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	<title>Butuca Ligada &#187; rio de janeiro</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Música, Rio, Legião Urbana, futebol e literatura</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 10:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei há pouco tempo a leitura de três livros (uma proeza inédita, deve ser a era de Aquarius). Em comum entre eles, a característica de coletânea. Dois, de artigos; um, de contos. Pitacos:</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Canções do Rio" src="http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/capa_livro_moutinho.jpg" alt="Capa do livro &quot;Canções do Rio&quot;" height="250" /><em>Canções do Rio</em> – organizado pelo amigo <a href="http://www.marcelomoutinho.com.br">Marcelo Moutinho</a>, reúne artigos sobre a presença da cidade do Rio no cancioneiro brasileiro. O time escalado ganha mole qualquer Brasileirão de cronistas: João Máximo, Sério Cabral, Nei Lopes, Ruy Castro, Hugo Sukman e Silvio Essinger, cada um abordando uma fase cronológica ou um (ou mais) estilo musical. Ler os textos é uma delícia, pois dá uma vontade enorme de ouvir todas as músicas citadas. E a absorção do livro continua após a leitura, uma vez que, na internet, é fácil achar as letras completas ou baixar as músicas e ouvi-las. O chato de<em> Canções do Rio</em> são algumas redundâncias e, principalmente, a concisão &#8211; compreensível &#8211; dos textos. Cada artigo começa  tentando defender alguma tese, mas no fim se revela superficial, dando um gostinho de quero mais. Como um despertador de novos estudos sobre a Cidade Maravilhosa como musa dos letristas, o livro funciona muito bem.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Como se não houvesse amanhã" src="http://colunas.g1.com.br/files/14/2010/03/livro_como_se_nao_houvesse.jpg" alt="Capa do livro &quot;Como se não houvesse amanhã&quot;" height="250" /><em>Como se não houvesse amanhã</em> &#8211; coletânea de contos inspirados em 20 canções da Legião Urbana, organizada por Henrique Rodrigues. Cada autor pôde escolher uma música e, no fim, todos os discos foram contemplados na obra. Em alguns casos, o contista usa a música como trilha sonora para uma história; em outros (maioria), a letra é recontada por meio de uma nova ação. Infelizmente, a diversidade incorreu não apenas na narrativa, mas na qualidade dos textos. Enquanto alguns se destacam pela criatividade e fuga do óbvio, como &#8220;Tempo perdido&#8221; (de Tatiana Salem Levy) e &#8220;Por enquanto&#8221; (de Renata Belmonte), outros pecam pela ingenuidade ou por serem meros exercícios de demonstração de riqueza vocabular. Em comum, entre todos, um cheiro de perda, dor e tristeza. Astros predominantes no universo de Renato Russo.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px;" title="Passe de Letra" src="http://www.kelps.com.br/leart/images/Passe-de-letra.jpg" alt="Capa do livro &quot;Passe de letra&quot;" height="250" /><em>Passe de letra</em> &#8211; compilação de crônicas escritas por Flávio Carneiro, professor de Literatura da Uerj, para coluna que ele manteve entre 2007 e 2008 no jornal literário Rascunho, de Curitiba. Mistura observações sobre o esporte bretão em muitos de seus aspectos com a experiência do autor como jogador de futebol, antes de optar pelo vestibular para a faculdade de Letras. O texto é sempre bem-humorado, repleto de situações cômicas, porém emocionante nos momentos mais sensíveis, como o texto em que o autor fala de sua escolha de Sofia entre o vestibular e a carreira esportiva. As narrativas, verdadeiros &#8220;causos&#8221; do futebol, são tão bem construídas que o leitor é capaz de questionar onde há verdade e onde há ficção &#8211; mas isso acaba sendo irrelevante. Pode agradar a quem curte o futebol mas não tem intimidade com a leitura, assim como pode ser prazeroso aos fãs de livros e têm repulsa pelo esporte mais popular do Brasil. Para quem gosta de futebol e literatura, é um deleite.</p>
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		<title>Motivos não faltam para os estádios vazios no Rio</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 02:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os dirigentes culpam a quantidade de times, o horário dos jogos e o preço dos ingressos (como se não fosse com eles, aliás...). Mas estas não são as únicas razões que afastam a torcida dos estádios no Campeonato Carioca de 2010. Tem também a preferência por outros campeonatos e a proibição das partidas dos grandes clubes em campos nos quais Fla, Flu, Bota e Vasco sempre jogaram. Enfim, que tal repensarmos o Estadual?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Maracanã vazio para Flamengo x Madureira, na fria noite de 03/03/2010" src="http://www.fimdejogo.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/03/maracan2.jpg" alt="" width="400" height="242" /></p>
<div class="legenda" style="text-align: center;">Maracanã vazio para Flamengo x Madureira, na fria noite de 03/03/2010. Foto: <a title="Fim de Jogo" href="http://www.fimdejogo.com.br">Fim de Jogo</a></div>
<p>Há anos eu digo que o Estadual do Rio é uma chatice, mas achava que minha voz se perdia no clamor das multidões, pois eu via meus amigos bem empolgados. Parece, entretanto, que as coisas estão mudando. Em duas rodadas da Taça Rio, apenas 15.784 cidadãos pagaram para ver os jogos de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. O desprezo do torcedor é tão grande que o time de São Januário não conseguiu levar sequer mil pessoas a cada uma de suas duas partidas.</p>
<p>É fácil atribuir o desinteresse do torcedor a preços dos ingressos, horário dos jogos e má qualidade das partidas. Mas, será que elas influenciam mesmo? Não haveria outros motivos, mais profundos, que passam despercebidos e que  contribuem para os baixos números?</p>
<p>Além disso, será que a média de público do Carioca, em 2010, está muito abaixo das médias dos anos anteriores? Os números deste ano chamam mesmo a atenção, mas nunca jogos do tipo Fluminense x Bonsucesso ou Flamengo x América de Três Rios bombavam tanto assim. Procurei por estes números na internet e não consegui. Enfim, é importante descobrir se este campeonato de 2010 é um fracasso de bilheteria mesmo ou se nunca percebemos isso nos outros anos.</p>
<p>De qualquer forma, vamos listar e analisar algumas possíveis razões para a atual baixa frequência nos estádios?</p>
<p><strong>Preços dos ingressos: </strong>realmente pagar R$ 30 pra ver Flamengo x Madureira numa quarta-feira fria, às 22h, com transmissão pela Globo, não parece ser uma atitude sensata. Com certeza o preço está alto para a qualidade apresentada pelo campeão brasileiro e pelo tricolor suburbano. Mas&#8230; diminuir o preço atrairia mais gente? Quantos incautos iriam ao Maracanã ver essa pelada se o ingresso fosse R$ 10? <a title="O tamanho do preju" href="http://sobreflamengo.blogspot.com/2010/03/o-tamanho-do-preju.html">O público a mais salvaria o Flamengo do prejuízo de R$ 41 mil, mandante do jogo?</a> Dirigentes acusam a meia-entrada de ser a vilã: &#8220;Quando se fala em R$ 30, na verdade seria R$ 15. Quando se fala em R$ 40, seria R$ 20&#8243;, <a title="Clubes aumentam valor dos ingressos das partidas do Campeonato Carioca" href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Campeonato_Carioca/0,,MUL1440103-9835,00-CLUBES+AUMENTAM+VALOR+DOS+INGRESSOS+DAS+PARTIDAS+DO+CAMPEONATO+CARIOCA.html">disse o assessor do Fluminense, em reunião no início do ano</a>. Bem, dobrar os preços mostrou não ser uma estratégia lucrativa. Está na hora de repensá-la. Mas o preço dos ingressos está intimamente ligado com o problema do&#8230;</p>
<p><strong>Horário dos jogos: </strong>não bastassem as partidas às 22h no meio de semana por causa da Globo, também inventaram jogos às 19h30min de domingo, dia em que as cidades estão mais desertas e, claro, mais perigosas. E quem vai trocar a a night por um jogo no sábado à noite?  Logo, horários esquisitos e preços proibitivos são medidas perfeitas para afastar o público dos estádios. Ainda mais que, agora, os torcedores podem assistir os jogos pelo&#8230;</p>
<p><strong>Pay-per-view: </strong>o aumento da oferta de jogos pela TV, mesmo que pagos, está mudando os hábitos dos torcedores. Afinal, o preço do ingresso dos jogos é quase igual ao da mensalidade do PPV, que garante a transmissão de todas as partidas dos quatro grandes. E esta, sim, é uma novidade em relação aos torneios de dez, quinze anos atrás. Somado aos fatores anteriores, o pay-per-view contribui para o desinteresse dos cariocas pelo campeonato.</p>
<p><strong>Preferência por outros campeonatos: </strong> lembro-me do Telê, no início de 1992, reclamando da participação do SPFC na Libertadores daquele ano, dizendo que o torneio era violento, desorganizado etc. A decisão do título,  entre São Paulo e Newell&#8217;s Old Boys, foi transmitida pela finada Rede OM, obscuro canal de TV nascido naquele ano. Hoje, que emissora ou clube é louca de desprezar a disputa da Libertadores da América? O aumento da visibilidade da competição sul-americana modificou os interesses dos torcedores, que agora sonham mais alto e não se contentam com um Estadual. O Brasileiro também ganhou muito mais importância. Criado em 1971, ainda era novo e &#8220;estranho&#8221; para quem nasceu nos anos 50 e estava acostumado com os grandes jogos dos Estaduais. Hoje, uma nova geração se formou assistindo ao Brasileirão, que se tornou o principal objeto de desejo dessa torcida. Além disso, rivalidades interestaduais se intensificaram, tornando jogos como Flamengo x São Paulo ou Fluminense x Corinthians bem atraentes.  E a Copa do Brasil, &#8220;o caminho mais rápido para a Libertadores&#8221;, também ficou com mais destaque. Além disso, a crescente exposição do futebol europeu atrai muito os jovens, que cada vez mais se interessam por Barcelona, Manchester e Milan e menos se preocupam com jogos com Tigres, Boavista e outras potências mundiais. Logo, o Estadual fica relegado a segundo, terceiro plano.</p>
<p><strong>Quantidade de times: </strong>a participação de 16 clubes neste campeonato é injustificável. Mas este não é necessariamente a maior razão para a fuga da torcida. <a title="RSSSF Brasil" href="http://www.rsssfbrasil.com/historicse.htm#rj">Fiz uma pesquisa rápida em outros campeonatos cariocas</a>. Em 1991, participaram 14 clubes (na verdade eram 24, mas, graças a formuletas estapafúrdias de épocas que, ufa, ficaram pra trás, só 14 tinham realmente chance de ser campeão, na prática). Em 1995, foram 16. Em 1999, chegamos a 10, um total bem razoável. Em 2004, quando o atual formato foi implementado, foram 12. Vê-se que o total de 16 não está muito acima da média dos Estaduais do Rio. Logo, resolver só este problema não vai melhorar muito a questão do público.</p>
<p><strong>Mau aproveitamento dos estádios: </strong>não faz muito tempo que Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense jogavam em Edson Passos, em Moça Bonita, no Conselheiro Galvão, na Rua Bariri, no Godofredo Cruz, em Nova Friburgo, em Bacaxá&#8230; A ida dos times a bairros mais distantes ou a outras cidades atraíam os torcedores locais, que ajudavam a dar um incremento na renda e no público dos jogos, até em horários mais &#8220;alternativos&#8221;. A proibição de partidas nestes estádios pode ser salutar em termos de segurança, mas, em contrapartida, tira dos moradores dessas regiões a possibilidade de ver seu time. Uma revisão dessa medida pode aumentar um pouco a frequência aos estádios no Estado do Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>Má qualidade dos times: </strong>isso<strong> </strong>é manjado, mas é verdadeiro. Vendemos nossos melhores jogadores, cada vez mais cedo, e ficamos, no Brasil, com a raspa da panela. Logo, se os grandes clubes já não apresentam valores de verdade, imagine os times pequenos. Os confrontos se tornam desinteressantes. Não à toa, desde 2007 que o campeonato é sempre disputado por dois grandes clubes (por acaso os mesmos, até agora). E há mais de 40 anos o título se alterna entre os quatro.</p>
<p><strong>Expectativa grande: </strong>e  se, na verdade, a média do público até agora é bem semelhante à dos outros anos, e só estamos percebendo o fracasso porque a esperança de um belo futebol pelos grandes clubes era alta? Flamengo campeão brasileiro, Fluminense em recuperação brilhante, Vasco em lua de mel com a torcida&#8230; (Curiosamente, o Botafogo, que teve mais problemas após o Brasileiro &#8211; seu melhor jogador suspenso por doping, goleada para rival por 6 a 0 em casa -, foi o campeão da Taça GB). A presença do público não correspondeu a essa expectativa e, por isso, fica a sensação de fracasso do campeonato.</p>
<p>Portanto, não basta <a title="Dirigentes dos grandes culpam preço dos ingressos por público baixo na Taça Rio" href="http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Campeonato_Carioca/0,,MUL1517912-9835,00.html">os dirigentes acharem que o preço e o horário são os principais problemas do campeonato</a> (cara de pau, aliás). Se querem manter o Cariocão, é preciso identificar outros fatores que afastam a torcida e tentar minimizá-los. Mas seria fundamental perguntar aos cariocas, também, se o campeonato continua sendo tão importante assim. Será que nos surpreenderemos com a resposta?</p>
<p><strong>E você, o que acha que está contribuindo para a baixa frequência dos torcedores no campeonato? Será que sempre foi assim?</strong></p>
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		<title>Xixi na rua: quais são as soluções?</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2010/02/21/xixi-na-rua-quais-sao-as-solucoes/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 15:45:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A polêmica do carnaval carioca foi o combate aos mijões: quem era pego urinando a céu aberto era encaminhado à delegacia. Para evitar o constrangimento, os foliões só tinham como opção os banheiros químicos, que se revelaram poucos e insalubres. Como, então, satisfazer a necessidade sem precisar cometer a barbaridade de fazer xixi na rua?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabou o carnaval, agora começa o ano, piriri pororó. Ficou apenas a polêmica, aqui no Rio, do xixi na rua. Pela primeira vez, quem foi pego urinando a céu aberto &#8211; fosse homem ou mulher &#8211; foi levado à delegacia e indiciado por ato obsceno. Para suprir as necessidades do povo nos blocos, a Prefeitura instalou 4.520 banheiros químicos. A quantidade foi insuficiente: era uma cabine, em média, para 550 foliões. Além disso, uma queixa recorrente foi a péssima manutenção dos banheiros, segundo a população, e<a title="Secretaria admite falha na manutenção de banheiros químicos no carnaval" href="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1494725-5606,00-SECRETARIA+ADMITE+FALHA+NA+MANUTENCAO+DE+BANHEIROS+QUIMICOS+NO+CARNAVAL.html"> assumida pela prefeitura</a>. Assim, coube a todos saberem como lidar com o xixi enfrentando um interessante dilema:  ou aguardavam em filas enormes para entrar numa cabine fétida e insalubre ou corria o risco de pular carnaval em delegacia.</p>
<p>Uma coisa é certa: fazer xixi na rua é coisa de bárbaro. Conheço alguns turistas que declararam que a cidade é bonita, coisa e tal, mas fede. Juro que nunca tinha ouvido essa reclamação sobre o Rio. Já devemos, infelizmente, estar acostumados a viver nesse ambiente mal cheiroso. Por isso, não posso concordar nem um pouco com a sugestão do meu xará Raphael Crespo, <a title="Free Xixi!" href="http://raphaelcrespo.posterous.com/free-xixi">liberar o xixi na rua e deixar que a Comlurb resolve</a>. Por outro lado, é óbvio que a solução não se limita a aumentar a quantidade de banheiros químicos, mas inclui a correta distribuição deles pela cidade e pela manutenção permanente das cabines.</p>
<p>Por curiosidade, conversei com duas amigas minhas que moram ou moraram na Alemanha e na Inglaterra, duas nações que têm, no imaginário de qualquer um, muita proximidade com festas e bebidas. Perguntei a elas como é tratada a questão do xixi na rua. As respostas delas:</p>
<hr /><strong>Alemanha:<span style="font-weight: normal;"><em> é proibido também. Se não me engano a multa é de 35 euros. Mas tem vários fatores que conspiram a favor do não mijar na rua:</em></span></strong></p>
<p><em>1) oficialmente, um bar, ou restaurante, não pode negar o uso dos banheiros. Durante eventos, muitos cobram 50 centavos pelo uso.</em></p>
<p><em><span style="font-style: normal;"><em>2) os banheiros públicos (estações de metrô, por exemplo) têm até papel higiênico!</em></span></em></p>
<p><em>3) no frio, tirar o pingolim, encontrá-lo, e conseguir mijar sem molhar as várias camadas de roupa, é quase impossível para quem não tiver dote à la John Holmes. <img src='http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </em></p>
<p><em><span style="font-style: normal;"><em>Óbvio que já vi nego mijando na rua. Principalmente durante grandes eventos. Mas há outra opção aos banheiros químicos podres (pelo menos pros homens):</em></span></em></p>
<p><em><span style="font-style: normal;"><em><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2010/02/urinoir-2-large.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2589" title="urinoir-2-large" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2010/02/urinoir-2-large-199x300.jpg" alt="" width="199" height="300" /></a><br />
</em></span></em></p>
<p>(Comentário meu: este é o modelo que a prefeitura pensa em importar para cá no ano que vem.)</p>
<hr /><strong>Inglaterra:<em> <span style="font-weight: normal;">há</span></em><span style="font-weight: normal;"><em> os banheiros portáteis tipo Dav-Lav. Vários deles enfileirados, quando há eventos. Usá-los é gratuito. Há tambem os banheiros públicos permanentes, que custam 20 pence/centavos para usar. São casinhas que ficam praticamente no meio de calçadas, vc bota a moeda e entra. Tem pia e papel e sabonete líquido. É +ou- como banhero de avião, mas não tão apertado.</em></span></strong></p>
<p><em>Tem tambem banheiro gratuito e limpo nas estações de metrô e trem. Tem papel higiênico, papel toalha,sabonete, espelho, bandeja de trocar fraldas. Mas vale lembrar que no Reino Unido o transporte não é privatizado.</em></p>
<p><em>Aqui em Singapura há uns banheiros subsolo, com gente na porta recebendo as moedas (20cents). Fede, nunca entrei.</em></p>
<p><em>Ah, e  no Reino Unido os restaurantes/cafés/fast-food que não estão em shopping têm que ter banheiro público e limpo.  E por lei, se vc entrar em qualquer comércio eles têm que te deixar usar o banheiro, se vc pedir.</em></p>
<hr />Ao que parece há naturalmente  mais e melhores opções na Europa para quem na rua fica apertado. No Rio, sinto falta de banheiros públicos mesmo fora do carnaval. Muitas casas comerciais, por aqui, simpaticamente trancam os banheiros e avisam que o uso deles é exclusivo para quem consome na casa. Mesmo quando isso não acontece, a situação só piora no carnaval, pois a maioria do comércio está fechada.</p>
<p>Enfim, acho que saídas não faltam. Acredito numa combinação sadia de festa com civilidade. É preciso experimentar soluções possíveis, mesmo que uma definitiva só apareça daqui a alguns anos. O importante é que, enfim, foi iniciada uma campanha de combate a essa praga que é urinar na rua. Ajuda a conscientizar. Mas a prefeitura também precisa melhorar a oferta dos banheiros.</p>
<p><strong>E qual a sua sugestão?</strong></p>
<p><em>P.S. Pensei em recomendar às pessoas fazer xixi em casa, pô. Mas posso estar sendo injusto, pois não conheço as propriedades diuréticas do álcool. <img src='http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O problema não é o metrô, é tudo!</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 00:36:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[transportes]]></category>
		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o perdão do termo, hoje foi foda. Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o perdão do termo, hoje foi foda.</p>
<p>Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in Rio, informava que uma composição avariada na estação Flamengo causava irregularidade nos intervalos. De fato, meu trem, sentido zona sul, demorou bem mais que o normal, assim como estava mais cheio do que de costume.</p>
<p>Ao passar pela estação do Catete, notei que as plataformas no sentido contrário (zona norte) estavam abarrotadas, chegando ao ápice da lotação no Largo do Machado, parada seguinte. O mais bizarro foi ouvir uma gritaria e perceber que ela vinha de um trem que saía lentamente da estação, no sentido zona norte, todo escuro e com gente dentro (?!?!). Pra completar o surrealismo do momento, o alto-falante do meu trem ecoava um homem gritando, em certo tom de desespero, &#8220;SIGILO! SIGILO!&#8221;.</p>
<p>Em Botafogo, meu destino, a situação da Carioca se repetia e filas enormes se formavam diante das catracas. Algo perto do caos.</p>
<p>Registrei mais ou menos no Twitter tudo que aconteceu &#8211; com algum delay, pois é Claro (<strong>com trocadilhos, por favor</strong>) que não consegui acessar o programinha dentro do metrô.</p>
<div style="text-align:center"><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/12/twitter_metro.jpg"><img class="size-medium wp-image-2553" title="twitter_metro" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/12/twitter_metro-257x300.jpg" alt="Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009" width="257" height="300" /></a></p>
<div class="legenda">Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009 (clique para ver em tamanho normal)</div>
</div>
<p>Já recebi comentários dizendo que não houve problema algum na estação Flamengo. Alguns também lembraram que hoje houve a inauguração da estação General Osório e da conexão Pavuna-Botafogo, com a presença do presidente Lula (aliás, é o fim da picada que o presidente da República venha inaugurar UMA estação de metrô numa cidade como o Rio de Janeiro). Enfim, não tenho a menor ideia do que está acontecendo pra um sistema de transporte que era bonzinho ter se tornado decadente tão depressa.</p>
<p><a title="Segunda-feira tem boicote ao metrô. Falta agora uns aos ônibus, trens e barcas" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/11/29/segunda-feira-tem-boicote-ao-metro-falta-aos-onibus-trens-e-barcas/">Já tratei deste problema há quase um mês, quando foi proposto um boicote ao metrô</a>. As razões da queda da qualidade permanecem obscuras. O Metrô, ao menos,<a title="Após dois dias seguidos de problemas técnicos, diretor do metrô admite que sistema está perto do limite e pede paciência" href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/12/18/apos-dois-dias-seguidos-de-problemas-tecnicos-diretor-do-metro-admite-que-sistema-esta-perto-do-limite-pede-paciencia-915285956.asp"> assume que opera &#8220;no limite&#8221;</a>. Mas vou lançar uma hipótese aqui. A descrição dela vai ser simples; sua existência, porém, é complexa.</p>
<p>Se o metrô diz que opera no limite, então houve um aumento do número de passageiros de uns tempos pra cá. Seria um reflexo de uma suposta superpopulação carioca? Não creio. Lembram-se quando <a title="Por que o preço dos imóveis na Zona Sul aumentou tanto?" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/11/23/por-que-o-preco-dos-imoveis-na-zona-sul-aumentou-tanto/">questionei a inflação descabida dos preços dos imóveis na zona sul</a>? No bom debate que lá rolou, uma das possíveis conclusões foi a demanda maior por casas e apartamentos em bairros próximos ao metrô. Esta procura seria motivada pela vontade do cidadão em passar longe do trânsito cada vez mais caótico do Rio de Janeiro. Com ar condicionado, intervalos pequenos entre um trem e outro e imunidade a engarrafamentos, o metrô parecia ser uma ótima alternativa à convivência com motoristas (tanto de automóveis quanto de ônibus) loucos e mal-educados.</p>
<p>Mas os investimentos do metrô não acompanharam o crescimento da demanda e, agora, estamos perto da saturação. É preciso, sim, que a companhia aplique mais recursos no sistema. Mas é preciso também repensar todo o sistema de tráfego da cidade do Rio de Janeiro. Não dá mais para conviver com automóveis que fecham cruzamentos e desrespeitam sinais, nem com ônibus que vivem lotados e conduzidos por motoristas sádicos. A saturação, na verdade, não é do metrô. É de todo o transporte na cidade.</p>
<p>Os agentes envolvidos são muitos: governo, empresas de transportes e toda a heterogênea população do Rio de Janeiro. Reacomodar esse intrincado e desequilibrado fluxo de forças não é nada fácil. A solução passa por um conjunto de medidas, como rigor na punição a motoristas que burlam as leis de trânsito, maior fiscalização e regulação das concessões de ônibus, trens, barcas e metrô e estímulo a meios alternativos, como as bicicletas. Se reduzirmos o estresse das enervantes viagens via transporte público ou particular, a demanda pelo serviço poderá ser mais equilibrada, e as pessoas poderão escolher entre ônibus, metrô ou trem pelo que for mais confortável, e não pelo menos pior.</p>
<p>Estamos à beira da Copa, das Olimpíadas e, ao mesmo tempo, do colapso do trânsito carioca. Se nada for feito, aposto dois tostões que, em poucos anos, este se tornará o maior problema do Rio de Janeiro, superando a segurança e equiparando-se à saúde.</p>
<p><em>P.S. Espero que compreendam a diferença do tom entre o que foi publicado no Twitter, durante os problemas, e o que está escrito aqui no blog, horas depois, de banho tomado e cuca fresca. Não pretendo iniciar um novo boicote ao metrô, prefiro dar uma chance às novidades que entrarão em vigor amanhã. Mas não retiro o que disse. </em></p>
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		<title>Matemática dá o ar do mistério na venda de ingressos no futebol carioca</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 12:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro. Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens. O primeiro parágrafo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro.</p>
<p>Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens.</p>
<p>O primeiro parágrafo <a href="http://oglobo.globo.com/esportes/brasileiro2009/mat/2009/12/02/com-tumulto-ingressos-para-jogo-do-flamengo-contra-gremio-esgotam-se-rapidamente-915013988.asp">desta reportagem</a> já informa: &#8220;os seis mil ingressos (&#8230;) se esgotaram em uma hora e meia&#8221;.</p>
<p>Seis mil ingressos em 90 minutos = 66 ingressos por minuto.</p>
<p>As entradas eram vendidas apenas em uma bilheteria. Quantos guichês estavam abertos? Vamos chutar um número BEM alto: dez. Então cada guichê vendeu 6 ingressos por minuto.</p>
<p>Cada pessoa só poderia comprar 2 ingressos. Logo, cada guichê atendeu, em média, uma pessoa a cada 20 segundos.</p>
<p>Alguém acha isso razoável? Fila gigantesca, um aperto horroroso, a necessidade eventual de troco, guichê apertado&#8230; e um atendimento médio de <strong>uma pessoa por 20 segundos</strong>?</p>
<p>Que tal entrevistas com presidentes do Flamengo, da Suderj, da Ferj, da CBF, com o chefe da Polícia, o escambau? Todo mundo que estiver envolvido na negociata. É só apresentar esses números e exigir esclarecimentos sobre essa BAGUNÇA que é comprar ingressos pra jogo decisivo aqui no Rio de Janeiro. E não me venham com papinho de que isso só acontece quando o jogo é do Flamengo, <a href="http://www.butucaligada.com.br/2008/06/25/ingressos-esgotados-voce-tricolor-esta-com-o-seu/">pois há um ano os tricolores passaram por perrengue igual</a>.</p>
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		<title>Segunda-feira tem boicote ao metrô. Falta agora um aos ônibus, trens e barcas</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 01:33:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tá tudo dominado no transporte público do Rio de Janeiro. Difícil achar algum sistema que não mereça um protesto qualquer dos cidadãos cariocas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align:center"><a href="http://www.flickr.com/photos/ranieriribeiro/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3212/3110849172_c123405062_o.jpg" alt="Vista aérea do Rio de Janeiro" width="400" /></a></p>
<div class="legenda">Daqui a pouco, pra andar no Rio só de avião. E olhe lá&#8230;<br />
Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/ranieriribeiro/">Flickr de Ranieri Ribeiro</a></div>
</div>
<p>Sábado, 28, novela das seis, <em>Cama de Gato</em>. O personagem de Marcos Palmeira vê um rapaz surdo atravessando a rua, distraído, prestes a ser atropelado por um ônibus. Intrépido, nosso herói corre, se atira sobre o garoto e o salva da tragédia. O ônibus freia e, ligeiramente, o motorista sai do coletivo correndo, preocupado com o menino (veja a <a title="Novela Cama de Gato - 28/11/2009" href="http://www.youtube.com/watch?v=bGCwW5PdVBE">cena</a>).</p>
<p>As cores do veículo e a linha do ônibus (571, Glória-Leblon) não deixavam dúvidas: o episódio é no Rio de Janeiro. O que torna a situação extremamente improvável. Na boa, você, amigo(a) carioca, consegue imaginar um motorista de ônibus, no Rio, prestativo e aflito com um garoto que ele quase atropelou? Na melhor das hipóteses, o condutor partiria em disparada. Digo <em>melhor</em> porque, infelizmente, o mais crível mesmo seria o motorista gritar um &#8220;Ô FILHO DA P**A, NÃO VÊ POR ONDE ANDA, NÃO?&#8221;. Isso no mínimo, é claro. Ou alguém duvida?</p>
<p>Os ônibus cariocas são tristes. Ou melhor, todo o sistema de transporte rodoviário da cidade. A distribuição das linhas é totalmente equivocada, deixando veículos vazios em ruas entupidas de coletivos, em contraponto com duas ou três únicas opções de ônibus em alguns bairros e que andam sempre lotados. Os motoristas são extremamente indelicados e mal treinados, os veículos caem aos pedaços e as infrações de trânsito são numerosas. E, mesmo com todas essas qualidades de primeiro mundo, as empresas de ônibus correm o risco de, involuntariamente, lucrarem um pouco mais nesta segunda-feira, quando está previsto um <a title=" Notícias » Brasil » Brasil  Usuários do metrô do Rio organizam boicote pela web" href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4124877-EI8139,00-Usuarios+do+metro+do+Rio+organizam+boicote+pela+web.html">boicote ao metrô do Rio de Janeiro</a>.</p>
<p>Já circula há poucos dias na internet uma convocação para este protesto. Quem a leu e usa o metrô entendeu automaticamente as razões. Afinal, faz semanas que os trens demoram mais que o habitual, param no meio do caminho durante minutos e circulam bem mais cheios, com problemas no ar condicionado. E olha que uso o metrô no trecho mais &#8220;tranquilo&#8221; (Centro &#8211; Zona Sul). Tenho até medo de imaginar a situação de quem usa a Linha 1 no trajeto Centro-Zona Norte e, pior, a Linha 2, tradicionalmente tratada como curral de gado, a quem são destinados trens menores e atrasos maiores.</p>
<p>Acho o boicote uma boa ideia. Se o objetivo é reclamar dos serviços de uma empresa, sou a favor de qualquer protesto pacífico e massivo que gere prejuízo à companhia, mesmo que este afete apenas 1/30 do faturamento mensal. Entretanto, lamento que a iniciativa favoreça os ônibus, que serão com certeza a primeira alternativa de quem aderir ao protesto amanhã. Aposto também que muitos deixarão de participar exatamente porque a outra opção são os coletivos rodoviários.</p>
<p>O metrô do Rio ainda é MUITO melhor que os ônibus, e eu teria mais prazer em fazer parte de um protesto contra os veículos de superfície. Mas como cidadãos precisamos exigir mais respeito, sim, do metrô. E não falo somente por causa do serviço ruim, mas também da comunicação totalmente equivocada da empresa.</p>
<p>Há semanas vejo muitas pessoas se queixarem, a imprensa cobrir essas manifestações, o Twitter (onde a empresa tem perfil) bombar em reclamações&#8230; E o que o Metrô faz? Solta <a title="Comunicado do Metrô Rio" href="http://www.metrorio.com.br/melhorias.htm">um comunicado ambíguo</a>, em que põe a culpa nos governos anteriores e divulga os investimentos na abertura de estações e na compra de trens, que vão melhorar a vida de milhões de passageiros, piriri pororó. Acontece que as pessoas não acham que o serviço sempre foi ruim, e sim que ele piorou de uns tempos pra cá. E o texto não traz nenhuma justificativa para o agravamento, tampouco um pedido de desculpas. O teor do comunicado se repete em anúncio pago no <em>Globo</em> de hoje. Ora, Metrô, desfaçatez, além de irritar o cidadão, é motivo de sobra para qualquer protesto.</p>
<p>Mas a verdade é que, no sistema de transportes do Rio, <em>tá tudo dominado</em>. Do metrô e dos ônibus posso falar por experiência própria. Não posso comentar os outros veículos, mas acho que nem preciso, né? É notório que <a title="Flagrante de agressão de agentes da SuperVia a passageiros de trens" href="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1085543-5606,00-IMAGENS+FLAGRAM+AGENTES+DA+SUPERVIA+AGREDINDO+PASSAGEIROS+DE+TRENS.html">passageiro de trem corre risco de levar chicotada</a>, assim como <a title="Policiais contêm quebra-quebra em estação de barcas no centro do Rio" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u548181.shtml">o serviço das barcas Ri0-Niterói deve ser ruim o bastante para enfurecer passageiros e promover um quebra-quebra na estação da Praça 15</a>. Pergunto se a comissão do Comitê Olímpico Internacional que visitou a cidade utilizou algum transporte público.</p>
<p>Torço para que o boicote desta segunda tenha adesões suficientes para causar calafrios nos executivos do Metrô Rio. Mas todos poderíamos pensar em protesto contra os maus serviços dos ônibus, trens e barcas do Rio de Janeiro. O problema é que o grau de dependência da população é tão alto que fica impraticável deixar de usá-los por um dia que seja. Mesmo assim, acredito que uma módica dose de sacrifício individual pode gerar um &#8220;MELHORA ISSO AÊ&#8221; coletivo, ruidoso e eloquente para as empresas que cuidam do transporte público carioca. Também podemos pensar em outras formas de protesto, para além do boicote.</p>
<p>Mas quais?</p>
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		<title>Pautei o Globo! Pautei o Globo!</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 13:29:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Viram o post abaixo? É de terça-feira, 24. Vejam agora a reportagem &#8220;Pontos de ônibus sem sinalização confundem passageiros&#8221;, publicada no Globo deste domingo, 29. Embora não tenha falado de Copacabana, a matéria revela que o problema é geral e traz declarações da Prefeitura. Ótimo, pois amplia o debate sobre o assunto e ajuda a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Viram o post abaixo? É de terça-feira, 24.</p>
<p>Vejam agora a reportagem <a href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/28/pontos-de-onibus-sem-sinalizacao-confundem-passageiros-914970986.asp">&#8220;Pontos de ônibus sem sinalização confundem passageiros&#8221;</a>, publicada no <em>Globo </em>deste domingo, 29.</p>
<p>Embora não tenha falado de Copacabana, a matéria revela que o problema é geral e traz declarações da Prefeitura. Ótimo, pois amplia o debate sobre o assunto e ajuda a entendê-lo. Além disso, o jornal orienta os leitores a denunciar o problema em qualquer lugar da cidade.</p>
<p>Tudo pra dizer: bola dentro do <em>Globo</em>.</p>
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		<title>Copacabana, a princesinha dos ônibus</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Nov 2009 02:27:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[A Avenida Nossa Senhora de Copacabana, localizada em cidade e bairro óbvios, é conhecida pelo grande número de lojas, pela longa extensão e pela quantidade exagerada de linhas de ônibus que passam por ela. Para organizar um pouco esse caos viário, em cada ponto de ônibus só pode parar um determinado grupo de linhas. Se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Avenida Nossa Senhora de Copacabana, localizada em cidade e bairro óbvios, é conhecida pelo grande número de lojas, pela longa extensão e pela quantidade exagerada de linhas de ônibus que passam por ela.</p>
<p>Para organizar um pouco esse caos viário, em cada ponto de ônibus só pode parar um determinado grupo de linhas. Se cada parada reunisse os passageiros para todos os veículos disponíveis, teríamos multidões paradas nas calçadas. Logo, a ideia, que é praticada há muito tempo, é boa e tem todo meu apoio.</p>
<p><strong>Só falta agora a Prefeitura colocar placas indicando quais são as linhas que param em cada ponto</strong>. Evitaria que o passageiro (tipo eu) pagasse o mico de fazer sinal e sentir só o ventinho do desprezo do ônibus passando direto.</p>
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		<title>Por que o preço dos imóveis na Zona Sul aumentou tanto?</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 11:42:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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		<description><![CDATA[Vista aérea de Botafogo, pelo jeito um sonho de consumo ampliado em mais de 50% desde o início do ano. Fonte: Flickr de Andreas Nilsson Já estava querendo escrever sobre isso há muito tempo, e reportagem do caderno Morar Bem, do Globo de hoje, me deu o ânimo que precisava pra largar a preguiça e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center"><img title="Vista aérea de Botafogo" src="http://farm1.static.flickr.com/128/375283159_d00a249d4a.jpg" alt="Vista aérea de Botafogo - Rio de Janeiro" width="400" /></div>
<div style="text-align: center">
<div class="legenda">Vista aérea de Botafogo, pelo jeito um sonho de consumo ampliado em mais de 50% desde o início do ano. Fonte: <a title="Perfil de Andreas Nilsson no Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/andreasnilsson1976/">Flickr de Andreas Nilsson</a></div>
</div>
<p>Já estava querendo escrever sobre isso há muito tempo, e reportagem do caderno <em>Morar Bem</em>, do <em>Globo</em> de hoje, me deu o ânimo que precisava pra largar a preguiça e abrir o editor de posts do <strong>Butuca</strong>. A matéria <a href="http://oglobo.globo.com/economia/morarbem/mat/2009/11/21/proprietarios-nao-seguem-contratos-que-em-sua-maioria-sao-regidos-pelo-igp-m-914869026.asp">&#8220;Queda do IGP-M não reduz aluguéis&#8221;</a> fala sobre a resistência dos donos de imóveis em baixar o que cobram dos inquilinos, em função do acúmulo negativo do indexador.</p>
<p>Não vou discutir aqui exatamente o tema central da reportagem, mas sim aproveitar dois trechos para puxar outro assunto:</p>
<blockquote><p>&#8220;- No panorama atual, quem mora numa casa ou apartamento alugado e pretende ou precisa se mudar para outro, dificilmente consegue arrumar um imóvel com o mesmo valor de aluguel. De outubro de 2008 até agora, a procura por locação cresceu 36,2%. A demanda, por sua vez, caiu 15%.&#8221; (a declaração é de Rogério Quintanilha, gerente-geral da Administradora Apsa)</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8220;Apesar das quedas acumuladas pelo IGP-M, os aluguéis vêm registrando altas consecutivas em 2009. Botafogo, por exemplo, teve uma variação média de 54,01% de janeiro a outubro, segundo informações do Secovi-Rio [representante legal dos Condomínios, Administradoras e Imobiliárias do Rio de Janeiro]. Mas há aumentos ainda maiores, como é o caso de Ipanema (70,32%), Lagoa (69,08%) e Leblon (68,59%).&#8221;</p></blockquote>
<p>O primeiro impulso ao ver os números é concluir: &#8220;ah, mas a gente tá falando de lugares muito valorizados&#8221;. De fato. Mas esta diferença deveria resultar em somente preços mais altos nestes bairros (falo de Ipanema, Lagoa e Leblon, bem mais caros do que Botafogo) do que em outras localidades cariocas, e não em uma duplicação de valor em menos de um ano.</p>
<p>Senti na pele esse aumento. Morador de Botafogo, eu tive que me mudar há três meses e, procurando imóveis em bairros como Flamengo, Catete, Copacabana e o próprio Botafogo, reparei facinho que o valor dos aluguéis cresceu demais. Conheço gente que também não está conseguindo encontrar um quarto e sala decente na mesma região. Os aluguéis estão cerca de 40% mais caros do que em 2006, quando desbravei minha última epopeia atrás de apartamento. Vale lembrar que, desde então, dificilmente um cidadão obteve um aumento desta proporção em sua renda. Logo, o impacto do preço do aluguel é muito maior no orçamento hoje do que há três anos.</p>
<p>A reportagem não fala em compra e venda, mas o problema afeta também quem pretende adquirir uma casa própria. Pesquisei o valor de imóveis nos bairros já citados e os preços estão beirando o abusivo. Tenho, ainda, pelo menos três amigas que vinham tendo muitas dificuldades em encontrar apartamentos a preços razoáveis. Uma conseguiu, depois de muita pesquisa. As outras duas simplesmente desistiram.</p>
<p>Enfim, o que está gerando essa inflação imobiliária na Zona Sul? Já se falou em aumento da demanda. Mas não haveria também uma decisão bem consciente dos proprietários de apartamentos?</p>
<p>A matéria chuta alguns possíveis motivos para essa explosão nos preços dos aluguéis &#8211; e, de quebra, dos valores de compra dos imóveis. As frases são do vice-presidente da Secovi-Rio, Manoel Maia:</p>
<blockquote><p>&#8220;O Rio vive um bom momento, a reboque dos investimentos anunciados para a Copa e as Olimpíadas. Isso já se reflete no mercado de locação&#8221;</p>
<p>&#8220;Com a reativação da economia, houve uma grande valorização do aluguel. E a demanda cresceu no mesmo ritmo, ou seja, o panorama não é nada favorável à diminuição do aluguel. Hoje, há fila de espera de clientes em busca de um dois-quartos em bairros como Botafogo, Flamengo e Laranjeiras.</p></blockquote>
<p>Até acredito na influência da reativação da economia. Melhoria na renda, mais consumo, estímulo a conseguir um imóvel melhor etc. Agora,  Copa e Olimpíada? <strong>Fala sério.</strong> Por que haveria uma movimentação tão intensa em direção à Zona Sul só porque o Brasil vai sediar Copa e Olimpíada daqui a, no mínimo, QUATRO anos? Não, não consigo acreditar nesta hipótese. É muito mais plausível crer que <strong>há um movimento de divulgar a valorização da cidade em função da escolha do Rio para sede dos dois grandes eventos e que busca justificar o aumento dos imóveis</strong>. Mas duvido que, em tão pouco tempo, tenha havido uma procura desenfreada por novos lares perto das mais famosas praias do Rio e que justifique aumentos de mais de 50% nos preços dos aluguéis e dos apartamentos.</p>
<p>Avento, aqui, outras possíveis razões. Eu vim de Jacarepaguá pra Zona Sul porque, tirando motivos mais pessoais e afetivos,  é mais perto do trabalho e tenho acesso mais fácil a opções culturais como cinemas e livrarias. Conversando com amigos que seguiram rotas semelhantes, as motivações são as mesmas. É evidente a melhoria da qualidade de vida (&#8220;melhoria&#8221; segundo meus padrões e dos meus amigos, é claro; tratam-se das minhas prioridades, e entendo que outras pessoas prefiram ficar longe da Zona Sul). Só não entendo por que houve este boom nos últimos meses e  por que exatamente os bairros mais caros tiveram os maiores aumentos. Todo mundo, de repente, resolveu ficar pertinho da praia?</p>
<p>Outro motivo razoável, específico para o caso dos aluguéis, é uma jogada dos proprietários (e que poderia muito bem ser abordada na reportagem do <em>Globo</em>): com o fim dos contratos, o locador pode pedir o imóvel de volta por qualquer motivo. Como os índices de reajuste estão negativos, a última malandragem é essa: o proprietário solicita a devolução do apartamento e o inquilino, desesperado, topa qualquer coisa pra continuar. Inclusive fazer um novo contrato, do zero, permitindo ao dono estipular um aluguel bem maior. Se o inquilino sair, sem problemas: o novo valor será cobrado do próximo locatário. E assim, os aluguéis aumentam numa reação em cadeia, afetando também o mercado de compra e venda.</p>
<p>Não fiz Economia e nunca vou entender o funcionamento deste equilíbrio de forças de oferta e demanda. Porém, custo a crer que o aumento dos preços no mercado imobiliário da Zona Sul do Rio de Janeiro tenha sido registrado somente porque há um fluxo migratório intenso em direção à orla carioca. Há algo de esperteza aí. Só não sei como comprovar e protestar.</p>
<p><strong>Pergunto-lhes: também houve aumento em outras regiões do Rio? E a que vocês atribuem esta inflação maluca?</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A decadência do Centro Cultural Carioca</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 13:13:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu e Adriana mandamos uma carta à simpática casa de shows de samba, com algumas reclamações sobre a cozinha e o atendimento. O tom cuidadoso do texto não impediu que o CCC ignorasse a nossa mensagem. Portanto, resolvemos torná-la pública. (ATUALIZAÇÃO: resposta chegou em 12/06, confira)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma semana, enviei uma mensagem para o <a title="Centro Cultural Carioca" href="http://www.centroculturalcarioca.com.br">Centro Cultural Carioca</a>, bela casa de shows de samba no Centro do Rio que eu e Adriana frequentávamos. A carta reclamava da decadência do local, evidenciada na nossa última visita, dia 28 de maio. Preferimos enviar a mensagem somente para a administração do CCC. Temos um enorme carinho pela casa, e sentíamos que estaríamos &#8220;traindo uma relação&#8221; se mandássemos a queixa pra essas seções de jornais do tipo &#8220;Programa furado&#8221;. Sabe aquela coisa de evitar exposição dos defeitos de um amigo ou ente querido? Então.</p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Pois bem. Passou-se uma semana e o CCC não respondeu. Tudo bem que também não perguntamos nada. Somente pedimos mais cuidado nos trabalhos da casa. Mas, como cliente, me senti desrespeitado por não ter recebido nenhuma resposta, ainda mais de uma reclamação feita com educação e carinho, quase num tom de conselho.</span></p>
<p><span style="text-decoration: line-through;">Por isso, torno abaixo pública a mensagem, para que ninguém mais se surpreenda com o que pode acontecer no CCC.</span></p>
<p><strong>Atualização (18:50 de 14/06/2009): </strong>a resposta chegou no dia 12 de junho. Como a mensagem já estava pública mesmo, resolvi não retirá-la. Apenas acrescentei o posicionamento do CCC ao fim deste texto. Leia, lá embaixo.</p>
<blockquote><p>Prezados,</p>
<p>há cerca de cinco, seis anos fomos ao Centro Cultural Carioca pela primeira vez. Encontramos uma casa adorável na Praça Tiradentes, com uma vista linda para o João Caetano e o Real Gabinete; com um staff de primeira e muito bem representado por garçons e garçonetes bem descolados, que se divertiam servindo os clientes &#8211; e até dançando nos minutos possíveis, sem que isso prejudicasse o atendimento; uma comida deliciosa; uma caipirinha (literalmente) magnífica; e um som ambiente de qualidade, às vezes incrementado por vídeos de shows famosos, sempre adequados à apresentação principal da noite, ou seja, rodas de samba. Por tudo isso, somado, claro, aos inesquecíveis shows que assistimos ali, nós nos tornamos frequentadores assíduos do CCC. Não apenas fizemos vários encontros e festas na casa, como também a indicamos para amigos que queriam fazer confraternizações, e que sempre ficaram satisfeitos com a escolha. O CCC se tornou, assim, uma referência de alegria e diversão para nós.</p>
<p>Porém, o encanto se desfez na última quinta-feira, 28 de maio. Depois de muito tempo sem ir ao CCC, marcamos uma comemoração lá. E saímos, ao contrário de todas as outras noites em que lá estivemos, muito decepcionados. É verdade que a casa permanece bonita e a vista, admirável. Mas a perda de qualidade era evidente. O staff descolado de outrora foi substituído por garçons comuns, que não são mais o diferencial da casa. Antipáticos e carrancudos, demonstraram total falta de jogo de cintura ao se recusarem a liberar uma mesa após o horário de fim de reservas, imbróglio resolvido apenas quando o recepcionista interveio. A comida perdeu o sabor de antigamente. Não pudemos sequer experimentar o sorvete com banana frita, que, embora no cardápio, estava em falta. Lamentei também pela caipirinha, antes uma das delícias da casa, cuidadosamente preparada individualmente (como tem que ser!),  e que dessa vez estava péssima. Qual não foi minha surpresa, quando fui ao caixa pagar e esticando o olhar para o bar, confirmei que a bebida agora é preparada em uma grande jarra (para agilizar o processo?), que o garçom despeja no copo e depois &#8220;enfeita&#8221; com uns pedaços de limão. Realmente inaceitável. Isso tudo sob uma trilha sonora inacreditável: rolava, antes do show, um disco de pop lusitano (?!?!), em total dissonância com a nossa expectativa, que aguardava uma roda de samba. Os vídeos no telão também exibiam, cíclica e monotonamente, propaganda da casa, ao invés de shows. Difícil apontar qual foi o mais frustrante dos acontecimentos.</p>
<p>Com essa decadência, era natural que o tipo de público mudasse. E essa transformação no perfil dos presentes era evidente na quinta-feira. Enquanto antigamente 90% das pessoas dançavam, cantavam ou, no mínimo, assistiam ao show, a maioria agora estava lá para conversar e poucos davam atenção ao Grupo Semente. Constrangido, Pedro Miranda chegou a pedir aplausos na apresentação dos integrantes. Parecia que estávamos numa churrascaria, e não numa casa de shows.</p>
<p>Este é apenas um desabafo de um casal que se acostumou a se divertir e registrar boas lembranças das noites do CCC e ficou muito preocupado com os rumos que a casa está tomando. Esperamos que considerem esta mensagem com carinho e avaliem se, realmente, algumas modificações na cozinha, na técnica e no atendimento podem transformar a casa novamente na maravilhosa opção que foi até, pelo menos, o ano passado.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p>Adriana Simeone e Raphael Perret</p></blockquote>
<p><strong>Atualização (às 18:50 de 14/06/2009)</strong>: segue, abaixo, a resposta enviada pela casa, no dia 12 de junho (só publiquei agora porque só agora a li).</p>
<blockquote><p><span><span style="font-size: small;">Prezado Rafael, </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Inicialmente gostaríamos de nos desculpar pela demora em lhe responder. De qualquer forma e ainda que tardiamente não poderia deixar de lhe agradecer pelos relatos registrados que em muito contribuirão para que possamos corrigir as falhas apontadas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O Centro Cultural Carioca está passando por profundas e necessárias mudanças tanto no que diz respeito ao seu quadro administrativo quando de seus funcionários. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Alguns dos pontos por você abordados, já estavam sendo observados por nós e seu e-mail veio confirmar a necessidade urgente de providências para melhoria dos serviços prestados e uma necessária reformulação do cardápio oferecido pela casa. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Embora estejamos de acordo com boa parte de suas ponderações faz-se necessários alguns esclarecimentos que esperamos sejam bem compreendidos. </span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><strong><span>1- O Staff que você conheceu<span style="font-weight: normal; "> </span></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Os garçons que faziam parte da equipe sobre os quais você se refere, em sua maioria eram bailarinos, atores e até filósofos, todos muito amigos que, entretanto em função de seus outros compromissos profissionais frequentemente faltavam ao trabalho causando uma séria de problemas internos que embora não fossem percebidos pelos clientes geravam custos extras e dificuldades administrativas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Por esta razão, vimo-nos obrigados a substituí-los por garçons comuns como acontece nos demais estabelecimentos do segmento.</span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span> <strong>2 – O Cardápio<span style="font-weight: normal; "> </span></strong></span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Mesmo antes de receber seu e-mail, já estávamos trabalhando no desenvolvimento de um novo cardápio que diferentemente do que possa parecer não é tão fácil e rápido promover as alterações desejadas. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Entretanto, estamos em processo de contratação de uma nutricionista que juntamente com nossa chefe de cozinha estarão trabalhando na criação de novas opções. Certamente que alguns itens, já tradicionais, não serão retirados do atual cardápio, mas poderão e deverão ser melhorados.</span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O mesmo acontecerá com nossa carta de bebidas. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">3 –Divulgação da Programação da Casa </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Anteriormente produzíamos um material impresso que antes ficava disponível aos interessados que por mais prático que fosse para os clientes deixou de ser interessante para a casa em função das alterações inesperadas causadas pelos cancelamentos de alguns artistas que por interesses próprios deixavam de cumprir com o compromisso assumido com casa, tornando obsoleto o referido material e dissonante com o que estava sendo divulgado em nosso site criando por vezes constrangimento para as partes. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Optamos então por manter nosso site sempre atualizado e aproveitar o público diariamente presente na casa para promover nossa programação.</span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">O tempo de divulgação em nosso telão não poderia ter ultrapassado os 10 minutos de costume mas, lamentavelmente, por um descuido do funcionário responsável e da própria gerência noturna, no dia em que você esteve na casa houve um exagero que também consideramos abusivo. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">4 – Grupo Semente </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Com a gravidez da Teresa Cristina que se afastou, temporariamente, em licença maternidade desde fevereiro deste ano, infelizmente, o Grupo Semente não tem conseguido manter a mesma alegria e animação em suas apresentações, o que tem dispersado a atenção do público presente que se comporta de forma alheia e até mesmo desrespeitosa para com os músicos. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Providências estão sendo tomadas até mesmo porque a casa vem sofrendo as conseqüências do pouco interesse dos clientes pelas noites de quita feira. </span></span></p>
<p><span style="font-size: small;"><strong><span><span style="font-size: small;">5 – Noite de 28 de maio – Vernissage<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Como naquela noite estávamos realizando uma vernissage de fotografias que faz parte do Projeto “Foto In Rio 2009” e coube ao CCC sediar uma exposição cujo tema é” Em Terras Lusitanas ”, você há de convir que a música ambiente que apresentada e cabe salientar que foi somente durante o coquetel de abertura, não poderia estar em dissonância com o tema. Por esta razão a trilha sonora apresentou com muita propriedade músicas portuguesas que dentro da proposta da exposição nos parece bem mais apropriadas do que um samba. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Obviamente estamos bastante constrangidos pela grande decepção causada, mas estamos certos que dentro do planejamento em andamento, em alguns poucos meses, teremos muito prazer em recebê-lo como nosso convidado para conhecer as melhorias que estão sendo realizadas. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">6 – Preparo da caipirinha </span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Esclarecemos ainda que os drinks servidos na casa, como por exemplo a caipirinha, são preparados uma a uma no momento que o cliente faz sua solicitação e não há nenhuma determinação contrária. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">A caipirinha que você mencionou era para o serviço de coquetel que estava sendo servido para o Vernissage cujo serviço tem uma dinâmica diferente das solicitações que ocorrem no decorrer do show da noite. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Providências em andamento:<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Reformas físicas das instalações:</span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Está em fase de aprovação o Proger, financiamento solicitado à Caixa Econômica Federal para reforma da fachada, telhado inclusive com colocação de manta para isolamento térmico, cozinha, banheiros e demais dependências. </span></span></p>
<p><strong><span><span style="font-size: small;">Quadro de Funcionários:<span style="font-weight: normal;"> </span></span></span></strong></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Novas contratações estão sendo feitas para substituição daqueles que julgamos inadequados com a proposta da casa e tanto os funcionários que permanecerem quantos novos passarão por cursos de capacitação profissional. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Foi acelerado o processo de contratação de uma nova gerente de salão com experiência e postura adequada para coordenação da equipe de atendimento como garçons, atendentes de bar, caixa e serviços gerais noturno. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Também estamos buscando oferecer uma programação musical/cultural mais diversificada mantendo nas quintas, sextas e sábados o samba que já é tradicional na casa e promovendo também outros gêneros musicais de bom nível de maneira a buscar um perfil de cliente mais exigente. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Outras manifestações culturais estão sendo experimentadas como os shows performáticos que muito tem agradado àqueles que vêm nos prestigiados nos demais dias da semana. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Seu e-mail fez com que algumas iniciativas fossem antecipadas e algumas decisões adotadas antes do prazo previsto. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Agradecemos pelos comentários e esperamos poder contar com suas críticas e sugestões. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Aproveitamos para convidá-lo para conhecer nosso almoço executivo, que acontece de segunda a sexta feira das 11h30 às 14h30. Teremos muito prazer e trocar algumas idéias pessoalmente. </span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;">Atenciosamente, </span></span></p>
<div>
<div><strong><span style="font-size: small;">Isnard Manso</span></strong></div>
<div><span style="font-size: small;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<br />
Centro Cultural Carioca<br />
Rua do Teatro, 37</span></div>
</div>
<div><span style="font-size: small;">20050-190 &#8211; Centro &#8211; Rio de Janeiro<br />
(21) 2242 9642 &#8211; (21) 7835 4773<br />
<em><a href="http://www.centroculturalcarioca.com.br/" target="_blank">www.centroculturalcarioca.com.br</a></em></span></div>
</blockquote>
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