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	<title>Butuca Ligada &#187; política</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Sem golpismos ou ameaças às liberdades</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Sep 2010 18:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que cientistas políticos, no futuro, falarão desta briga entre Lula e imprensa em pleno período eleitoral? É preciso avançar no tempo para obter perspectiva histórica, mas resolvi me arriscar uns palpites: os estudos dirão que a imprensa é digna de críticas e precisa recuperar credibilidade. E que, embora não seja "golpista", a mídia também não sofre ameaça alguma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma discussão bem interessante, sobre esta brigalhada entre Lula e imprensa em pleno período eleitoral, surgiu em uma lista da qual participo. Um colega, num certo instante, perguntou o que cientistas políticos, no futuro, falarão dos episódios deste ano de 2010. É preciso avançar no tempo para obter perspectiva histórica, mas resolvi me arriscar nessa futurologia.</p>
<p>Bem, aposto que análises mostrarão uma cobertura completamente tendenciosa, chegando ao requinte de publicar textos irônicos, preconceituosos e altamente editorializados (sim, estou falando da <em>Veja</em>). Se a Dilma ganhar, será reforçada a tese de que a grande imprensa definitivamente deixou de influenciar a opinião pública como antes, o que já foi aventado em 2006, quando a candidatura de Lula recebeu carga pesada (embora eu ache que em 2010 esteja pior).</p>
<p>Também será comprovado que o discurso de que as liberdades são ameaçadas no Brasil (reforçadas pela <em><a title="Capa da edição 29/09/2010 de Veja" href="http://twitpic.com/2runuc">Veja </a></em><a title="Capa da edição 29/09/2010 de Veja" href="http://twitpic.com/2runuc">desta semana</a> &#8211; grato, <a title="Twitter de Erika Sara" href="http://twitter.com/erikasara">@erikasara</a> &#8211; e pela <a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">incrível capa do </a><em><a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">Extra </a></em><a title="Capa do &quot;Extra&quot; de 24/09/2010" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/extra_20100924.jpg">de sexta-feira, 24</a>) é vazio, exagerado e, óbvio, político, já que o que mais se viu nos últimos anos foram matérias críticas ao governo, às vezes grosseiras, às vezes de frágil sustentação, sem que houvesse qualquer tentativa clara de cerceamento à liberdade de expressão. E será avaliado que os movimentos do governo associados a um suposto “controle da imprensa”, como classificaram os veículos, vieram de eventos destinados ao debate sobre o tema (Confecom) ou de propostas levantadas para a regulamentação dos setores de comunicação (Ancinav, Conselho de Jornalismo), o que é bem diferente de censura e já existe em diversos outros países democráticos.</p>
<p>Uma conclusão possível desses futuros estudos será que a liberdade de imprensa não esteve em perigo. As críticas contundentes do presidente Lula, embora desnecessárias porque provocam um clima hostil entre instituições essenciais para a democracia, não carregam nenhuma ameaça em si e não passam de recurso manjado de governantes questionados.</p>
<p>Também se verificará que, se essa imprensa ainda quer manter alguma credibilidade e popularidade, adquiridas com méritos (durante anos em que demonstrou fazer bom jornalismo) e por razões circunstanciais (quando não havia fóruns adequados para que ficasse na berlinda), precisa aceitar também as críticas e a vigilância da sociedade, que exerce esse direito através de blogs e sites voltados para o tema.</p>
<p>Os estudos ponderarão que, apesar de a mídia merecer muitas críticas, não é tratando-a como “imprensa golpista” que a situação vai melhorar. O que se deve cobrar dos veículos é o respeito a princípios básicos de jornalismo, como objetividade, apuração rigorosa e honestidade com o leitor (a imparcialidade é um mito). Os novos blogs e sites contribuem para a &#8211; fundamental! &#8211; democratização da comunicação, mas o poder da mídia tradicional ainda é absurdamente maior. E é conveniente que ela disponha mesmo de recursos (financeiros, tecnológicos etc.) para noticiar e apurar informações às quais cidadãos comuns e blogueiros autônomos costumeiramente não têm acesso.</p>
<p>Enfim, essas análises verificarão que a recente ascensão, na esfera pública, das minorias e dos movimentos sociais já é um alento para que os debates sobre questões de interesse da sociedade ocorra em níveis democráticos. Se todos (imprensa, governo e os críticos a ambos) baixarem um pouco a bola, sem radicalismos, verão que isso já está acontecendo. Sim, ainda há muitas distorções no jornalismo praticado hoje e na relação governo x veículos. Mas sem golpismos midiáticos e sem ameaças à liberdade de imprensa.</p>
<p><strong>P.S.</strong> Precisamos esperar pela análise de 2010, mas o livro<a title="&quot;Jornalismo e política democrática no Brasil&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u424883.shtml"> “Jornalismo e política democrática no Brasil”, de Carolina Matos</a>, já traz um estudo aprofundado da cobertura jornalística dos principais eventos políticos no período da redemocratização: Diretas-Já, eleições de 1989 e impeachment de Collor, eleições de 1994 e eleições de 2002. Ainda não terminei, mas recomendo pelo que já li.</p>
<p><strong>P.S. 2 </strong>As principais fontes de inspiração para este meu texto são dois artigos do Observatório da Imprensa: <a title="A pauta do debate político" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=608JDB022">&#8220;A pauta do debate político&#8221;</a>, de Alberto Dines, e <a title="Por um pingo de serenidade" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=608JDB021">&#8220;Por um pingo de serenidade&#8221;</a>, de Eugenio Bucci. As ideias já estavam na minha cabeça, mas foram estes textos os responsáveis pelas conexões construtivas do post.</p>
<p><strong>P.S. 3 </strong>Por fim, dica do <a title="Twitter do Roney Belhassof" href="http://twitter.com/roneyb">@roneyb</a>: o artigo <a title="Lula, a imprensa e eleições 2010" href="http://politicando.blog.br/?p=1002">&#8220;Lula, a imprensa e eleições 2010&#8243;</a>, do cientista político Fabricio Vasselai, traz praticamente o mesmo ponto de vista deste post, só que bem mais detalhado.</p>
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		<title>A espiral do silêncio</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 03:29:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<description><![CDATA["Se a espiral do silêncio estiver correta, a consolidação de um panorama apontado pela pesquisa eleitoral (crescimento de um candidato, queda de outro) influencia diretamente o indivíduo. O 'vitorioso' de um debate entre candidatos, resultado obtido apenas com alguma pesquisa de opinião, também pode ser beneficiado. " 

Veja meu texto "A espiral do silêncio", escrito em 2002, sobre a possível influência das pesquisas no comportamento dos eleitores. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sempre que tem eleição é a mesma coisa: republico meu texto &#8220;A espiral do silêncio&#8221;, escrito em 2002, sobre a possível influência das pesquisas eleitorais no resultado da votação. O texto foi divulgado originalmente no <a title="A espiral do silêncio, no Comunique-se" href="http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsshow.asp?op2=1&amp;op3=3&amp;editoria=237&amp;idnot=5993">Comunique-se</a>.</em></p>
<p>Em todo ano de eleição é o mesmo papo: as pesquisas de opinião, que indicam a intenção de voto dos cidadãos, devem ser divulgadas ou proibidas? Qual o grau de influência do resultado dessas sondagens na decisão do eleitor? Essas e muitas outras questões controversas realmente precisam ser debatidas, no sentido de manter claro o processo democrático do qual todos nós participamos: indivíduos, mídia, sociedade.</p>
<p>A discussão, claro, transcende fronteiras e atinge vários países do mundo. Na Europa, por exemplo, há exatos 30 anos, a alemã Elisabeth Noelle-Neumann já fazia conclusões sobre um estudo que vinha realizando sobre a influência da mídia sobre a opinião pública. Tratava-se da hipótese da espiral do silêncio, dissecada pelo professor Antonio Hohlfeldt, da PUC do Rio Grande do Sul, no livro <em>Teorias da comunicação: conceitos, escolas e tendências</em> (Vozes, 2001), uma coletânea de artigos organizada por ele e pelos colegas Luiz C. Martino, da Universidade de Brasília, e Vera Veiga França, da Universidade Federal de Minas Gerais, e que é a referência bibliográfica deste artigo.</p>
<p>Antes de mais nada, é preciso explicar por que a espiral do silêncio é considerada uma hipótese e não uma teoria. Segundo Hohlfeldt, “uma hipótese é sempre uma experiência, um caminho a ser comprovado e que, se eventualmente não der certo naquela situação específica, não invalida necessariamente a perspectiva teórica. Pelo contrário, levanta, automaticamente, o pressuposto alternativo de que uma outra variante, não presumida, cruzou pela hipótese empírica, fazendo com que, na experiência concretizada, ela não se confirmasse”, enquanto uma teoria é um “paradigma fechado, um modo acabado e, neste sentido, infenso a complementações ou conjugações, pela qual traduzimos uma determinada realidade segundo um certo modelo”. Dadas as circunstâncias que serão expostas neste texto, portanto, é mais adequado classificar os estudos de Noelle-Neumann como uma hipótese.</p>
<p>Elisabeth Noelle-Neumann nasceu em 1916 na Alemanha. Aos 24 anos, especializou-se em demoscopia, isto é, na pesquisa da opinião pública sob organização científica (aliás, numa época bem instigante: a II Guerra Mundial mal havia começado e o nazismo, que muito abusou da propaganda, obtinha o apoio maciço dos alemães). A partir dos anos 50, ela começou a se interessar pela relação entre imprensa e opinião pública.</p>
<p>Ao longo do tempo, a pesquisa de Noelle-Neumann apontava que a auto-estima dos alemães diminuía à medida que a mídia fazia mais referências negativas ao povo. A pesquisadora começou a basear seus estudos em uma outra hipótese já existente, a da agenda setting, segundo a qual a imprensa teria o poder de determinar os assuntos principais da população, através da divulgação repetitiva de artigos e notícias sobre certos temas.</p>
<p>Através de uma fundamentação teórica apoiada em Platão, Rousseau, John Locke, David Hume, Alexis de Tocqueville, Walter Lippmann e Gabriel Tarde, Noelle-Neumann começou a perceber que as pessoas tendem a expressar menos sua opinião quando elas imaginam que ela pode estar em minoria ou ser recebida com desdém. Essa posição seria tomada para evitar um possível isolamento do indivíduo, temeroso do que pode acontecer caso declare uma opinião contrária à da maioria.</p>
<p>A pesquisadora, então, conclui que captar o “clima de opinião” é essencial para que as pessoas expressem seus pontos de vista. Conforme escreve Hohlfeldt, “ao perceberem ou imaginarem que a maioria das pessoas pensa diferentemente delas, essas pessoas acabam, num primeiro momento, por se calarem e, posteriormente, a adaptarem, ainda que muitas vezes apenas verbalmente, suas opiniões às do que elas imaginam ser a maioria. Em conseqüência, aquela opinião que, talvez de início, não fosse efetivamente a maioria, acaba por tornar-se a opinião majoritária, na medida em que se expressa num crescente movimento de verbalização, angariando prestígio e alcançando a adesão dos indivíduos”. Simbólica e visualmente, a influência da suposta opinião majoritária é encarada por Noelle-Neumann como uma espiral do silêncio, porque tende a ampliar-se enquanto silencia aqueles que a opõem, e daí nasce o nome da hipótese que a alemã desenvolveu.</p>
<p>Enfim, em 1972, Noelle-Neumann apresenta um artigo chamado Return to the concept of powerful mass media num congresso em Tóquio e afirma que “pela consonância das reportagens e dos editoriais, reforçados pela acumulação das periódicas repetições da mídia, a maioria das atitudes pode ser influenciada ou moldada pela mídia. Os processos individuais de formação da opinião são então reforçados pelas observações individuais do meio ambiente social. Nós entendemos que as concepções sobre quais opiniões são dominantes em um determinado meio, ou quais opiniões podem tornar-se dominantes neste meio, estão sendo influenciadas pelos mídia. Este processo, digo, é mais pronunciado que muita gente admite”.</p>
<p>Sete anos depois, a pesquisadora voltaria a estudar a ligação entre mídia e opinião pública, dando uma nova conceituação a esta expressão: “conexão da controvérsia, que alguém é capaz de expressar sem o risco de auto-isolamento que tem duas fontes: os mídia e a observação imediata do meio ambiente, do que as outras pessoas pensam e do que elas expressam em público”.</p>
<p>Nos anos 80, Noelle-Neumann lançaria A espiral do silêncio Opinião pública: nossa pele social, livro em que sintetizaria todos os seus estudos sobre o assunto. Nele, a pesquisadora questionava a democracia no âmbito de sua hipótese (“Nessa teoria [da espiral do silêncio] não havia lugar para o cidadão informado e responsável, o ideal em que se baseia a teoria democrática. A teoria democrática básica não leva em conta o medo do governo e do indivíduo à opinião pública”) e listava os quatro pressupostos que sustentam sua pesquisa:</p>
<p>1) a sociedade ameaça os indivíduos desviados com o isolamento; 2) os indivíduos experimentam um contínuo medo ao isolamento; 3) este medo ao isolamento faz com que os indivíduos tentem avaliar continuamente o clima de opinião; 4) os resultados dessa avaliação influem no comportamento em público, especialmente na expressão pública ou no ocultamento das opiniões.</p>
<p>Tal qual o tema que observa, a hipótese da espiral do silêncio é muito controversa e polêmica. Em 1990, dois pesquisadores norte-americanos desenvolveram um estudo que chegou a resultados que não combinavam com o que Noelle-Neumann pregava. Porém, a própria dupla relativizou as conclusões obtidas, devido à diferença de contexto entre as situações envolvidas. Além disso, outros pesquisadores, embora valorizem a contribuição dos estudos da alemã, questionam a hipótese. Por exemplo: não se explica até que ponto o temor do isolamento influi na opinião das pessoas, e não se sabe se a espiral do silêncio funciona em qualquer grupo, seja ele pequeno ou grande.</p>
<p>A pesquisa de Noelle-Neumann, hoje, nos remete diretamente à divulgação das sondagens eleitorais durante a campanha. Se a espiral do silêncio estiver correta, a consolidação de um panorama apontado pela pesquisa eleitoral (crescimento de um candidato, queda de outro) influencia diretamente o indivíduo. O “vitorioso” de um debate entre candidatos, resultado obtido apenas com alguma pesquisa de opinião, também pode ser beneficiado. Imagine, então, um ambiente eleitoral em que os candidatos pouco se diferem um do outro, acarretando o aumento de indeci<br />
sos: aquele que sustentar ou parecer sustentar a menor preferência terá grande vantagem.</p>
<p>Apesar das críticas à hipótese da espiral do silêncio, está claro que as conclusões alcançadas pela alemã não foram obtidas à toa. É possível que haja algumas variações do contexto em que ela fez seus estudos para o brasileiro e atual. Porém, Noelle-Neumann ao menos nos inquieta com o sabor da curiosidade e abastece a discussão. Será que a hipótese pode nos ajudar a compreender os erros e acertos das pesquisas de opinião? E as confirmações e as falhas das sondagens seriam capazes de negar ou consolidar a hipótese? Empírico e teórico se misturam. A análise do resultado pode trazer respostas importantes sobre o verdadeiro poder das pesquisas eleitorais.</p>
<p><em><span style="font-style: normal;"><br />
</span></em></p>
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		<title>Políticos no Twitter: uma dica</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 15:28:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito: notinha interessante da Folha Online revela que a ferramenta de microblogging poderá ser a grande novidade da campanha eleitoral de 2010, mas está sendo usada de forma inadequada pelos pré-candidatos a presidente, governadores, deputados e senadores. Dentre os maiores pecados, estão o fracionamento de longas mensagens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u683533.shtml"><strong>Políticos migram ao Twitter, mas poucos o usam direito</strong></a>: notinha interessante da Folha Online revela que a ferramenta de microblogging poderá ser a grande novidade da campanha eleitoral de 2010, mas está sendo usada de forma inadequada pelos pré-candidatos a presidente, governadores, deputados e senadores. Dentre os maiores pecados, estão o fracionamento de longas mensagens em vários &#8220;tuítes&#8221;, excesso de autopropaganda e, óbvio, a falta de interação com os outros usuários.</p>
<p>Na boa, a grande dica para os políticos é que sejam apenas eles mesmos. <strong>Conversem</strong> no Twitter. Esclareçam dúvidas. Digam o que acham da vida. Repassem links que julguem interessantes. Evitem falar somente de política. Vocês poderão até não conseguir votos. Mas conseguirão <strong>respeito</strong>.</p>
<p>Hão de dizer que os políticos ainda estão aprendendo a mergulhar neste novo (novo?) mundo. Ok, pode ser. Mas é bom que aprendam depressa, pois o preço é a pagação de mico.</p>
<p>Soube pelo <a title="Twitter do Alexandre Sena" href="http://twitter.com/alexandresena">Alexandre Sena</a>.</p>
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		<title>Como você escolhe seu candidato?</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 11:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se cada cidadão parasse algumas horas pra definir, bem objetivamente, qual o perfil ideal para um presidente, governador ou prefeito, teríamos votos bem melhores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro do táxi que me levava quarta-feira ao aeroporto, fiquei imaginando a vida de um presidente da República, ou de um governador, enfim, de um chefe de poder Executivo, que viaja quase sempre, faz discursos frequentemente, participa de dezenas de reuniões semanais, recebe lobistas, políticos, empresários e cidadãos. Para dar conta de tudo isso, ele precisa estar minimamente preparado para discutir todo e qualquer assunto que seja de seu domínio administrativo. Educação, saúde, segurança, cidadania, políticas públicas, emprego, meio ambiente, política externa, esportes, economia, relações institucionais, agricultura, habitação, cultura, indústria, saneamento, infraestrutura&#8230; Preciso continuar?</p>
<p>Para cada um destes temas, é insuficiente apenas saber conceitos e definições. O fundamental é ter números em mãos, saber a opinião de outros atores políticos, acompanhar o noticiário, embasar-se nos pontos de vistas dos seus assessores. Acredito que, diariamente, com a mudança tão rápida de assunto entre uma reunião e outra, o governante tenha que estudar um pouco nos intervalos de folga entre um compromisso e outro. Ou seja, não existe folga.</p>
<p>A profunda mistura de temas, às vezes díspares, às vezes entrelaçados entre si, explica a divisão do poder pelo governante entre seus ministros/secretários e assessores. São estes os responsáveis em formular e executar as ações específicas de sua área. Mas é o presidente quem vai, em última instância, fechar as diretrizes e as linhas gerais do seu governo.</p>
<p>Ele só pode tomar essas decisões quanto mais bem preparado estiver e quanto mais ele puder apreender das informações que lhe são ditas. Não pode ser alguém arrogante, crente que pode tomar a decisão sozinho – a menos que seu acúmulo de experiência naquele assunto lhe dê esse tipo de segurança, o que não vai acontecer sempre. Ninguém é especialista em tudo.</p>
<p>Além disso, num tempo em que a figura pública é cada vez mais exposta, é essencial que ela demonstre segurança sobre um tema que é de sua responsabilidade. Porque o assessor está lá, com os dados e números, mas quem vai pro pau é o presidente, o governador, o prefeito. Seja diante da imprensa, seja na reunião com outro chefe de governo, seja com agentes políticos importantes.</p>
<p>Pensando nisso, concluí que existe um perfil que um indivíduo precisa ter para governar: ser disciplinado, ter vontade de aprender, saber ouvir e ter capacidade gerencial, o que inclui uma visão ampla e conjuntural, saber administrar conflitos e colocar as pessoas certas nos lugares certos. Se o candidato é capaz de mostrar que tem essas qualidades – e, óbvio, tiver idéias com as quais simpatizo – terá grandes chances de conseguir o meu voto. Pois pensarei que a pessoa é articuladora e está sempre renovando seus conhecimentos. Tudo isso é mais importante do que o cara falar bem e usar recursos de marketing que emolduram um discurso vazio.</p>
<p>Acho que estou sendo simplista e otimista. Mas também acho importante que todo mundo pense um pouco nos critérios de escolha de um postulante a um cargo de presidente, governador ou prefeito. Ainda mais faltando um ano para uma eleição a ser realizada num cenário propício à avalanche cada vez maior de informações.</p>
<p>Você, por exemplo: o que leva em conta na hora de votar em um candidato?</p>
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		<title>Minhas restrições ao &#8220;fora, Sarney!&#8221;</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/07/07/minhas-restricoes-ao-fora-sarney/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 01:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O "movimento" que tem dominado o Twitter, à primeira vista, reflete um processo de conscientização política dos usuários de internet. Mas, se examinarmos a fundo, vemos que a campanha está longe de ser consistente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center"><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/07/twitter_forasarney.jpg"><img class="size-full wp-image-2408" title="twitter_forasarney" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/07/twitter_forasarney.jpg" alt="Campanha &quot;#forasarney&quot; no Twitter" width="400" height="392" style="border: solid #DDDDDD 1px" /></a>
<div class="legenda">Campanha &quot;#forasarney&quot; no Twitter</div>
</div>
<p>Faz duas ou três semanas que tem rolado no Twitter uma campanha. Acompanhada de mensagens indignadas ou mesmo solitária, a expressão &#8220;<a title="#forasarney no Twitter" href="search.twitter.com/search?q=forasarney">#forasarney</a>&#8221; está sendo incluída nos posts de muita gente na rede social. Parece que os cidadãos estão começando a usar a internet para mobilizações políticas. O potencial do meio para isso é incontestável. Mas tenho minhas dúvidas se esta campanha está sendo tratada com a devida seriedade.</p>
<p>José Sarney já aprontou muito. Apoiou a ditadura militar, estendeu o congelamento de preços durante o Plano Cruzado com fins eleitorais e acabou disparando a inflação, distribuiu concessões de TV e rádio a torto e direito para compadres, tentou censurar blogs. Portanto, qualquer diminuição de poder do senador amapo-maranhense é benéfica para o Brasil. Ainda que tenham descoberto, 40 anos de vida pública depois, quem é José Sarney, a indignação é justa e necessária.</p>
<p>Porém, a maioria dos comentários adjacentes ao &#8220;#forasarney&#8221; postados no Twitter é vazia. As mensagens, quando não são virulentas ou raivosas, não têm conteúdo algum. Pouquíssimas trazem alguma informação que dê consistência ao mote da campanha.</p>
<p>O motivo essencial dessa inação travestida de mobilização é a caótica avalanche de notícias a que somos submetidos com fontes inesgotáveis de dados, números e manchetes frequentemente mal digeridas e transformadas em gritos em nome da moralidade, sem que se saiba exatamente qual o objeto da revolta. Deseja-se tirar Sarney por sua ligação com os recentes escândalos no Senado? Ou por todo o conjunto da obra? Neste caso, por que ninguém se revoltou quando Sarney foi eleito presidente do Senado? O que se ganha com a destituição de Sarney do cargo? Ou apenas deseja-se Sarney fora da presidência da Câmara Alta do Congresso porque é <em>cool</em>?</p>
<p>Por isso, o #forasarney, em muitos casos, é só uma tentativa oca de manifestar resíduos de uma falsa consciência política. Em outras situações, é apenas um esforço em emplacar a tag nos &#8220;trending topics&#8221; do Twitter &#8211; vide a<a title="Vídeo explicativo da frustrada tentativa de transformar #forasarney em um 'trending topic'" href="http://www.youtube.com/watch?v=5kNoYovrP6U"> patetice de algumas subcelebridades que deram à campanha, ridiculamente, o tom de galhofa</a>.</p>
<p><strong>Ao debate, por favor!</strong></p>
<p>A internet já provou ser uma ferramenta fabulosa para a democracia. Ela dá voz, espaço e tempo para que mais atores sociais &#8211; de indivíduos a organizações &#8211; possam expressar seus pontos de vista. O fomento à discussão, à troca de ideias, ao compartilhamento de informações e à reflexão analítica é um potente combustível para o motor da nossa realidade, rumo a patamares cada vez mais altos de justiça e cidadania. O debate permanente também é uma poderosa arma contra a transformação da mobilização popular em uma acrítica massa de manobra.</p>
<p>Saúdo estes novos indícios da participação política dos cidadãos na internet. Mas ainda fico reticente quando vejo manifestações tão superficiais. Mensagens de 140 caracteres (nos quais já inclusos os onze da expressão &#8220;#forasarney&#8221;) não são um método eficaz de ativismo político, a menos que sirvam para a disseminação de informações ou agregação de partidários numa luta em comum, para ações mais produtivas.</p>
<p>Participar de movimentos assim pode ser bacana, ajudar na sensação de pertencimento etc. mas a reflexão é fundamental. Sem uma dose de razão, o tom da campanha pode ficar emocional demais. O desequilíbrio descamba para mensagens autoritárias e antidemocráticas, como as que pedem o fechamento do Congresso ou aquelas repletas de palavrões.</p>
<p>Motivos para ter Sarney fora da presidência do Senado não faltam. O importante é identificá-los claramente. A desinformação aumenta o risco de se encampar um movimento a favor de quem prefere a falta de consciência política generalizada. É hora, portanto, de explorar mais o altíssimo potencial da internet para promover a troca de ideias. Quanto maior o debate, mais eficazes, contundentes e honestas serão as campanhas.</p>
<p>P.S. O <a href="http://www.memedecarbono.com.br">Meme de Carbono</a> já havia alertado para a necessidade de uma <a title="Fora Sarney, um grito desajeitado" href="http://www.memedecarbono.com.br/2009/06/30/fora-sarney-um-grito-desajeitado/">campanha mais informativa e menos desajeitada</a>.</p>
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		<title>Veja tem medo de &#8220;caça aos ricos&#8221; e estimula o consumo do luxo</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 23:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao comentar a condenação da dona da Daslu, a revista critica uma possível perseguição aos mais abastados, o que só produziria "mais miséria moral, política, econômica e social", e defende o comércio de artigos caros e requintados. Trata-se de uma opinião leviana e incoerente. E explico o porquê.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na época da conexão via modem de 14.400 e <a title="Winsock" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Winsock">Trumpet Winsock</a>, meu pai usou um e-mail meu para se cadastrar no site da <a title="Editora Abril" href="http://www.abril.com.br">Editora Abril</a>. O endereço eletrônico ainda existe, e de vez em quando eu o consulto.  Hoje, chegou um e-mail da <em>Veja</em>, divulgando a edição semanal da revista, cuja capa versa sobre a <a title="Dona da Daslu é condenada a 94 anos e meio de prisão por fraudes em importações de produtos" href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/03/26/materia.2009-03-26.4936514109/view">condenação da dona da Daslu</a>.</p>
<p>Bem, já faz tempo que a revista abandonou a pecha de imparcial. Ninguém ignora qual a <a title="Contra a esquerda, com clareza" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=456IMQ002">angulação da </a><em><a title="Contra a esquerda, com clareza" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=456IMQ002">Veja</a> </em>sobre assuntos políticos, econômicos, sociais e culturais&#8230; quero dizer, sobre tudo, né? Logo, não era pra eu me surpreender com certos trechos do editorial da revista, publicados no tal e-mail:</p>
<blockquote><p>É preciso desestimular as tentativas de enxergar na punição da dona da Daslu uma condenação também a todos aqueles que, apenas por desfrutar uma boa situação material, parecem aos olhos do populismo rasteiro cidadãos privilegiados e inimputáveis. A caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social.</p>
<p>Deve-se refrear também o impulso de ver no comércio de artigos caros e requintados apenas mais uma demonstração viciosa das classes abastadas.</p>
<p>As pessoas que fabricam e vendem essas mercadorias, desde que respeitem as leis, são cidadãos tão úteis à comunidade quanto quaisquer outros. Como toda indústria, a do luxo cria empregos, produz riqueza e qualifica a mão de obra – e permite que as pessoas exerçam sua liberdade individual também na maneira como dispõem de seu dinheiro.</p></blockquote>
<p>Eu não me surpreendi mesmo. Mas eu fico preocupado com a disseminação desse tipo de ponto de vista. Trata-se de uma opinião leviana, que teme o fim da impunidade e é incoerente com as ações de responsabilidade social da Abril.</p>
<p>Explicando. Diz a revista que &#8220;a caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social&#8221;. Porém, a polícia não está caçando ricos, e sim bandidos. Gente que rouba, frauda, corrompe e se corrompe. Por coincidência, veja você, muitos destes bandidos&#8230; são ricos! E ter riqueza, <em>Veja</em>, por acaso lhes isenta da punição pelos crimes que cometeram? A condenação de Eliana Tranchesi é exemplar. Mostra que, sim, a impunidade &#8211; um dos piores males desta sociedade brasileira malandra e paternalista, a base de toda a sujeira moral dos nossos tempos &#8211; pode dar espaço à justiça. Resta-nos saber qual o temor dos editores de <em>Veja</em> diante da condenação generalizada de ricos.</p>
<p>Depois, o semanário escreve que &#8220;deve-se refrear também o impulso de ver no comércio de artigos caros e requintados apenas mais uma demonstração viciosa das classes abastadas&#8221;. É estranho ler isso numa revista de uma <a title="Planeta Sustentável" href="http://planetasustentavel.abril.com.br/">editora com iniciativas em prol da sustentabilidade</a>, da qual um dos pilares básicos é o consumo mais consciente. O mais vergonhoso é o surrado argumento da &#8220;criação de empregos, produção de riqueza e qualificação da mão de obra&#8221;, muito usado também para defender indústrias de finalidades questionáveis. A propósito, não sou contra &#8220;que as pessoas exerçam sua liberdade individual também na maneira como dispõem de seu dinheiro&#8221;. Mas indago se a revista não deveria ter outra postura, depois de <a title="&quot;Salvar a Terra&quot;, de 24 de outubro de 2007" href="http://veja.abril.com.br/241007/imagens/capa380.jpg">fazer várias capas apregoando o contrário</a>.</p>
<p><em>Veja </em>há tempos deixou de ser dirigida a um público mais amplo. Seu objetivo não é trazer informações com análise sensatas, mas sim a opinião da revista sob o tom de dogma. Personalidades com ideias contrárias são ironizadas e ridicularizadas. Aqueles que coadunam com a linha editorial ganham elogios e espaço de sobra. Essa postura afastou muitos leitores. Atualmente, quem lê a <em>Veja</em> cada vez mais é identificado com as &#8220;gracinhas&#8221; dela. A chance de seu público digerir esse editorial sem questionamentos é muito grande.</p>
<p>Uma pena. Se, há alguns anos, a revista era uma publicação importante para a sociedade, hoje virou um panfleto, que só interessa a quem com ela concordar, empobrecendo o debate.</p>
<p>Melhor ficarmos mesmo com a <em><a title="“Veja” libera o conteúdo de todas as suas edições" href="http://www.butucaligada.com.br/2008/12/15/veja-libera-o-conteudo-de-todas-as-suas-edicoes/">Veja</a></em><a title="“Veja” libera o conteúdo de todas as suas edições" href="http://www.butucaligada.com.br/2008/12/15/veja-libera-o-conteudo-de-todas-as-suas-edicoes/"> das antigas</a>.</p>
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		<title>Por uma campanha eleitoral mais livre na internet</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/03/24/por-uma-campanha-eleitoral-mais-livre-na-internet/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 02:08:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ano antes da votação que definirá o novo presidente e os futuros governadores, começa a discussão sobre pré-candidato fazendo propaganda fora de hora. Na internet, a participação cada vez mais ativa dos cidadãos dificulta a definição do que é permitido antes e durante a campanha eleitoral. Por que não, então, liberar geral na rede?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vocês se lembram da confusão que foi a regulação da internet durante a campanha eleitoral municipal de 2008?</p>
<p>Em março de 2008, o TSE definiu que o <a title="Parecer do TSE restringe campanha eleitoral na internet" href="http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148632,0.htm">uso da internet na campanha só poderia ser feito pelo site do candidato</a> e ponto. Não falava nada de blogs, redes ou similares. Ao mesmo tempo, <a title="Propaganda antecipada na internet pode gerar cassação, diz TSEE" href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL382104-5601,00-PROPAGANDA+ANTECIPADA+NA+INTERNET+PODE+GERAR+CASSACAO+DIZ+TSE.html">o órgão ameaçou de cassação os candidatos que burlassem a lei</a>. A falta de clareza, óbvio, causou confusão. Pedro Doria, por exemplo, <a title="O weblog foi censurado pela justiça" href="http://pedrodoria.com.br/2008/05/29/o-weblog-foi-censurado-pela-justica/">teve que tirar  de seu blog um selo de apoio a Fernando Gabeira</a>, postulante ao cargo de prefeito do Rio, porque a Justiça Eleitoral entendeu que era campanha, ainda que Doria não fizesse parte da equipe do Partido Verde, legenda do candidato. Em seguida, atendendo a consulta de um deputado, o TSE <a title="TSE deixa propaganda eleitoral em blogs e Orkut sem regras claras" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u411168.shtml">confirmou as regras (ou a falta delas) sobre o uso da internet na campanha, frisando que cada caso seria um caso.</a> A omissão criou algumas incoerências no Brasil todo: enquanto o <a title="TRE proíbe torpedos em campanha eleitoral, mas libera blog e Orkut" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u406848.shtml">TRE do Rio de Janeiro soltou resolução liberando a campanha em blogs e Orkut</a>, tendo proibido &#8211; sabiamente &#8211; o envio de spams e torpedos não solicitados, <a title="Conheça as regras para campanha eleitoral pela internet nos estados" href="http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL742288-15693,00-CONHECA+AS+REGRAS+PARA+CAMPANHA+ELEITORAL+PELA+INTERNET+NOS+ESTADOS.html">Minas Gerais multou candidatos que usaram o Orkut para promover candidaturas, e os estados do Ceará e do Rio Grande do Sul foram mais flexíveis em suas decisões</a>. O caos na rede chegou a tal ponto que <a title="Sites de jornais e revistas podem opinar sobre eleições" href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL803505-5601,00-SITES+DE+JORNAIS+E+REVISTAS+PODEM+OPINAR+SOBRE+ELEICOES.html">sites de jornais e revistas podiam opinar sobre eleições</a>, mas veículos que só existiam na internet eram proibidos de fazê-lo.</p>
<p>Em resumo, as duas questões que geraram maior dúvida nesta confusão toda foram: (1) o que pode ser considerado campanha e o que não pode? (2) o que pode ser feito na internet e o que não pode? A discussão sobre ambas as perguntas passa por um elemento que faz toda a diferença: a data que marca o início oficial da campanha eleitoral, com todos os candidatos já conhecidos e definidos pelos partidos e coligações. Ou seja, qualquer propaganda feita antes de 6 de julho de um ano eleitoral é considerada ilegal. Pois hoje, a menos de 20 meses para a próxima eleição presidencial, o debate sobre o que é permitido ou não na internet precisa esquentar.</p>
<p>A reportagem <a title="Campanha para presidente começa na internet" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u497402.shtml">Campanha para presidente começa na internet</a>, da Folha Online, já lista sites, comunidades no Orkut e vídeos no YouTube que apoiam os possíveis principais candidatos ao cargo máximo do governo federal. São, provavelmente, espaços montados por fãs, eleitores e correligionários, sem ligação nenhuma com os partidos políticos.</p>
<p>Estes, aliás, para enfatizar que desejam distância dos sites e de qualquer insinuação de que fazem campanha fora do prazo, sequer se pronunciaram sobre o tema na <a title="Campanha para presidente começa na internet" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u497402.shtml">matéria da Folha Online</a>. O medo se justifica, pois, com regras confusas, ninguém quer dar a chance de ser multado ou prejudicar uma possível candidatura.</p>
<p>O que, então, o <a title="Tribunal Superior Eleitoral" href="http://www.tse.gov.br">Tribunal Superior Eleitoral</a> pensa disso? Tentei entrar em contato com o órgão, mas o site informa que é preciso procurar o Tribunal Regional Eleitoral do meu Estado. Entrei em contato com o <a title="Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro" href="http://www.tre-rj.gov.br/">TRE-RJ</a> em 13 de fevereiro, uma sexta-feira, e obtive as respostas já na segunda-feira seguinte, 16. Troquei, então, mensagens com a assessoria do TRE-RJ ao longo desse dia. Montei, em um formato de entrevista, um resumo dessa conversa via internet com o Tribunal.</p>
<p><a title="Página 2 de &quot;Por uma campanha eleitoral mais livre na internet" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/03/24/por-uma-campanha-eleitoral-mais-livre-na-internet/2"><strong>Veja a entrevista.</strong></a></p>
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		<title>Novos limites para a relação entre imprensa e poder</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 20:29:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É mesmo necessário, com a penetração cada vez maior da internet, que detentores de cargos públicos utilizem espaço e tempo fixos em veículos de comunicação?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em um país em que <a title="Donos de TVs e rádios, parlamentares desrespeitam a Constituição" href="http://www.rollingstone.com.br/edicoes/7/textos/109/">deputados e senadores detêm inúmeras concessões de rádio e TV</a>, contrariando a Constituição, a discussão sobre a relação entre imprensa e poder é urgente. Por isso, segue a minha humilde contribuição.</p>
<p>Sempre achei estranho que políticos com mandatos tivessem colunas em jornais ou programas de TV. Acho normal e democrático que os diários ofereçam espaço, de vez em quando, a artigos de deputados, vereadores, prefeitos. Mas nunca me soou bem a cessão fixa de centímetros ou minutos a agentes públicos nos veículos de comunicação. Hoje, um exemplo bem conhecido, pelo menos aqui no Rio, é o de um <a title="Wagner Montes" href="http://www.alerj.rj.gov.br/common/deputado.asp?codigo=260">deputado estadual ex-jurado do Programa Silvio Santos</a>, eleito com plataforma baseada no combate à violência e com um <a title="Balanço Geral" href="http://www.recordrio.com.br/programas.php?p=1">programa diário, sobre o tema, de 165 minutos na TV Record carioca.</a> </p>
<p>Na era da internet, alguns elementos novos atualizam o cenário. Os ocupantes de cargos públicos têm plenas condições de manterem, com recursos particulares ou com o apoio dos órgãos em que trabalham, sites e blogs para divulgarem seus trabalhos e acentuarem seu contato com os cidadãos. A intermediação da imprensa poderia se resumir a ações bem mais específicas.</p>
<p>Por isso, continuo achando muito esquisito, por exemplo, que o <a title="Cedae - Governo do Estado do Rio de Janeiro" href="http://www.governo.rj.gov.br/indice.asp?orgao=32">presidente da companhia de saneamento do Estado</a> e um <a title="Diário Oficial de 07/01/2009" href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/besserman.jpg">assessor especial do prefeito</a> tenham blogs mantidos por um grande jornal carioca. E, para piorar, nenhum dos dois são apresentados como tais. O primeiro aparece como <a title="Blog de Wagner Victer" href="http://oglobo.globo.com/blogs/wagner/">&#8220;especialista em energia indústria naval e petróleo&#8221;</a>, enquanto o outro faz parte da &#8220;turma&#8221; da principal coluna do jornal e fala sobre &#8220;<a title="Blog do Besserman" href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/">Mundo, Brasil, Rio, Copacabana e aquecimento global&#8221;</a>.</p>
<p>Posso estar sendo rigoroso, não sei&#8230; O que vocês acham?</p>
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		<title>1989, vinte anos depois</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jan 2009 00:22:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
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		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[O que têm em comum as primeiras eleições diretas para presidente depois da ditadura militar, a queda do Muro de Berlim, o nascimento da web e o início da decadência da música brasileira? Tudo ocorreu em 1989. Sim, está na hora de darmos a esse ano a importância que ele merece dentro da linha do tempo da História.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px; width: 150px;" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/305166.jpg" alt="Foto do Massacre da Praça da Paz Celestial. Fonte: Centro de Mídia Independente" /> Além dos 220 anos da Revolução Francesa, dos 120 anos da proclamação da República, dos 40 anos da chegada do homem à Lua e dos meus 30 anos de idade, 2009 chega para lembrarmos 20 anos de 1989, o ano mais importante da História pós-1968. Quiçá, mais importante que o próprio 1968.</p>
<p>Todos os anos têm suas histórias inesquecíveis. Alguns deles abrigam pelo menos um acontecimento que é suficiente para torná-los imortais. 2001, por exemplo. Em outros casos, um conjunto de eventos, concatenados ou não, é capaz de transformar um ano comum em especial. As revoltas estudantis, a efervescência cultural e o embrutecimento da ditadura no Brasil marcaram 1968. A situação de 1989 é semelhante à dos dois exemplos citados. Mas o ano guarda uma característica singular que o grifa em qualquer enciclopédia de referências históricas.</p>
<p>1989 delimita o fim de uma era e o começo de outra. O período iniciado nos anos 90 trouxe profundas mudanças estéticas, percebidas na moda, na comunicação e no comportamento, mas que permanecem quase inalteradas até hoje. Sim, 2009 é muito diferente de 1998, quando os provedores cobravam pacotes de 40 horas mensais para acesso discado à internet e os telefones celulares tinham os apelidos de &#8220;tijolões&#8221;. Mas as inovações tecnológicas, o apego à velocidade informativa e o individualismo exacerbado já apontavam, há onze anos, as matizes do período contemporâneo. São iguais às de 2009, mas bem diferentes das que coloriam os anos 70 e 80, marcadas por outros valores culturais. Não foi à toa que, em 1989, o inglês Tim Berners-Lee apresentava os primeiros conceitos daquilo que seria a World Wide Web e dava início ao desenvolvimento da maior revolução tecnológica ocorrida nos últimos 20 anos.</p>
<p>Mas ao mesmo tempo em que simboliza um divisor de eras, por si só 1989 trouxe acontecimentos que romperam paradigmas. </p>
<p><strong><a title="Marcos históricos" href="./2">Continua&#8230;</a></strong></p>
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		<item>
		<title>O candidato progressista</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2008/10/27/o-candidato-progressista/</link>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 02:46:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[eduardo paes]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Então é isso: a esquerda diz que apóia Paes por ser sua candidatura &#8220;progressista&#8221;, diz que Gabeira é a opção &#8220;conservadora&#8221;, pelas alianças que fez (PSDB e PPS) e o prefeito eleito nomeia como seu primeiro secretário um quadro do&#8230; PSDB?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então é isso: a esquerda diz que apóia Paes por ser sua candidatura &#8220;progressista&#8221;, diz que Gabeira é a opção &#8220;conservadora&#8221;, pelas alianças que fez (PSDB e PPS) e o prefeito eleito <a href="http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2008/mat/2008/10/27/futuro_chefe_da_casa_civil_do_rio_pedro_paulo_diz_que_vai_rever_orcamento_de_2009-586134939.asp">nomeia como seu primeiro secretário</a> um quadro do&#8230; PSDB?</p>
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