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	<title>Butuca Ligada &#187; veja</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Veja tem medo de &#8220;caça aos ricos&#8221; e estimula o consumo do luxo</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 23:01:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[política]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao comentar a condenação da dona da Daslu, a revista critica uma possível perseguição aos mais abastados, o que só produziria "mais miséria moral, política, econômica e social", e defende o comércio de artigos caros e requintados. Trata-se de uma opinião leviana e incoerente. E explico o porquê.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na época da conexão via modem de 14.400 e <a title="Winsock" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Winsock">Trumpet Winsock</a>, meu pai usou um e-mail meu para se cadastrar no site da <a title="Editora Abril" href="http://www.abril.com.br">Editora Abril</a>. O endereço eletrônico ainda existe, e de vez em quando eu o consulto.  Hoje, chegou um e-mail da <em>Veja</em>, divulgando a edição semanal da revista, cuja capa versa sobre a <a title="Dona da Daslu é condenada a 94 anos e meio de prisão por fraudes em importações de produtos" href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/03/26/materia.2009-03-26.4936514109/view">condenação da dona da Daslu</a>.</p>
<p>Bem, já faz tempo que a revista abandonou a pecha de imparcial. Ninguém ignora qual a <a title="Contra a esquerda, com clareza" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=456IMQ002">angulação da </a><em><a title="Contra a esquerda, com clareza" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=456IMQ002">Veja</a> </em>sobre assuntos políticos, econômicos, sociais e culturais&#8230; quero dizer, sobre tudo, né? Logo, não era pra eu me surpreender com certos trechos do editorial da revista, publicados no tal e-mail:</p>
<blockquote><p>É preciso desestimular as tentativas de enxergar na punição da dona da Daslu uma condenação também a todos aqueles que, apenas por desfrutar uma boa situação material, parecem aos olhos do populismo rasteiro cidadãos privilegiados e inimputáveis. A caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social.</p>
<p>Deve-se refrear também o impulso de ver no comércio de artigos caros e requintados apenas mais uma demonstração viciosa das classes abastadas.</p>
<p>As pessoas que fabricam e vendem essas mercadorias, desde que respeitem as leis, são cidadãos tão úteis à comunidade quanto quaisquer outros. Como toda indústria, a do luxo cria empregos, produz riqueza e qualifica a mão de obra – e permite que as pessoas exerçam sua liberdade individual também na maneira como dispõem de seu dinheiro.</p></blockquote>
<p>Eu não me surpreendi mesmo. Mas eu fico preocupado com a disseminação desse tipo de ponto de vista. Trata-se de uma opinião leviana, que teme o fim da impunidade e é incoerente com as ações de responsabilidade social da Abril.</p>
<p>Explicando. Diz a revista que &#8220;a caça aos ricos é uma tentação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, política, econômica e social&#8221;. Porém, a polícia não está caçando ricos, e sim bandidos. Gente que rouba, frauda, corrompe e se corrompe. Por coincidência, veja você, muitos destes bandidos&#8230; são ricos! E ter riqueza, <em>Veja</em>, por acaso lhes isenta da punição pelos crimes que cometeram? A condenação de Eliana Tranchesi é exemplar. Mostra que, sim, a impunidade &#8211; um dos piores males desta sociedade brasileira malandra e paternalista, a base de toda a sujeira moral dos nossos tempos &#8211; pode dar espaço à justiça. Resta-nos saber qual o temor dos editores de <em>Veja</em> diante da condenação generalizada de ricos.</p>
<p>Depois, o semanário escreve que &#8220;deve-se refrear também o impulso de ver no comércio de artigos caros e requintados apenas mais uma demonstração viciosa das classes abastadas&#8221;. É estranho ler isso numa revista de uma <a title="Planeta Sustentável" href="http://planetasustentavel.abril.com.br/">editora com iniciativas em prol da sustentabilidade</a>, da qual um dos pilares básicos é o consumo mais consciente. O mais vergonhoso é o surrado argumento da &#8220;criação de empregos, produção de riqueza e qualificação da mão de obra&#8221;, muito usado também para defender indústrias de finalidades questionáveis. A propósito, não sou contra &#8220;que as pessoas exerçam sua liberdade individual também na maneira como dispõem de seu dinheiro&#8221;. Mas indago se a revista não deveria ter outra postura, depois de <a title="&quot;Salvar a Terra&quot;, de 24 de outubro de 2007" href="http://veja.abril.com.br/241007/imagens/capa380.jpg">fazer várias capas apregoando o contrário</a>.</p>
<p><em>Veja </em>há tempos deixou de ser dirigida a um público mais amplo. Seu objetivo não é trazer informações com análise sensatas, mas sim a opinião da revista sob o tom de dogma. Personalidades com ideias contrárias são ironizadas e ridicularizadas. Aqueles que coadunam com a linha editorial ganham elogios e espaço de sobra. Essa postura afastou muitos leitores. Atualmente, quem lê a <em>Veja</em> cada vez mais é identificado com as &#8220;gracinhas&#8221; dela. A chance de seu público digerir esse editorial sem questionamentos é muito grande.</p>
<p>Uma pena. Se, há alguns anos, a revista era uma publicação importante para a sociedade, hoje virou um panfleto, que só interessa a quem com ela concordar, empobrecendo o debate.</p>
<p>Melhor ficarmos mesmo com a <em><a title="“Veja” libera o conteúdo de todas as suas edições" href="http://www.butucaligada.com.br/2008/12/15/veja-libera-o-conteudo-de-todas-as-suas-edicoes/">Veja</a></em><a title="“Veja” libera o conteúdo de todas as suas edições" href="http://www.butucaligada.com.br/2008/12/15/veja-libera-o-conteudo-de-todas-as-suas-edicoes/"> das antigas</a>.</p>
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