Informação é estar atento | Blog de Raphael Perret
Ficar de butuca: estar esperto, observar, prestar atenção. Butuca Ligada é atenção redobrada, ler as entrelinhas, examinar o superficial e o profundo. Saiba mais
Blog de Raphael Perret, jornalista, carioca, rubro-negro, em constante aprendizado
Morreu hoje Marcelo Nóbrega, jornalista, blogueiro, especialista em tecnologia. Trabalhamos “juntos” no Jornal do Brasil, no início do século. Digo “juntos” entre aspas porque, embora tenhamos feito textos para as mesmas matérias, eu era frila e ele, empregado do jornal. Foi um período curto, mas o suficiente para trocarmos boas expectativas um em relação ao outro.
Sempre o admirei com respeito e simpatia, por ter mostrado ser uma pessoa inteligente, séria e boa. E também lhe tinha muita gratidão. Marcelo, quando assumiu a editoria do caderno de Informática do jornal, me chamou outras vezes para novos frilas e até me ofereceu uma vaga fixa no jornal, oportunidade que gentilmente recusei porque já tinha outro emprego.
Marcelo era casado com Elisa Travalloni, também jornalista, minha colega de turma na Uerj e, sobretudo, uma querida amiga.
Por ele, lamento a perda de uma pessoa que muito tinha a contribuir. Pior para nós.
Gente, vamos parar de nos enganar? A crise chegou ao Brasil.
Devagarinho, sorrateiramente, ela cruzou a linha do Equador e desembarcou em nossas terras. Não se sabe exatamente quando. A verdade é que uma série fluida de acontecimentos desencadeou outros tantos e, numa sequência de relações causais, culminou em altos índices de desemprego aqui no Brasil.
“Sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata”, já cantava Gonzaguinha. Sábias palavras do poeta! Desempregado, o homem se afunda no ócio, perde suas referências. Se não se apoiar sobre um bom suporte psicológico, distorce a realidade e passa a praticar atos que jamais faria em condições normais de temperatura e pressão, nas quais sua vida era preenchida por alguma atividade salutar.
O desemprego revelou-se grave exatamente ontem, na invasão de torcedores no treino do Fluminense. As imagens são cruéis. É duro, mas insisto que veja. Vamos nos penalizar destas pessoas que, sem mais o que fazer na vida, se dirigem numa terça à tarde para protestar e agredir profissionais em seu ambiente de trabalho.
O que podemos fazer? Uma sugestão é oferecer um emprego, ou pelo menos um biscate a esses pobres cidadãos. Quem sabe, trabalhando, eles não preencham suas vazias mentes e vidas com algo útil?
Sempre quis entender onde está a força magnética que tanto atrai meus colegas a um boteco ou a uma lata de cerveja. Num momento filosófico-sociológico-antropológico, elaborei um possível conjunto de teses que, combinadas, explicam por que ser jornalista, para muita gente boa, significa viver na manguaça.
1) Tradição - o pleonasmo “jornalista bêbado” é disseminado com vigor pelas ruas, pelos botecos de esquina e pelos próprios jornalistas. Parece que aos profissionais contemporâneos, movidos por uma espécie de imaginário coletivo, resta manter a sina e atender – sem nenhum sacrifício, em muitos casos – a este destino já traçado.
2) Início precoce – certa vez, nessas infovias da internet, li alguém dizer que as principais matérias da faculdade de jornalismo eram beber cerveja e pegar mulher (ou algo assim). Se esse pensamento estivesse correto, os estudantes sairiam da universidade jornalistas, alcoólatras e promíscuos, não necessariamente nessa ordem. Bem, o mercado restringe o exercício profissional e a sociedade inibe o hedonismo. Resta afogar as mágoas na bebida. Assim, a faculdade continua formando, por semestres, legiões de consumidores de Skol e Itaipava.
3) Ritmo de trabalho – ok, mas e os outros profissionais? Também não bebem? Dá pra acreditar que os engravatados que vão aos bares são todos jornalistas? Claro que não. Então por que a fama sobra pros repórteres, redatores e editores? Bem, “engravatado” tem mais chances de ser casado (são mais caretas e convencionais, montam a família mais cedo) e tem um horário mais certinho e, mesmo quando não tem, labuta em escritório. Já o trabalho do jornalista é a rua. Se você soma isso aos dois fatores anteriores, tem um prato cheio para entender porque uma visita ao bar mais próximo é tão atraente.
Claro que essas motivações são baseadas em pré-conceitos de quem faz parte de uma seleta exceção composta por jornalistas abstêmios. Portanto, coleguinhas, não fiquem bravos com casuais exageros.
Só quero saber quem vai me ajudar a desvendar este enigmático mistério: por que jornalistas bebem tanto? Isto é verdade? Ou você tem outra profissão e exige para a sua classe o título de “os mais pinguços”? Diz aí!
Vem cá, um repórter é agredido por “seguranças” que dispersavam os passageiros comuns durante visita do grupo do Comitê Olímpico Internacional ao metrô do Rio e a repercussão é essa mesma, quase nenhuma?
Ao comentar a condenação da dona da Daslu, a revista critica uma possível perseguição aos mais abastados, o que só produziria “mais miséria moral, política, econômica e social”, e defende o comércio de artigos caros e requintados. Trata-se de uma opinião leviana e incoerente. E explico o porquê.