Ficar de butuca: estar esperto, observar, prestar atenção. Butuca Ligada é atenção redobrada, ler as entrelinhas, examinar o superficial e o profundo. Saiba mais
  
Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘vida louca vida’

Por um estilo de vida que ajude no combate ao câncer

01/02/2012 - 8:47

Alimentação, atividade física, equilíbrio emocional e meio ambiente: eis os quatro pilares em que se sustenta a biologia anticâncer de David Servan-Schreiber. O neurocientista e portador de um tumor cerebral, em “Anticâncer”, traz suas pesquisas sobre os mecanismos de inibição e estímulo do sistema imunológico quando este encontra células cancerosas – que todos nós temos – e mostra como os hábitos de vida podem tratar e prevenir a doença.

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Decolagem rumo ao passado

05/06/2011 - 21:42

Alguém dizer que gosta de viajar de avião, hoje, pode ser internado na hora. Mas confesso que tenho um prazer nostálgico ao frequentar aeroportos.

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Satisfações

30/05/2010 - 19:10

Pintando o quartinho do Caetano

Sumi, né?

Estou de olho, de vez em quando, neste precioso espaço. Mas está difícil escrever. O trabalho me absorve, tenho muitas atividades após o horário laboral e, ao fim de semana, resta o único tempo possível para me dedicar aos preparativos da chegada do Caetano.

Acredito que poderei voltar a escrever em breve, não chorem. Aí em cima, uma foto que retrata bem o que tem sido minhas últimas semanas: arrumando as coisas para nosso bebê (no caso, pintando o quarto dele) :-)

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Venha, Caetano

07/04/2010 - 21:57

“O sexo… Não tem nem dúvida! Tá aqui o saquinho… o piruzinho”…

…dizia o médico, enquanto um cursor na tela do ultrassom envolvia as partes íntimas do meu filho, que há 4 meses e meio flutua na barriga da mamãe. Aquelas palavras, ditas de forma tão banal, em um tom tão monocórdio quanto o que ele usou ao descrever o tamanho do fêmur ou a localização do rim direito naquelas imagens gelatinosas, destruíram qualquer expectativa criada para a informação mais esperada desde… desde… o teste da gravidez da Adriana.

Aliás, olhei para a Adriana na hora da confirmação e esperava encontrar cumplicidade na surpresa. Mas ela, tão convicta de que trazia um menino desde a formação do zigoto, ouviu o médico como se escutasse uma notícia de rádio que se repete de hora em hora. Só reagiu quando me viu: sorriu, com aquela famosa cara de “não falei”?

A verdade é que eu imaginei um mínimo de cerimônia antes daquela informação tão aguardada. “Vocês querem saber o sexo?” “Vocês já sabem o sexo?” “Depois dos comerciais, saberemos se este bebê é menino ou menina! Má oeeeeeeeeee”. Alguma coisa assim. Mas não. A descoberta veio despretensiosa, perdida entre outras descrições anatômicas.

Hoje, tenho muito mais convicção da importância desse momento. Agora que sei que vem aí um garotão cheio de saúde e vontade de viver (amém!), consigo enxergar melhor os próximos meses e anos. O tipo de roupa que lhe compraremos, os gestos que podemos dele esperar, os sonhos que podemos ter. Descobrir o sexo do bebê ajuda muito na personificação desse novo indivíduo que já é tão querido sem sequer ter visto a luz do sol. É como se saber que vem um menino (e seria igual se fosse menina) contribuísse para deixar meu filho cada vez mais próximo e mais real.

Venha, Caetano. Papai e mamãe te esperam.

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Uma despedida

16/03/2010 - 23:24

Eu tinha 13 anos em julho de 1992, Passava as férias escolares na casa da minha avó. No dia 12, domingo, estava felicíssimo com a acachapante vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, no primeiro jogo da decisão do Brasileiro daquele ano, e que escutei pelo rádio.

Passava minha alegria ao meu pai, por telefone:

- Viu, papai, Flamengo ganhou de 3 a 0 do Botafogo! É quase campeão brasileiro!

- E o que falta pra ser campeão?

- Ah, domingo que vem tem novo jogo, e o Botafogo só é campeão se vencer o Flamengo por três gols de diferença.

- Ah, é?

- É!

- Hum… Então vamos no jogo.

Aquele convite, em tom de decisão irrevogável (bem ao jeito dele, é verdade) me pegou de surpresa. Nunca havia ido ao Maracanã com meu pai. Na verdade, fazia anos que ele não ia a um estádio de futebol. A última vez fora antes de eu nascer. Ele achava que o futebol de antigamente era melhor e que ir era perigoso, pela violência.

Mas entendi o que passou em sua cabeça. Seria, provavelmente, um jogo de uma torcida só, tamanha a empreitada que o Botafogo teria que sobrepor para ser campeão. Ainda bem que ele pensou assim, pois eu nem cogitava a hipótese de ir ao jogo.

Graças a meu pai, tive a oportunidade de ver o Flamengo campeão brasileiro. Lembro de muitos detalhes do jogo. O susto com a arquibancada caindo, durante a preliminar; a torcida tomando conta de todo o anel do Maraca; o golaço de Júnior, de falta, bem no gol em que eu estava em frente – e que me gerou uma perna ralada na comemoração; a comemoração do penta.

Mas o beijo do meu pai na minha testa, ao me ver feliz após um dos gols do Flamengo, é a minha maior lembrança daquele jogo, daquele dia. O beijo era o símbolo de tudo o que representou a ida do meu pai comigo ao Maracanã: uma prova de amor. Sim, era evidente, bem evidente. Ele me levar a uma decisão do Flamengo só podia ser uma prova de amor.

Não exatamente pelo fato de meu pai aparentar um certo desinteresse pelo futebol da época.

Mas porque meu pai era vascaíno.


Obrigado, papai, por tudo. Descanse, porque os últimos meses foram difíceis. Fique em paz, enquanto nós ficaremos, aqui, com a saudade e as boas lembranças, como essa.

Um beijo.

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