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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘vida louca vida’

Satisfações

30/05/2010 - 19:10

Pintando o quartinho do Caetano

Sumi, né?

Estou de olho, de vez em quando, neste precioso espaço. Mas está difícil escrever. O trabalho me absorve, tenho muitas atividades após o horário laboral e, ao fim de semana, resta o único tempo possível para me dedicar aos preparativos da chegada do Caetano.

Acredito que poderei voltar a escrever em breve, não chorem. Aí em cima, uma foto que retrata bem o que tem sido minhas últimas semanas: arrumando as coisas para nosso bebê (no caso, pintando o quarto dele) :-)

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Venha, Caetano

07/04/2010 - 21:57

“O sexo… Não tem nem dúvida! Tá aqui o saquinho… o piruzinho”…

…dizia o médico, enquanto um cursor na tela do ultrassom envolvia as partes íntimas do meu filho, que há 4 meses e meio flutua na barriga da mamãe. Aquelas palavras, ditas de forma tão banal, em um tom tão monocórdio quanto o que ele usou ao descrever o tamanho do fêmur ou a localização do rim direito naquelas imagens gelatinosas, destruíram qualquer expectativa criada para a informação mais esperada desde… desde… o teste da gravidez da Adriana.

Aliás, olhei para a Adriana na hora da confirmação e esperava encontrar cumplicidade na surpresa. Mas ela, tão convicta de que trazia um menino desde a formação do zigoto, ouviu o médico como se escutasse uma notícia de rádio que se repete de hora em hora. Só reagiu quando me viu: sorriu, com aquela famosa cara de “não falei”?

A verdade é que eu imaginei um mínimo de cerimônia antes daquela informação tão aguardada. “Vocês querem saber o sexo?” “Vocês já sabem o sexo?” “Depois dos comerciais, saberemos se este bebê é menino ou menina! Má oeeeeeeeeee”. Alguma coisa assim. Mas não. A descoberta veio despretensiosa, perdida entre outras descrições anatômicas.

Hoje, tenho muito mais convicção da importância desse momento. Agora que sei que vem aí um garotão cheio de saúde e vontade de viver (amém!), consigo enxergar melhor os próximos meses e anos. O tipo de roupa que lhe compraremos, os gestos que podemos dele esperar, os sonhos que podemos ter. Descobrir o sexo do bebê ajuda muito na personificação desse novo indivíduo que já é tão querido sem sequer ter visto a luz do sol. É como se saber que vem um menino (e seria igual se fosse menina) contribuísse para deixar meu filho cada vez mais próximo e mais real.

Venha, Caetano. Papai e mamãe te esperam.

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Uma despedida

16/03/2010 - 23:24

Eu tinha 13 anos em julho de 1992, Passava as férias escolares na casa da minha avó. No dia 12, domingo, estava felicíssimo com a acachapante vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, no primeiro jogo da decisão do Brasileiro daquele ano, e que escutei pelo rádio.

Passava minha alegria ao meu pai, por telefone:

- Viu, papai, Flamengo ganhou de 3 a 0 do Botafogo! É quase campeão brasileiro!

- E o que falta pra ser campeão?

- Ah, domingo que vem tem novo jogo, e o Botafogo só é campeão se vencer o Flamengo por três gols de diferença.

- Ah, é?

- É!

- Hum… Então vamos no jogo.

Aquele convite, em tom de decisão irrevogável (bem ao jeito dele, é verdade) me pegou de surpresa. Nunca havia ido ao Maracanã com meu pai. Na verdade, fazia anos que ele não ia a um estádio de futebol. A última vez fora antes de eu nascer. Ele achava que o futebol de antigamente era melhor e que ir era perigoso, pela violência.

Mas entendi o que passou em sua cabeça. Seria, provavelmente, um jogo de uma torcida só, tamanha a empreitada que o Botafogo teria que sobrepor para ser campeão. Ainda bem que ele pensou assim, pois eu nem cogitava a hipótese de ir ao jogo.

Graças a meu pai, tive a oportunidade de ver o Flamengo campeão brasileiro. Lembro de muitos detalhes do jogo. O susto com a arquibancada caindo, durante a preliminar; a torcida tomando conta de todo o anel do Maraca; o golaço de Júnior, de falta, bem no gol em que eu estava em frente – e que me gerou uma perna ralada na comemoração; a comemoração do penta.

Mas o beijo do meu pai na minha testa, ao me ver feliz após um dos gols do Flamengo, é a minha maior lembrança daquele jogo, daquele dia. O beijo era o símbolo de tudo o que representou a ida do meu pai comigo ao Maracanã: uma prova de amor. Sim, era evidente, bem evidente. Ele me levar a uma decisão do Flamengo só podia ser uma prova de amor.

Não exatamente pelo fato de meu pai aparentar um certo desinteresse pelo futebol da época.

Mas porque meu pai era vascaíno.


Obrigado, papai, por tudo. Descanse, porque os últimos meses foram difíceis. Fique em paz, enquanto nós ficaremos, aqui, com a saudade e as boas lembranças, como essa.

Um beijo.

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O problema não é o metrô, é tudo!

21/12/2009 - 21:36

Com o perdão do termo, hoje foi foda.

Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in Rio, informava que uma composição avariada na estação Flamengo causava irregularidade nos intervalos. De fato, meu trem, sentido zona sul, demorou bem mais que o normal, assim como estava mais cheio do que de costume.

Ao passar pela estação do Catete, notei que as plataformas no sentido contrário (zona norte) estavam abarrotadas, chegando ao ápice da lotação no Largo do Machado, parada seguinte. O mais bizarro foi ouvir uma gritaria e perceber que ela vinha de um trem que saía lentamente da estação, no sentido zona norte, todo escuro e com gente dentro (?!?!). Pra completar o surrealismo do momento, o alto-falante do meu trem ecoava um homem gritando, em certo tom de desespero, “SIGILO! SIGILO!”.

Em Botafogo, meu destino, a situação da Carioca se repetia e filas enormes se formavam diante das catracas. Algo perto do caos.

Registrei mais ou menos no Twitter tudo que aconteceu – com algum delay, pois é Claro (com trocadilhos, por favor) que não consegui acessar o programinha dentro do metrô.

Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009

Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009 (clique para ver em tamanho normal)

Já recebi comentários dizendo que não houve problema algum na estação Flamengo. Alguns também lembraram que hoje houve a inauguração da estação General Osório e da conexão Pavuna-Botafogo, com a presença do presidente Lula (aliás, é o fim da picada que o presidente da República venha inaugurar UMA estação de metrô numa cidade como o Rio de Janeiro). Enfim, não tenho a menor ideia do que está acontecendo pra um sistema de transporte que era bonzinho ter se tornado decadente tão depressa.

Já tratei deste problema há quase um mês, quando foi proposto um boicote ao metrô. As razões da queda da qualidade permanecem obscuras. O Metrô, ao menos, assume que opera “no limite”. Mas vou lançar uma hipótese aqui. A descrição dela vai ser simples; sua existência, porém, é complexa.

Se o metrô diz que opera no limite, então houve um aumento do número de passageiros de uns tempos pra cá. Seria um reflexo de uma suposta superpopulação carioca? Não creio. Lembram-se quando questionei a inflação descabida dos preços dos imóveis na zona sul? No bom debate que lá rolou, uma das possíveis conclusões foi a demanda maior por casas e apartamentos em bairros próximos ao metrô. Esta procura seria motivada pela vontade do cidadão em passar longe do trânsito cada vez mais caótico do Rio de Janeiro. Com ar condicionado, intervalos pequenos entre um trem e outro e imunidade a engarrafamentos, o metrô parecia ser uma ótima alternativa à convivência com motoristas (tanto de automóveis quanto de ônibus) loucos e mal-educados.

Mas os investimentos do metrô não acompanharam o crescimento da demanda e, agora, estamos perto da saturação. É preciso, sim, que a companhia aplique mais recursos no sistema. Mas é preciso também repensar todo o sistema de tráfego da cidade do Rio de Janeiro. Não dá mais para conviver com automóveis que fecham cruzamentos e desrespeitam sinais, nem com ônibus que vivem lotados e conduzidos por motoristas sádicos. A saturação, na verdade, não é do metrô. É de todo o transporte na cidade.

Os agentes envolvidos são muitos: governo, empresas de transportes e toda a heterogênea população do Rio de Janeiro. Reacomodar esse intrincado e desequilibrado fluxo de forças não é nada fácil. A solução passa por um conjunto de medidas, como rigor na punição a motoristas que burlam as leis de trânsito, maior fiscalização e regulação das concessões de ônibus, trens, barcas e metrô e estímulo a meios alternativos, como as bicicletas. Se reduzirmos o estresse das enervantes viagens via transporte público ou particular, a demanda pelo serviço poderá ser mais equilibrada, e as pessoas poderão escolher entre ônibus, metrô ou trem pelo que for mais confortável, e não pelo menos pior.

Estamos à beira da Copa, das Olimpíadas e, ao mesmo tempo, do colapso do trânsito carioca. Se nada for feito, aposto dois tostões que, em poucos anos, este se tornará o maior problema do Rio de Janeiro, superando a segurança e equiparando-se à saúde.

P.S. Espero que compreendam a diferença do tom entre o que foi publicado no Twitter, durante os problemas, e o que está escrito aqui no blog, horas depois, de banho tomado e cuca fresca. Não pretendo iniciar um novo boicote ao metrô, prefiro dar uma chance às novidades que entrarão em vigor amanhã. Mas não retiro o que disse.

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Matemática dá o ar do mistério na venda de ingressos no futebol carioca

03/12/2009 - 9:27

Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro.

Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens.

O primeiro parágrafo desta reportagem já informa: “os seis mil ingressos (…) se esgotaram em uma hora e meia”.

Seis mil ingressos em 90 minutos = 66 ingressos por minuto.

As entradas eram vendidas apenas em uma bilheteria. Quantos guichês estavam abertos? Vamos chutar um número BEM alto: dez. Então cada guichê vendeu 6 ingressos por minuto.

Cada pessoa só poderia comprar 2 ingressos. Logo, cada guichê atendeu, em média, uma pessoa a cada 20 segundos.

Alguém acha isso razoável? Fila gigantesca, um aperto horroroso, a necessidade eventual de troco, guichê apertado… e um atendimento médio de uma pessoa por 20 segundos?

Que tal entrevistas com presidentes do Flamengo, da Suderj, da Ferj, da CBF, com o chefe da Polícia, o escambau? Todo mundo que estiver envolvido na negociata. É só apresentar esses números e exigir esclarecimentos sobre essa BAGUNÇA que é comprar ingressos pra jogo decisivo aqui no Rio de Janeiro. E não me venham com papinho de que isso só acontece quando o jogo é do Flamengo, pois há um ano os tricolores passaram por perrengue igual.

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