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	<title>Butuca Ligada &#187; rock</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>As cinco escalações mais inusitadas da história dos shows no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 03:16:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tem gente chiando sobre a escolha dos Los Hermanos para a abertura dos shows de Kraftwerk e Radiohead, neste fim de semana, no Rio e em São Paulo, e prometendo vaia. Que besteira. Se o público soubesse ou se lembrasse de outros shows de abertura já realizados no Brasil, pararia de reclamar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parece que os <a title="Campeão de audiência" href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/post.asp?t=campeao-de-audiencia&amp;cod_Post=170004&amp;a=98">fãs do Radiohead estão organizando uma vaia coletiva durante a apresentação dos Los Hermanos</a>, que abrem os shows do Kraftwerk e da banda inglesa nesta sexta, aqui no Rio, e domingo, em São Paulo. Besteira. Não creio que a banda brasileira esteja pedindo pra tocar ou estejam dando uma de penetra numa festa que promete ser boa. Deixem os caras pelo menos subirem ao palco. Se fizerem um show fraco, aí sim&#8230;</p>
<p>Além disso, o som dos Los Hermanos não é lá a coisa mais discrepante do que apresenta o Radiohead. Ainda diremos que os dois grupos são praticamente gêmeos, se levarmos em conta as combinações absurdas que produtores de shows, revelando todo o seu (des)conhecimento musical, já tiveram a coragem de montar e que deram, em muitos casos, dor de cabeça e objetos na cabeça de muitos artistas.</p>
<p>Em homenagem aos shows deste fim de semana, fiz uma lista dos cinco encontros mais inusitados da história das apresentações musicais realizados no Brasil. Por coincidência, todos foram no Rio de Janeiro.</p>
<p><strong>5) Herva Doce e Kiss, Maracanã (1983)</strong> – tenho poucas informações sobre esta reunião inesperada. Mas não é fácil imaginar o rock-farofa do Kiss, com seus fãs pseudorrebeldes, sendo precedido, no Maracanã, por uma banda cujo maior sucesso, até então, era <a title="Letra de &quot;Erva venenosa&quot;" href="http://letras.terra.com.br/herva-doce/850225/"><em>Erva venenosa</em></a> e que ainda produziria <em><a title="Letra de &quot;Amante profissional&quot;" href="http://letras.terra.com.br/herva-doce/172221/">Amante profissional</a></em>, pérolas do pop-rock brasileiro debochado, recém-desamarrado da ditadura militar. Sem registro audiovisual da apresentação do Herva Doce, deixo-os com um clip do maior sucesso do grupo.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/M9o4PqDTutw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/M9o4PqDTutw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>4) Ney Matogrosso, Rock in Rio I, Cidade do Rock (1985)</strong> – festivais são ótimas oportunidades para desencontro entre artistas e público. Acomodar tantas estrelas sempre reserva para algum cantor ou grupo (geralmente brasileiro) a impaciência e a falta de educação de fãs de rock pesado. Tivesse mais sensibilidade, Roberto Medina, organizador do Rock in Rio, não poria Ney Matogrosso no mesmo dia em que se apresentariam Iron Maiden, Whitesnake e Queen (e haveria ainda outra escalação polêmica neste dia, aguarde). Contam Edmundo Barreiros e Pedro Só, em seu livro <em>1985 – O ano que o Brasil recomeçou</em>:</p>
<p> </p>
<blockquote><p>O show de intolerância dos metaleiros começou logo na abertura do festival, no dia 11 de janeiro. Ney Matogrosso, tido e havido como um dos melhores <em>frontmen </em>brasileiros, não deve ter acreditado quando ouviu as primeiras vaias. Ele era o maior cachê entre os artistas nacionais: estava levando R$ 120 milhões de cruzeiros, muito mais do que a segunda colocada, Rita Lee (que faturou oitentinha), e um universo acima do lanterninha Kid Abelha, que ganhou apenas cinquinho. Ney xingou de volta e usou a raiva que estava sentindo para seguir em frente com seu rolo compressor. No fim das pedras, conseguiu de certa forma superar as hostilidades. Só não foi poupado dos gritos de “viado!”, emitidos por caras ansiosos para ver logo o<em> collant</em> branco do Freddie Mercury ou as madeixas do David Coverdale.</p></blockquote>
<p>A verdade é que Ney Matogrosso foi muito macho.</p>
<p>Veja o momento histórico em que o cantor abre o primeiro dia do primeiro Rock in Rio com <a title="Letra de &quot;América do Sul&quot;" href="http://letras.terra.com.br/ney-matogrosso/47715/"><em>América do Sul</em></a>.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/NvjlAe9HN74&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NvjlAe9HN74&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>3) Lobão, Rock in Rio II, Maracanã (1991)</strong> – e a confusão se repetiu seis anos depois, na segunda edição do festival. Em um episódio mais famoso, Lobão subiu ao palco do Maracanã depois do Sepultura e antes de Megadeth, Queensrÿche, Judas Priest e Guns&#8217;n'Roses. O brazuca começou com <em><a title="Letra de &quot;Vida louca vida&quot;" href="http://letras.terra.com.br/lobao/75212/">Vida Louca Vida</a> </em>e tentou continuar com <a title="Letra de &quot;Canos silenciosos&quot;" href="http://letras.terra.com.br/lobao/47033/"><em>Canos Silenciosos</em></a>, mas, depois de tomar tanta lata na cabeça, parou no meio, agradeceu o apoio de alguns, deu bronca nos metaleiros e foi embora, deixando o palco para uma apresentação efêmera (e mais surreal ainda) da bateria da Mangueira. Veja abaixo a apresentação da única música que Lobão pôde tocar inteira e a edição – com críticas um pouco acima do tom e repletas de preconceito – que a reportagem da Globo fez sobre o episódio.</p>
<p> </p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/WpoFGC6rJs0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/WpoFGC6rJs0&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>(Há algum tempo, achei um vídeo no YouTube com a versão completa do pito cheio de palavrões que o Lobão dá na plateia, mas infelizmente não achei mais o arquivo.)</p>
<hr /><strong>2) Carlinhos Brown, Rock in Rio III, Cidade do Rock (2001)</strong> – mas não é que Roberto Medina não aprendeu?! A escalação de Pato Fu no dia em que, mais uma vez, o Guns&#8217;n'Roses era a estrela, já era temerária, mas o público não implicou muito com a voz suave de Fernanda Takai. Porém, assim que Carlinhos Brown pisou no palco, não se sabia de onde saíam tantas garrafas. Não fosse a agressividade do ato, até que o efeito estético era bonito: vários elementos voadores convergiam na direção de um agitado cantor sem camisa. Carlinhos Brown, de todos os citados aqui, foi o mais provocativo, reagindo às hostilidades com frases de efeito (“Podem atirar o que quiserem, nada me atinge!”), com uma interpretação do hino nacional à capela e, no fim, até com grosserias (“Podem enfiar agora o dedo no traseiro”). Não me espantaria se Carlinhos Brown chamasse alguém pro pau ou se alguns desordeiros subissem no palco. Eu estava lá: o clima ficou tenso o show inteiro, mas nada de grave aconteceu.  Todos os detalhes do conflito estão no vídeo abaixo:</p>
<p> </p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/LFoW6FKuXgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/LFoW6FKuXgY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr /><strong>1) Erasmo Carlos, Rock in Rio I, Cidade do Rock (1985)</strong> – ok, vamos dar um crédito ao Medina. Ele achava que, ao emular Woodstock num grande terreno em Jacarepaguá e gerar um astral de paz e amor, poderia fazer metaleiros ovacionarem Erasmo Carlos. Mas não dava. Naquela noite, pelo menos, não dava. Se Ney Matogrosso escapou com mais facilidade da ira do público metido a besta, o Tremendão sentiu na pele a intolerância da plateia. Erasmo também não ajudou: apareceu com um figurino patético, um misto de alienígena de filme B com garota de abertura do <em>Fantástico</em>, e ainda perdeu a voz (meu padrinho, que estava na Cidade do Rock, se lembra dos arranjos sendo executados pela banda e de Erasmo, no telão, mexendo a boca mas sem emitir som algum). A recepção foi tão hostil que o fundador da Jovem Guarda, que cantaria novamente durante o festival, mudou de data para evitar novos confrontos. Segue um relato mais fiel do ocorrido, também escrito por Edmundo Barreiros e Pedro Só:</p>
<p> </p>
<blockquote><p>Quando Erasmo Carlos subiu ao palco, a coisa ficou ainda pior. Aquele homem de 43 anos que estava lá não era o sócio-fundador do rock nacional, não era o patrimônio cultural do pop brasileiro, vinte anos de sucessos, coisa e tal. Os implacáveis metaleiros não enxergavam nada disso, bicho! Para eles, o que estava ali era um coroa careta metido nas roupas exclusivas do seu clubinho doidão – e, cá pra nós, aquele figurino em couro preto e tachinhas ficou tremendamente ridículo mesmo. Para os moleques fazendo chifrinho com os dedos, Erasmo era tão-somente aquele mané que cantava “Pega na mentira” e “Dá um close nela” no rádio. Eles odiaaaaavam rádio!</p>
<p>E deu-se o horror. Erasmo atacando de <a title="Letra de &quot;Gatinha manhosa&quot;" href="http://letras.terra.com.br/erasmo-carlos/48607/"><em>Gatinha manhosa</em></a> e tome lata, tome bolinho de terra, tome objeto voador não-identificado&#8230; “Foi um soco na cara, mas foi bom”, diria o Tremendão, muitos anos depois do atropelamento.</p></blockquote>
<p>Veja, então, a apresentação de Erasmo na primeira noite do Rock in Rio, há 24 anos. Destaque para a chamada feita por Roberto Carlos, para a tentativa do Tremendão comprar a plateia homenageando ícones do rock já mortos e, claro, para a <em>roupitcha </em>do moço.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/ZLwLflzSE_c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ZLwLflzSE_c&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<hr />O mais engraçado de tudo é que a maioria das bandas (pra não dizer todas) cujos fãs foram agressivos com os artistas são mais farofas que aquelas guarnições servidas nos melhores churrascos do Rio de Janeiro&#8230;</p>
<p> </p>
<p>E você, se lembra de alguma outra reunião inusitada de artistas que tenha gerado confusão?</p>
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		<title>Um bom texto sobre a Legião Urbana</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Feb 2009 00:35:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por aqui, mal se fala num grupo que é a única banda pop brasileira que chega aos pés de Chico, Caetano ou Gil no critério quantidade de hits no inconsciente coletivo nacional. Nenhum outro grupo de rock brasileiro teve uma trajetória tão particular e uma aceitação tão instantânea &#8211; e massiva &#8211; de seu trabalho. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Por aqui, mal se fala num grupo que é a única banda pop brasileira que chega aos pés de Chico, Caetano ou Gil no critério quantidade de hits no inconsciente coletivo nacional. Nenhum outro grupo de rock brasileiro teve uma trajetória tão particular e uma aceitação tão instantânea &#8211; e massiva &#8211; de seu trabalho. Mais do que “porta-voz de sua geração”, Russo teve um papel crucial na história da música pop brasileira, quando ensinou a várias safras diferentes de ouvintes que era possível compor letra de música que não tivesse necessariamente cara de letra de música. Boa parte dos hits do Legião tem letras que parecem ter saído de conversas, de bate-papos, em vez de terem sido propriamente compostas.</p></blockquote>
<p>Este é um trecho do post <a title="2009: o ano da volta do Legião Urbana?" href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2009/02/04/2009-o-ano-da-volta-do-legiao-urbana">2009: o ano da volta do Legião Urbana</a>, do blog <a title="Trabalho Sujo" href="http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo">Trabalho Sujo</a>, do jornalista Alexandre Matias. Nunca havia lido uma síntese tão limpa, tão séria e tão objetiva do grupo de Renato Russo. Assim como nunca havia lido algo tão ousado quanto equiparar Legião com Caetano, Chico e Gil. O pior é que não consigo discordar.</p>
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		<title>Os Titãs e o tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para quem conhece o grupo de longe, documentário apenas diverte. Porém, para os íntimos, ajuda a esclarecer detalhes da carreira de uma das maiores bandas brasileiras, como a relação dos Titãs com o tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/3_17447.jpg" alt="Cartaz do filme 'Titãs - A vida até parece uma festa'" />Imagine que um grupo de amigos gravou cenas de suas farras, cheias de piadas de que só os íntimos acham graça. À primeira vista, <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa</em> é isso. O documentário é uma colagem de cenas grudadas cronologicamente. Como o filme é repleto de elipses, sem narração e sem depoimentos recentes &#8211; as imagens ou são de arquivo da TV ou foram captadas pela câmera do titã Branco Mello &#8211; quem não conhece bem a história dos <a title="Titãs" href="http://www.titas.net">Titãs</a> fica boiando em alguns momentos.</p>
<p>Entretanto, se o espectador tem algum vínculo com o grupo, poderá compreender alguns detalhes da carreira do atual quinteto, ex-octeto. Para explicar, preciso contar a história que eu conhecia da banda paulista. Considere que o relato a seguir foi baseado no meu conhecimento prévio ao filme, e somente algumas informações foram pinçadas de <em>A vida até parece uma festa</em> (ou seja, é muito difícil deduzir tudo isso que você vai ler a partir do documentário).</p>
<p><strong>Começa o jogo</strong></p>
<p>Os Titãs começaram fazendo um pop performático. Aproveitaram a grande quantidade de membros (não se perca: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos, Sergio Britto, Nando Reis, Marcelo Fromer, Tony Belloto e Charles Gavin; este substituiu André Jung, e Ciro Pessoa fez parte da banda no início) e a excentricidade física de cada um para, além de tocar, impactarem com a estética meio agressiva, meio escalafobética. Eram um João Penca &amp; Seus Miquinhos Amestrados com letras ou mais ingênuas ou mais instigantes. As canções <em><a title="Letra de 'Sonífera ilha'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49000/">Sonífera ilha</a></em> (1984) e <em><a title="Letra de 'Televisão'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49002/">Televisão</a></em> (1985), por exemplo,<em> </em>são dessa época.</p>
<p><strong>O grito</strong></p>
<p><img style="margin-right:10px; float:right" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/51BTW41FABL_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Cabeça dinossauro'" /> A prisão de Arnaldo Antunes por posse de heroína catalisou a energia subliminar do octeto. Num contexto pós-repressão, em que a juventude vivia, com pernas bambas, uma liberdade com que estava desacostumada, o disco <em>Cabeça Dinossauro</em>, lançado em 1986, e suas faixas <em><a title="Letra de 'Polícia'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48993/">Polícia</a></em>, <em><a title="Letra de 'Porrada'" href="http://letras.terra.com.br/titas/86503/">Porrada</a></em>, <em><a title="Letra de 'Homem Primata'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48977/">Homem Primata</a></em> e <em><a title="Letra de 'Bichos Escrotos'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48960/">Bichos Escrotos</a></em> representaram um grito coletivo, minimalista na forma e recheada no conteúdo. Era a explosão titânica, prolongada no disco seguinte, <em>Jesus não tem dentes no país dos banguelas</em>, de 1987. Foi a fase de maior popularidade do grupo.</p>
<p>A qualidade, porém, passou a cair. Suavemente, primeiro (<em>Õ Blesq Blom</em>, de 1989), e abruptamente, depois (<em>Tudo ao mesmo tempo agora</em>, de 1991). A época mudou, o cenário mudou (<a title="1989, vinte anos depois" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/01/04/1989-vinte-anos-depois/">lembram-se de 1989</a>?), mas a alma dos Titãs permanecia adolescente, com uma agressividade pueril (vide as músicas <em><a title="Letra de 'Saia de mim'" href="http://letras.terra.com.br/titas/82300/">Saia de mim</a> </em>e <em><a title="Letra de 'Clitóris'" href="http://letras.terra.com.br/titas/91452/">Clitóris</a></em>). As provocações soavam desatualizadas e descontextualizadas.</p>
<p>Sai Arnaldo Antunes. No filme, a banda afirma que &#8220;aproveita&#8221; o momento para conseguir uma sonoridade mais pesada. De fato, <em>Titanomaquia</em>, de 1993, traz a energia desejada, através de Jack Endino, produtor de discos de Nirvana e Soundgarden. Os Titãs ganham massa, mas ela parece anabolizada. Faltava estofo.</p>
<p><strong>A guinada</strong></p>
<p>Então vem <em>Domingo</em> (1996), vigoroso, porém manso. O estilo letras-curtas-e-rimadas-em-melodias-simples continua. Mas um novo caminho é percebido, e o destino se chama <em>Acústico MTV </em>(1997), o disco mais vendido da banda. É neste ponto que os Titãs sofrem as maiores críticas de meus amigos de geração. &#8220;Vendidos&#8221;, &#8220;frescos&#8221; e adjetivos semelhantes são dirigidos ao grupo. A mudança de estilo era óbvia. A motivação para tal, nem tanta. Falta de dinheiro? Não parecia que os integrantes da banda estavam com dificuldades para pagar o aluguel.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/41CQX9D6S5L_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Acústico MTV'" />Neste momento do filme, aparece Nando Reis cantando <em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/">Família</a></em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/"> </a>(curiosamente, uma música do furioso <em>Cabeça Dinossauro</em>), Malu Mader sorrindo, crianças brincando, mulheres conversando. Eis o aconchego dos Titãs. E, 12 anos depois, encontro a resposta à dúvida surgida com o <em>Acústico MTV</em>. </p>
<p>De 1987 pra 1997, o grupo envelheceu, perdeu a irresponsabilidade que soava bem a garotos que acabam de lançar o primeiro disco, não aos veteranos com 15 anos de carreira. Os Titãs têm filhos, têm história. Uma história construída na sintonia com o tempo. <em>Cabeça Dinossauro</em> teve o sucesso que teve porque foi criado no momento oportuno. Lançado hoje, não teria um décimo do significado de 1986. Hoje, ninguém vai ao show esperando que Paulo Miklos cante &#8220;Clitóris/Clitóris,Clitóris/Ah,Clitóris&#8221;. Sim, estava na hora de guardar um pouco as guitarras e tirar os violões dos sacos.</p>
<p>A chegada da maturidade não impediu que os Titãs cometessem acintes (regravar <em>Pelados em Santos</em>, dos Mamonas Assassinas, não acrescenta nada à biografia). Mas<em> </em>também não lhes tirou a veia crítica (eles ainda comporiam <em><a title="Letra de 'A melhor banda de todos os tempos da última semana'" href="http://letras.terra.com.br/titas/40320/">A melhor banda de todos os tempos da última semana</a></em>, em 2001). Mais importante do que isso, a nova fase lhes permitiu sofisticar <em><a title="Letra de 'Pra dizer adeus'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48994/">Pra dizer adeus</a></em>, do segundo disco, regravar <em><a title="Letra de 'É preciso saber viver'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48967/">É preciso saber viver</a></em>, do Rei Roberto e compor a delicada <em><a title="Letra de 'Os cegos do castelo'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48990/">Os cegos do castelo</a></em>, canções impensáveis no cancioneiro dos Titãs dos anos 80. Quinze anos de estrada, rugas no rosto e filhos no colo dão carta branca para os Titãs tocarem <em>É preciso saber viver</em>. Eles sabiam do que estavam cantando.</p>
<p><strong>O epitáfio, mas não o fim</strong></p>
<p>O filme, se não comove quem é distante do universo da música, ajuda a esclarecer as mutações do grupo desde 1984, ano de gravação do primeiro disco. E o auge de <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa </em>é revelador. A sequência começa com Marcelo Fromer aparece dando dicas sobre a linha melódica de <em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/">Epitáfio</a></em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/"> </a>a Sérgio Britto, autor da música.<em> </em>Em seguida, aparece reportagem da MTV dando notícia de que <a title="Marcelo Fromer é enterrado ao som de &quot;Pra Dizer Adeus&quot;, sucesso do Titãs" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/2001-titas.shtml">Fromer morreu atropelado por uma moto</a>. Então aparece Britto, gravando sua canção para o disco <em>A melhor banda&#8230;</em>, no estúdio, dez dias depois da morte de Fromer. É de arrepiar. Afinal, ao contrário do que eu mesmo supunha, a música, com os versos &#8220;O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar distraído/O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar&#8221; foi composta antes da morte do guitarrista. O acidente tornou <em>Epitáfio</em> uma poesia sobre a fugacidade da vida. Era o tempo cobrando sua sintonia, fina, fina, com os Titãs.</p>
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		<title>Que Madonna, que nada</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 23:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[r.e.m.]]></category>
		<category><![CDATA[rock]]></category>

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		<description><![CDATA[Michael Stipe, vocalista do R.E.M., e seus óculos fashion Fonte: blog A vida é cheia de som e fúria Dia 8 de novembro tem R.E.M. no Rio de Janeiro. Vai ser dia de relembrar janeiro de 2001, quando a banda se apresentou no Rock in Rio III numa apresentação memorável. Pena que o lugar do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><a href="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/rem.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img style="width: 200px; cursor: pointer;" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/rem.jpg" border="0" alt="" /></a></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><span style="font-style: italic;">Michael Stipe, vocalista do R.E.M., e seus óculos fashion</span></span><br />
<span style="font-size: x-small; font-style: italic;">Fonte: blog <a href="http://vidacheiadesomefuria.wordpress.com/">A vida é cheia de som e fúria</a><br />
</span></div>
<p><a href="http://www.remhq.com/">Dia 8 de novembro tem R.E.M. no Rio de Janeiro</a>. Vai ser dia de relembrar janeiro de 2001, quando a banda se apresentou no Rock in Rio III numa apresentação memorável. Pena que o lugar do show deste ano não ajude &#8211; HSBC Arena, onde foram realizados jogos do Pan-Americano. Ruim de chegar, poucas alternativas de condução e estacionamento precário.</p>
<p>Mas ouvir &#8220;Losing my religion&#8221;, &#8220;Man on the moon&#8221;, &#8220;The one I love&#8221; e outras pérolas, ao vivo, vale o desgaste.</p>
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