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	<title>Butuca Ligada &#187; Titãs</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Os Titãs e o tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jan 2009 01:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para quem conhece o grupo de longe, documentário apenas diverte. Porém, para os íntimos, ajuda a esclarecer detalhes da carreira de uma das maiores bandas brasileiras, como a relação dos Titãs com o tempo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/3_17447.jpg" alt="Cartaz do filme 'Titãs - A vida até parece uma festa'" />Imagine que um grupo de amigos gravou cenas de suas farras, cheias de piadas de que só os íntimos acham graça. À primeira vista, <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa</em> é isso. O documentário é uma colagem de cenas grudadas cronologicamente. Como o filme é repleto de elipses, sem narração e sem depoimentos recentes &#8211; as imagens ou são de arquivo da TV ou foram captadas pela câmera do titã Branco Mello &#8211; quem não conhece bem a história dos <a title="Titãs" href="http://www.titas.net">Titãs</a> fica boiando em alguns momentos.</p>
<p>Entretanto, se o espectador tem algum vínculo com o grupo, poderá compreender alguns detalhes da carreira do atual quinteto, ex-octeto. Para explicar, preciso contar a história que eu conhecia da banda paulista. Considere que o relato a seguir foi baseado no meu conhecimento prévio ao filme, e somente algumas informações foram pinçadas de <em>A vida até parece uma festa</em> (ou seja, é muito difícil deduzir tudo isso que você vai ler a partir do documentário).</p>
<p><strong>Começa o jogo</strong></p>
<p>Os Titãs começaram fazendo um pop performático. Aproveitaram a grande quantidade de membros (não se perca: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Paulo Miklos, Sergio Britto, Nando Reis, Marcelo Fromer, Tony Belloto e Charles Gavin; este substituiu André Jung, e Ciro Pessoa fez parte da banda no início) e a excentricidade física de cada um para, além de tocar, impactarem com a estética meio agressiva, meio escalafobética. Eram um João Penca &amp; Seus Miquinhos Amestrados com letras ou mais ingênuas ou mais instigantes. As canções <em><a title="Letra de 'Sonífera ilha'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49000/">Sonífera ilha</a></em> (1984) e <em><a title="Letra de 'Televisão'" href="http://letras.terra.com.br/titas/49002/">Televisão</a></em> (1985), por exemplo,<em> </em>são dessa época.</p>
<p><strong>O grito</strong></p>
<p><img style="margin-right:10px; float:right" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/51BTW41FABL_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Cabeça dinossauro'" /> A prisão de Arnaldo Antunes por posse de heroína catalisou a energia subliminar do octeto. Num contexto pós-repressão, em que a juventude vivia, com pernas bambas, uma liberdade com que estava desacostumada, o disco <em>Cabeça Dinossauro</em>, lançado em 1986, e suas faixas <em><a title="Letra de 'Polícia'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48993/">Polícia</a></em>, <em><a title="Letra de 'Porrada'" href="http://letras.terra.com.br/titas/86503/">Porrada</a></em>, <em><a title="Letra de 'Homem Primata'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48977/">Homem Primata</a></em> e <em><a title="Letra de 'Bichos Escrotos'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48960/">Bichos Escrotos</a></em> representaram um grito coletivo, minimalista na forma e recheada no conteúdo. Era a explosão titânica, prolongada no disco seguinte, <em>Jesus não tem dentes no país dos banguelas</em>, de 1987. Foi a fase de maior popularidade do grupo.</p>
<p>A qualidade, porém, passou a cair. Suavemente, primeiro (<em>Õ Blesq Blom</em>, de 1989), e abruptamente, depois (<em>Tudo ao mesmo tempo agora</em>, de 1991). A época mudou, o cenário mudou (<a title="1989, vinte anos depois" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/01/04/1989-vinte-anos-depois/">lembram-se de 1989</a>?), mas a alma dos Titãs permanecia adolescente, com uma agressividade pueril (vide as músicas <em><a title="Letra de 'Saia de mim'" href="http://letras.terra.com.br/titas/82300/">Saia de mim</a> </em>e <em><a title="Letra de 'Clitóris'" href="http://letras.terra.com.br/titas/91452/">Clitóris</a></em>). As provocações soavam desatualizadas e descontextualizadas.</p>
<p>Sai Arnaldo Antunes. No filme, a banda afirma que &#8220;aproveita&#8221; o momento para conseguir uma sonoridade mais pesada. De fato, <em>Titanomaquia</em>, de 1993, traz a energia desejada, através de Jack Endino, produtor de discos de Nirvana e Soundgarden. Os Titãs ganham massa, mas ela parece anabolizada. Faltava estofo.</p>
<p><strong>A guinada</strong></p>
<p>Então vem <em>Domingo</em> (1996), vigoroso, porém manso. O estilo letras-curtas-e-rimadas-em-melodias-simples continua. Mas um novo caminho é percebido, e o destino se chama <em>Acústico MTV </em>(1997), o disco mais vendido da banda. É neste ponto que os Titãs sofrem as maiores críticas de meus amigos de geração. &#8220;Vendidos&#8221;, &#8220;frescos&#8221; e adjetivos semelhantes são dirigidos ao grupo. A mudança de estilo era óbvia. A motivação para tal, nem tanta. Falta de dinheiro? Não parecia que os integrantes da banda estavam com dificuldades para pagar o aluguel.</p>
<p><img style="float: left; margin-right: 10px" src="http://img.photobucket.com/albums/v194/rperret/41CQX9D6S5L_SL500_AA240_.jpg" alt="Capa do disco 'Acústico MTV'" />Neste momento do filme, aparece Nando Reis cantando <em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/">Família</a></em><a title="Letra de 'Família'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48973/"> </a>(curiosamente, uma música do furioso <em>Cabeça Dinossauro</em>), Malu Mader sorrindo, crianças brincando, mulheres conversando. Eis o aconchego dos Titãs. E, 12 anos depois, encontro a resposta à dúvida surgida com o <em>Acústico MTV</em>. </p>
<p>De 1987 pra 1997, o grupo envelheceu, perdeu a irresponsabilidade que soava bem a garotos que acabam de lançar o primeiro disco, não aos veteranos com 15 anos de carreira. Os Titãs têm filhos, têm história. Uma história construída na sintonia com o tempo. <em>Cabeça Dinossauro</em> teve o sucesso que teve porque foi criado no momento oportuno. Lançado hoje, não teria um décimo do significado de 1986. Hoje, ninguém vai ao show esperando que Paulo Miklos cante &#8220;Clitóris/Clitóris,Clitóris/Ah,Clitóris&#8221;. Sim, estava na hora de guardar um pouco as guitarras e tirar os violões dos sacos.</p>
<p>A chegada da maturidade não impediu que os Titãs cometessem acintes (regravar <em>Pelados em Santos</em>, dos Mamonas Assassinas, não acrescenta nada à biografia). Mas<em> </em>também não lhes tirou a veia crítica (eles ainda comporiam <em><a title="Letra de 'A melhor banda de todos os tempos da última semana'" href="http://letras.terra.com.br/titas/40320/">A melhor banda de todos os tempos da última semana</a></em>, em 2001). Mais importante do que isso, a nova fase lhes permitiu sofisticar <em><a title="Letra de 'Pra dizer adeus'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48994/">Pra dizer adeus</a></em>, do segundo disco, regravar <em><a title="Letra de 'É preciso saber viver'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48967/">É preciso saber viver</a></em>, do Rei Roberto e compor a delicada <em><a title="Letra de 'Os cegos do castelo'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48990/">Os cegos do castelo</a></em>, canções impensáveis no cancioneiro dos Titãs dos anos 80. Quinze anos de estrada, rugas no rosto e filhos no colo dão carta branca para os Titãs tocarem <em>É preciso saber viver</em>. Eles sabiam do que estavam cantando.</p>
<p><strong>O epitáfio, mas não o fim</strong></p>
<p>O filme, se não comove quem é distante do universo da música, ajuda a esclarecer as mutações do grupo desde 1984, ano de gravação do primeiro disco. E o auge de <em>Titãs &#8211; A vida até parece uma festa </em>é revelador. A sequência começa com Marcelo Fromer aparece dando dicas sobre a linha melódica de <em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/">Epitáfio</a></em><a title="Letra de 'Epitáfio'" href="http://letras.terra.com.br/titas/48968/"> </a>a Sérgio Britto, autor da música.<em> </em>Em seguida, aparece reportagem da MTV dando notícia de que <a title="Marcelo Fromer é enterrado ao som de &quot;Pra Dizer Adeus&quot;, sucesso do Titãs" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/2001-titas.shtml">Fromer morreu atropelado por uma moto</a>. Então aparece Britto, gravando sua canção para o disco <em>A melhor banda&#8230;</em>, no estúdio, dez dias depois da morte de Fromer. É de arrepiar. Afinal, ao contrário do que eu mesmo supunha, a música, com os versos &#8220;O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar distraído/O acaso vai me proteger/Enquanto eu andar&#8221; foi composta antes da morte do guitarrista. O acidente tornou <em>Epitáfio</em> uma poesia sobre a fugacidade da vida. Era o tempo cobrando sua sintonia, fina, fina, com os Titãs.</p>
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