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Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
  

Posts com a tag ‘vida louca vida’

Caso da Uniban detalha bem a cultura brasileira

08/11/2009 - 19:23

O último episódio do tosco caso da Uniban terminou com a expulsão da aluna que trajava um vestido curto e causou alvoroço nos estudantes (?!). A rápida decisão da diretoria é impressionante.

Impressionante porque, muitas vezes, não acontece nada com aluno de faculdade autor de trote violento (e, portanto, CRIMINOSO), nem com estudante que fica vinte anos na universidade, empurrando com a barriga, ocupando vaga de gente mais interessada.

Tudo isso mostra, sutilmente, traços da cultura nacional: provinciana, machista e paternalista. Triste.

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NET não consegue registrar corretamente um número de três dígitos

03/10/2009 - 11:16

Quando morava na minha casa anterior, a conta da NET só chegava às minhas mãos porque o prédio era pequeno e todos se conheciam. Afinal, a empresa tinha, em seu cadastro, a minha rua correta, mas o apartamento era errado. Era inclusive um número que nem existia no edifício. Pra deixar mais claro: meu apartamento era 3, o cadastrado era 204.

Ao me mudar, solicitei a alteração do endereço. E de novo o apartamento ficou cadastrado – muito – errado!!! A falha deles me custou mais dois dias de espera para a instalação da NET na casa nova, já que o técnico vinha e tocava a campainha errada.

E hoje chega a conta… com o endereço, mais uma vez, ERRADO.

Resumo da ópera: quando vejo as propagandas ridículas da NET, penso que a empresa podia ser menos avarenta e investir mais no sistema de cadastro de seus assinantes.

Nem precisa gastar muito, na verdade: qualquer estudante de primeiro período de Informática consegue fazer aplicativo mais eficiente.

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Precisamos de novas alternativas ao fiador do aluguel

19/08/2009 - 0:13
Publiquei este post em 24 de novembro de 2005. Como passo agora por uma situação que poderia muito bem inspirar a produção do texto, resolvi republicá-lo, mudando apenas o título, já que o anterior, “Está na hora de acabar com o fiador”, simbolizava uma proposta ainda muito distante da realidade. Além disso, reparei que o seguro-fiança começa a ganhar um pouco mais de aceitação, o que pode demonstrar algum avanço nas relações entre inquilino e proprietário. Porém, a mensagem principal do texto permanece.

Especialistas afirmam que a MP do Bem, sancionada segunda-feira pelo presidente Lula, pode acabar com um medievalismo que impera até hoje nas locações imobiliárias: a necessidade de um fiador para o fechamento de um contrato de aluguel.

Para quem nunca passou por esse perrengue, um parêntese explicativo. Quando um cidadão deseja alugar um imóvel, o proprietário, além de cobrar um pagamento mensal, exige garantias para evitar tomar um cano do inquilino. São basicamente três os expedientes de segurança do locador:

a) DEPÓSITO – o inquilino deposita, numa poupança, o valor correspondente a três meses de aluguel. Se ele não pagar o aluguel, o proprietário pode retirar do depósito a quantia devida. No fim do contrato, o depósito e os rendimentos retornam ao locatário.

b) SEGURO-FIANÇA – é a terceirização da garantia. Contrata-se uma empresa que assegurará o pagamento do aluguel no caso de inadimplência do inquilino. Em geral, quem paga a seguradora é o morador.

c) FIADOR – uma pessoa fica responsável pelo pagamento das dívidas do inquilino se este não cumprir com suas obrigações mensais de locatário. O fiador deve possuir um imóvel na cidade (em alguns casos, dois!) e ter uma renda três vezes superior ao preço do aluguel.

A maioria dos proprietários de imóvel, pelo menos no Rio de Janeiro, aceita exclusivamente o fiador. O depósito sustenta apenas três meses de aluguel e o seguro-fiança exige um custo extra mensal com o qual poucos se dispõem a arcar. Em compensação, o envolvimento de um fiador dificulta, em tese, a inadimplência, já que o inquilino se compromete com uma terceira pessoa, não raro um parente ou amigo.

Porém, se os donos precisam se proteger, os inquilinos também precisam alugar! E os três métodos costumam ser muito severos com os candidatos a locatários. Nem todos têm recursos imediatos para oferecer o depósito e, quando têm, nem sempre ele é aceito. Seguros-fiança são caros e também não gozam de popularidade entre os proprietários. Sobra o fiador e, com ele, dezenas de percalços.

Ninguém é obrigado a conhecer uma pessoa que tenha uma casa na mesma cidade do imóvel em vista e um renda que encubra em três vezes o valor do aluguel. Se conhece, é sempre constrangedor fazer o pedido ao possível fiador, seja ele o pai querido ou o melhor amigo. E, ainda que o incauto aventureiro supere essas duas etapas, há mais um risco. Antes de fechar o contrato, o proprietário faz uma checagem de crédito do locatário, do fiador e de seus cônjuges. A avaliação intrusiva analisa, em alguns casos, até a declaração de imposto de renda dos envolvidos. Se a mulher do fiador estiver com ficha no SPC, o dono do imóvel pode recusar a proposta. Descobre-se, assim, uma informação humilhantemente desnecessária que, muitas vezes, levam o convidado a fiador, já ciente do entrave, a declinar do pedido.

Enfim, a obrigatoriedade do fiador se revela um método de garantia arcaico, paleozóico, baseado em relações de constrição e intimidação. Já era hora de se criar um mecanismo mais avançado, que certifique um contrato mais seguro ao proprietário e menos rigoroso ao inquilino.

Voltamos, então, à MP do Bem, que permite a criação de um fundo de investimentos, onde o inquilino deposita uma quantia e que rende como qualquer outra aplicação financeira. É uma evolução do depósito: se antes ele era feito em poupança, agora é efetuado em um fundo de rentabilidade maior. Parece vantajoso, mas especialistas crêem que o valor a ser exigido para iniciar a aplicação será de 8 a 12 (!!!!) vezes o aluguel.

Essa é uma medida totalmente assimétrica. Ela aumenta a garantia do proprietário, inquilinos com mais recursos podem dar adeus ao fiador, mas locatários sem poder de barganha não terão como utilizar o mecanismo e continuarão em busca de alguém que lhes assegure a fiança.

O novo fundo promete aquecer o mercado imobiliário. É possível, mas o alcance seria maior se fosse instituída uma saída mais viável para se evitar o fiador. Por que não criar uma aplicação similar, mas na qual o inquilino deposite mensalmente uma quantia? Seria um seguro-fiança mais rentável para o locatário, semelhante a um plano previdenciário. É apenas uma sugestão. Vale tudo para se acabar com a intransigente e medieval necessidade do fiador para um contrato de locação imobiliária.

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Marcelo Nóbrega, fique em paz

29/05/2009 - 18:26

Morreu hoje Marcelo Nóbrega, jornalista, blogueiro, especialista em tecnologia. Trabalhamos “juntos” no Jornal do Brasil, no início do século. Digo “juntos” entre aspas porque, embora tenhamos feito textos para as mesmas matérias, eu era frila e ele, empregado do jornal. Foi um período curto, mas o suficiente para trocarmos boas expectativas um em relação ao outro.

Sempre o admirei com respeito e simpatia, por ter mostrado ser uma pessoa inteligente, séria e boa. E também lhe tinha muita gratidão. Marcelo, quando assumiu a editoria do caderno de Informática do jornal, me chamou outras vezes para novos frilas e até me ofereceu uma vaga fixa no jornal, oportunidade que gentilmente recusei porque já tinha outro emprego.

Marcelo era casado com Elisa Travalloni, também jornalista, minha colega de turma na Uerj e, sobretudo, uma querida amiga.

Por ele, lamento a perda de uma pessoa que muito tinha a contribuir. Pior para nós.

Por ela, lamento a apertada e indescritível dor.

Descanse em paz, Marcelo.

Força, Elisa.

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Invasão nas Laranjeiras comprova altos índices de desemprego

27/05/2009 - 20:15

Gente, vamos parar de nos enganar? A crise chegou ao Brasil.

Devagarinho, sorrateiramente, ela cruzou a linha do Equador e desembarcou em nossas terras. Não se sabe exatamente quando. A verdade é que uma série fluida de acontecimentos desencadeou outros tantos e, numa sequência de relações causais, culminou em altos índices de desemprego aqui no Brasil.

“Sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata”, já cantava Gonzaguinha. Sábias palavras do poeta! Desempregado, o homem se afunda no ócio, perde suas referências. Se não se apoiar sobre um bom suporte psicológico, distorce a realidade e passa a praticar atos que jamais faria em condições normais de temperatura e pressão, nas quais sua vida era preenchida por alguma atividade salutar. 

O desemprego revelou-se grave exatamente ontem, na invasão de torcedores no treino do Fluminense. As imagens são cruéis. É duro, mas insisto que veja. Vamos nos penalizar destas pessoas que, sem mais o que fazer na vida, se dirigem numa terça à tarde para protestar e agredir profissionais em seu ambiente de trabalho.

O que podemos fazer? Uma sugestão é oferecer um emprego, ou pelo menos um biscate a esses pobres cidadãos. Quem sabe, trabalhando, eles não preencham suas vazias mentes e vidas com algo útil? 

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