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	<title>Butuca Ligada &#187; vida louca vida</title>
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	<description>Informação é estar atento &#124; por Raphael Perret</description>
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		<title>Por um estilo de vida que ajude no combate ao câncer</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 11:47:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
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		<description><![CDATA[Alimentação, atividade física, equilíbrio emocional e meio ambiente: eis os quatro pilares em que se sustenta a biologia anticâncer de David Servan-Schreiber. O neurocientista e portador de um tumor cerebral, em "Anticâncer", traz suas pesquisas sobre os mecanismos de inibição e estímulo do sistema imunológico quando este encontra células cancerosas - que todos nós temos - e mostra como os hábitos de vida podem tratar e prevenir a doença.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><em><a href="http://2.bp.blogspot.com/-BFyc5fauc7A/TuDs-CUHeRI/AAAAAAAABoM/ZSF0Fi4ssEI/s1600/Anticancer_ler_.JPG"><img class="alignleft" style="margin-right: 10px;" title="Capa do livro &quot;Anticancer&quot;" src="http://2.bp.blogspot.com/-BFyc5fauc7A/TuDs-CUHeRI/AAAAAAAABoM/ZSF0Fi4ssEI/s1600/Anticancer_ler_.JPG" alt="Capa do livro &quot;Anticancer&quot;" width="138" /></a>Anticâncer</em>, lançado em 2007, é um relato de <a title="Verbete &quot;David Servan-Schreiber&quot; na Wikipedia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Servan-Schreiber">David Servan-Schreiber</a>, médico, sobre como a descoberta de que tinha câncer o levou a estudar os mecanismos de inibição e estímulo do sistema imunológico do corpo humano quando encontra células cancerosas &#8211; que todos nós carregamos, conforme destaca a quarta capa da publicação. As revelações, das mais óbvias às mais surpreendentes, são todas importantes.</p>
<p>O livro ganha força quando revela a irônica coincidência que ocorreu com o autor. Schreiber descobriu ter câncer no cérebro, ele que era psiquiatra e neurocientista. A revelação da doença foi ainda mais inusitada: substituindo um estudante que serviria de “cobaia” para um experimento em um aparelho de ressonância magnética. Passadas as angústias de quem descobre ter uma grave doença, o médico fez o tratamento convencional, foi curado e voltou às atividades normais. Porém, o tumor retornou.</p>
<p>A partir desse momento é que Schreiber inicia sua pesquisa sobre terapias alternativas aos métodos já existentes. Em seus estudos, começou a indagar-se por que o câncer na Ásia tem, dependendo da área do corpo atingida, uma incidência de 7 a 60 vezes menor do que no Ocidente, embora microtumores pré-cancerosos de próstata se apresentem na mesma quantidade em todo o mundo. Descobriu que a taxa de chineses que foram para os EUA e adquiriram a doença era igual à de um ocidental. E começou a concluir que a herança genética tem pouca influência sobre a possibilidade de se ter um câncer e o que afeta mesmo o crescimento de tumores malignos são os hábitos de vida.</p>
<p>Os resultados das pesquisas compõem o que Schreiber chama de “biologia anticâncer”, um conjunto de práticas fundamentais para a prevenção e o tratamento da doença. Essa “Biologia anticâncer” pode ser dividida em quatro grandes orientações, resumidas a seguir:</p>
<ul>
<li>cuidado especial com a alimentação, evitando o açúcar, preferindo uma dieta vegetariana, com flexibilidade para incluir, no máximo, peixes e carnes orgânicas;</li>
<li>buscar o equilíbrio emocional, tentando identificar e vencer seus traumas, e evitar trocar os mais desejos mais sinceros e profundos por uma aceitação de pessoas importantes (como, por exemplo, deixar de seguir uma carreira com que sempre se sonhou para seguir a profissão do pai e deixá-lo orgulhoso);</li>
<li>praticar atividades físicas;</li>
<li>dar atenção ao meio ambiente.</li>
</ul>
</div>
<div>
<p>Não cheguei a comparar com precisão, mas tive a impressão de que o tema alimentação é o mais destacado. Faz sentido, pois se trata da ação mais fácil e menos contraindicada, já que a dieta sugerida é rica em frutas, legumes e verduras. O autor ainda lista os alimentos com mais evidências de sucesso em um tratamento de câncer.</p>
<p><strong>Evidências científicas, pesquisas bem-sucedidas e a falta de apoio político e financeiro</strong></p>
<p>O melhor do livro é o misto de narração com dissertação &#8211; afinal, trata-se de uma história permeada por escolhas e argumentos que precisam de defesa e explicações. O relato é cheio de vida, uma fábula que transforma a arrogância de um cientista brilhante na humildade de um <em>open-minded</em> pesquisador que é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto de seu estudo. E a argumentação se equilibra entre a serenidade exigida pelo rigor científico e o entusiasmo na constatação dos avanços/progressos/evidências de que certas práticas e alimentos contribuem para a melhora ou, no mínimo, para um tratamento menos sofrido, sempre com referências a pesquisas feitas por outros cientistas. Schreiber defende suas teses e estudos, mas compreende os colegas médicos não prescreverem o que ele defende porque não há provas científicas, por exemplo, dos benefícios do chá verde ou da prática do judô.</p>
<p>O autor ainda encontra espaço para denunciar a falta de apoio financeiro para as pesquisas da influência dos alimentos no combate ao câncer, porque nenhuma empresa farmacêutica se beneficiaria disso (o que justifica a ausência de prova científica). Também cita o caso de um parlamentar norte-americano que, ao defender a diminuição do uso de carne vermelha por conta dos malefícios que ela traz, não conseguiu mais doações para as suas campanhas, já que vinha de um estado em que a pecuária era uma atividade econômica forte.</p>
<p>A atividade psiquiátrica lhe permitiu ter contato com outros portadores de câncer. O acompanhamento de pacientes a quem recomendava as práticas da “biologia anticâncer” e o consequente impacto positivo das medidas reforçaram suas hipóteses. Aliás, a própria vivência do autor ajuda a documentar sua teoria: ele relata como se sentiu melhor quando aperfeiçoou a alimentação. E sua própria longevidade também diz muita coisa: Schreiber morreu em julho de 2011, após lutar 19 anos contra a doença.</p>
<p>O autor não pretendia ser um iconoclasta. Sempre que pode, em <em>Anticâncer</em>reconhece a importância do tratamento convencional, embora critique médicos que “nem olham” para o paciente. Mas indica com ardor a aplicação da biologia anticâncer, lembrando que não há, na suprema maioria dos casos, contraindicação (exceto algumas atividades físicas).</p>
<p>Comecei a ler <em>Anticâncer</em> durante a pior fase da doença que tomou conta de meu pai, no final de 2009. Interrompi a leitura algumas semanas depois do início, mas a retomei porque passei a tentar entender o funcionamento dessa maligna doença. Recomendo fortemente. Aos céticos, tem as evidências científicas. Aos desiludidos, fontes de informação que podem trazer esperança e conhecimento para viver momentos tão difíceis. Lamento apenas, pelas circunstâncias da vida, não ter lido antes o livro. Talvez o desfecho não fosse diferente. Mas, pelo menos, teríamos tentado algo a mais.</p>
</div>
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		<title>Decolagem rumo ao passado</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Jun 2011 00:42:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém dizer que gosta de viajar de avião, hoje, pode ser internado na hora. Mas confesso que tenho um prazer nostálgico ao frequentar aeroportos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2011/06/Galeao1.jpg"><img class="size-medium wp-image-2699 alignleft" style="margin-right: 1em;" title="Aeroporto Internacional Tom Jobim, antigo Galeão. Fonte: Infraero" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2011/06/Galeao1-300x200.jpg" alt="Foto do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Fonte: Infraero" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Gostar de viajar no Brasil de hoje é uma insanidade. Quem é capaz de ter prazer em desviar das inúmeras obras nos saguões dos aeroportos, ser abordado por fiscais mal-humorados, aguardar horas em filas para fazer check-in, para embarcar e para sentar-se no avião e, no fim disso tudo, ainda viajar espremido em assentos nos quais só o Marco Maciel pode sentir-se realmente confortável? Acho que&#8230; eu.</p>
<p>Não, não me agradam esses perrengues. Quando acontecem em profusão (quase sempre, infelizmente), a irritação é tamanha que só quero chegar ao meu destino o mais rápido possível. Mas confesso que ainda tenho algum prazer por todo o clima que envolve aviões e, sobretudo, aeroportos. Provavelmente uma conservação da minha infância dentro desta alma aparentemente adulta.</p>
<p>Meus passeios de avião, quando criança, foram muito raros. E, não se esqueça, nos meados dos anos 80 viajar era muito caro, privilégio de executivos, políticos e famílias de renda alta. Lembro de ver, há pouco tempo, uma foto numa dessas revistas que as companhias colocam na frente do passageiro para distraí-lo. Ela mostrava uma espécie de bar, com pessoas segurando drinks em volta de um músico tocando piano. Segundo a legenda, tratava-se do segundo andar de um avião antigo, se não me engano nos anos 70, quando os vôos ostentavam muito luxo, bem ao contrário dos tempos de hoje. Por isso, eu só ia a aeroportos com meu pai para levar ou buscar minha mãe, que viajava bastante a serviço pelo IBGE. E eu adorava esses momentos. Raros e, até por isso, valiosos.</p>
<p>Lembro que o aeroporto era silencioso. Tinha um cheiro bom. Imponente, exigia respeito e concentração. A voz suave e robótica da <a href="http://www.irislettieri.com.br/">Íris Lettieri</a> reforçava o tom solene do ambiente. Adorava comer nos restaurantes e lanchonetes do Galeão, bem como admirar os produtos importados e caros por trás das vitrines das lojinhas. Vivia imaginando como seria trabalhar ali diariamente, tão perto de monstros alados que pousavam e decolavam a poucos metros dali, para destinos os mais variados. Acho que o aeroporto era o mais próximo que eu chegava de uma viagem internacional, sonho não realizado por muito tempo.</p>
<p>Hoje, viajo com mais freqüência por questões profissionais e, por isso, a banalização dos vôos corta um pouco o glamour de outrora. Também está mais clara a negligência com os aeroportos, principalmente do Galeão, tão mal cuidado. Mas confesso que ainda me dá uma sensação gostosa folhear as publicações expostas nas grandes livrarias, tomar um café durante a espera pela chamada de embarque, ver os painéis eletrônicos indicando horários, portões e avisos. O ambiente, há muito tempo, deixou de ser silencioso e perfumado. Mas, apesar dos maus tratos, os aeroportos se esforçam em ser lugares aprazíveis para minimizar o sofrimento de longas esperas. Apesar de tudo, ainda merecem o meu respeito. Nostálgico, mas sincero.</p>
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		<title>Satisfações</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 22:10:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sumi, né? Estou de olho, de vez em quando, neste precioso espaço. Mas está difícil escrever. O trabalho me absorve, tenho muitas atividades após o horário laboral e, ao fim de semana, resta o único tempo possível para me dedicar aos preparativos da chegada do Caetano. Acredito que poderei voltar a escrever em breve, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2010/05/pintando.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2645" title="Pintando o quartinho do Caetano" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2010/05/pintando-300x205.jpg" alt="Pintando o quartinho do Caetano" width="300" height="205" /></a></p>
<p>Sumi, né?</p>
<p>Estou de olho, de vez em quando, neste precioso espaço. Mas está difícil escrever. O trabalho me absorve, tenho muitas atividades após o horário laboral e, ao fim de semana, resta o único tempo possível para me dedicar aos preparativos da <a href="http://www.butucaligada.com.br/2010/04/07/venha-caetano/">chegada do Caetano</a>.</p>
<p>Acredito que poderei voltar a escrever em breve, não chorem. Aí em cima, uma foto que retrata bem o que tem sido minhas últimas semanas: arrumando as coisas para nosso bebê (no caso, pintando o quarto dele) <img src='http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>Venha, Caetano</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 00:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O sexo&#8230; Não tem nem dúvida! Tá aqui o saquinho&#8230; o piruzinho&#8221;&#8230; &#8230;dizia o médico, enquanto um cursor na tela do ultrassom envolvia as partes íntimas do meu filho, que há 4 meses e meio flutua na barriga da mamãe. Aquelas palavras, ditas de forma tão banal, em um tom tão monocórdio quanto o que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220;O sexo&#8230; Não tem nem dúvida! Tá aqui o saquinho&#8230; o piruzinho&#8221;&#8230;</p></blockquote>
<p>&#8230;dizia o médico, enquanto um cursor na tela do ultrassom envolvia as partes íntimas do meu filho, que há 4 meses e meio flutua na barriga da mamãe. Aquelas palavras, ditas de forma tão banal, em um tom tão monocórdio quanto o que ele usou ao descrever o tamanho do fêmur ou a localização do rim direito naquelas imagens gelatinosas, destruíram qualquer expectativa criada para a informação mais esperada desde&#8230; desde&#8230; o teste da gravidez da Adriana.</p>
<p>Aliás, olhei para a Adriana na hora da confirmação e esperava encontrar cumplicidade na surpresa. Mas ela, tão convicta de que trazia um menino desde a formação do zigoto, ouviu o médico como se escutasse uma notícia de rádio que se repete de hora em hora. Só reagiu quando me viu: sorriu, com aquela famosa cara de &#8220;não falei&#8221;?</p>
<p>A verdade é que eu imaginei um mínimo de cerimônia antes daquela informação tão aguardada. &#8220;Vocês querem saber o sexo?&#8221; &#8220;Vocês já sabem o sexo?&#8221; &#8220;Depois dos comerciais, saberemos se este bebê é menino ou menina! Má oeeeeeeeeee&#8221;. Alguma coisa assim. Mas não. A descoberta veio despretensiosa, perdida entre outras descrições anatômicas.</p>
<p>Hoje, tenho muito mais convicção da importância desse momento. Agora que sei que vem aí um garotão cheio de saúde e vontade de viver (amém!), consigo enxergar melhor os próximos meses e anos. O tipo de roupa que lhe compraremos, os gestos que podemos dele esperar, os sonhos que podemos ter. Descobrir o sexo do bebê ajuda muito na personificação desse novo indivíduo que já é tão querido sem sequer ter visto a luz do sol. É como se saber que vem um menino (e seria igual se fosse menina) contribuísse para deixar meu filho cada vez mais próximo e mais real.</p>
<p>Venha, Caetano. Papai e mamãe te esperam.</p>
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		<title>Uma despedida</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2010/03/16/uma-despedida/</link>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 02:24:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu tinha 13 anos em julho de 1992, Passava as férias escolares na casa da minha avó. No dia 12, domingo, estava felicíssimo com a acachapante vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, no primeiro jogo da decisão do Brasileiro daquele ano, e que escutei pelo rádio. Passava minha alegria ao meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tinha 13 anos em julho de 1992, Passava as férias escolares na casa da minha avó. No dia 12, domingo, estava felicíssimo com a acachapante vitória de 3 a 0 do Flamengo sobre o Botafogo, no primeiro jogo da decisão do Brasileiro daquele ano, e que escutei pelo rádio.</p>
<p>Passava minha alegria ao meu pai, por telefone:</p>
<blockquote><p>- Viu, papai, Flamengo ganhou de 3 a 0 do Botafogo! É quase campeão brasileiro!</p>
<p>- E o que falta pra ser campeão?</p>
<p>- Ah, domingo que vem tem novo jogo, e o Botafogo só é campeão se vencer o Flamengo por três gols de diferença.</p>
<p>- Ah, é?</p>
<p>- É!</p>
<p>- Hum&#8230; Então vamos no jogo.</p></blockquote>
<p>Aquele convite, em tom de decisão irrevogável (bem ao jeito dele, é verdade) me pegou de surpresa. Nunca havia ido ao Maracanã com meu pai. Na verdade, fazia anos que ele não ia a um estádio de futebol. A última vez fora antes de eu nascer. Ele achava que o futebol de antigamente era melhor e que ir era perigoso, pela violência.</p>
<p>Mas entendi o que passou em sua cabeça. Seria, provavelmente, um jogo de uma torcida só, tamanha a empreitada que o Botafogo teria que sobrepor para ser campeão. Ainda bem que ele pensou assim, pois eu nem cogitava a hipótese de ir ao jogo.</p>
<p>Graças a meu pai, tive a oportunidade de ver o Flamengo campeão brasileiro. Lembro de muitos detalhes do jogo. O susto com a arquibancada caindo, durante a preliminar; a torcida tomando conta de todo o anel do Maraca; o golaço de Júnior, de falta, bem no gol em que eu estava em frente – e que me gerou uma perna ralada na comemoração; a comemoração do penta.</p>
<p>Mas o beijo do meu pai na minha testa, ao me ver feliz após um dos gols do Flamengo, é a minha maior lembrança daquele jogo, daquele dia. O beijo era o símbolo de tudo o que representou a ida do meu pai comigo ao Maracanã: uma prova de amor. Sim, era evidente, bem evidente. Ele me levar a uma decisão do Flamengo só podia ser uma prova de amor.</p>
<p>Não exatamente pelo fato de meu pai aparentar um certo desinteresse pelo futebol da época.</p>
<p>Mas porque meu pai era vascaíno.</p>
<hr />Obrigado, papai, por tudo. Descanse, porque os últimos meses foram difíceis. Fique em paz, enquanto nós ficaremos, aqui, com a saudade e as boas lembranças, como essa.</p>
<p>Um beijo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O problema não é o metrô, é tudo!</title>
		<link>http://www.butucaligada.com.br/2009/12/21/o-problema-nao-e-o-metro-e-tudo/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 00:36:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[trânsito]]></category>
		<category><![CDATA[transportes]]></category>
		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o perdão do termo, hoje foi foda. Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o perdão do termo, hoje foi foda.</p>
<p>Cheguei na estação Carioca do metrô mais ou menos às 18:10 e metade das roletas estavam interditadas. Obviamente, filas gigantescas se formavam nas catracas restantes. Era uma medida dos operadores para evitar que a plataforma ficasse lotada. O alto-falante, numa potência de noite metaleira do Rock in Rio, informava que uma composição avariada na estação Flamengo causava irregularidade nos intervalos. De fato, meu trem, sentido zona sul, demorou bem mais que o normal, assim como estava mais cheio do que de costume.</p>
<p>Ao passar pela estação do Catete, notei que as plataformas no sentido contrário (zona norte) estavam abarrotadas, chegando ao ápice da lotação no Largo do Machado, parada seguinte. O mais bizarro foi ouvir uma gritaria e perceber que ela vinha de um trem que saía lentamente da estação, no sentido zona norte, todo escuro e com gente dentro (?!?!). Pra completar o surrealismo do momento, o alto-falante do meu trem ecoava um homem gritando, em certo tom de desespero, &#8220;SIGILO! SIGILO!&#8221;.</p>
<p>Em Botafogo, meu destino, a situação da Carioca se repetia e filas enormes se formavam diante das catracas. Algo perto do caos.</p>
<p>Registrei mais ou menos no Twitter tudo que aconteceu &#8211; com algum delay, pois é Claro (<strong>com trocadilhos, por favor</strong>) que não consegui acessar o programinha dentro do metrô.</p>
<div style="text-align:center"><a href="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/12/twitter_metro.jpg"><img class="size-medium wp-image-2553" title="twitter_metro" src="http://www.butucaligada.com.br/wp/wp-content/uploads/2009/12/twitter_metro-257x300.jpg" alt="Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009" width="257" height="300" /></a></p>
<div class="legenda">Minha página do Twitter, em tela capturada às 21:10 de 21/12/2009 (clique para ver em tamanho normal)</div>
</div>
<p>Já recebi comentários dizendo que não houve problema algum na estação Flamengo. Alguns também lembraram que hoje houve a inauguração da estação General Osório e da conexão Pavuna-Botafogo, com a presença do presidente Lula (aliás, é o fim da picada que o presidente da República venha inaugurar UMA estação de metrô numa cidade como o Rio de Janeiro). Enfim, não tenho a menor ideia do que está acontecendo pra um sistema de transporte que era bonzinho ter se tornado decadente tão depressa.</p>
<p><a title="Segunda-feira tem boicote ao metrô. Falta agora uns aos ônibus, trens e barcas" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/11/29/segunda-feira-tem-boicote-ao-metro-falta-aos-onibus-trens-e-barcas/">Já tratei deste problema há quase um mês, quando foi proposto um boicote ao metrô</a>. As razões da queda da qualidade permanecem obscuras. O Metrô, ao menos,<a title="Após dois dias seguidos de problemas técnicos, diretor do metrô admite que sistema está perto do limite e pede paciência" href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/12/18/apos-dois-dias-seguidos-de-problemas-tecnicos-diretor-do-metro-admite-que-sistema-esta-perto-do-limite-pede-paciencia-915285956.asp"> assume que opera &#8220;no limite&#8221;</a>. Mas vou lançar uma hipótese aqui. A descrição dela vai ser simples; sua existência, porém, é complexa.</p>
<p>Se o metrô diz que opera no limite, então houve um aumento do número de passageiros de uns tempos pra cá. Seria um reflexo de uma suposta superpopulação carioca? Não creio. Lembram-se quando <a title="Por que o preço dos imóveis na Zona Sul aumentou tanto?" href="http://www.butucaligada.com.br/2009/11/23/por-que-o-preco-dos-imoveis-na-zona-sul-aumentou-tanto/">questionei a inflação descabida dos preços dos imóveis na zona sul</a>? No bom debate que lá rolou, uma das possíveis conclusões foi a demanda maior por casas e apartamentos em bairros próximos ao metrô. Esta procura seria motivada pela vontade do cidadão em passar longe do trânsito cada vez mais caótico do Rio de Janeiro. Com ar condicionado, intervalos pequenos entre um trem e outro e imunidade a engarrafamentos, o metrô parecia ser uma ótima alternativa à convivência com motoristas (tanto de automóveis quanto de ônibus) loucos e mal-educados.</p>
<p>Mas os investimentos do metrô não acompanharam o crescimento da demanda e, agora, estamos perto da saturação. É preciso, sim, que a companhia aplique mais recursos no sistema. Mas é preciso também repensar todo o sistema de tráfego da cidade do Rio de Janeiro. Não dá mais para conviver com automóveis que fecham cruzamentos e desrespeitam sinais, nem com ônibus que vivem lotados e conduzidos por motoristas sádicos. A saturação, na verdade, não é do metrô. É de todo o transporte na cidade.</p>
<p>Os agentes envolvidos são muitos: governo, empresas de transportes e toda a heterogênea população do Rio de Janeiro. Reacomodar esse intrincado e desequilibrado fluxo de forças não é nada fácil. A solução passa por um conjunto de medidas, como rigor na punição a motoristas que burlam as leis de trânsito, maior fiscalização e regulação das concessões de ônibus, trens, barcas e metrô e estímulo a meios alternativos, como as bicicletas. Se reduzirmos o estresse das enervantes viagens via transporte público ou particular, a demanda pelo serviço poderá ser mais equilibrada, e as pessoas poderão escolher entre ônibus, metrô ou trem pelo que for mais confortável, e não pelo menos pior.</p>
<p>Estamos à beira da Copa, das Olimpíadas e, ao mesmo tempo, do colapso do trânsito carioca. Se nada for feito, aposto dois tostões que, em poucos anos, este se tornará o maior problema do Rio de Janeiro, superando a segurança e equiparando-se à saúde.</p>
<p><em>P.S. Espero que compreendam a diferença do tom entre o que foi publicado no Twitter, durante os problemas, e o que está escrito aqui no blog, horas depois, de banho tomado e cuca fresca. Não pretendo iniciar um novo boicote ao metrô, prefiro dar uma chance às novidades que entrarão em vigor amanhã. Mas não retiro o que disse. </em></p>
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		<title>Matemática dá o ar do mistério na venda de ingressos no futebol carioca</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 12:27:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro. Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens. O primeiro parágrafo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não vou falar da confusão na venda dos ingressos, que é, pra mim, algo incompreensível neste ano de 2009. Não se tem conhecimento da conjunção porradaria, tumulto, polícia e bombas em vendas de entradas para shows, cinema e teatro.</p>
<p>Vou, aqui, comentar, bem objetivamente, um mistério que nunca é abordado nessas reportagens.</p>
<p>O primeiro parágrafo <a href="http://oglobo.globo.com/esportes/brasileiro2009/mat/2009/12/02/com-tumulto-ingressos-para-jogo-do-flamengo-contra-gremio-esgotam-se-rapidamente-915013988.asp">desta reportagem</a> já informa: &#8220;os seis mil ingressos (&#8230;) se esgotaram em uma hora e meia&#8221;.</p>
<p>Seis mil ingressos em 90 minutos = 66 ingressos por minuto.</p>
<p>As entradas eram vendidas apenas em uma bilheteria. Quantos guichês estavam abertos? Vamos chutar um número BEM alto: dez. Então cada guichê vendeu 6 ingressos por minuto.</p>
<p>Cada pessoa só poderia comprar 2 ingressos. Logo, cada guichê atendeu, em média, uma pessoa a cada 20 segundos.</p>
<p>Alguém acha isso razoável? Fila gigantesca, um aperto horroroso, a necessidade eventual de troco, guichê apertado&#8230; e um atendimento médio de <strong>uma pessoa por 20 segundos</strong>?</p>
<p>Que tal entrevistas com presidentes do Flamengo, da Suderj, da Ferj, da CBF, com o chefe da Polícia, o escambau? Todo mundo que estiver envolvido na negociata. É só apresentar esses números e exigir esclarecimentos sobre essa BAGUNÇA que é comprar ingressos pra jogo decisivo aqui no Rio de Janeiro. E não me venham com papinho de que isso só acontece quando o jogo é do Flamengo, <a href="http://www.butucaligada.com.br/2008/06/25/ingressos-esgotados-voce-tricolor-esta-com-o-seu/">pois há um ano os tricolores passaram por perrengue igual</a>.</p>
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		<title>Caso da Uniban detalha bem a cultura brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 22:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O último episódio do tosco caso da Uniban terminou com a expulsão da aluna que trajava um vestido curto e causou alvoroço nos estudantes (?!). A rápida decisão da diretoria é impressionante. Impressionante porque, muitas vezes, não acontece nada com aluno de faculdade autor de trote violento (e, portanto, CRIMINOSO), nem com estudante que fica vinte anos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O último episódio do tosco caso da Uniban terminou com a <a href="http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1370691-5605,00-UNIBAN+ANUNCIA+EXPULSAO+DE+ALUNA+HOSTILIZADA+POR+USAR+MINIVESTIDO.html">expulsão da aluna</a> que trajava um vestido curto e causou alvoroço nos estudantes (?!). A rápida decisão da diretoria é impressionante.</p>
<p>Impressionante porque, muitas vezes, não acontece nada com aluno de faculdade autor de trote violento (e, portanto, CRIMINOSO), nem com estudante que fica vinte anos na universidade, empurrando com a barriga, ocupando vaga de gente mais interessada.</p>
<p>Tudo isso mostra, sutilmente, traços da cultura nacional: provinciana, machista e paternalista. Triste.</p>
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		<title>NET não consegue registrar corretamente um número de três dígitos</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 14:16:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando morava na minha casa anterior, a conta da NET só chegava às minhas mãos porque o prédio era pequeno e todos se conheciam. Afinal, a empresa tinha, em seu cadastro, a minha rua correta, mas o apartamento era errado. Era inclusive um número que nem existia no edifício. Pra deixar mais claro: meu apartamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando morava na minha casa anterior, a conta da NET só chegava às minhas mãos porque o prédio era pequeno e todos se conheciam. Afinal, a empresa tinha, em seu cadastro, a minha rua correta, mas o apartamento era errado. Era inclusive um número que nem existia no edifício. Pra deixar mais claro: meu apartamento era 3, o cadastrado era 204.</p>
<p>Ao me mudar, solicitei a alteração do endereço. <strong>E de novo o apartamento ficou cadastrado &#8211; muito &#8211; errado!!!</strong> A falha deles me custou mais dois dias de espera para a instalação da NET na casa nova, já que o técnico vinha e tocava a campainha errada.</p>
<p>E hoje chega a conta&#8230; com o endereço, mais uma vez, ERRADO.</p>
<p>Resumo da ópera: quando vejo as propagandas ridículas da NET, penso que a empresa podia ser menos avarenta e investir mais no sistema de cadastro de seus assinantes.</p>
<p>Nem precisa gastar muito, na verdade: qualquer estudante de primeiro período de Informática consegue fazer aplicativo mais eficiente.</p>
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		<title>Precisamos de novas alternativas ao fiador do aluguel</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 03:13:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Perret</dc:creator>
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		<category><![CDATA[vida louca vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Publiquei este post em 24 de novembro de 2005. Como passo agora por uma situação que poderia muito bem inspirar a produção do texto, resolvi republicá-lo, mudando apenas o título, já que o anterior, &#8220;Está na hora de acabar com o fiador&#8221;, simbolizava uma proposta ainda muito distante da realidade. Além disso, reparei que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="font-size: 0.8em"><em>Publiquei este post em 24 de novembro de 2005. Como passo agora por uma situação que poderia muito bem inspirar a produção do texto, resolvi republicá-lo, mudando apenas o título, já que o anterior, &#8220;Está na hora de acabar com o fiador&#8221;, simbolizava uma proposta ainda muito distante da realidade. Além disso, reparei que o seguro-fiança começa a ganhar um pouco mais de aceitação, o que pode demonstrar algum avanço nas relações entre inquilino e proprietário. Porém, a mensagem principal do texto permanece.</em></div>
<div style="font-size: 0.8em"><em><br />
</em></div>
<p>Especialistas afirmam que a <a href="http://odia.terra.com.br//economia/htm/geral_12567.asp">MP do Bem</a>, sancionada segunda-feira pelo presidente Lula, pode acabar com um medievalismo que impera até hoje nas locações imobiliárias: a necessidade de um fiador para o fechamento de um contrato de aluguel.</p>
<p>Para quem nunca passou por esse perrengue, um parêntese explicativo. Quando um cidadão deseja alugar um imóvel, o proprietário, além de cobrar um pagamento mensal, exige garantias para evitar tomar um cano do inquilino. São basicamente três os expedientes de segurança do locador:</p>
<p>a) DEPÓSITO &#8211; o inquilino deposita, numa poupança, o valor correspondente a três meses de aluguel. Se ele não pagar o aluguel, o proprietário pode retirar do depósito a quantia devida. No fim do contrato, o depósito e os rendimentos retornam ao locatário.</p>
<p>b) SEGURO-FIANÇA &#8211; é a terceirização da garantia. Contrata-se uma empresa que assegurará o pagamento do aluguel no caso de inadimplência do inquilino. Em geral, quem paga a seguradora é o morador.</p>
<p>c) FIADOR &#8211; uma pessoa fica responsável pelo pagamento das dívidas do inquilino se este não cumprir com suas obrigações mensais de locatário. O fiador deve possuir um imóvel na cidade (em alguns casos, dois!) e ter uma renda três vezes superior ao preço do aluguel.</p>
<p>A maioria dos proprietários de imóvel, pelo menos no Rio de Janeiro, aceita exclusivamente o fiador. O depósito sustenta apenas três meses de aluguel e o seguro-fiança exige um custo extra mensal com o qual poucos se dispõem a arcar. Em compensação, o envolvimento de um fiador dificulta, em tese, a inadimplência, já que o inquilino se compromete com uma terceira pessoa, não raro um parente ou amigo.</p>
<p>Porém, se os donos precisam se proteger, os inquilinos também precisam alugar! E os três métodos costumam ser muito severos com os candidatos a locatários. Nem todos têm recursos imediatos para oferecer o depósito e, quando têm, nem sempre ele é aceito. Seguros-fiança são caros e também não gozam de popularidade entre os proprietários. Sobra o fiador e, com ele, dezenas de percalços.</p>
<p>Ninguém é obrigado a conhecer uma pessoa que tenha uma casa na mesma cidade do imóvel em vista e um renda que encubra em três vezes o valor do aluguel. Se conhece, é sempre constrangedor fazer o pedido ao possível fiador, seja ele o pai querido ou o melhor amigo. E, ainda que o incauto aventureiro supere essas duas etapas, há mais um risco. Antes de fechar o contrato, o proprietário faz uma checagem de crédito do locatário, do fiador e de seus cônjuges. A avaliação intrusiva analisa, em alguns casos, até a declaração de imposto de renda dos envolvidos. Se a mulher do fiador estiver com ficha no SPC, o dono do imóvel pode recusar a proposta. Descobre-se, assim, uma informação humilhantemente desnecessária que, muitas vezes, levam o convidado a fiador, já ciente do entrave, a declinar do pedido.</p>
<p>Enfim, a obrigatoriedade do fiador se revela um método de garantia arcaico, paleozóico, baseado em relações de constrição e intimidação. Já era hora de se criar um mecanismo mais avançado, que certifique um contrato mais seguro ao proprietário e menos rigoroso ao inquilino.</p>
<p>Voltamos, então, à MP do Bem, que permite a criação de um fundo de investimentos, onde o inquilino deposita uma quantia e que rende como qualquer outra aplicação financeira. É uma evolução do depósito: se antes ele era feito em poupança, agora é efetuado em um fundo de rentabilidade maior. Parece vantajoso, mas especialistas crêem que o valor a ser exigido para iniciar a aplicação será de 8 a 12 (!!!!) vezes o aluguel.</p>
<p>Essa é uma medida totalmente assimétrica. Ela aumenta a garantia do proprietário, inquilinos com mais recursos podem dar adeus ao fiador, mas locatários sem poder de barganha não terão como utilizar o mecanismo e continuarão em busca de alguém que lhes assegure a fiança.</p>
<p>O novo fundo promete aquecer o mercado imobiliário. É possível, mas o alcance seria maior se fosse instituída uma saída mais viável para se evitar o fiador. Por que não criar uma aplicação similar, mas na qual o inquilino deposite mensalmente uma quantia? Seria um seguro-fiança mais rentável para o locatário, semelhante a um plano previdenciário. É apenas uma sugestão. Vale tudo para se acabar com a intransigente e medieval necessidade do fiador para um contrato de locação imobiliária.</p>
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