Ficar de butuca: estar esperto, observar, prestar atenção. Butuca Ligada é atenção redobrada, ler as entrelinhas, examinar o superficial e o profundo. Saiba mais
  
Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘música’

Visita ao Fórum das Letras

06/11/2008 - 22:44

Ó onde tô:

Foto de Ouro Preto - MGE aí, alguém quer um doce de leite, ou o reboco de uma igreja (Ministério da Cultura, é brincadeira, tá?), ou a pedra de uma ladeira…? Volto na sexta. Enquanto isso, visito o Fórum das Letras. Recomendo. Ambiente bonito e criativo, conexão wi-fi e muito debate sobre literatura, poesia e música. Vai até domingo.

Que tal comentar este post? »

Que Madonna, que nada

07/09/2008 - 20:54
Michael Stipe, vocalista do R.E.M., e seus óculos fashion
Fonte: blog A vida é cheia de som e fúria

Dia 8 de novembro tem R.E.M. no Rio de Janeiro. Vai ser dia de relembrar janeiro de 2001, quando a banda se apresentou no Rock in Rio III numa apresentação memorável. Pena que o lugar do show deste ano não ajude – HSBC Arena, onde foram realizados jogos do Pan-Americano. Ruim de chegar, poucas alternativas de condução e estacionamento precário.

Mas ouvir “Losing my religion”, “Man on the moon”, “The one I love” e outras pérolas, ao vivo, vale o desgaste.

Que tal comentar este post? »

Sussurros de Roberto Carlos

03/12/2007 - 10:30

O tom da cobertura da imprensa sobre o show de Roberto Carlos na Arena Multiuso, no Rio, dia 1°, foi o esperado: muito oba-oba em cima dos famosos que foram à gravação do especial da Globo e muita reverência ao Rei e seus milenares hábitos, obsessões e manias. Não li uma mísera linha sobre o som de radinho de pilha da arena, que manchou a apresentação de Roberto Carlos diante de seus fãs.

Podem dizer que foi o primeiro show da Arena Multiuso, construída para competições do Pan, e que falhas eram esperadas. Até se perdoa a estrutura precária em volta do ginásio, capaz de criar um engarrafamento em uma única rua, e da falta de estacionamentos (os poucos que havia cobravam 20 reais!!!!). Mas um som baixo e péssimo como o apresentado é um erro imperdoável. Quando Roberto cantava, o público ainda conseguia reconhecer a música e acompanhava. Porém, quando o anfitrião conversava com seus convidados (Gilberto Gil, Alcione, Camila Pitanga e Roupa Nova), o que se ouvia das arquibancadas eram sussurros. A platéia, já impaciente com os 90 minutos de atraso, não cansou de gritar: “Aumenta o som!”, “Tá muito baixo!”, “Fala mais alto!”. Em vão. O problema não era apenas escutar as falas: mesmo nas canções ouviam-se mais os instrumentos do que a voz de Roberto Carlos.

Ouvir baixo um show é o mesmo que não ouvi-lo. Perdem-se a magia e a graça de se estar ali, diante do artista. Uma lástima. A ausência dessa falha nos jornais, revistas e sites mostra que, onde estava a imprensa – a poucos metros do palco – o som não apresentava problemas. Lindo. O importante é cativar os donos dos flashes e dos tipos. Quem pagou o ingresso também pagou o pato. Que se esforçasse para ouvir as músicas de Sua Majestade. E que se contente com um concerto instrumental. Tecnicamente, foi o pior show que já assisti em toda a minha vida.

Que tal comentar este post? »

O rock nacional dos anos 90 cantava em inglês?

21/11/2007 - 10:35

Durante o – maravilhoso – feriadão de seis dias a que fui submetido, assisti a um trecho do programa Que rock é esse?, sobre o rock brasileiro, do canal Multishow. O episódio exibido na quinta-feira passada, dia 15, mostrou vários artistas, como Frejat e Pitty, falando do cenário musical do início dos anos 90.

Os dois disseram que a década começava com o já badalado “conflito de gerações”, marcado especialmente pelo surgimento, naquela época, de bandas que cantavam em inglês. O exemplo mais evidente era, claro, o Sepultura. Porém, nem Frejat nem Pitty deram outros nomes. A baiana ainda falou de um grupo de Salvador, mas nem considerei porque se tratava de um espécime local. O assunto já havia sido levantado por Renato Russo em 1992, quando a Legião Urbana gravou o Acústico MTV – podem ouvir/ver, está lá no CD/DVD o lamento do vocalista sobre a proliferação de grupos de rock cantando no idioma de Shakespeare.

Eu tinha 11 anos em 1990. Lembro do Rock in Rio II, realizado em 1991, com poucos detalhes. Não fui aos shows e acompanhei muito à distância. Ouvia pouco rádio. Não estava tão próximo da música como procuro estar hoje. E não consigo me lembrar de quase nenhuma outra banda nacional que cantasse em inglês. Um amigo me lembrou do Angra. Ora, o Angra – e nem o Sepultura – fizeram sucesso em seus nichos metaleiros. Não eram bandas pop e, por isso, não podem ser indicativos de um suposto caminho que o rock nacional estava tomando. Pra mim, trata-se apenas de um sintoma extremamente local, reduzido. Uma tentativa de atribuir um símbolo histórico ao início dos anos 90, que, na verdade, não foi marcado por nada – apenas a uma certa desesperança trazida pela eleição e pelas primeiras medidas castradoras de Fernando Collor. Os anos 90 começaram com um hiato, um vazio, agravado, ainda, pela morte de Cazuza. Foram uma espécie de intervalo, onde as bandas dos anos 80 continuaram a produzir seus discos – mas interrompendo um período prolífico em sucesso, é verdade – e começaram-se a sedimentar as raízes dos grupos que viriam nos anos seguintes e, aí sim, caracterizariam a década com mais personalidade, como Skank, Pato Fu, Raimundos e o Rappa.

O que acham?

4 já comentaram, agora é a sua vez »

Chico Buarque, "Carioca ao vivo" e a emoção de sempre

13/09/2007 - 4:00

O DVD “Carioca ao vivo”, de Chico Buarque, é um perfeito retrato em movimento do que foi o show que presenciei no Canecão nos dias 4 e 19 de janeiro de 2007. A diferença é que o produto foi gravado em São Paulo, no ano passado. E, daí, decorrem outras características específicas do registro: um público frio, mesmo nos momentos mais empolgantes do show, e um silêncio respeitoso diante do verso “maconha só se comprava na tabacaria”, recebido com clamorosos aplausos pelos cariocas.

O roteiro da apresentação de Chico Buarque e sua banda é o mesmo dos shows que assisti ao vivo. Ensaios não devem ter faltado para uma reprodução, inclusive de gestos e frases, tão fiel. Engana-se, porém, quem acha que ter visto as três apresentações foi um exercício de repetição. O primeiro show foi burocrático, com um Chico tenso na estréia da turnê na cidade que inspirou o nome de seu último disco. Quinze dias depois, o cantor estava claramente mais relaxado – se é que isso é possível, considerando o olhar hipnotizado e os movimentos econômicos do homem – e as músicas fluíram agradavelmente. Por fim, o registro do DVD, visto oito meses depois da apresentação no Rio, é delicioso.

O tempo que se passou foi necessário para me acostumar às canções do disco “Carioca”, interpretado na íntegra e fora de ordem no show. Não se trata de um disco perfeito: algumas músicas são monocórdias e desnecessárias. Porém, é delicado, valoriza violões e flautas e traz alguns achados, como “Dura na queda” e “Outros sonhos”. Na comparação com o CD anterior, “As cidades”, “Carioca” ganha. No caso das turnês, o repertório do show “As cidades” é melhor, mas a qualidade técnica do CD e DVD mais recentes é muito maior.

Ouve-se, no “Carioca ao vivo”, cada corda, cada sopro e cada tecla com magnífica pureza. A qualidade da banda que acompanha Chico é incontestável e as técnicas de gravação de sua recente turnê foram certamente pré-direcionadas para a gravação de um DVD – o que não aconteceu com “As cidades”, em 1999 – justificando a superioridade técnica.

Melhor pra nós, que podemos nos deleitar com uma “Morena de Angola” swingada mesmo com mais peso na voz de Chico do que nos instrumentos. Ou com a delicada versão jazzística de “Mil perdões”, próxima da original, mas realçada pela presença forte do violão. Ou, ainda, com “João e Maria”, num andamento mais lento aparentemente proposital para valorizar o lindo arranjo interpretado no show.

A ordem das músicas, aliás, parece um daqueles segredos que só Chico Buarque consegue esconder em suas canções, propositalmente ou não. O roteiro foi construído de forma a incluir todas as músicas do “Carioca”, mas sem deixar de amarrá-lo a um fio condutor que passeia por blocos temáticos. Senão, vejamos. O show começa com a felicidade do artista, tema recorrente em todo o concerto (“Voltei a cantar”, “Mambembe”, “Dura na queda”). Em seguida, músicas idílicas (“Renata Maria”, “Outros sonhos”, “Imagina”). Um passeio pelas canções de Chico escritas para o cinema e o teatro, ou que tratam das duas modalidades artísticas (“Mil perdões”, “A história de Lily Braun”, “A bela e a fera”, “Ela é dançarina”, “As atrizes”, “Ela faz cinema”, “Eu te amo”, “Palavra de mulher”). Duas músicas para lembrar que a turnê é “Carioca” (“Subúrbio”, “Morro dois irmãos”). O anúncio da despedida (“Bye bye Brasil”, “Cantando no toró”, “Na carreira”). O bis triunfal (“Sem compromisso”, “Deixe a menina”, “Quem te viu, quem te vê”).

Pode-se dizer que um roteiro tão certinho, criado de forma tão metódica, poderia burocratizar o show. Não é o que acontece. A grandiosidade da obra de Chico transforma qualquer sinal de rigor em plena emoção. Ver o maior letrista vivo da música brasileira interpretar suas canções comove sempre. Seja na primeira, na terceira ou na milésima vez.

Que tal comentar este post? »

    • Valid XHTML 1.0 Transitional
    • Valid CSS!
  •  

    Creative Commons License
    Butuca Ligada está licenciado sob uma Licença Creative Commons.
    Este blog é feito em WordPress | Tema desenhado por Adriana Simeone | Implementado por mim, com agradecimentos