQq6R9i9g&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube-nocookie.com/v/DQaQq6R9i9g&#038;hl=en&#038;fs=1&#038;color1=0x006699&#038;color2=0x54abd6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Não tenho quase nenhuma memória desse desfile, mas uma imagem é inesquecível. A Beija-Flor passou debaixo de uma chuva torrencial, que alagou a Sapucaí. Eu me lembro dos passistas se divertindo, girando seus pandeiros e sambando com água cobrindo os pés. E a escola ainda ficou em segundo lugar. É muita garra!</p>
<p><strong>Texto retirado de <a title="Olêlê, olalá, pega no ganzê, pega no ganzá" href="http://www.butucaligada.com.br/2004/02/20/792">post publicado originalmente há exatamente cinco anos</a>, acrescentado dos vídeos.</strong></p>
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		<title>Um bom texto sobre a Legião Urbana</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/02/07/um-bom-texto-sobre-a-legiao-urbana/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 00:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[legião urbana]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rock]]></category>

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		<description><![CDATA[Por aqui, mal se fala num grupo que é a única banda pop brasileira que chega aos pés de Chico, Caetano ou Gil no critério quantidade de hits no inconsciente coletivo nacional. Nenhum outro grupo de rock brasileiro teve uma trajetória tão particular e uma aceitação tão instantânea &#8211; e massiva &#8211; de seu trabalho. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Por aqui, mal se fala num grupo que é a única banda pop brasileira que chega aos pés de Chico, Caetano ou Gil no critério quantidade de hits no inconsciente coletivo nacional. Nenhum outro grupo de rock brasileiro teve uma trajetória tão particular e uma aceitação tão instantânea &#8211; e massiva &#8211; de seu trabalho. Mais do que “porta-voz de sua geração”, Russo teve um papel crucial na história da música pop brasileira, quando ensinou a várias safras diferentes de ouvintes que era possível compor letra de música que não tivesse necessariamente cara de letra de música. Boa parte dos hits do Legião tem letras que parecem ter saído de conversas, de bate-papos, em vez de terem sido propriamente compostas.</p></blockquote>
<p>Este é um trecho do post <a title="2009: o ano da volta do Legião Urbana?" href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2009/02/04/2009-o-ano-da-volta-do-legiao-urbana">2009: o ano da volta do Legião Urbana</a>, do blog <a title="Trabalho Sujo" href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo">Trabalho Sujo</a>, do jornalista Alexandre Matias. Nunca havia lido uma síntese tão limpa, tão séria e tão objetiva do grupo de Renato Russo. Assim como nunca havia lido algo tão ousado quanto equiparar Legião com Caetano, Chico e Gil. O pior é que não consigo discordar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Os Titãs e o tempo</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/01/28/os-titas-e-o-tempo/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rock]]></category>
		<category><![CDATA[Titãs]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem conhece o grupo de longe, documentário apenas diverte. Porém, para os íntimos, ajuda a esclarecer detalhes da carreira de uma das maiores bandas brasileiras, como a relação dos Titãs com o tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/3_17447.jpg" alt="Cartaz do filme 'Titãs - A vida até parece uma festa'" />Imagine que um grupo de amigos gravou cenas de suas farras, cheias de piadas de que só os íntimos acham graça. À primeira vista, <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa</em> é isso. O documentário é uma colagem de cenas grudadas cronologicamente. Como o filme é repleto de elipses, sem narração e sem depoimentos recentes &#8211; as imagens ou são de arquivo da TV ou foram captadas pela câmera do titã Branco Mello &#8211; quem não conhece bem a história dos <a title="Titãs" href="http://www.titas.net">Titãs</a> fica boiando em alguns momentos.</p>
<p>Entretanto, se o espectador tem algum vínculo com o grupo, poderá compreender alguns detalhes da carreira do atual quinteto, ex-octeto. Para explicar, preciso contar a história que eu conhecia da banda paulista. Considere que o relato a seguir foi baseado no meu conhecimento prévio ao filme, e somente algumas informações foram pinçadas de <em>A vida até parece uma festa</em> (ou seja, é muito difícil deduzir tudo isso que você vai ler a partir do documentário).</p>
<p><strong>Começa o jogo</strong></p>
<p>Os Titãs começaram fazendo um pop performático. Aproveitaram a grande quantidade de membros (não se perca: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos, Sergio Britto, Nando Reis, Marcelo Fromer, Tony Belloto e Charles Gavin; este substituiu André Jung, e Ciro Pessoa fez parte da banda no início) e a excentricidade física de cada um para, além de tocar, impactarem com a estética meio agressiva, meio escalafobética. Eram um João Penca &amp; Seus Miquinhos Amestrados com letras ou mais ingênuas ou mais instigantes. As canções <em><a title="Letra de 'Sonífera ilha'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49000/">Sonífera ilha</a></em> (1984) e <em><a title="Letra de 'Televisão'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49002/">Televisão</a></em> (1985), por exemplo,<em> </em>são dessa época.</p>
<p><strong>O grito</strong></p>
<p><img style="margin-right:10px; float:right" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/51BTW41FABL_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Cabeça dinossauro'" /> A prisão de Arnaldo Antunes por posse de heroína catalisou a energia subliminar do octeto. Num contexto pós-repressão, em que a juventude vivia, com pernas bambas, uma liberdade com que estava desacostumada, o disco <em>Cabeça Dinossauro</em>, lançado em 1986, e suas faixas <em><a title="Letra de 'Polícia'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48993/">Polícia</a></em>, <em><a title="Letra de 'Porrada'" href="http://letras.terra.com.br/titas/86503/">Porrada</a></em>, <em><a title="Letra de 'Homem Primata'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48977/">Homem Primata</a></em> e <em><a title="Letra de 'Bichos Escrotos'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48960/">Bichos Escrotos</a></em> representaram um grito coletivo, minimalista na forma e recheada no conteúdo. Era a explosão titânica, prolongada no disco seguinte, <em>Jesus não tem dentes no país dos banguelas</em>, de 1987. Foi a fase de maior popularidade do grupo.</p>
<p>A qualidade, porém, passou a cair. Suavemente, primeiro (<em>Õ Blesq Blom</em>, de 1989), e abruptamente, depois (<em>Tudo ao mesmo tempo agora</em>, de 1991). A época mudou, o cenário mudou (<a title="1989, vinte anos depois" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/01/04/1989-vinte-anos-depois/">lembram-se de 1989</a>?), mas a alma dos Titãs permanecia adolescente, com uma agressividade pueril (vide as músicas <em><a title="Letra de 'Saia de mim'" href="http://letras.terra.com.br/titas/82300/">Saia de mim</a> </em>e <em><a title="Letra de 'Clitóris'" href="http://letras.terra.com.br/titas/91452/">Clitóris</a></em>). As provocações soavam desatualizadas e descontextualizadas.</p>
<p>Sai Arnaldo Antunes. No filme, a banda afirma que &#8220;aproveita&#8221; o momento para conseguir uma sonoridade mais pesada. De fato, <em>Titanomaquia</em>, de 1993, traz a energia desejada, através de Jack Endino, produtor de discos de Nirvana e Soundgarden. Os Titãs ganham massa, mas ela parece anabolizada. Faltava estofo.</p>
<p><strong>A guinada</strong></p>
<p>Então vem <em>Domingo</em> (1996), vigoroso, porém manso. O estilo letras-curtas-e-rimadas-em-melodias-simples continua. Mas um novo caminho é percebido, e o destino se chama <em>Acústico MTV </em>(1997), o disco mais vendido da banda. É neste ponto que os Titãs sofrem as maiores críticas de meus amigos de geração. &#8220;Vendidos&#8221;, &#8220;frescos&#8221; e adjetivos semelhantes são dirigidos ao grupo. A mudança de estilo era óbvia. A motivação para tal, nem tanta. Falta de dinheiro? Não parecia que os integrantes da banda estavam com dificuldades para pagar o aluguel.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/41CQX9D6S5L_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Acústico MTV'" />Neste momento do filme, aparece Nando Reis cantando <em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/">Família</a></em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/"> </a>(curiosamente, uma música do furioso <em>Cabeça Dinossauro</em>), Malu Mader sorrindo, crianças brincando, mulheres conversando. Eis o aconchego dos Titãs. E, 12 anos depois, encontro a resposta à dúvida surgida com o <em>Acústico MTV</em>. </p>
<p>De 1987 pra 1997, o grupo envelheceu, perdeu a irresponsabilidade que soava bem a garotos que acabam de lançar o primeiro disco, não aos veteranos com 15 anos de carreira. Os Titãs têm filhos, têm história. Uma história construída na sintonia com o tempo. <em>Cabeça Dinossauro</em> teve o sucesso que teve porque foi criado no momento oportuno. Lançado hoje, não teria um décimo do significado de 1986. Hoje, ninguém vai ao show esperando que Paulo Miklos cante &#8220;Clitóris/Clitóris,Clitóris/Ah,Clitóris&#8221;. Sim, estava na hora de guardar um pouco as guitarras e tirar os violões dos sacos.</p>
<p>A chegada da maturidade não impediu que os Titãs cometessem acintes (regravar <em>Pelados em Santos</em>, dos Mamonas Assassinas, não acrescenta nada à biografia). Mas<em> </em>também não lhes tirou a veia crítica (eles ainda comporiam <em><a title="Letra de 'A melhor banda de todos os tempos da última semana'" href="http://letras.terra.com.br/titas/40320/">A melhor banda de todos os tempos da última semana</a></em>, em 2001). Mais importante do que isso, a nova fase lhes permitiu sofisticar <em><a title="Letra de 'Pra dizer adeus'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48994/">Pra dizer adeus</a></em>, do segundo disco, regravar <em><a title="Letra de 'É preciso saber viver'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48967/">É preciso saber viver</a></em>, do Rei Roberto e compor a delicada <em><a title="Letra de 'Os cegos do castelo'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48990/">Os cegos do castelo</a></em>, canções impensáveis no cancioneiro dos Titãs dos anos 80. Quinze anos de estrada, rugas no rosto e filhos no colo dão carta branca para os Titãs tocarem <em>É preciso saber viver</em>. Eles sabiam do que estavam cantando.</p>
<p><strong>O epitáfio, mas não o fim</strong></p>
<p>O filme, se não comove quem é distante do universo da música, ajuda a esclarecer as mutações do grupo desde 1984, ano de gravação do primeiro disco. E o auge de <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa </em>é revelador. A sequência começa com Marcelo Fromer aparece dando dicas sobre a linha melódica de <em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/">Epitáfio</a></em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/"> </a>a Sérgio Britto, autor da música.<em> </em>Em seguida, aparece reportagem da MTV dando notícia de que <a title="Marcelo Fromer é enterrado ao som de &quot;Pra Dizer Adeus&quot;, sucesso do Titãs" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/2001-titas.shtml">Fromer morreu atropelado por uma moto</a>. Então aparece Britto, gravando sua canção para o disco <em>A melhor banda&#8230;</em>, no estúdio, dez dias depois da morte de Fromer. É de arrepiar. Afinal, ao contrário do que eu mesmo supunha, a música, com os versos &#8220;O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar distraído/O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar&#8221; foi composta antes da morte do guitarrista. O acidente tornou <em>Epitáfio</em> uma poesia sobre a fugacidade da vida. Era o tempo cobrando sua sintonia, fina, fina, com os Titãs.</p>
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		<title>1989, vinte anos depois</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 00:22:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que têm em comum as primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura militar, a queda do Muro de Berlim, o nascimento da web e o início da decadência da música brasileira? Tudo ocorreu em 1989. Sim, está na hora de darmos a esse ano a importância que ele merece dentro da linha do tempo da História.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px; width: 150px;" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/305166.jpg" alt="Foto do Massacre da Praça da Paz Celestial. Fonte: Centro de Mídia Independente" /> Além dos 220 anos da Revolução Francesa, dos 120 anos da proclamação da República, dos 40 anos da chegada do homem à Lua e dos meus 30 anos de idade, 2009 chega para lembrarmos 20 anos de 1989, o ano mais importante da História pós-1968. Quiçá, mais importante que o próprio 1968.</p>
<p>Todos os anos têm suas histórias inesquecíveis. Alguns deles abrigam pelo menos um acontecimento que é suficiente para torná-los imortais. 2001, por exemplo. Em outros casos, um conjunto de eventos, concatenados ou não, é capaz de transformar um ano comum em especial. As revoltas estudantis, a efervescência cultural e o embrutecimento da ditadura no Brasil marcaram 1968. A situação de 1989 é semelhante à dos dois exemplos citados. Mas o ano guarda uma característica singular que o grifa em qualquer enciclopédia de referências históricas.</p>
<p>1989 delimita o fim de uma era e o começo de outra. O período iniciado nos anos 90 trouxe profundas mudanças estéticas, percebidas na moda, na comunicação e no comportamento, mas que permanecem quase inalteradas até hoje. Sim, 2009 é muito diferente de 1998, quando os provedores cobravam pacotes de 40 horas mensais para acesso discado à internet e os telefones celulares tinham os apelidos de &#8220;tijolões&#8221;. Mas as inovações tecnológicas, o apego à velocidade informativa e o individualismo exacerbado já apontavam, há onze anos, as matizes do período contemporâneo. São iguais às de 2009, mas bem diferentes das que coloriam os anos 70 e 80, marcadas por outros valores culturais. Não foi à toa que, em 1989, o inglês Tim Berners-Lee apresentava os primeiros conceitos daquilo que seria a World Wide Web e dava início ao desenvolvimento da maior revolução tecnológica ocorrida nos últimos 20 anos.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo em que simboliza um divisor de eras, por si só 1989 trouxe acontecimentos que romperam paradigmas. </p>
<p><strong><a title="Marcos históricos" href="./2">Continua&#8230;</a></strong></p>
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		<title>Madonna: o raro abunda</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Dec 2008 16:49:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[madonna]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando começou a venda dos ingressos para o show da Madonna, em setembro, foi um estardalhaço só. Confusão na venda, negociações mal concluídas, ameaças de busca de direitos na Justiça, muita gente sem ingresso etc. Agora, muita gente resolveu vender seu ingresso. Por que algo que era tão disputado está, agora, tão em oferta?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando começou a venda dos ingressos para o show da Madonna, em setembro, foi um estardalhaço só. Confusão na venda, negociações mal concluídas, ameaças de busca de direitos na Justiça, muita gente sem ingresso etc. Uma solução foi o oferecimento de um show extra, que, de fato, ajudou a escoar a demanda reprimida.</p>
<p>Pois bem. Às vésperas das apresentações da cantora no Brasil, recebo no Orkut, no e-mail, no Twitter e em todas as redes de que participo, anúncios de venda de ingressos para o show! Antes que digam, aviso que não se tratam de cambistas. São amigos e pessoas que não imagino semana que vem na porta do Maracanã, com o dedo em riste, perguntando a quem passa: &#8220;ingresso Madonna?&#8221;.</p>
<p>A minha curiosidade circunda esse repentino anúncio de ingressos que custaram os olhos da cara e eram raríssimos: o que houve? Quem comprou, desistiu? Os interessados compraram a mais? A crise tá braba? Cartas para a redação.</p>
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